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2.8. Akciğer Kanserinde Tanı

2.8.4. Girişimsel Tanı Yöntemleri

Para efeito de nossa pesquisa, como já dissemos, nos interessou identificar e analisar as concepções e estratégias de desenvolvimento da compreensão leitora e do letramento em História propostas pela Coleção didática Projeto Araribá. Esta coleção, como já afirmamos, foi a mais adotada na edição 2008 do PNLD devido à sua proposta de desenvolvimento da competência leitora explicitamente anunciada por seus autores e editores. Neste momento, em que os esforços de vários agentes parecem convergir para a construção de metodologias e conceitos que visam qualificar o aprendizado da leitura e o desenvolvimento do letramento, entender as proposições, via protocolos de leitura, que foram didatizadas em um material amplamente adotado nas escolas brasileiras e tão importante no cotidiano das salas de aula, pode lançar questões importantes no desenrolar deste debate.

Siman, Pereira e Silva (2007) ao analisarem os processos de escolha de livros didáticos de História por professores na edição 2008 do PNLD em quase duas dezenas de escolas públicas das redes estadual e municipal de Belo Horizonte e Pedro Leopoldo – cidade pertencente à região metropolitana da capital mineira – constataram que as demandas pelo desenvolvimento dos processos de leitura e escrita em História têm orientado critérios de avaliação docente sobre os livros didáticos.

Primeiramente porque os tipos de textos disponíveis (em suas variadas formas) são compreendidos pelos professores como componentes substanciais da aprendizagem histórica. Em segundo lugar, vive-se um momento em que os docentes de todas as áreas do conhecimento são pressionados, instados e mesmo constrangidos por demandas relacionadas ao desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita. Neste sentido, trechos dos depoimentos transcritos abaixo são exemplares (p.1824).

82 Eu avaliei se o livro tem exercícios de escrita, pois os alunos precisam escrever para aprender História

Professora Cláudia, Escola Municipal Heitor Cláudio de Sales, 06/07/2007.

Para ver as opções a gente olhou: leitura; contextualização? Gráfico? Mapa? Documentos? Gravuras?

Professora Vânia, Escola Municipal Carmem Barroso, Pedro Leopoldo, 06/07/2007.

Na hora de escolher levamos em conta o nível do vocabulário utilizado pelo livro. Trabalhamos com um público diversificado. Existem alunos que leem satisfatoriamente enquanto outros nem foram alfabetizados direito.

Professor Eli, Escola Municipal Amilcar Viana Martins, Belo Horizonte, 04/07/200750

Neste quadro, constatou-se que os professores fizeram opção por livros que se apresentassem como capazes de favorecer a aprendizagem da História, exercitando o aprendizado da leitura de textos contínuos e descontínuos e, até mesmo, da escrita de pequenos textos. A indústria cultural, por sua vez, atenta a realidades como esta, parece fazer a adequação de seus produtos para atender às demandas do mercado.

Como a produção de livros didáticos exige um investimento muito alto, outro fator determinante na sua elaboração é a pesquisa de mercado. Nenhum editor quer investir em um produto sem antes ter uma considerável previsão de seu resultado. Por isso, ouvem- se os professores e os diretores de escolas em busca das características mais aceitas, dos conteúdos mais usados e das formas mais cativantes (Medeiros, 2006, p. 80. (grifos nossos). Entretanto, como já demonstrado no capítulo anterior, as pesquisas sobre livros didáticos realizadas a partir da década de noventa do século passado no Brasil (Bittencourt, 1993; Munakata, 1997; Bueno, 2003) vêm demonstrando que se estes materiais representam, por um lado, concepções e interesses de grupos hegemônicos no plano político, econômico e cultural, por outro, são a expressão da dinâmica constante dos conflitos de uma sociedade contraditória onde os demais grupos também se expressam. Nesse sentido, entendemos o livro didático não apenas como fruto das imposições de determinados grupos, mas também como convergência de diversos interesses,

83 inclusive das necessidades reais de professores e alunos que neste momento demandam a didatização de proposições para o desenvolvimento da leitura.

O contexto analisado na região metropolitana de Belo Horizonte parece guardar características semelhantes à realidade nacional. A obra adotada na maior parte das escolas pesquisadas – Coleção Projeto Araribá: História, da editora Moderna - foi também a mais escolhida em todo o país na edição 2008 do PNLD. Salvo melhor juízo, boa parte do sucesso obtido por este manual didático está relacionado à anunciada didatização de propostas voltadas para a superação de problemas no campo da leitura. Além de anunciar que o livro traz informações claras e um sistema de títulos organizados que tornam o material mais acessível aos estudantes de Ensino Fundamental, os protocolos de leitura do manual do professor afirmam que o livro é uma ferramenta que contribuirá para a superação dos problemas no campo da leitura.

O desafio de transformar essa triste realidade (baixos níveis de compreensão leitora) passa pela elaboração de livros didáticos que tragam informações claras, um sistema de títulos organizados e um programa de atividades compatível com a faixa etária dos alunos, com comandos claros e uma organização que oriente os alunos nas tarefas que terão de desenvolver (Projeto Araribá: Guia de Recursos Didáticos, p. 13).

Em outra passagem do Guia e Recursos Didáticos, sintonizados com os pressupostos apontados nas orientações oficiais (PCN´s; Diretrizes para orientação de professores da Secretaria de Educação de São Paulo, 2006) e a produção acadêmica (Bittencourt, 2004; Paiva, 2006; Solé 1998), os autores afirmam aos professores que é possível desenvolver a competência leitora por meio de programas bem definidos – presentes no Projeto Araribá - que ensinam aos estudantes como ler uma grande variedade de tipos de textos em todas as áreas51.

O programa ensina, de maneira sistemática, a ler, compreender e avaliar criticamente artigos de revistas, jornais, textos literários e de pesquisadores, infográficos, entre outros que tenham um componente próprio da área – geográfico, histórico, científico ou matemático (Projeto Araribá, Guia de Recursos Didáticos, p. 2).

51 Entretanto, apesar da sintonia apontada neste aspecto não existe nenhuma referência dos autores sobre a bibliografia acadêmica mencionada.

84 Segundo seus autores o Projeto Araribá foi criado para levar os estudantes brasileiros a superarem as dificuldades de compreender os textos contínuos e descontínuos que leem conforme diagnóstico apresentado a partir das análises dos resultados das avaliações do PISA em suas edições de 2000 e 2003. No Guia e Recursos Didáticos os autores apresentam uma defesa incisiva da importância do desenvolvimento da competência leitora - entendida como uma das chaves para o desenvolvimento pessoal, escolar, profissional e

para a formação cidadã dos estudantes (p.2).

Afirma-se que o compromisso com o desenvolvimento desta Competência é um dos pontos altos do material e também está presente em todas as cinco áreas do conhecimento – História, Língua Portuguesa, Geografia, Ciências e Matemática - para as quais foram produzidas as coleções didáticas do Projeto. Esta premissa vai ao encontro das proposições apontadas por Solé (1998), de que o ensino da leitura não é questão de um

curso ou de um professor, mas questão de escola, de um projeto curricular e de todas as matérias (existe alguma em que não seja necessário ler?(p. 19).

Mesmo utilizando-se do conceito de competência, alvo de muitas críticas no campo acadêmico, como veremos mais adiante, a proposta de desenvolvimento da capacidade leitora anunciada pelo Projeto Araribá aponta para uma concepção de letramento que aparece implícita em vários trechos do manual do professor quando se preconiza a importância da utilização social da língua.

2.1.5. Conceitos e concepções de competência leitora anunciados no

Benzer Belgeler