BÖLÜM 3. GİRİŞİM SERMAYESİ FİNANSMAN MODELİ
3.1. Girişim Sermayesi Modelinde İş Akışı
Nesta dissertação foi possível compreender que a atividade turística, na cidade de Fortaleza, desde o final da última década, está focada para a captação de novos segmentos do mercado de Turismo, notadamente o segmento de Negócios & Eventos.
Desde a década de 1990, o foco da atividade estava em criar uma imagem atrativa para o turista conhecer as praias cearenses. Cumpre destacar, que este foi um programa que aconteceu em toda a região nordeste do país. A atração de turistas para o litoral cearense estava ligada a investidores financeiros internacionais que realizaram várias obras intervencionistas na área litorânea de Fortaleza e, como contraproposta, o Estado realizava uma série incentivos fiscais e infraestruturais aos investidores. Atrelado a isso, uma forte campanha de marketing institucional para mudar a concepção dos turistas sobre a cidade.
O segmento de Negócios & Eventos ganhou ênfase a partir do governo Cid Ferreira Gomes. Durante sua gestão, vários empreendimentos urbanos que intervinham na configuração da cidade foram propostos com a justificativa de dotar Fortaleza de ícones urbanos e/ou infraestrutura para atender os megaeventos que o país ia receber. A cidade, ícone do turismo de Sol & Praia, estava sendo preparada para ser mais um pólo receptor do segmento de Negócios & Eventos e com isso reduzir a sazonalidade.
Conseguir mais uma fatia do mercado para reduzir a sazonalidade e aumentar o número de empregos formais eram um dos argumentos governamentais utilizados para dar legitimidade às obras que se espalhavam por toda cidade. A rigor, muitos desses empreendimentos não se concretizaram, mas permanecem seus espectros, como se os governos estivessem aguardando o momento correto para garantir mais lucros para os setores imobiliários e construção civil.
Das obras propostas na gestão Cid Gomes, destaco o Centro de Eventos e Feiras, o Acquário, VLT, Ponte Estaiada e Mirante de Fortaleza, a transformação do estádio Castelão em arena, abertura de vias e túneis e a requalificação do aeroporto Pinto Martins. Cabe ressaltar que muitos dos que foram construídos, estão sendo privatizados. Os investidores são diversas empresas internacionais que administrarão o aeroporto Pinto Martins, o Centro de Eventos e está em execução a venda do que será o Acquário do Ceará.
A política de turismo no Ceará sofre influência de diversos grupos econômicos que almejam uma fatia dos recursos governamentais para garantir mais lucros, a partir da exploração comercial da cidade. Esses grupos de influência estão ligados à construção de equipamentos e aberturas de vias, como também à valorização da terra.
As legislações, planos, programas e projetos que versam sobre a regulamentação da atividade turística no Ceará, de forma geral, propõem em seu escopo que sejam preservados o patrimônio cultural, histórico e os direitos socioambientais das comunidades onde serão inseridos mecanismos para difusão do turismo. Contudo, o que se constata em Fortaleza é que na busca por uma cidade que atraia o fluxo turístico, os territórios, o meio ambiente e a preservação das comunidades são peças de um jogo que são facilmente descartadas para garantir lucros para empresas do ramo da construção civil.
Fortaleza é gerida como um grande produto que deve ser comercializado para atração de novos fluxos turísticos. Nesse jogo, a cidade é remodelada sob a égide da acumulação do capital, e os grupos que se filiam na luta pela moradia, educação e direitos sociais têm, continuamente, seus direitos dilapidados em benefício dos grandes investidores.
Na política de turismo, não há participação popular, não há controle social. As comunidades que serão impactadas pelas intervenções urbanas, são surpreendidas com anúncios televisivos sobre as obras e/ou com tratores à sua porta, derrubando sonhos, colocando abaixo anos de trabalho para a realização do sonho da “casa própria”.
Esse modelo de turismo realizado em Fortaleza ancora-se em intervenções urbanas, sem participação popular nas esferas deliberativas que por consequência não permitem um efetivo controle social. As mudanças na metrópole ocorrem em função da reprodução capitalista e gera disparidades socioespaciais, expulsando o cidadão mais pobre para áreas mais periferizadas, tendo em vista que após a realização de obras urbanas, os custos de vida nos bairros emergentes ficam mais caros, quando, por muitas vezes, os moradores não têm suas casas removidas do entorno das obras.
O Turismo é uma atividade econômica que gera impactos sociais, financeiros, ambientais e culturais nas regiões em que são desenvolvidas suas interações. A construção desses “ícones da modernidade” pode ser compreendida como uma ação que corresponde à exploração organizada e comercial do lazer que exige a produção e transformação da área urbana através da produção de serviços e equipamentos.
A Ponte Estaiada e Mirante seriam obras de grande envergadura que se ancorariam em dois pressupostos como argumentos para sua construção: Turismo e mobilidade urbana. Cumpre destacar que a construção dos equipamentos está ligada à valorização de áreas urbanas na capital, pois incidiriam diretamente na abertura de vias dentro de uma região que valorizariam terrenos do grupo IDIBRA e onde não há grande fluxo de trânsito.
Mesmo diante da não realização das obras, avalia-se que elas poderão ser construídas futuramente. Em momento algum, os gestores públicos sinalizaram que os empreendimentos não serão construídos. O que se tem como notícia, através da publicação do Diário Oficial do Estado e de sites de jornais locais é que houve uma suspensão da Parceria Pública Privada.
De forma abrangente, pode-se constatar que a construção desses equipamentos atuaria no fortalecimento de setores econômicos abastados da cidade, notadamente os grupos ligados à construção civil, e influenciariam na valorização fundiária dos terrenos por onde a via urbana for construída. Se os projetos forem executados, o processo de segregação socioespacial que atua diretamente na expulsão dos pobres para comunidades mais afastadas, será acelerado, tendo em vista que não existe a preocupação dos governos e investidores de manter as comunidades na região. Somem-se a isso, os danos ambientais diretos e indiretos que serão causados ao parque do Cocó como prejuízo para a fauna e flora e ao equilíbrio do ecossistema.
O ideal seria que a atuação dos governos na realização de políticas públicas voltadas para o turismo, na capital cearense, fosse reavaliada com o intuito de garantir a efetiva participação dos cidadãos nos processos decisórios e a garantia de suas escolhas para implantação de equipamentos urbanos. É importante a construção de mecanismos que possibilitem ao morador desfrutar do potencial turístico já existente e os que poderão ser construídos. Contudo, o que se enxerga é que os processos decisórios na cidade, realizados pelos executivos, municipal e estadual, continuam restritos a pequenos grupos onde estão circunscritos investidores que atuam na valorização fundiária da terra, em detrimento dos grupos sociais que se filiam na luta por moradia, educação, saúde e cultura.
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