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3. MATERYAL VE METOT

3.6. Hemşirelik Girişimi

3.6.1. Girişim Materyali

Nascido em São Luís, Maranhão, Ignácio Rangel (1914-1994) foi o expoente maior de uma visão mais integradora entre as temáticas que partem da questão agrária e culminam na crise urbana. Rangel trouxe uma visão não estanque dos problemas rurais, colocando-os, em última

Alberto Passos Guimarães e Caio Prado Júnior discordaram sobre a forma como se deu a colonização no Brasil. Argumente sobre essas diferenças e como elas influenciaram no modo desses autores verem a importância da reforma agrária.

Reposta Comentada

Para Guimarães, o regime econômico implantado no Brasil foi feudal e por isso a reforma agrária no Brasil deveria conter elementos antifeudais e, caso ela não tivesse estes elementos, não seria nem dinâmica e nem revolucionária. Para esse autor, caso o sistema latifundiário no Brasil fosse capitalista seria supérfluo fazer reforma agrária, pois o capitalismo era a etapa imediatamente anterior à transformação socialista.

Caio Prado Júnior discordou categoricamente da análise feudal sobre a coloni- zação; para ele, a produção mercantil e o trabalho escravo já eram elementos suficientes para refutar essa visão. Prado Júnior aceitava a reforma agrária como um elemento importante para a melhora das condições de vida dos trabalhadores rurais, contudo em sua opinião isso deveria se dar a partir da venda de terras de latifundiários por conta de uma sobrecarga tributária que, ao mesmo tempo que abaixasse o preço das terras, evitaria a posse especulativa das mesmas. O central, em Caio Prado, era melhorar as condições de vida e trabalho no campo por meio de uma maior abrangência da legislação trabalhista.

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instância, no bojo do movimento do capital. Ele ainda foi, segundo Kageya- ma (1993), o pioneiro em levantar componentes especulativos, a exemplo do preço da terra, como um dos principais problemas agrários nacionais.

Figura 5.4: Para Ignácio Ran-

gel, os verdadeiros problemas que configuravam uma ques- tão agrária nacional estavam na relação entre produção e superpopulação rural.

Nas palavras do próprio autor, “Entre os que negam a existência de uma questão agrária grave e os que a afirmam, estamos com estes últimos”. Estas poucas linhas trazem a convicção de Rangel para a problemática questão agrária nacional, mas podem ser geradoras de confusões, uma vez que, para esse autor, a reforma agrária era uma hipótese bastante remota para a resolução dos problemas do campo brasileiro. Posicionando-se do lado daqueles que aceitam a existência de uma questão agrária grave no país, ele continua:

Mas não podemos inferir daí que tenha chegado o momento para uma mudança revolucionária no estatuto existente da terra, consubstanciado num vasto corpo de direito fundiário, por vezes contraditório, mas, talvez por isso mesmo, suficientemente plástico para comportar a introdução de uma tecnologia muito superior à já aplicada em nossa agricultura (RANGEL, 2000, p. 184).

A raiz da argumentação de Rangel partiu de sua constatação de que o latifúndio, à época, não era o verdadeiro problema agrário do Brasil. O latifúndio só seria problema em países onde a terra era fator aguda- mente limitado, com o caso da Holanda e do Japão, entre outros. Para

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ele, o “essencial, portanto, é tornar acessíveis e habitáveis as terras que antes não o eram e pesquisar os meios e modos de tornar agricultáveis as terras que também não o eram” (RANGEL, 2000, p. 176).

Os verdadeiros problemas que configuravam uma questão agrária nacional, para Rangel, não estavam na concentração fundiária e sim na relação entre produção e superpopulação rural. Em síntese, para ele, define-se uma questão agrária quando o setor agrícola libera em excesso mão de obra necessária à expansão dos demais setores da economia ou, pelo contrário, não libera (KAGEYAMA, 1993, p. 7).

Além das clássicas funções da agricultura, tais como produção de gêneros alimentícios e matérias-primas para a indústria, caberia ao setor rural, segundo Rangel (2000, p. 191), não apenas o papel de liberar mão de obra para as atividades urbanas, mas também, se necessário fosse, reter ou reabsorver esse contingente.

É fato que entre o processo de liberação de força de trabalho do campo para as cidades e as reais necessidades das atividades urbanas houve um descompasso, a saber: um contingente populacional liberado em excesso, denominado por ele “superpopulação”, somado à “super- produção”, isto é, elevada produtividade do trabalho agrícola além das necessidades internas e da capacidade externa de absorção.

Em outras palavras, elevada produtividade do trabalho rural, êxodo rural e desemprego urbano estavam correlacionados em uma sequência lógica que desembocaria na redução da taxa de salários e por consequência na incapacidade de crescimento equilibrado da economia como um todo.

Figura 5.5: O fato é que entre o processo de liberação de força

de trabalho do campo para as cidades e as reais necessidades das atividades urbanas houve um descompasso.

Fonte: http://www.flickr.com/photos/33146126@N03/3276466664/

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Fica claro, portanto, que, para Ignácio Rangel, o processo de industrialização que o Brasil conheceu, no início dos anos de 1960, aca- bou por gerar uma crise agrária, oriunda da não realização de uma refor- ma agrária prévia. A ausência dessa política impactou na distribuição funcional da renda, gerando um expressivo contingente de mão de obra em busca de oportunidades nas atividades urbanas industriais (CRUZ, 2000, p. 241). “Noutros termos, não foi só a economia agrícola que, ao modernizar-se, deixou sem emprego parte da mão de obra da família trabalhadora. As atividades urbanas também” (RANGEL, 2005, p. 228).

Em que pese deixar claro que a urbanização é um fenômeno perfei- tamente normal, o autor defende que o ritmo do processo de urbanização brasileiro implicou criar, nas cidades, uma oferta de força de trabalho para além das necessidades demandadas pela industrialização.

Consolidada a agricultura capitalizada, o setor passou a se inte- ressar “apenas por parte do tempo de trabalho de parte dos membros da família camponesa” sendo isso a raiz, segundo o autor, do processo de êxodo rural e, portanto, da urbanização acelerada, configurando somente um fenômeno normal dentro de uma economia em processo de industrialização. Entretanto, para Rangel, “O que não é normal é o ritmo que imprimimos ao nosso processo de urbanização, que implica em criar, nas cidades, uma oferta de mão de obra em descompasso com a demanda que a industrialização vai criando”.

Ignácio Rangel, em sua clareza, já tinha diferenciado questão agrí- cola de questão agrária. Para ele, a primeira estava dada quando o setor agrícola não conseguisse aumentar a produção para fornecer à indústria matérias-primas e alimentos para os residentes urbanos. Por outro lado, se a agricultura liberasse muita ou pouca mão de obra em descompasso com o processo de industrialização configuraria uma questão agrária, traduzida por uma urbanização exagerada ou insuficiente.

Enquanto grande parte dos autores pecebistas estava discutindo o feudalismo (ou não) do processo de colonização nacional, Rangel partiu de outro prisma, mais estrutural, qual seja: o rompimento de um sistema “feudal” da agricultura que se caracterizava como oligopólios no campo, supridores das cidades. Portanto, poder-se-ia ter um latifúndio feudal para dentro, todavia, para fora o mesmo seria eminentemente um latifúndio comercial.

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Para Ignácio Rangel, a questão agrária brasileira culmina com a crise urbana. Disserte sobre isso.

Reposta Comentada

Para Rangel, o setor agrícola, quando libera muita mão de obra, esta se dirige às cidades e, sem oportunidades, passa a engrossar as massas miseráveis urbanas. O contrário também poderia gerar problemas, isto é, quando o setor agrícola não libera mão de obra isso refletiria nos salários urbanos. Para o autor, o processo de industrialização nacional, no início dos anos 1960, acabou por gerar uma crise agrária, oriunda da não realização de uma reforma agrária prévia. A ausência desta política gerou um expressivo contingente de mão de obra em busca de oportunidades nas atividades urbanas industriais.

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CELSO FURTADO E A INELASTICIDADE DA PRODUÇÃO

Benzer Belgeler