3. BULGULAR VE YORlJM
3.1. Giriş
A evidência cientifica tem vindo a demonstrar que o cuidado emocional tem um potencial terapêutico elevado, embora com menos reconhecimento do que seria de esperar tendo em conta “(…) a carga de natureza emocional [presente] na
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experiência de cuidar da criança/jovem e da sua família” (Diogo, 2012b, p. 54). O nascimento de um RN prematuro é um evento inesperado e gerador de ansiedade para o qual pais e restantes familiares não estão emocionalmente preparados. O facto de terem que atender às necessidades do RN, às suas necessidades e de outros familiares, sobrecarrega o núcleo familiar, e impele à mobilização de recursos e estratégias interiores que os pais nem sempre têm noção que existem. Neste contexto é assim fundamental estar atento às necessidades do RN e seus pais por forma a estabelecer atividades que facilitem a interação familiar no plano de cuidados de enfermagem.
Durante a prática clínica e os estágios já decorridos, poderia elencar algumas necessidades manifestadas pelos pais na UCIN, tais como as de informação, as de segurança nos cuidados, as de serem respeitados e ouvidos. A importância deste trabalho é conseguirmos desenvolver ações que, ao darem resposta a estas necessidades parentais, promovem o suporte emocional aos pais, entre elas a promoção da vinculação, o envolvimento dos pais nos cuidados, o acolhimento, o envolvimento dos irmãos e outros familiares na ligação afetiva com o RN e a preparação para a alta do bebé, ou para a morte. As práticas terapêuticas que concorrem para a ajuda emocional aos pais podem também desenvolver-se por meio exclusivo da nossa própria pessoa, no caso da dádiva de afeto (direcionada aos pais – sorriso, olhar meigo; ou direcionado à criança – voz embalada e suave, falar animado, carinho e colo), da presença e da postura calma e afável (Diogo, 2012b). Também Harbaugh, et al (2004), citados por Hockenberry e Wilson (2014) elucidam como comportamentos úteis para reduzir o stress e manter a unidade familiar durante a hospitalização o afeto, o cuidado, a vígilia e a proteção.
O acolhimento na UCIN, quando realizado com o sentido de acolher1 os pais,
pode realmente contribuir para a sua gestão emocional. Esta é uma área de intervenção do enfermeiro, por vezes delegada para outros profissionais, como o médico ou assistente operacional, pela necessidade de o enfermeiro estar a prestar
1 Ação de receber alguém, dar proteção, ajuda, levando para junto de si (Academia das Ciências de Lisboa,
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os primeiros cuidados ao RN, ou talvez pelo receio de encarar os pais. Mas este é um pocedimento que não deve ser desvalorizado, dada a importância que tem na regulação das emoções dos pais. Tavares (2011, p.32) defende que as enfermeiras “(…) deverão proporcionar um acolhimento baseado na reciprocidade, acolhendo a criança e família e deixando-se acolher, passando do acolhimento ao envolvimento, progredindo assim para uma relação terapêutica”. Interessa, por isso, reforçar que o processo de acolhimento tem como finalidade integrar os pais na equipa e prepará- los para os atos terapêuticos necessários. Segundo Hockenberry e Wilson (2014) estes pais precisam também de ser preparados para a aparência da criança e para as suas competências. No caso de RN prematuros, esta preparação é fundamental, já que o bebé que idealizaram é muito diferente do bebé real. Além disso, é provável que este esteja envolto em equipamentos, fios e tubos que permitem a sua sobrevivência, mas que ao mesmo tempo acentuam as alterações visuais. Tavares (2011) enfatiza a noção de acolhimento como um processo contínuo que não se cinge ao momento da admissão. A parceria de cuidados com os pais, tal como já foi amplamente debatido, contribui para que estes se sintam integrados na equipa, e percebam o seu papel parental como importante e valorizado por parte dos profissionais de saúde.
Também o envolvimento dos irmãos pode ser uma mais-valia para o cuidado emocional aos pais, na medida em que poderemos aliviar a carga emocional destes no que respeita aos sentimentos que envolvem o cuidado do filho saudável (Apêndice XXI). A chegada de um novo membro à família pode ser muito ansiogénico para a criança que antes dispunha da atenção parental só para si. O facto de o bebé nascer doente ou com necessidade de cuidados específicos torna o processo mais confuso. Em particular, as crianças até á idade escolar não compreendem porque é que a mãe vai para o hospital com o bebé na barriga e regressa sem o irmão para casa, podendo, inclusivamente, sentir culpa por ter desejado que o bebé não nascesse. Além disso, se não lhes for explicado o motivo, eles tendem a imaginar situações exageradas sobre a doença, tratamento e hospitalização do irmão, através daquilo que captam e ouvem das conversas dos pais e/ou outros adultos (Hockenberry & Wilson, 2014).
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Na UCIN onde eu exerço funções, os irmãos podem entrar na unidade sem restrição de horários para conhecer e interagir (quando possível) com o RN, normalmente se idade superior a 2 anos e desde que acompanhados por um dos pais. Beavis (2007) refere que as crianças que visitam a UCIN pela primeira vez sem preparação prévia deparam-se de repente com um ambiente inquietante, ruidoso e movimentado, repleto de pais ansiosos e enfermeiros preocupados com os bebés doentes, com o qual não sabem como lidar. O processo de preparação pode então ser feito com recurso a técnicas e estratégias de cuidados não traumáticos, utilizando a brincadeira terapêutica como forma de acolhimento em enfermagem, aliada a formas de comunicação adequadas ao desenvolvimento cognitivo de cada criança.
Promoção da esperança realista, por outro lado, é um fenómeno recente na
prática de Enfermagem, mas que deve ser valorizado principalmente em situações de incerteza quanto à evolução da situação clínica e quanto ao futuro da criança. No Guia Orientador das Boas Práticas de Enfermagem (Ordem dos Enfermeiros, 2011a, p. 12) são elencadas estratégias para fomentar a esperança, algumas delas tão intuitivas que as realizamos diáriamente sem consciência disso, tais como “(…) a abertura ao outro, o conhecimento das suas potencialidades e limitações, bem como a criação de um ambiente de apoio”.
Por fim, a preparação para a alta, quando iniciada precocemente, contribui para a redução dos níveis de ansiedade dos pais e para a vivência de experiências emocionais mais positivas e equilibradas, tema abordado no subcapítulo seguinte.
4.4. Gestão da experiência emocional dos pais no processo de preparação