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recomendações delineadas acima nas operações 1, 2, 3 e 4 (SEAE, 2002).

No que diz respeito às operações 6 e 7, analisadas conjuntamente, a SEAE observou que o processo de descruzamento entre as empresas CVRD e CSN envolve condições que se encontravam descritas no “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Ações e Outros Pactos”, datado do dia 31 de maio de 2000. Para que existisse o total descruzamento acionário, as partes deveriam cumprir algumas obrigações previstas no referido contrato. Afirmou que “tal posicionamento (desconcentração de atividades entre CVRD e CSN) é requisito fundamental para se fazer frente aos investimentos e conseqüentes ganhos da produtividade necessários à manutenção dos diferenciais de competitividade das companhias no cenário internacional”. Concluiu finalmente que se todas as condições suspensivas dentro do Contrato de Promessa de Compra e Venda de Ações e outros pactos fossem realizados, a operação de descruzamento teria efeitos pró- competitivos e, portanto, recomendou a aprovação das operações sem restrição. Posteriormente a essa análise, atendendo solicitação da SDE, a SEAE fez uma análise complementar acerca da “clausula de preferência” consignada na minuta do instrumento de Contrato da Casa da Pedra, concluindo que “Devido ao exposto em todo o item 5.3 do presente trabalho, sugere-se que o ‘Acordo de Casa de Pedra’ não contenha cláusulas de preferência que possam fornecer a Companhia Vale do Rio Doce informações privilegiadas sobre seus potenciais clientes e/ou concorrentes” (SEAE, 2002).

5.4.2 Parecer da SDE

À Secretaria de Direito Econômico cabe exercer as competências estabelecidas nas Leis nºs 8.078, de 11 de setembro de 1990, 8.884, de 11 de junho de 1994, 9.008, de 21 de março de 1995, e 9.021, de 30 de março de 1995, e, especificamente (www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm.):

I - formular, promover, supervisionar e coordenar a política de proteção da ordem econômica, nas áreas de concorrência e defesa do consumidor;

II - adotar as medidas de sua competência necessárias a assegurar a livre concorrência, a livre iniciativa e a livre distribuição de bens e serviços;

III - orientar e coordenar ações com vistas à adoção de medidas de proteção e defesa da livre concorrência e dos consumidores;

IV - prevenir, apurar e reprimir as infrações contra a ordem econômica;

V - examinar os atos, sob qualquer forma manifestados, que possam limitar ou prejudicar a livre concorrência ou resultar na dominação de mercados relevantes de bens ou serviços;

VI - acompanhar, permanentemente, as atividades e práticas comerciais de pessoas físicas ou jurídicas que detiverem posição dominante no mercado relevante de bens e serviços, para prevenir infrações da ordem econômica; VII - orientar as atividades de planejamento, elaboração e execução da Política Nacional de Defesa do Consumidor;

VIII - promover, desenvolver, coordenar e supervisionar atividades de divulgação e de formação de consciência dos direitos do consumidor;

IX - promover as medidas necessárias para assegurar os direitos e interesses dos consumidores; e

X - firmar convênios com órgãos e entidades públicas e com instituições privadas para assegurar a execução de planos, programas e fiscalização do cumprimento das normas e medidas federais.

A SDE alegou, em síntese, em relação às operações de 1 a 4, que, embora ciente da necessidade de que a CVRD precisa manter competitividade no cenário internacional, isto não daria ensejo a que a empresa se tornasse praticamente monopolista nos mercados relevantes identificados, com uma alta probabilidade de reduzir o bem-estar do consumidor brasileiro, como forma de viabilizar suas atividades. (SDE, 2005).

A SDE identificou a presença de problemas nas operações, conforme abaixo descrito:

Indicou que o Sistema Sul é o balizador da análise, definindo como mercados relevantes em relação à dimensão dos produtos o mercado de minério de ferro granulado; minério de ferro sinter-feed; minério de ferro pellet feed; transporte ferroviário; serviços portuários; transporte marítimo e produtos siderúrgicos.

(granulado, sinter-feed e pelotas), no transporte ferroviário e nos serviços portuários por meio dos quais são escoados tais produtos.

Entendeu que as concentrações horizontais e verticais indicam possibilidade de exercício de poder de mercado dos minérios já referidos, além de poder prejudicar o acesso de terceiros aos corredores logísticos (ferrovia e porto). Sugeriu, então, a adoção das seguintes medidas estruturais:

a) eliminação da Cláusula de Preferência (Operações de descruzamento das participações acionárias da CVRD e da CSN);

b) venda da participação acionária na MRS adquirida com a Operação 3 (Ferteco) a terceiros, de modo que a CVRD não detenha, direta ou indiretamente, mais de 20% do capital votante da MRS, devendo tal venda ser realizada por meio de leilão ou mediante oferta da CVRD, garantido preço e condições de venda isonômicos aos compradores;

c) alteração do acordo de acionistas da MRS, de forma que a CVRD permaneça a ele vinculada única e exclusivamente com a finalidade de participar da reunião prévia convocada para deliberação sobre política tarifária da MRS, não podendo participar das demais reuniões prévias da companhia e que fique vedada de indicar quaisquer membros da administração da MRS; nesse sentido sugere a alteração do acordo de acionistas da MRS com vistas a incluir dispositivo que previsse a possibilidade de que o bloco de controle da companhia convocasse as reuniões prévias referidas sem a participação da CVRD, sempre que o tema a ser tratado não se referisse à política tarifária e que fossem excluídas as ações pertencentes à CVRD para fins de cálculo da totalidade das ações vinculadas ao Acordo e preservar o direito de CVRD de não votar em conjunto com os demais acionistas vinculados ao Acordo, quando esta não tiver participado das reuniões prévias do bloco de controle;

d) determinação à CVRD para que notifique ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência futuras aquisições de reservas de minérios, bem como instauração, pela SDE, de apuração de atos de concentração para identificar a aquisição de minérios de ferro nos últimos 5 anos;

e) criação de uma subsidiária integral que passe a deter a ferrovia EFVM, bem como a transferência do contrato de concessão dessa ferrovia com ANTT da CVRD para subsidiária. Cumpre observar que esta medida guarda nexo de causalidade com as Operações analisadas.

f) alienação da Mina de Capão Xavier, bem como de todos os ativos envolvidos diretamente na sua operação, ativos estes relacionados;

g) alienação de participação acionária significativa em um dos seguintes terminais portuários, seja o que era pertencente à Ferteco, em Sepetiba/RJ, ou à MBR, localizado na ilha de Guaíba/RJ, a critério da CVRD, de maneira que o player adquirente da mina e da participação na MRS disponha de canal para escoar sua produção.

Quanto à operação 5, a SDE definiu o mercado relevante nos termos já delineados nas operações 1 a 4, constatando concentrações horizontais e integrações verticais, poder de mercado, anotando, por fim, que somente seria passível de aprovação a operação caso satisfeitas as recomendações sugeridas nas operações 1 a 4(Id).

No que concerne às operações 6 e 7, a SDE apresentou parecer conjunto dos dois atos de concentração, AC nº 08012.005250/2000-17 e nº 08012.005226/2000-88, justificando a conduta em razão de ambos versarem sobre os mesmos mercados relevantes e pelo fato de as duas operações, conjuntamente, garantirem a eliminação das participações cruzadas entre a CVRD e a CSN. Registrou que por estas operações (i) a PREVI e a MAJOLI não deteriam mais ações da CSN; e que (ii) com a aquisição pela LITEL e pela ELETRON das ações da CSN STEEL CORPORATION, esta última não deteria mais o controle da CVRD pela VALEPAR. Portanto, ocorreria o fim da participação cruzada entre as empresas. Todavia, salientou, que a operação soluciona a questão acerca das concorrências compartilhadas, objeto de preocupação pelas Secretarias integrantes do SBDC com o processo de privatização. Entretanto, dentre os contratos realizados para efetivação da operação, foi realizado o Contrato Casa de Pedra, do qual consta disposição para exercer direito de preferência (cláusula de preferência) na aquisição de minério de ferro excedente da CSN, pela CVRD (SDE, 2005).

Ressaltou, também, que além da questão levantada pela SEAE/MF sobre a apropriação pela CVRD de informações de concorrentes, outro problema concorrencial decorre do “Contrato de Casa de Pedra”, qual seja: a concentração do mercado de minério de ferro nas mãos de uma única empresa, principalmente quando se observa a

recente aquisição das mineradoras SOCOIMEX, FERTECO, SAMITRI e MBR (CAEMI) pela CVRD.

Com efeito, a SDE, após proceder ao exame do referido instrumento, assim como analisar as considerações feitas pela SEAE e o estudo elaborado pela Metal Data Engenharia concluiu que “caso a CVRD exercesse sua preferência de compra do minério de ferro excedente, haveria uma concentração no mercado nacional desse produto em razão de a CSN restar impossibilitada de oferecer o minério de ferro excedente ao mercado consumidor a ponto de concorrer efetivamente com a própria CVRD (SDE, 2005).

Ademais, de acordo com análise empreendida, constatou que o Contrato de Casa da Pedra possibilita a probabilidade de exercício do poder de mercado. Completou o posicionamento apontando o fato de que este aumento da probabilidade de exercício de poder de mercado não resultaria somente da concentração do minério de ferro, mas (i) pela impossibilidade de a CSN apresentar-se como potencial rival; e (ii) do fato de que a CVRD terá acesso a informações sensíveis de empresas consumidoras de minério de ferro (Idem).

Por fim, opinou pela aprovação do ato mediante a eliminação das cláusulas do “Contrato de Casa de Pedra” que apresentassem preferências à CVRD, bem como aquelas que oferecessem informações à mesma sobre pedidos de compra de minério de ferro efetuados à CSN (SDE, 2005).

Importa salientar, por último, que a SDE também fez uma extensa análise do comportamento dos preços do minério, considerando as diferentes mineradoras e os diferentes destinos (siderúrgicas e portos), análise essa que inclui o mercado interno. Constataram-se elevações dos preços dos diversos tipos de minério de ferro fornecidos para siderúrgicas e exportados, no início de 2003, e evidências levam a inferir como motivo principal “o poder de exercício de mercado adquirido pela CVRD, com a aquisição de novas mineradoras, muito embora o estudo econométrico da SDE não seja conclusivo acerca da explicação sobre o efeito” (SDE, 2005).