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4. Perfüzyon Sistemleri:

1.6.2. Ghrelin’in Biyokimyasal ve Fizyolojik Etkiler

Registros descritivos e prescritivos de fenômenos atmosféricos, como cheias dos rios, períodos chuvosos ou de seca e fenômenos correlatos como floração de

47 plantas, colheita e semeadura, existiam desde os tempos antigos ao redor do planeta. Para o Ocidente letrado, até o início da era moderna, diversas tradições originárias da Grécia antiga tratavam o clima, da palavra grega klima (κλἰµα), com o significado de inclinação ou barranco, como determinado exclusivamente pela inclinação do trajeto do sol em relação à inclinação da superfície – ou, em termos modernos, pela latitude (FLEMING, 1998, p. 11). A terra conhecida foi dividida em setes zonas, os klimata, pela tradição ptolomaica, que perdurou entre os europeus de Aristóteles até a era das grandes explorações europeias pelos oceanos (EDWARDS, 2010, p. 29; HULME, 2009, p. 5).

O discurso ensaísta filosófico da ciência natural do período moderno, cujas fontes principais eram relatos de viajantes e colonos, memórias do passado e folclore, foi sendo substituído a partir de meados do século XVIII por uma defesa cada vez maior de coletas técnicas, instrumentalizadas e padronizadas, de dados naturais (FLEMING, 1998, pp. 33–34). O tipo de conhecimento sobre os fenômenos atmosféricos tornou-se cada vez mais “domesticado” pela disciplina e a tecnologia meteorológica, desenvolvida primeiro na Europa e mais tarde em outros pontos de colonização europeia nas Américas e ao redor do mundo (HULME, 2009; HULME et al., 2009).

As comunidades científicas modernas criaram suas próprias tradições em suas práticas e teorias sobre os fenômenos atmosféricos. Segundo Fleming, data do início do século XIX a criação das categorias do “tempo” e do “clima” pela ciência moderna. A divisão entre clima e tempo é comumente lembrada por climatologistas e meteorologistas pela frase, “clima é o que você espera, tempo é o que você recebe” (HULME et al., 2009, p. 199).

O tempo foi definido como a condição meteorológica em um dado momento, observáveis sem o uso da estatística, porém mediados pelo uso intenso de instrumentos tecnológicos. Os estudos do tempo, realizados pela ciência moderna, classificaram os fenômenos atmosféricos em uma infinidade de tipos: de nuvens, de precipitação, de vento, descritos e compreendidos por um conjunto fixo de parâmetros: a temperatura, a pressão, a umidade, a força e a direção dos ventos. Aos fenômenos meteorológicos que as culturas humanas percebem sensorialmente, a ciência moderna acrescentou, para classificá-los, descrevê-los e explicar suas causas

48 um conjunto de medições instrumentais padronizadas destes parâmetros variáveis. Trataremos desta história no próximo tópico.

Já o clima, por sua vez, não é algo que sentimos na pele ou observamos, como a chuva e o vento. De sua origem grega, o clima foi definido positivamente pelos naturalistas como o regime médio e estatístico das condições meteorológicas, após medições contínuas durante um certo período de tempo e em um certo local destes parâmetro variáveis. Para cada localidade, com base nestas séries estatísticas, foram estabelecidas as diferenças e classificações entre as estações do ano. Isto é a base para a definição de regime climático. Os recordes e a anomalias de cada região são calculados a partir destas médias diacrônicas.

Se chove ou não chove enquanto os leitores leem estas páginas, falamos da categoria tempo, mas para falarmos das chuvas constantes durante os verões paulistanos, falamos do clima. Desde o século XIX foram criados diversos sistemas classificatórios do clima, que dividem o planeta em diferentes zonas baseados nas temperaturas médias anuais e mensais e na sazonalidade destes fenômenos, que refletem em diferentes tipos de vegetação nativa encontrados em cada zona. Isto faz com que locais diferentes no globo tenham recebido as mesmas classificações, devido a sazonalidade similar dos fenômenos meteorológicos e tipos de vegetação bastante próximas.

Se chove intensamente durante os invernos na costa da Itália, falamos de “clima mediterrâneo”, se o mesmo ocorre durante os verões no litoral paulista, falamos de “clima subtropical úmido”. A cidade de São Paulo, por exemplo, é classificada como estando numa região com o mesmo tipo de clima que Buenos Aires, na Argentina, Orlando, nos Estados Unidos ou Brisbane, na Austrália - segundo a classificação de Köppen, uma das mais utilizadas até hoje. Lugares como o sul do Chile, o sul da Austrália e o sudoeste da África do Sul foram classificados como pertencentes ao clima mediterrâneo, apesar de milhares de quilômetros de distância do Mar Mediterrâneo.

A classificação de Köppen é um dos maiores exemplos da abordagem quantitativa, naturalista e classificatória das ciências modernas. Criada pelo geógrafo russo-alemão Vladimir Köppen no início do século XX e refinada por outros cientistas, marcou a transição entre os klimata ptolomaicos, estáticos e

49 determinados por um único fator, a posição na esfera terrestre, e os climas definidos pela ciência moderna, uma multiplicidade complexa de condições e fatores e que refletiriam vegetações e ecossistemas correspondentes24 (HULME, 2009, p. 8).

A primeira classificação científica moderna desvinculou a definição clima de quaisquer grandes mudanças históricas. A mudança foi relegada a curta escala do tempo, às instabilidades do momento e aos ciclos de variações de cada regime climático, ou mesmo da influência local e num curto período de tempo no clima por atividades agrícolas – assuntos tratados no tópico 2.3.

É importante notar que o clima, portanto, é uma ideia construída por uma prática – e, como tal, também possui conotações físicas e culturais . O conhecimento científico moderno “domestica” o clima, nas palavras de Hulme et al. (2009), por uma dupla extensão: espacial e estatística.

A extensão espacial ocorreu por meio da classificação, coleção e categorização de diferentes regimes climáticos ao redor do mundo, geograficamente dispersos, obtidos desde as viagens exploratórias naturalistas, como as de Alexander von Humboldt e outros, e a criação de comunidades científicas em rede, que comparam os dados e as observações. São do século XIX a produção de mapas meteorológicos por naturalistas alemães como Humboldt, Brandes e Dove, que compartimentavam o mundo de acordo com médias anuais ou sazonais, separando as diferentes regiões e suas médias de temperaturas por linhas chamadas de isotermas, ou de pressão atmosférica por linhas chamadas de isóbaras (EDWARDS, 2010, pp. 30–31). Para serem produzidos, necessitavam do acúmulo de dados obtidos ao redor do mundo.

A segunda extensão, estatística, para Hulme et al., visa agregar o maior número possível de séries de medições, sincronicamente obtidas, na escala diacrônica, obtendo padronizações, comparações e ordenando o que antes era apenas um apanhado de informações. O clima é uma categoria intimamente vinculada às coletas na longa duração dos tempos momentâneos dos fenômenos meteorológicos. Ele esconde toda a heterogeneidade das experiências momentâneas e localmente vivenciadas, a fim de produzir simultaneamente simplificações na forma de

24 Portanto, os ambientes de vegetação nativa foram concebidos por essa ciência

classificatória como decorrentes dos regimes climáticos de cada região em uma relação determinística de causa e efeito.

50 descrições e análises de fenômenos que passam a ser compreendidos como globais (HULME, 2009, p. 9; TADDEI, 2013).

De acordo com Edwards (2010), o período modernista testemunhou o surgimento de uma globalização do clima e do tempo, por meio principalmente da criação de mapas, imagens e gráficos. Dos mapas das ciências teóricas, como os da atmosfera compreendida como um sistema unificado de circulação de ar aos mapas do globo com as análises dos dados das variáveis medidas em expedições a bordo de navios científicos cruzando os oceanos e da expansão da rede de estações meteorológicas,

“[através] dessas imagens, a meteorologia participava no projeto científico mais amplo de visualizar “o mundo” como um todo – um sistema único, dinâmico, coerente, compreendido como uma unidade mesmo que muito maior do que a escala da percepção individual. Na busca deste projeto, a meteorologia procurou ocupar o espaço global, distribuindo pessoas, instrumentos e conhecimento em cada canto da Terra e de seus mares. Muitos outros cientistas viajaram amplamente durante a Era dos Impérios, mas poucos possuíam razões tão fortes para tornar-se “onipresentes pelo mundo”, como Ruskin afirmou em 1839 – ou numa terminologia mais atual, “distribuídos” ou “enredados” (networked) (EDWARDS, 2010, p. 40).

Trataremos da expansão das redes meteorológicas e climatológicas a seguir.

2.2 REDES CIENTÍFICAS MODERNAS DE MEDIÇÃO E

Benzer Belgeler