3 MATERYAL VE METOD
3.12 Gezegenler Arası Kütle Çekimi Yazılımı
Detectamos os seguintes problemas recorrentes nesses museus: número insuficiente de servidores; servidores não especializados para o trabalho museológico; falta de espaço apropriado para abrigar, pesquisar e expor coleções; verbas insuficientes para manutenção mínima; ausência de regimentos e estatutos reconhecidos pelo poder central das universidades que garantam a continuidade dos projetos e programas; e grande descompasso com a pesquisa e ensino desenvolvidos pelos departamentos.
44 O critério para seleção dos museus e coleções da USP foi definido pela equipe: “Excluíram-
se deste Diagnóstico tanto aquelas unidades que se recusaram a atender a equipe ou a Comissão de Patrimônio Cultural, como as que não possuíam ou deixaram de apresentar potencialidades museológicas, o que foi constatado no decorrer do processo de trabalho (...)” (Bruno, 2000:17)
Normalmente, quando as autoridades universitárias se referem aos museus da USP, deixam de lado esses museus e coleções e tratam apenas dos 4 com autonomia. Entretanto, quando se trata de relatar os serviços prestados pela USP, o número de pessoas atendidas, as autoridades levam em conta todos os museus e coleções, mesmo aqueles que se resumem a vitrinas em corredores de departamentos.
Nos dados oficiais da USP, como os do Anuário Estatístico da USP (1999), encontramos mais museus e coleções do que aparecem nos levantamentos citados, na contabilização de público atendido. Na tabela 9.40 “Atendimento à Comunidade pelos Museus das Unidades - 1994/1998” são apresentados o número de visitantes e de escolas atendidas por 28 Unidades de Ensino e Pesquisa, 3 Centros e Institutos Especializados, 2 Hospitais e Serviços Anexos, 4 Museus e 2 Órgãos Centrais de Direção e Serviço. (Em Anexo)
Entre as unidades de Ensino e Pesquisa encontramos números, como da Escola de Educação Física e Esportes, nos quais 100 visitantes foram em 1994 e 1 escola foi atendida e nenhum outro visitante nos anos seguintes. No caso da Faculdade de Ciências Farmacêuticas constam 250 visitantes em 1994, 3 escolas em 1998 e nada mais. A Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos e o Instituto de Física e
Química de São Carlos aparecem na lista mas não tiveram nenhum visitante45. O fato é
que essas unidades não têm museus abertos à visitação, mas algumas vitrinas com objetos, coleções e/ou pequenas exposições que eventualmente são abertas ao público. Já os museus do Instituto de Geociências, do Instituto Oceanográfico, do Instituto de Biociências e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia apresentaram um número crescente de visitantes.
Entre os 4 grandes museus (MAC, MAE, MP e MZ) percebemos uma grande oscilação da visitação, com um pico de 612 mil em 1995 e uma queda para 338 mil em 1996.
A soma de todos esses visitantes é apresentada na primeira tabela (1.01) do Anuário, entre os indicadores de desempenho de 1989 a 1998: crescimento com oscilações, em 10 anos, de 489 mil visitantes para 607 mil (24%) com um pico de mais de 1 milhão em 1992.46
45 Em São Carlos, existe o Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) do Instituto de
Física e do Instituto de Química que atendeu centenas de professores e milhares de alunos e
visitantes em atividades como cursos, excursões, orientações para trabalhos científicos, empréstimo de materiais, conforme tabela 9.42 do Anuário Estatístico da USP apresentada em anexo.
46 Os números referentes à visitação e atendimentos dados pela Estação Ciência aparecem em
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Percebemos assim que, para as autoridades universitárias, mesmo não tendo autonomia jurídica, os museus e coleções das unidades são importantes pelo patrimônio que possuem e pelo atendimento ao público.
8. Retomando: museus e universidades
Gostaríamos de terminar este capítulo retomando algumas idéias do professor Ulpiano Bezerra de Meneses, a respeito dos museus universitários.
Museu e universidade são complementares, existindo algumas disciplinas (arqueologia, geologia, etnologia entre outras) que dependem das coleções e recursos dos museus. Ulpiano Meneses salientou a especificidade do museu universitário que conta com possibilidades de intercâmbio, através da articulação de programas de pesquisas e docência. Com essa integração sairiam ganhando a comunidade universitária e a comunidade em geral. Para o autor, os museus universitários constituem recurso privilegiado para “prestação de serviços à comunidade”. (Meneses, 1968:47)
Ulpiano Meneses resumiu as vantagens do museu universitário: acesso direto às coleções para pesquisa; colaboração entre especialistas de museu e universidade; museu como laboratório para formação específica e pedagógica; e formação museológica. Mas o autor alertou para o fato de que, apesar das vantagens acima descritas, os museus universitários sofrem de deformações, entre as quais a transformação do museu num instituto de pesquisas ou em recurso para formação universitária e a negligência na curadoria das coleções, principalmente quando os responsáveis trabalham em tempo parcial.
Mais de 20 anos depois, no texto com propostas de reformulação para o Museu Paulista, Ulpiano Meneses expressa mais algumas de suas opiniões acerca dos museus universitários. A primeira é de que a pesquisa é base fundante de qualquer museu, a pesquisa como “produção de conhecimento novo, cientificamente obtido.” Uma exposição deve apresentar o “conhecimento em curso de produção e de cujo processo a exposição é parte integrante.” Por partir de suas coleções, a pesquisa está baseada na curadoria47, que por meio de suas atividades atingiria uma “matriz”.
“Portanto, não se trata de discutir o falso dilema, que ainda hoje está presente entre nós, quanto à natureza, principalmente do museu universitário, como órgão
47 Ulpiano Meneses denomina curadoria o conjunto de todas as atividades referentes ao
processo museológico: aquisição, documentação, pesquisa, conservação, comunicação e educação.
de pesquisa, ou então plataforma de ‘comunicação’ (ou ‘educação’). A especificidade do museu - e seu grande trunfo, que outras instituições não têm condições de reproduzir, ao menos com a mesma eficácia - é que ela se perfaz na solidariedade de funções científico-documentais, culturais e educacionais. A curadoria, assim, teria que ser a matriz conceitual que alimentasse operacionalmente essa solidariedade, segundo a qual, no museu, qualquer atividade ou função depende de todas as demais funções e atividades.” (Meneses, 1989/1999:3)
Assim, a pesquisa do acervo seria a base diferenciadora do museu em relação às outras instituições e aos departamentos de ensino da universidade. Entretanto, para Meneses, coleções não são museus e essas podem servir à pesquisa e à docência dos departamentos sem se tornar uma instituição. Para ele, a USP já tem um número suficiente de museus - quatro - e não deveria criar qualquer novo museu.
Concordamos, em parte, com as afirmações de Ulpiano Meneses. Ter a pesquisa como geradora e unificadora das outras atividades do museu universitário parece ser o grande potencial desse tipo de museu, entretanto não é o que vivenciamos na prática e não sabemos se seria possível conseguir que esse processo de trabalho de fato ocorra. Os pesquisadores, sejam de museus ou de institutos com museus, muitas vezes supervalorizam os meios acadêmicos de divulgação – as revistas científicas – e colocam em segundo plano as atividades museológicas tanto de curadoria quanto de documentação. A própria USP continua a valorizar apenas as publicações de artigos, teses, conferências, cursos e participação em congressos para avaliar seus pesquisadores, não levando em conta a participação nas atividades curatoriais e na concepção de exposições. Nesse sentido seria necessário transformar a “cultura” da própria universidade, o que parece uma tarefa hercúlea, mas que tem alguns indicadores positivos, como a criação dos regimentos dos museus, da Comissão de Patrimônio Cultural e de outros órgãos gestores nesses últimos 10 anos.
Quanto aos “não-museus” (museus e coleções de faculdades, institutos e departamentos) consideramos alguns caminhos possíveis. A fusão das coleções científicas com a criação de um grande museu de ciências poderia levar à duplicação de coleções, quando sabemos que a USP já é responsável pela Estação Ciência e que várias dessas coleções são utilizadas para ensino e pesquisa.
Concordamos com o professor Walter Zanini quando afirma que não é possível ter uma solução única. Como já dissemos anteriormente, algumas coleções poderiam deixar de ser exposições e passar a servir como centro de referência e documentação, como o Museu Histórico da Faculdade de Medicina; outros poderiam ficar exclusivamente para o ensino universitário, aperfeiçoando suas formas de acesso aos
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estudantes e professores, como o Herbário e as coleções de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas. Já museus como os do Instituto Oceanográfico e de Medicina Veterinária poderiam ser aperfeiçoados museograficamente, para tornar suas exposições ainda mais didáticas para o público escolar, e poderiam servir também como laboratório de pesquisas pedagógicas – ensino de ciências e educação em museus.