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Geride Kalan Sendromunun Etkilerini Azaltmak İçin Yapılması Gerekenler

2. GENEL BİLGİLER

2.7. Geride Kalan Sendromunun Etkilerini Azaltmak İçin Yapılması Gerekenler

Nos trechos a seguir, podemos observar como dois repertórios de não-usuários coexistem e se combinam dentro de um mesmo trecho de conversa. Analisaremos, ainda, as funções exercidas por estes repertórios dentro de cada trecho.

A) “A relativização da perda” e “O uso de estratégias alternativas”

Observaremos a seguir como o sr. Pedro utiliza os repertórios da “relativização da perda” (trechos em vermelho) e do “uso de estratégias alternativas” (trecho em azul) para explicar o seu problema auditivo.

L: E quando eu falo pro sr a palavra surdez? O que que essa palavra significa pro sr., surdez?

P: Não entendi. L: Surdez. P: Ah, surdez?

L: Isso. O que que a palavra surdez significa pro sr., seu Pedro? P: Uai, significa que é uma deficiência física que a gente tem, né? L: O sr. se considera uma pessoa surda?

P: Eu me considero não surdo de tudo porque perto talvez de uma pessoa como nós tamo

conversando, eu entendo. E com o aparelho (fone de ouvido) também eu entendo. Então

não posso me considerar uma pessoa surda completamente, né? (Pedro)

No trecho de entrevista acima, podemos observar que, quando perguntado se se considerava uma pessoa surda, o sr. Pedro utiliza primeiro o repertório da “relativização da perda” (trechos em vermelho), ao afirmar que não se considera “surdo de tudo”, e em seguida utiliza o repertório do “uso de estratégias alternativas” (trechos em azul) como ferramenta de embasamento da afirmação anterior. Identificamos, assim, uma função dos repertórios que é a de se combinarem com o objetivo de servir de suporte um ao outro.

B) “A transitoriedade da decisão” e “O desconforto maior que o benefício”

No trecho abaixo, identificamos o uso do repertório da “transitoriedade da decisão” de se usar as próteses auditivas (trechos em vermelho) quando o entrevistado, ao ser perguntado sobre o motivo que o levou a decidir não usar as próteses, responde que “decidiu não usar

aquelas”. Desta forma, mostra que esta não é uma decisão definitiva e generalizada para

Em seguida, utiliza o repertório do “desconforto maior que o benefício” (trechos em azul) para explicar porque decidiu não usar aquelas próteses. Termina dizendo ainda que está esperando uma “evolução nos aparelhos internos” o que nos leva a pensar que quando isso acontecer, essa decisão poderá mudar, já que para este entrevistado a questão estética é algo muito importante.

L: Vou fazer uma pergunta seu Hamilton, que o sr. já me respondeu ela no meio dessa conversa, mas eu vou perguntar de novo, tá? Por que que o sr. decidiu não usar o aparelho auditivo?

H: Eu não decidi não usar aparelho, eu decidi não usar aqueles, né? Primeiro porque eu achei que era um trambolhão e que não tava dando resultado pra mim, tava me incomodando.

L: Certo.

H: Não sei se ele me incomodava porque eu achava feio ou se ele me incomodava porque

ele não era estético, ou se ele me incomodava porque não tava respondendo o que eu esperava, né? Eu pus em tudo quanto foi lugar, eu saía na rua botava ele lá, ia conversar

com os outros, né? Mas não me agradou de jeito nenhum. Então eu esperava que os

internos fossem dar mais certo. Aí o que que eu falei pra você, falei, “Ó, eu vou pra fazenda, não vou ter contato com ninguém, eu vou precisar é de tampão em vez de aparelho. Quando eu vou na ginástica é aquela barulheira, não vou usar aparelho também. Então, pra usar muito pouco, esses trambolhão aqui eu não vou levar eles não.” Aí você falou pra mim que aqueles internos é... eles tem alto falante dos lados, pra cá e pra cá né? Aí então o que que eu tenho que fazer, pra ouvir eu vou ter que virar um pouquinho pra entender o interlocutor, né? Aqui de frente não vai dar, mas isso aí não incomoda, depende do que ele vai responder. Agora cê falou que tava chegando uns aparelhinhos novos e era pra eu vir experimentar e eu não vim experimentar. Porque era dos mesmos aparelhos externos e eu não ia usar aquilo mesmo, né? E eu tava esperando que fosse haver uma evolução nesses aparelhos internos, né? Tipo tampão aí.(Hamilton)

Podemos concluir que o repertório do “desconforto maior que o benefício” é utilizado com a função de justificar não só a decisão de não usar a prótese auditiva, como também a “transitoriedade desta decisão.” Assim, podemos dizer que um repertório é usado para justificar o outro.

Outro aspecto que também nos chama a atenção neste trecho é a importância que o entrevistado dá à questão estética da prótese, usando o termo “trambolhão” para definir a prótese mini retrouauricular que testou. É muito interessante observar que durante o processo

de teste das próteses o entrevistado, ao decidir não adquiri-las, alegou desconforto sonoro e percepção de pouco benefício, mas não relatou o desconforto estético como causa desta decisão.

Iervolino, Castiglioni e Almeida (2003) chamam a atenção para a grande influência que o fator estético pode exercer no processo de aceitação da prótese auditiva. Afirmam ainda que para certas pessoas pode ser muito desagradável ter que utilizar um objeto que possa ser interpretado como algo que denuncia seu problema para as outras pessoas. Em relação ao modelo da prótese, referem ser mais freqüente o preconceito com o modelo retroauricular e por isso os indivíduos acabam preferindo os modelos supostamente menos visíveis como os intra e micro canais, o que parece ter sido o caso do sr. Hamilton.

Com relação ao entrevistado ter relatado abertamente esse fato apenas na entrevista e não durante o processo do teste, Medrado (1998) atenta para a questão do caráter situacional dos discursos. Desta maneira, constatamos que este varia em função da necessidade de tomadas de decisões de cada momento e do que é considerado como mais relevante em cada circunstância. Neste caso, mesmo o interlocutor sendo a mesma pessoa em ambas as situações, a “cena dialógica” foi modificada e, com ela, a produção de sentidos a respeito do uso das próteses auditivas e da decisão de não usá-las.

Podemos observar estes dois repertórios sendo utilizados novamente em conjunto no trecho de entrevista de outra participante. Neste caso, identificamos o repertório da “transitoriedade da decisão” (trechos em vermelho) quando a entrevistada cogita a possibilidade de um teste futuro com uma prótese semelhante a que o seu amigo testou. Em seguida, observamos o uso do repertório do “desconforto maior que o benefício” (trechos em azul) de forma indireta, quando relata que o seu amigo disse que o aparelho “não incomoda ele absolutamente” e de forma direta, quando diz que o aparelho que ela testou “não adiantou ser bonitinho e pequenininho, porque não se adaptou com ele”. Estes trechos mostram que,

diferentemente do seu amigo, no caso dela, o aparelho incomodava, o que o fazia ser mais desconfortável do que benéfico. Portanto, considera a possibilidade de obter um benefício maior usando um aparelho igual ao do amigo.

L: Tá certo. E o que que a sra. pensa dessas pessoas que usam aparelho auditivo, D. Odete? Como que a sra. enxerga essas pessoas?

O: Uai, eu enxergo assim como se fosse o meu problema, né? De tá precisando de usar porque não tá escutando ou não tá entendendo. Porque como eu tô te falando, eu escuto mas não entendo, né? Então é isso que eu penso.

L: E por que que a sra. acha que essas pessoas usam, conseguiram se adaptar e a sra. não conseguiu?

O: Pois é, isso é o que eu fico pensando, o porquê disso, né? Eu não sei se é o tipo de aparelho ou se é mesmo o jeito da pessoa. Porque se for pra mim fazer outro teste de aparelho, eu quero fazer com aquele que põe dentro da orelha, aquele que o dr. Haroldo usa, sabe? Eu vou procurar saber qual é a marca do aparelho que ele usa.Porque ele falou pra mim que não incomoda ele absolutamente.

L: E por que que a sra. acha que esse deve ser melhor dos que o que a sra. testou?

O: Uai, eu não sei se é melhor, mas eu quero fazer o teste, eu quero ver né, saber. Porque o pequenininho que eu usei, ele é uma gracinha, fica dentro do ouvido e tudo, mas não adiantou ser bonitinho e pequenininho, né? Porque eu não adaptei com ele. (Odete)

Através deste trecho, observamos novamente o repertório do “desconforto maior que benefício” sendo usado para justificar a decisão de não adquirir os aparelhos testados, mas notamos que a decisão de não usar a prótese não é definitiva, pois a entrevistada não descarta a possibilidade de um novo teste, o que é constatado através do uso do repertório da “transitoriedade da decisão.”

Assim, nestes casos, os dois repertórios foram utilizados sempre de maneira conjunta, servindo um de reforço e embasamento para o outro.