4. AKADEMİK İNGİLİZCE BİRİMİ
4.4. GERİ BİLDİRİMLER VE GELİŞTİRİLMESİ GEREKEN YÖNLER
As elaborações cognitivas sobre “dengue” originadas do grupo de adultos com idade superior a 50 anos foram medo e água, e nos campos semânticos elaborados pelo grupo de alunos do sexo masculino emergiram as palavras doença e perigo. Os quatro vocábulos apresentaram distintividade em relação à forma vocabular, ou seja; todas as palavras relacionadas ao estímulo indutor dengue não são graficamente semelhantes. Seguindo este raciocínio poder-se-ia inferir que ambos os grupos estudados nesta tese, elaboraram representações desiguais o que possivelmente indicaria divergências representacionais. Por outro lado, se a observação incidir para além da forma aparente faz-se perceptível nuances de linhas que se entrecruzam, se completam e se afastam, possíveis condutoras de dimensões consensuais das representações sociais; a saber: os elementos medo e água em aproximação dos vocábulos doença e perigo. A dimensão de concordância de representações vem trazida
133 por elementos “biopsicossociais” em cujo bojo germinaram evocações pertencentes aos fatores sociais, psicológicos e biológicos como medo, água, doença e perigo.
Estas objetivações alojadas na dimensão mais subjetivas revelam sentimentos de ansiedade, de medo, vinculando a água como o espaço representativo e ameaçador, o que é fortalecido pela tensão advinda da antecipação do perigo, neste caso, adquirir a doença, possivelmente dengue hemorrágica. Estes resultados parecem repousar no pensamento de Vieira (2011) que em entrevista concedida a Renato Farias (2011) no canal Saúde da Fiocruz, afirma que a dengue como epidemia deve ser compreendida como um fenômeno coletivo, que para além do ponto de vista das políticas públicas e experiência pessoal das pessoas, a dengue é um evento que marca porque aciona um imaginário associado à ideia de epidemia, a possibilidade de contágio, e o desconhecimento das formas de tratamento. Na compreensão da autora, as epidemias acionam no imaginário da população um certo pânico, a exemplo da peste negra, o exemplo mais assustador que já marcou a memória coletiva.
No que diz respeito às campanhas da dengue, Vieira (2011) acredita que elas são fundamentais no sentido de garantir certa tranquilidade à população, mas devem conceber a dengue como um problema coletivo, refazendo o laço social entre o público e o privado em ações mais integradas. Tendo em vista a comparação da autora da dengue com a peste negra, é possível inferir que ambas causam letalidade à medida que instalam um caos social. Neste contexto as afirmações de Teixeira (1998, p. 83) se fazem necessárias.
A metáfora da Peste assinala o retorno à cena cultural de elementos que pareciam desaparecidos há muito e para sempre: é a irrupção da tragédia, com sua força mítica e atmosfera de carnagem. É a fisionomia espiritual de um mal, introduzindo um princípio de reversão nos nossos sistemas interpretativos.
134 Neste panorama traz-se para o bojo desta discussão duas imagens onde é possível visualizar representações imagéticas da cólera exibida pela Figura 9 retirada do artigo de Ferraz (2009) e a da dengue capturada em um vídeo veiculado no sítio eletrônico pelo Jornal de Mato Grosso exibido na Figura 10, representada por alunos de escolas públicas de Cuiabá por ocasião da Caminhada Nacional contra a dengue no ano de 2012, conforme figuras abaixo.
Figura 9 - Representação imagética da cólera. Fonte: Ferraz (2009).
Figura 10 - Representação imagética da dengue. Fonte: g1.globo.com.
Estes achados refletem os postulados de Moscovici (1978) quando afirma que a construção da representação possui duas faces independentes, a face figurativa e a face
135 simbólica. O que é clarificado por Coutinho e Saraiva (2011), quando as autoras se referem que os processos presentes na atividade representativa têm por função destacar uma figura e, ao mesmo tempo, atribuir-lhe um sentido, integrando-o ao nosso universo. Mas têm, sobretudo, a função de duplicar um sentido por uma figura e, portanto, objetivar, e uma figura por um sentido, logo, consolidar os materiais que entram na composição de determinada representação.
Neste sentido, apresenta-se outra singularidade, apresentada na forma de três palavras de interseção pertencentes aos campos semânticos elaborados pelos dois grupos; as palavras água parada, doença e morte, provavelmente entendidas como elementos figurativos da representação social, independentes de associações a quaisquer variáveis fixas.
No âmbito do F2, as objetivações acerca do estímulo indutor “dengue” para os participantes do sexo masculino se apresentam por meio das palavras água parada e mosquito. Os adultos objetivaram febre, dor de cabeça, e sofrimento. É possível perceber que todas as objetivações apresentaram-se diferenciadas. O campo semântico dos participantes do sexo masculino traz elementos carregados de aspectos biológicos concernentes à transmissão, da doença pelo seu vetor, o agente transmissor da dengue o mosquito e a palavra água parada, pode-se inferir uma relação indissociável entre o agente transmissor da dengue e o seu lócus de desova. Estes resultados confirmam os estudos de Lefèvre et al. (2004) para quem: “Muitos discursos dos sujeitos coletivos mostram claramente que uma idéia bastante esquemática acabou se instalando no universo imaginário: é aquela que centraliza e quase reduz a questão da dengue e de seu enfrentamento ao mosquito da dengue” (p. 412). Buscou-se, nesta tela, levantar as hipóteses apresentadas por estes pesquisadores, para os quais:
136 A necessidade de eliminar o vetor, presente de modo talvez exagerado nas mensagens educativas, produziu, entre outros, um indesejável efeito: levou a população a confundir a dengue com seu vetor, ou seja, que, na definição da doença, se tomasse a parte pelo todo (p.412)
O campo semântico dos moradores aloja as palavras febre, dor de cabeça e sofrimento. Neste raciocínio infere-se que para os moradores a dengue é concebida pelos seus sintomas, o que pode favorecer a ideia da carga exagerada nas mensagens educativas mencionadas pelos autores Lefèvre et al. (2004).
Diante do que foi exposto e com base nas objetivações emergidas, pode-se inferir que ambos os grupos de participantes ancoram a dengue em dimensões biopsicossociais e física/ orgânica.