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Para definir o conceito de agricultura biológica importa esclarecer que a mesma pode se àa o dadaàdeàdife e tesàfo as,à o oà àoà asoàdeàpode àse à ha adaàdeà ag i ultu aà o g i a ,à oà B asilà eà e à paísesà deà lí guaà i glesaà – organic agriculture –,à ag i ultura e ológi a àe àEspa haàeà aàDi a a aàeàat à es oàdeà ag i ultu aà atu al à oàJap oà (Agrobio, n.d.).

Tal como o nome pode variar, também são muitas as definições dadas ao conceito em si, embora a sua essência esteja sempre presente: modo de produção saudável que protege e respeita o ambiente e os ecossistemas, recusando o uso de quaisquer produtos químicos ou artificiais.

De acordo com a Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (AGROBIO), o modo de produção biológicaà àu à odoàdeàp oduç oà ueà visa produzir alimentos e fibras têxteis de elevada qualidade e saudáveis, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis e deài pa toàpositi oà oàe ossiste aàag í ola. .àDesteà odoà oà e o eàaàpesti idasà e à adubos químicos, uma vez que faz um uso adequado de métodos preventivos e culturais como é o caso dos adubos verdes, compostagem (húmus), instalação de sebes vivas, e

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outros métodos que ajudam a fomentar e a proteger os solos e a biodiversidade (Agrobio, n.d.).

Outra das definições que se deve ter em conta é a dada pela IFOAM - Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Biológica – uma vez que se trata da primeira grande organização de sustento à agricultura biológica. Segundo a IFOAM (2008a), a agricultura biológica pode ser definida como um sistema de produção que promove a saúde dos solos, ecossistemas e pessoas. Tem como base os processos ecológicos, biodiversidade e ciclos adaptados às condições locais em alternativa ao uso de inputs com efeitosàad e sos. .àT ata-se por isso de um tipo de agricultu aà ueàp ete deà o i a à a tradição, inovação e ciência de modo a ser benéfica para o espaço partilhado .àPodeàe t oà afirmar-se, que se trata de um modo de produção que promove a qualidade de vida a todos os envolvidos no processo: produtores, consumidores e ambiente (IFOAM, 2008a).

Importa igualmente ter em conta a definição dada no Codex Alimentarius, referido por Guillou & Scharpé (2001, p. 8), no qual se define ag i ultu aà iológi aà o oà à um sistema global de produção agrícola (vegetal e animal) que privilegia as práticas de gestão e à elaç oàaoà e u soàaàfato esàdeàp oduç oàdeào ige àe te a. .àQue àistoàdize ,à ueà nesta ótica de produção, ao invés do recurso a produtos e fertilizantes químicos e artificiais, dá-se preferência a métodos biológicos, naturais, culturais e mecânicos (Guillou & Scharpé, 2001).

Já Silva (2013, p. 17) define a agricultura biológica de uma forma mais simplificada, afirmando ueà aà es aà seà t ataà deà u à um sistema de produção agrícola com a particularidade de conciliar a produção de alimentos saudáveis com a proteção e fortalecimento dos ecossistemas em que se insere, possibilitando obter o desenvolvimento suste t el. .à

Sintetizando e simplificando pode traduzir-se o conceito de agricultura biológica o oà um modo de produção agrícola que procura ser ecológico tanto quanto possível, baseado no funcionamento do ecossistema agrário utilizando práticas agrícolas que fomentam o equilíbrio desse ecossistema e a manutenção e a melhoria da fertilidade do solo. à Fe eira et al., 1998 citado por Silva, 2013, p. 18).

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Embora possam existir diversas definições de agricultura biológica, as acima descritas conseguem de forma sucinta incluir a essência base deste conceito, sendo que por mais definições que lhe sejam atribuídas, a Agricultura Biológica assenta sempre em quatro princípios comuns: o princípio da saúde, o princípio da ecologia, o princípio da integridade e o princípio da precaução (IFOAM, 2008b; Kirchmann et al., 2008; Silva, 2013). Estes princípios, são considerados os pontos fundamentais de desenvolvimento e crescimento das bases da Agricultura Biológica atual, tendo os mesmos sido definidos em 2005, aquando a Assembleia Geral da IFOAM em Adelaide na Austrália (Silva, 2013).

Segundo a IFOAM (2008b), os quatro princípios conseguidos em 2005, conseguem exprimir o contributo e os benefícios que a agricultura biológica tem para o mundo e para os ecossistemas, mas também tudo aquilo em que a agricultura num contexto global pode melhorar. Para Kirchmann et al. (2008), o implementar deste tipo de princípios éticos no seu conjunto, torna-se algo fundamental para tornar o modo de produção biológico real e para se conseguir desenvolver os métodos e as ferramentas adequadas e necessárias à sua boa prática. Silva (2013), acrescenta ainda que tais princípios serviram – e servem – para inspirar todo o movimento biológico e para articular o seu significado ao nível internacional.

Pela sua importância e relevância para a definição do conceito, torna-se essencial definir e explicar de que se trata cada um dos princípios, percebendo assim a influência de cada um para a prática correta de uma agricultura sob o modo de produção biológico.

Os quatro Princípios da Agricultura Biológica

Princípio da Saúde: Pressupõe que a Agricultura Biológica, seja praticada como um modo deàp oduç oà ueà deverá manter e melhorar a qualidade dos solos, assim como a saúde das plantas, dos animais, dos seres humanos e do planeta como o ga is oàu oàeài di isí el. à IFOáM,à 8b, p. 2; Kirchmann et al., 2008, p. 11). Com isto, pode afirmar-se que a saúde dos indivíduos e comunidades não pode, nem deve, estar dissociada da saúde dos ecossistemas (IFOAM, 2008b). O que quer dizer que, desequilibrando a saúde dos solos e dos alimentos produzidos, também haverá consequências na saúde dos indivíduos – tanto produtores como

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consumidores – e do próprio ambiente (IFOAM, 2008b; Agrobio, n.d.b). Silva (2013, p. 18) e à igual e teà afi a à ueà a agricultura biológica deve sustentar e melhorar a saúde do solo, da planta, do animal e do Homem, como um todo i di isí el. ;

Princípio da Ecologia: P essupõeà ueàaà àág i ultu aàBiológi aàde e à asea -se nos sistemas ecológicos vivos e seus ciclos, trabalhando com eles, imitando-os e o t i ui doà pa aà aà suaà suste ta ilidade. à IFOAM, 2008b, p. 2). Ou seja, a agricultura biológica deve trabalhar em conformidade com os sistemas ecológicos vivos, sendo que a produção agrícola deverá ser fundamentada em processos ecológicos e de reciclagem, conseguindo com isso a sua sustentabilidade (Silva, 2013; IFOAM, 2008b). Com isto pode afirmar-se que, segundo este princípio, a ág i ultu aàBiológi aàde eàal a ça àoàe uilí ioàe ológi oàat a sàdoàdese hoàdosà sistemas agrícolas, da criação de habitats e da manutenção da diversidade genética e ag í ola à IFOáM,à ,àp.à ;

Princípio da Integridade: Deà a o doà o à esteà p i ípioà ti o,à aà ág i ultu aà Biológica deverá basear-se em relações justas no que diz respeito ao ambiente o u à eà sà opo tu idadesà deà ida. à IFOáM,à ,à p.à .à Co à isto,à todas as relações humanas construídas por todos aqueles que se encontrem envolvidos na Agricultura Biológica, devem ser orientadas de uma forma justa e respeitosa, assegu a doà a equidade em todos os níveis e para todos os setores – agricultores, assala iados,à t a sfo ado es,à dist i uido es,à o e ia tesà eà o su ido es. à (IFOAM, 2008b, p. 3). Além disso, esta filosofia de agricultura deverá, não só proporcionar qualidade de vida às pessoas envolvidas, como também aos animais e restantes seres vivos envolvidos nos seus processos, demonstrando com isso, uma atitude de respeito para com todos os organismos vivos e recursos naturais, além de si próprios (IFOAM, 2008b; Agrobio, n.d.b);

Princípio da Precaução: Quanto à precaução, este princípio pressupõe que a ág i ultu aàBiológi aàde e àse àge idaàdeàu aàfo aà autelosaàeà espo s elàdeà modo a proteger o ambiente, a saúde e o bem-estar das gerações atuais e daquelas que hão-deà i . à IFOáM,à ,à p.à .à Dadoà ueà aà ag i ultu aà seà t ataà deà u aà

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atividade que não depende dela própria, mas de muitos fatores externos – como a meteorologia –,àlogoà um sistema vivo e dinâmico que reage às exigências e às o diçõesài te asàeàe te as à IFOáM,à ,àp.à ,àto a-se crucial manter uma postura de precaução, responsabilidade e transparência, aquando das escolhas e desenvolvimento de métodos e tecnologias a aplicar para fazer face a tais exigências, uma vez que não devem colocar em risco a saúde e o bem-estar comum (Agrobio, n.d.b; IFOAM, 2008b).

No esquema (Fig. 1.6.) pode verificar-se a existência de um ciclo de correlações entre todos os princípios, uma vez que, tendo sido criados como forma de inspirar as ações e práticas de agricultura biológica, devem ser praticados e respeitados no seu conjunto, e não apenas individualmente (IFOAM, 2008b. Ou seja, apenas respeitando e seguindo de forma ética os quatro princípios definidos – de uma forma conjunta e correlacionada – é possível uma prática 100% fiel à essência e filosofia da Agricultura Biológica.

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Benzer Belgeler