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O Estado de Minas circulou pela primeira vez em 7 de março de 1928 e, desde então, mantém-se na liderança entre os órgãos de imprensa tradicional do Estado19. No ranking dos maiores jornais em circulação no Brasil em 2010, ele aparece em 17º lugar, com tiragem média diária de 78.281 exemplares, registrando um crescimento de 3,2% em relação ao ano anterior (IVC, 2010)20.

Foi fundado pelos jornalistas mineiros Juscelino Barbosa, Álvaro Mendes Pimentel e Pedro Aleixo, após adquirirem o patrimônio do Diário da Manhã. Inicialmente tinha 12 páginas, formato tablóide21, com tiragem de cinco mil

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O Instituto Verificador de Circulação - IVC realiza a divulgação de informações e auditorias de mais de 400 publicações brasileiras – jornais e revistas – filiadas e tem o objetivo de distribuir informações sobre dados de circulação fornecidos pelas publicações, bem como verificar, por meio de auditoria, a circulação líquida de cada uma. Os boletins têm circulação restrita entre seus associados. As informações aqui reproduzidas foram obtidas junto à Gerência de Circulação do Estado de Minas.

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Não se consideraram aqui os tablóides populares.

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Conforme visto na Tabela 5.

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O jornal diário em formato tablóide (28 cm de largura x 32 cm de altura) tornou-se comum em meados do século XX, pela comodidade de manuseio e de leitura especialmente para passageiros de meios de transporte (como trem, bondes e ônibus). Isso levou à sua utilização por grande número de

exemplares. Em maio de 1929, foi comprado por Francisco Assis Chateaubriand Bandeira de Melo e incorporado aos Diários Associados, grupo do qual faz parte até hoje. Seus controladores são sócios cotistas e têm participação na gestão e nos lucros do grupo.

Segundo o site22 da empresa, o público de jornal é composto por 53% de leitores e 47% de leitoras, sem contar as assinaturas de pessoas jurídicas. A tiragem do jornal é de 73 mil exemplares nos dias úteis, subindo para 119 mil aos domingos, sendo que só na Grande BH ele é lido por 531 mil pessoas, considerando a leitura compartilhada dos exemplares vendidos avulso, em bancas e assinaturas. Ele circula em 702 municípios de Minas e cerca de 2% dos exemplares são enviados para outras localidades do Brasil. Isso talvez explique o fato de o Estado de Minas, há décadas, adotar o slogan “O grande jornal dos mineiros”. Pode-se enquadrá-lo na descrição de Tétu (2002) de imprensa regional, pois ele se estrutura na bipartição elementar entre informações gerais e regionais.

Esses dados confirmam a percepção de França (1998) de que o Estado de Minas mantém uma coerência na construção de sua identidade, fundada principalmente no enraizamento territorial, permeada pelo sentimento do mineiro. “Com relação à política editorial do cotidiano, já na sua fundação houve a preocupação de marcar a identidade de um jornal mineiro, comprometido com os interesses do Estado” (FRANÇA, 1998, p. 108).

São esses interesses, inclusive, que mais levantam suspeitas sobre a imparcialidade do jornal. São muitos, entre leitores/as, estudiosos/as e diversas lideranças, os/as que acusam o Estado de Minas de manter com os grupos do poder, principalmente os políticos que se revezam no Palácio da Liberdade – sede do governo do Estado – e empresas que respondem por uma grande parte de sua receita de anúncios, uma relação de troca de favores (FRANÇA, 1998; 2002; CARRATO, 2002).

Em 2006, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais acusou a imprensa mineira de ser totalmente favorável ao então governador Aécio Neves, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. “Nunca li ou ouvi alguma crítica, nenhuma

jornais de venda avulsa, tornando-se característica dos jornais sensacionalistas ingleses. A partir da

boa aceitação desse formato pelo público, o tabloide prestou-se também a experiências inovadoras de diagramação, sendo adotado por grandes jornais de todo o mundo (RABAÇA; BARBOSA, 2001).

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Disponível em: <www.diariosassociados.com.br/home/veiculos.php?co_veiculo=29>. Acesso em: 02 out. 2011.

matéria investigativa, nenhuma denúncia na área da saúde, fazenda, arrecadação ou educação” (VASCONCELOS, 2006, p. 18). O sindicalista disse acreditar que o governador estava “blindado pela mídia” e afirmou ter recebido de repórteres a informação de que eles eram orientados para não questionar o governo. Do outro lado, o então diretor de redação do Estado de Minas defendeu a empresa, afirmando que não existia esquema de blindagem. “O jornal não tem o menor compromisso com este ou aquele governo [...] trabalha com isenção. Isso [a alegação de blindagem] faz parte do jogo político”, diz, na mesma reportagem (VASCONCELOS, 2006, p. 18).

Carrato (2002) argumenta que foi uma quebra de contrato publicitário por parte do governo do Estado que levou o jornal a optar por criticar claramente a administração do então governador Newton Cardoso, no final dos anos 80. Este, num ato de revide, montou seu próprio órgão de imprensa para fazer frente ao Estado de Minas, ao qual deu o nome de Hoje em Dia. O jornal passou a circular em 11 de novembro de 1988, como uma publicação “eclética” fortemente inspirada no modelo do norte-americano USA Today, adotando o slogan “Um jornal de verdade” em contraposição ao slogan de seu concorrente, “O grande jornal dos mineiros”. Segundo relata Carrato (2002), o Hoje em Dia, com suas cores e diagramação mais arrojada, acabou forçando o Estado de Minas a implantar novo projeto gráfico para que, nesse quesito, não “deixasse nada a dever” ao novo jornal. Outro concorrente local surgiu após atritos políticos. “Matéria publicada pelo Estado de Minas, apontando possível vinculação do empresário e deputado federal Vitório Medioli com negócios irregulares, estimulou-o a ampliar seus negócios na área da imprensa em Minas Gerais” (CARRATO, 2002, p. 479). No início de 1996, nascia, assim, O Tempo, que passou a circular a partir de dezembro do mesmo ano. Sua equipe e parque gráfico editam também o Pampulha, semanário de distribuição gratuita nos bairros nobres de Belo Horizonte, e o tabloide popular Super Notícia.

Apesar de ter sido anunciado o fim do monopólio do Estado de Minas na imprensa mineira (CARRATO, 2002), Hoje em Dia e O Tempo ainda não conseguiram ameaçá-lo. Segundo Carrato (2002), o caderno especial que circulou em 3 de março de 1997, marcando os primeiros 100 dias do jornal O Tempo, anunciava que a meta da empresa era vender 40 mil exemplares por dia no seu primeiro ano de vida. No ranking dos maiores jornais em circulação no Brasil, de 2010, O Tempo aparece em 22º lugar – com tiragem média diária de 50.563 – e o

Hoje em Dia em 31º lugar – com tiragem média diária de 35.33823 (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, 2011).

As relações do Estado de Minas com a prefeitura de Belo Horizonte também são questionadas por estudiosos. A pesquisa de Castro e Oliveira (2011) sobre a mediação da política mineira no discurso do jornal no que se refere às eleições municipais de 2008 concluiu que o jornal realizou uma cobertura tendenciosa ao privilegiar o candidato Márcio Lacerda, apoiado pelo então prefeito Fernando Pimentel e pelo então governador Aécio Neves.

2.1.1.1 As relações com os/as leitores/as

França (1998) descreve o Estado de Minas como um jornal que não se enquadra em um gênero único e fechado.

Cotidiano de informação geral abre espaço para as informações de cunho mais sensacionalista, para crônicas, comentários. Jornal eclético, ele aborda também a especialização e se aproxima assim, em alguns aspectos, da imprensa semanal, o que, aliás, é compatível com seu leitorado e com o tipo de leitura feita com predominância da leitura aos domingos (FRANÇA, 1998, p.129).

A redação do jornal é composta de uma diretoria, uma secretaria de produção e 15 editorias: editoria de 1ª Página; editoria Nacional e Política; editoria Internacional; editoria de Gerais – D+/Prazer em ajudar; editoria Articulistas e Opinião; editoria EM Cultura - EMCult; EM Cultura/Pensar/Divirta-se/TV; editoria de Artes Gráficas; editoria de Infografia e Ilustração; editoria de Diagramação; editoria de Fotografia; editoria de Esportes; editoria de Veículos; editoria do Caderno Feminino; Editoria do Caderno Turismo; editoria do Caderno Informática.

O diário tem formato standard24 e explora fotografias em policromia em várias páginas, principalmente na capa e contracapa de cada caderno. A capa traz o nome do jornal, em caixa alta, na cor azul. Até 1994, dois profetas de Aleijadinho ladeavam o nome do jornal, reforçando sua ligação com o Estado. “Tendo se transformado em nome próprio, o nome do jornal marca a sua identidade; não se trata ali da

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Veja Tabela 5.

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identidade mineira, fixada no sentido original das palavras e na presença dos profetas, mas da sua identidade enquanto jornal” (FRANÇA, 1998, p. 130-131).

Atualmente, o Estado de Minas traz apenas um dos profetas impresso ao lado do expediente do jornal, publicado na página par da editoria de opinião. Segundo França (1998), lá ele figura com o objetivo de manter a ligação com o espírito mineiro e sua tradição sendo que essa página foi escolhida para acolhê-lo porque é ela que traz o editorial contendo a opinião do jornal sobre os fatos. Abaixo do editorial está a seção Frases do dia, com dois dizeres que causaram impacto no Brasil e no mundo no dia anterior. Ao lado estão a charge e a seção que publica as cartas de leitores/as. No dia 15 de janeiro de 2012, o jornal mudou o nome da coluna de Cartas à redação para Espaço do leitor, pois passou a publicar também comentários feitos on-line sobre os assuntos noticiados pelo jornal na internet.

A editoria de Opinião ocupa também a página seguinte na qual publica, normalmente, três artigos, preferencialmente de teor político, assinados por pessoas de destaque na sociedade, além de um boxe25 contendo telefones de contato com o

jornal e a tabela de preços para venda avulsa e assinaturas. Normalmente, a editoria de Opinião ocupa as páginas 8 e 9 ou 10 e 11, de segunda a sábado, e, aos domingos, as páginas 17 e 18. Sua posição está condicionada à quantidade de informações sobre política/nacional, que vem impressa antes.

O jornal Estado de Minas lançou em abril de 2011 o projeto Notícias Relacionadas, pelo qual, usando o sistema de anúncios relacionados do Google AdWords, distribui notícias em milhares de blogs, sites e redes sociais. Através do cadastro das principais manchetes do dia, o próprio sistema direciona as notícias para páginas que tenham algum conteúdo relacionado. Segundo informa seu site, a empresa acredita que dessa forma as pessoas irão passar a receber notícias de acordo com seus interesses.

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Boxe ou caixa é um espaço, geralmente delimitado por fios; moldura de ilustração ou de texto

Benzer Belgeler