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MODALIDADE: ENTREVISTA

ENTREVISTADO: João Antonio Borin PROFISSÃO: Pesquisador

DATA: 28 de Abril de 2015 – HORÁRIO: 14:30 às 16:30

LOCAL: Gabinete de Leitura Ruy Barbosa

ASSUNTO: Exposições dos cartões postais de ANNA QUEIROZ TELLES e ITÁLIA

EM POSTAIS e Exposição 150 ANOS DO SOLAR DO BARÃO.

A entrevista ocorreu de modo informal, obedecendo a sequência do texto da dissertação, pois como o entrevistado foi responsável pela maioria das exposições realizadas no Solar do Barão entre 2002 e 2012, a opção foi fazer o relato por ordem cronológica.

Eu trouxe, para mostrar, a maquete dos totens que eu fiz para a exposição dos 150 anos do Solar do Barão. Aí tem as personalidades que visitaram o Solar em festas, almoços... Isso aqui foi numa exposição de presépios em 2006. Os cartões faziam

100 anos em 2006 e foi feita uma exposição com os cartões com motivos de natal.

Aqui tem a pintura da parede da sala de jantar. Os medalhões foram feitos por um decorador francês chamado Claude Paul Barandier. Ele fez a decoração da catedral de Campinas. E o Pedro Alexandrino trabalhou com ele nessa época. Ele tinha 11 anos. É mais ou menos o período da casa. Se em 1880 ele começou a trabalhar por conta própria, e ele nasceu em 1856, e aí em 70 ou 80 ele fez uma decoração, então provavelmente essa pintura interna é dele. Você pode ver que essa pintura de dentro nem combina com a de fora.

Aqui eu tenho o texto da sala dos raios: "segundo os descendentes, o nome se deve aos ornamentos do forro da sala, que raios partem do centro onde fica o lustre de bronze, ornamento do forro lembrando um sol raiado".

As pinturas das paredes são todas da época do Ramos de Azevedo: final do séc. XIX e inicio do séc XX. Porque se ele mexeu na casa, ele mexeu na decoração da

casa inteira. Isso é posterior ao Barão. Já era o Francisco, filho dele. O Francisco é que compra todas essas coisas fora. O papel de parede veio da Europa, aqui não tinha isso.

Eu tenho um texto do Clovis Lerner, que foi responsável pela reforma, de uma entrevista que ele deu no Jornal da Cidade em 13 de maio de 1982. "O Solar é uma somatória de várias épocas já que passou por várias reformas durante seus anos de vida. O prédio tem características de um período que vai da metade do século passado (séc XIX) até início do século XX". Aí você põe a referência: arquiteto Clovis Lerner, responsável pelo projeto de recuperação do prédio, Jornal da Cidade, Jundiaí, 13 de maio de 1982. Quer colocar que as obras se iniciaram em 1979?

Tem essa foto da sala do raio com o papel de parede, que foi antes da reforma do CONDEPHAAT.

1. Como foi o processo de curadoria das exposições dos cartões da Anna Queiroz Telles?

Foi na época da exposição de presépios de 2006 - a exposição é feita anualmente no Solar – eu resolvi colocar, para completar a temática eu montei um módulo com os cartões de natal da coleção e um retrato dela, e a história da cartofilia. Depois foi montada a exposição Itália Brasil, que era em comemoração ao evento Itália Brasil. Aí eu peguei os cartões que tinham referência à Itália e montei uma exposição com esses cartões da coleção dela. Depois foi quando o Solar completou 150 anos em outubro, na inauguração da exposição foi remontada na sala de exposições temporárias, porque tinha referência à moradora da casa.

2. E a exposição dos 150 anos do Solar do Barão?

Ela surgiu... tem a carta... em 11 de agosto de 2010, eu mandei uma carta119 para a Secretária de Cultura, Srª Penha Camunhas Martins, que o Museu faria 150 anos dali a dois anos. E que deveria ser comemorado. "Creio ser oportuno algumas providências para preparar o prédio e o Museu para esta data, entre elas a restauração das pinturas da sala de jantar" – o que não foi feito – aí surgiu a

119 Em função de sua posição como presidente do Conselho de Cultura, o Sr. João Borin sugeria ações no âmbito do Patrimônio.

exposição. Isso aqui foi a única maneira de eu me entender com os "Antonios" 120. Porque a família inteira tinha Antonio Queiroz Telles. Eu fui montando aqui nesse caderno para ter uma referência de tudo o que eu tinha. E outras coisas, para eu ter uma noção do que eu iria fazer. Tem aqui a história da demolição121, e a história da Baronesa de Anhumas, para poder usar aquela foto dela que está nessa coleção. Ela está lá, mas é uma fotografia. E tem mais duas... dessa daqui é um conjunto de duas – inclusive tem essa foto no Museu Paulista – que eu acho que é da lua de mel, que ela foi para a Europa, porque tem eles sentados tomando café e tem essa na escada. É em Paris. A fotografia estava junto com os cartões da Anna de Queiroz Telles. Como também tinha uma foto da Anna e uma outra foto de família junto. A foto é de 1911. E tem também o fotógrafo: Vollsach – Paris. Aqui são as pesquisas que eu fiz no cartório para descobrir a história da casa. Para ter uma prova de que ela foi uma casa que foi se "sucedendo" no tamanho. Que foi a união das três ou quatro casas que hoje é o Solar. Aí eu fui "no" cartório para achar uma referência sobre isso. Que está no outro livro. Além disso, fui até o Museu Paulista, na seção de Iconografia, para procurar referências sobre o Barão, o que eles tinham no acervo. Isso em 2010 ou 2011. Lá tinha todos os quadros que foram ampliados. E foi achada a pintura da baronesa. A de cabelo branco. Que não está mais na exposição. Daí foi quase um ano para autorizarem o uso da imagem. Eles autorizaram 5 imagens: a do Conde, da Baronesa, da Baronesa quando era nova e a de cabelo branco. E mais essa do Barão, que eu fiz a ampliação que está do lado da cadeira. E a intenção era que depois dessa exposição, permanecesse como Museu Casa. Mas não demorou dois anos. Porque se você tem mais acervo, faça mais espaços, mais anexos. A intenção era deixar montado até a sala de jantar, que terminava com as personalidades, referente à casa. E o espaço das três salas, à esquerda, para as exposições temporárias. E qualquer outra coisa seria outro espaço. Eu penso que eles se esquecem do turista. Porque o turista vem para conhecer alguma coisa da cidade. Alguma história da cidade. E é isso que eu montei. Mas tem uma linha aí que é contra a Monarquia, contra não sei o que lá... mas o homem era o maior capitalista da cidade, não pode esquecer a história. Quem

120 Todos os nomes foram colocados em um livro que, que tinha a função de um roteiro e no final se transformaria em um documento da exposição, com todas as fotos, cartas, ofícios, documentos, textos usados na expografia e os das etiquetas.

121 Houve um plebiscito na cidade para saber se o Solar seria derrubado para a construção de uma rua que ligaria a Rua Barão de Jundiaí à sua paralela, Rua Vigário João José Rodrigues.

bancou tudo? A elite cafeeira. Não é porque você é contra a elite que você acaba com o museu É a segunda administração aqui que faz isso. Não deveriam interferir na história.

3. E os Antonios?

Quanto aos Antonios, são quatro os Antonios de Queiroz Telles. Além dos Francisco Antonio... outras gerações continuaram com o mesmo nome. O filho do Barão do Japy, também era Antonio de Queiroz Telles, engenheiro. E todos os Antonios conviveram mais ou menos na mesma época. O Barão e Jundiaí era Antonio de Queiroz Telles, filho de um Antonio de Queiroz Telles. Ele conviveu com um sobrinho Antonio Queiroz Telles e tinha um filho Antonio Queiroz Telles. Um era Barão de Jundiaí, o outro era Conde e o outro, engenheiro, que estudou nos Estados Unidos. Foi um dos fundadores da Tecelagem São Bento. Ele é que doa o órgão da Matriz. E o Cristo que está lá. "Seo" Geraldo falava que foi o Conde quem doou o órgão, mas foi o engenheiro. Eu achei um documento que foi o engenheiro que foi à Paris e comprou. Está na Igreja. Ele comprou o órgão e as partituras para serem tocadas nas missas. Ele comprou tudo e doou para a Igreja. O órgão é de 1870, por isso que o "Seo" Geraldo achou que era do Conde. Agora querem restaurar, vai ficar quase um milhão e meio. Antes ficava em trezentos mil. Agora, o cupim comeu quase tudo... daqui a pouco só tem os tubos.

Benzer Belgeler