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Em 1700, Ramazzini (1971) apud Ribeiro (1997) descreveu o sofrimento dos artesãos escriturários, sinalizando a leveza dos movimentos em punhos e mãos, a repetitividade do esforço, a sobrecarga estática das estruturas dos membros superiores e tensão exigidas.

Segundo Grandjean (2005), na prática, o trabalho de precisão envolve basicamente dedos e mãos. A articulação do punho é composta por várias estruturas ósseas conectando a mão ao antebraço por meio de tendões, músculos e ligamentos. A articulação do punho é que permite as mudanças de orientação da mão em relação ao antebraço e transmite as forças da mão ao antebraço e vice-versa (KAPANDJI, 1990)

Uma forma de adquirir habilidades necessárias para um trabalho de precisão é através da aprendizagem (GRANDJEAN, 2005). Há uma regulação rápida e eficiente da contração muscular; coordenação individual dos músculos; precisão de movimentos; concentração e controle visual. Fisiologicamente, isso ocorre por meio da impressão no bulbo cerebral dos movimentos necessários, ou seja, a criação de arcos reflexos adequados. No início, a pessoa submetida a um processo de treinamento realiza os movimentos conscientemente. Porém, com o transcorrer da aprendizagem, os comandos conscientes vão diminuindo progressivamente. Com isso, os centros nervosos assumem o comando, à medida que se formam novas vias e ligações no cérebro. Outro fato, resultante da aprendizagem, é que os músculos passam a ser

movimentos desnecessários. Como resultado desse fenômeno, o trabalho é mais fatigante para uma pessoa sem experiência.

Para ter operação das mãos mais rápida e precisa, o movimento deve ser executado pelo antebraço. A altura da superfície de trabalho afeta o desempenho manual e esforço fisiológico, onde a velocidade é mais rápida em trabalhos manuais quando os cotovelos estiverem baixos, próximos ao tronco e braços dobrados em ângulo reto (GRANDJEAN, 2005).

É um esforço leve, por isso, capaz de ser repetido em alta velocidade pelas mãos e dedos, ao mesmo tempo em que cobra uma postura e sobrecarga estática dos segmentos restantes (RIBEIRO, 1997).

Para Assunção (2001), a precisão dos movimentos realizados na região distal dos membros superiores impõe uma carga estática à musculatura da região proximal. Para Sporrong et al. (1998), ao executar tarefas de precisão, existe a necessidade de estabilização do ombro, obtidas pelo aumento da atividade do supra e do infra-espinhoso, aumentando o estresse em tais músculos.

Em montagem de precisão, assim como em diversos processos manuais, a organização do trabalho é um fator que influencia a maneira do operador realizar suas atividades (GUIMARÃES, 2000). O importante não é descrever o tipo de movimento, mas que ele é essencial aos trabalhos manuais que não podem ser mecanizados.

Esse tipo de trabalho se remete ao trabalho artesanal. É um trabalho manual que não se consegue automatizar e depende da habilidade dos trabalhadores. A atividade humana é importante devido a riqueza do comportamento, caracterizado por flexibilidade, adaptablidade, desenvolvimento e aperfeiçoamento das formas de regulação (LIMA E SILVA, 2002).

No sistema de produção artesanal, a força de trabalho era composta por artesãos habilidosos que conheciam com minúcia os princípios de mecânica e os materiais com que trabalhavam. Portanto, tratava-se de uma força de trabalho altamente qualificada em projetos, operação de máquinas, ajuste e acabamento. (WOMACK et al., 1992)

Os sistemas artesanais estavam localizados em pequenas oficinas, tratava-se de organizações descentralizadas, coordenadas pelo proprietário, que mantinha contato direto com todos os envolvidos: consumidores, empregados e fornecedores. Portanto, este empresário/proprietário acompanhava desde a aquisição de matéria-prima, passando pela coordenação da produção, até a venda do produto acabado (SILVA, SACOMANO, MENEGHETTI, 1999). Os detentores de capital, nesta época, eram os mercadores e eles rapidamente notaram o grande potencial das novas máquinas, mas não detinham conhecimento algum para operá-las. Surgiu então a associação entre os mercadores (que detinham o capital) e os artesãos (que detinham os conhecimentos do trabalho).

A aprendizagem era adquirida de maneira prática e formal, sobre a base de um conhecimento empírico produzido ao longo do tempo pelos trabalhadores independentes, dentro do seu sistema artesanal, muito específico e delimitado espacial e temporalmente. Desenvolviam as próprias ferramentas, empregavam o material disponível, gratuito ou de baixo preço.

Com o tempo, para um melhor controle, as máquinas começaram a ser agrupadas em uma única oficina e os artesãos passaram a ser contratados para realizarem o trabalho. Começou a surgir, então, as grandes plantas fabris. Com relação aos sistemas artesanais, destaca-se o fato da incapacidade das pequenas oficinas de desenvolver novas tecnologias. “Os artesãos individuais simplesmente careciam dos recursos para perseguirem inovações fundamentais: avanços tecnológicos genuínos necessitariam de pesquisa sistemática, e não

O sistema de cooperação era engendrado no artesanato. O método e os instrumentos de trabalho eram utilizados com uso partilhado, barateando o valor global da mercadoria. Se o processo de trabalho era complicado, a existência de cooperadores possibilitava repartir as dificuldades e as diferentes operações entre os participantes, de modo que a conclusão resultava em bem menos tempo. Podiam desenvolver tarefas parciais do processo de produção de uma única mercadoria com esse processo de cooperação.

Algumas tarefas manuais de precisão ainda são melhor desenvolvidas pelo homem. (LIMA e SILVA, 2002). Nesse tipo de trabalho há a objetivação do saber prático, onde não há como eliminar o trabalho humano, guardando um caráter de exclusividade, desempenhando papel essencial na racionalização do processo de produção. É importante para interpretar o sentido e significado dos eventos singulares e imprevistos, definir estratégias globais e a tomada de decisão em tempo real. Segundo os autores, não se pode considerar somente a melhoria das condições de trabalho em aspectos relacionados às dimensões, posturas, esforços físicos, etc. e sim a relação dinâmica entre o indivíduo que trabalha e a situação de trabalho.

O trabalho de precisão existente na soldagem de jóias exige os movimentos de pinça e preensão, faz com que o trabalho seja manual, tenha saber prático e habilidade inserido no contexto, sendo necessário a intervenção humana para realizar a solda.

Benzer Belgeler