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Apesar de operações de crédito já existirem há muitos séculos, o advento do cartão de crédito aconteceu apenas no início do século XX. Em 1914, a companhia de telégrafo e transferência de dinheiro americana Western Union lançou no mercado aquilo que seria posteriormente conhecido como cartão de crédito: uma pequena placa de metal contendo o nome do titular. Tal objeto era distribuído entre clientes preferenciais e concedia benefícios especiais, entre os quais a possibilidade de quitar suas compras em determinado prazo, sem a cobrança de multas ou outros encargos14. Outros estabelecimentos seguiram o exemplo, como a Texaco, que

lançou o seu cartão também em 191415. Nos anos seguintes, empresas do ramo

hoteleiro nos Estados Unidos e em diversos países da Europa forneciam cartões aos seus clientes que lhes permitiam pagar hospedagem e alimentação com prazos diferenciados.

Os cartões de crédito, portanto, têm origem na década de 1920, nos EUA e sua criação fora motivada pela intenção de empresas privadas de setores não-

14 http://correiogourmand.com.br/info_culturagastronomica_34.htm 15 http://www.texaco.com

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financeiros (como redes hoteleiras e empresas de combustíveis) de permitir que seus clientes comprassem a prazo dentro dos próprios estabelecimentos (COELHO, 2007). Os primeiros modelos de cartão eram bastante simples: forneciam um prazo maior de pagamento para compras, mas exigiam o pagamento integral da fatura. O uso do crédito rotativo, com limite de crédito estabelecido por clientes só foi utilizado a partir dos anos 30, condicionado ainda à quitação do débito e, posteriormente, financiando a diferença entre o que se pagava e o que se devia, chamado crédito rotativo pleno, que permitia o uso contínuo do cartão até o limite, mesmo com dívidas financiadas 14.

O modelo de cartão universalizado, com bandeiras que fossem aceitas em diversos tipos de estabelecimentos e comercializações, por sua vez, surgiu em meados do século XX. A invenção, como tantas outras, aconteceu em parte por acaso, em parte pela engenhosidade de Frank MacNamara, após um incidente em que se descobriu sem a carteira quando recebia convidados em um restaurante de Nova York. O esquecimento levou-o a conversar com o dono do estabelecimento, que lhe permitiu assinar uma espécie de promissória onde se comprometia a pagar a conta no dia seguinte. O fato deu-lhe a idéia do cartão de crédito e, junto com o advogado Ralph Schneider, fundaram a Diners Club Card e emitiram o primeiro cartão em 28 de Fevereiro de 1950, distribuindo 200 cartões que podiam ser usados em 27 restaurantes da região de Nova York. Inicialmente de papelão, o cartão da Diners passou a ser de plástico em 1955 (COELHO, 2007; FARIAS, 2003). Um ano após seu lançamento, o cartão Diners já possuía mais de 20 mil usuários, muitos deles fora da região original de Nova York e em 1952 mais de 400 restaurantes, 30 hotéis, locadoras de carros e até floriculturas compunham a rede de estabelecimentos afiliados. O momento da economia do pós-guerra, fortemente aquecida, foi um dos grandes propulsores do sucesso dos cartões de crédito16.

O primeiro banco a emitir um cartão de crédito foi o Franklin National Bank17, em

1951, mas foi rapidamente seguido por mais de 100 outros bancos, que

16 http://correiogourmand.com.br/info_culturagastronomica_34.htm 17 Atualmente conhecido como European American Bank.

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vislumbravam as possibilidades advindas desse novo negócio. A rápida expansão no segmento, porém, dificultava a lucratividade, uma vez que a base de clientes não acompanhava o aumento da oferta e esses cartões começaram a desaparecer rapidamente.

Um dos grandes players do mercado atualmente, a American Express, emitiu seu primeiro cartão em 1958, mais de 100 anos após a fundação da empresa. Apesar do pioneirismo marcante da empresa – em 1882 oferecia a forma de pagamento “Money Order” e em 1891, os Travellers Cheques – a empresa só entrou no mercado de cartões 8 anos após a Diners. A diferença de tempo, porém, não se refletiu em menor lucratividade ou crescimento, alcançando mais de 1 milhão de usuários e mais de 120 mil estabelecimentos conveniados apenas seis anos após seu lançamento. Em 1970 era aceito em mais de 10 países, chegando ao Brasil em 1980.

Foi outro banco, porém, que no mesmo ano de 1958 lançou o cartão de crédito nos moldes que conhecemos hoje, com crédito rotativo pleno e possibilidades de pagamento de fatura total ou parcial incidindo juros sobre o saldo remanescente. O

Bank of America foi o responsável pela inovação, com seu cartão BankAmericard. O

sucesso do modelo levou outros bancos a aderirem ao sistema, expandindo a marca em âmbito nacional e tornando-a uma das mais conhecidas dos Estados Unidos na época. Doze anos após o lançamento, porém, o Bank of America abriu mão do controle do sistema, que passou a ser administrado pela NBI (National

BankAmericard Inc). A expansão no mercado internacional, porém, esbarrou na

resistência por parte de alguns bancos estrangeiros em emitir um cartão que remetia diretamente ao Bank of America, ainda que apenas nominalmente. A solução foi apresentada pelo presidente da NBI, em 1976. A NBI passou a chamar-se VISA, que, na década de 90, tornou-se o maior cartão com circulação internacional, tendo hoje mais de 1 bilhão de cartões em circulação e sendo emitido por mais de 20.000 instituições financeiras (FARIAS, 2003). Uma das pioneiras no mercado de cartões de crédito, a operação da Diners Club foi adquirida pelo CitiCorp em 1981, depois de uma história de pioneirismo bem sucedido e apenas 6 anos após o lançamento do primeiro cartão de crédito empresarial, o “Corporate Card”, lançado em 1975

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(COELHO, 2006).

Na história dos cartões de crédito, porém, nem sempre foram flores. Depois de controversas ações nas décadas de 50 e 60, quando empresas de cartões de crédito enviavam plásticos para as residências de tantos quanto pudessem – sem solicitação ou autorização para tal – a década de 70 representou um momento de crescimento e o encontro das grandes bandeiras (MasterCard e Visa, principalmente) com a lucratividade. No final da década, porém, as leis de usura nos Estados Unidos minavam a rentabilidade do setor. A proibição de cobrança de juros superiores a 12% e a alta inflacionária não eram uma combinação lucrativa. Segundo palavras de Walter Wriston, chairman do Citibank, “Você está emprestando

dinheiro a 12 por cento e pagando 20 por cento. Não é preciso ser Einstein para perceber que você está fora do negócio”. Foi a desregulamentação do setor que

propiciou crescimentos anuais de dois dígitos durante os anos 80 (STEIN, 2004). E o mesmo se repetiria no Brasil.

Benzer Belgeler