Nesse tema, temos como princípio fundamental que o autor afirma e reafirma ao longo de seu livro, a importância de o indivíduo acometido pela neurastenia querer fazer o tratamento para a cura da patologia. O autor destaca a necessidade que o indivíduo tem de fazer o tratamento profilático e preventivo da neurastenia sexual, conseguindo controlar suas vontades e desejos sexuais; assim como o alcoolista ou um viciado em outras drogas, sendo indispensável ao tratamento a vontade de regenerar-se para que o tratamento obtenha êxito e o paciente alcance a cura. Em suas palavras,
não há negar que, depois da higiene sexual, a terapêutica psíquica constitue o melhor esteio para o clínico curar os seus enfermos. No respeitante ao tratamento da neurastenia sexual exigem-se muitos elementos psíquicos por parte do queixoso, entre os quais vontade firme, constante, inabalável, isto é,o desejo rial e paciente de curar-se. Não tratamos aqui apenas de palavras; cogitamos de sucessos; o indivíduo tem de tirar de si mesmo os elementos para a vitória da eliminação de seus males. Assim como para curar a embriaguez, o fumar desbragado e a cocainomania, exige-se energia da vontade, sobretudo constante e inabalável, da mesma maneira para safar-se da neurastenia sexual, são indispensáveis qualidades especiais de carácter e de convicção (AUSTREGÉSILO, 1928, p. 100).
Sendo assim, verificamos que o autor acredita que, no tratamento da neurastenia sexual a terapia psíquica consiste em um ótimo tratamento, sem ela desacredita na cura dos pacientes, pois o terapeuta trabalha com o indivíduo a reeducação de seu caráter e de sua vontade em curar-se (AUSTREGÉSILO, 1928). Assim, nos fala das três formas de tratamento da neurastenia sexual: “1.º) a profilaxia, ou cura preventiva; 2.º) a psicoterapia, ou terapêutica psicomoral; 3.º) a farmacoterapia e a fisioterapia, cujas bases estão nos medicamentos e nos meios físicos empregados” (p. 89).
Austregésilo (1928, p. 143) descreve ainda que “sintetizando as noções terapêuticas da neurastenia genital, em primeira linha aparece a psicoterapia. Sem esta não se curam neurastênicos.”
Dessa forma, o autor cita exemplos de situações clínicas e de tratamento das disfunções sexuais dos neuropatas. Por conseguinte, suas disfunções estão sempre envolvidas com o medo do ato sexual. Como ele profere: “o tratamento racional acompanhado de reeducação do espírito dá sempre bons resultados”.
Entretanto, segundo ele, a eficácia do tratamento só é possível com a força de vontade do paciente em querer curar-se. E ainda acrescenta que é preciso manter a calma e ter intimidade com a parceira que for praticar o ato sexual; o que denota a ideia de relacionamento fixo, sério e duradouro para que exista o ato sexual: "a intimidade e a calma são os melhores elementos para que desapareça a impotência genital psicogênica. Isto é, de origem ideativa ou emotiva. A repetição, pois, da tentativa, sem pensamentos depressores e timidez, é sempre o bom caminho para a cura dessa fobia"(AUSTREGÉSILO, 1928, p.108).
Todavia, entre as técnicas para a cura da neurastenia, é descrita pelo autor no livro e para seus pacientes a autossugestão. Assim, além da real vontade de se curar, um exercício para ser feito todos os dias, à noite antes de dormir e ao acordar pela manhã, é o repetir continuadamente, por diversas vezes, que “seu órgão genital está perfeito e que possui funções perfeitas, e que o indivíduo pode ter relação sexual com quem quiser sem nenhum problema”. Essa citação o autor faz mediante os conselhos de Coué e Baudouin (AUSTREGÉSILO, 1928).
Em resumo: a cura da impotência sexual psíquica faz-se pela confiança do enfermo em si, pela crença na palavra do médico honesto e amigo, pela reeducação das emoções, pela auto-sugestão, pela resistência paciente das tentativas, pela uniformidade e constância da função sexual normalizada, sobretudo por este raciocínio consolador: "se a potência se manifesta fora da cópula, ela há de operar-se fatalmente diante do indivíduo de sexo contrário para a execução do ato procriador. É uma questão de paciência e reeducação, e nada mais" (AUSTREGÉSILO, 1928, p. 116).
Nessa citação constatamos que o autor descreve resumidamente uma receita para a cura e controle da neurastenia se apropriando de ideias dos autores Coué e Baudouin.
Entretanto, outra ideia que trabalha no livro, a partir de suas práticas clínicas e de outros autores que tem como referência, é a hipnose11 como forma de tratamento, sendo ainda associada à autossugestão, já que chegou à cura em alguns pacientes. Porém, se os métodos citados anteriormente não levarem o paciente à melhora, o autor indica o método psicanalítico, também muito utilizado nos tratamentos dos neurastênicos sexuais.
E ainda Austregésilo (1928, p. 120) alerta para a importância dos pacientes neurastênicos cuidarem de seus pensamentos, não criando um medo sombrio através da imaginação dos atos e problemas com a patologia. Para ele: “o grande princípio está em que o nervoso não sistematize na imaginação os sofrimentos e sobre eles não arquictete castelos sombrios de desânimos e desconfortos actuais e futuros.”
Austregésilo (1928) ressalta o papel da mulher como fundamental no tratamento desses indivíduos, ao ponto de responsabilizá-las pelo sucesso ou fracasso do tratamento, principalmente dos homens casados: “A viagem curativa é longa, mas o fim será colimado. Durante o percurso cumpre ao doente ter grandes preceitos: convicção, paciência e auto- sugestão reeducadora das suas emoções e fobias" (AUSTREGÉSILO, 1928, p. 136).
Percebemos nessa citação o quanto Austregésilo acreditava em seu trabalho e estava envolvido e confiante no tratamento dos neurastênicos, sempre ressaltando a paciência e a convicção do paciente como pontos fundamentais para o êxito do tratamento.
Também expressa sua opinião sobre a intervenção cirúrgica e o enxerto nos casos graves de neurastenia:
A pouca universalidade dos respectivos métodos ainda produz entre nós a desconfiança. Falta-nos a sanção definitiva, isto é, a grande voz dos factos médicos que conquistam grandes êxitos. A tendência moderna porém é para acreditar na eficiência prática dos métodos de Steinach e Voronoff (AUSTREGÉSILO, 1928, p. 142).
O autor discorre sobre a possibilidade de intervenção cirúrgica no tratamento, em especial quando existe alguma causa orgânica envolvida. Por isso, cita alguns exemplos de sucessos relatados na literatura sobre enxertos de testículos de macacos no indivíduo. Porém, adverte que esta prática é vista com receio, até por ser pouco praticada no meio médico.
11
Hipnose: Para maiores informações sobre esse tema, consultar: FACIOLI, Adriano. Hipnose: fato ou fraude? Campinas: Átomo, 2006.
5
PERFIL DA MULHER BRASILEIRA ─ ESBOÇO ACERCA
DO FEMINISMO NO BRASIL ─ 1923
Esta obra é resultado de uma conferência feita pelo autor, que foi ampliada, e tornou- se livro. Esclarece o benefício que a família brasileira terá com sua publicação, pois, segundo o autor, é a mulher quem influencia a formação de seus filhos, educando-os, dessa forma, para o correto e o digno (AUSTREGÉSILO, 1923).