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Em Cannes, cúpula realizada em novembro de 2011, o foco foi direcionado para as reformas no FMI. Quatro linhas de ação foram desenhadas no encontro: 1) administração da volatilidade do capital _ esta demanda foi posto pelos emergentes e foi a primeira vez que apareceu como sendo uma proposta de ação em termos de governança; 2) a introdução de novas redes de segurança financeira, perseguidas desde a reunião de Seul; 3) revisão dos Direitos Especiais de Saque (DES), com a possibilidade de criação de uma cesta de moedas para compor o montante financeiro dos Direitos Especiais de Saques; 4) fortalecimento do poder de supervisão do FMI nos temas financeiro, monetário, fiscal e cambial via implementação do

Mutual Assessment Process (MAP). Po entanto, no momento no qual a reforma das instituições

da governança monetária e financeira ganhou corpo, o agravamento da crise europeia fez com que os atores desviassem as suas atenções para o continente. O parágrafo introdutório da declaração de Cannes demonstrou a tensão sentida pelos atores naquele contexto.

“Since our last meeting, global recoverc has weakened, particularlc in advanced countries, leaving unemplocment at unacceptable levels. Tensions in the financial markets have increased due mostlc to sovereign risks in Europe. Signs of vulnerabilities are appearing in emerging markets. Increased commoditc prices have harmed growth and hit the most vulnerable. Exchange rate volatilitc creates a risk to growth and financial stabilitc. Global imbalances persist. Todac, we reaffirm our commitment to work together and we have taken decisions to reinvigorate economic growth, create jobs, ensure financial stabilitc, promote social inclusion and make globalization serve the needs of our people” (Cannes

Final Declaration, p. 1).

A agenda de Cannes apresentou uma gama variada de temas propostos: taxa cambial determinada pelo mercado; consolidação das políticas fiscais para o crescimento sustentável e equilibrado; resiliência dos mercados dos países emergentes; Basiléia III; regulação do mercado

de derivativos; supervisão das instituições financeiras influentes e importantes; reformas do FMI; e comércio. Povos pontos ganharam foco: o combate global ao desemprego; a proteção social; volatilidade dos preços das commodities agrícolas; restrição à exportação de produtos alimentícios; tecnologia limpa; e cooperação internacional. Cannes seguiu a tendência histórica do G-20 que, desde fins de 1999, ampliou o espectro de assuntos discutidos em suas reuniões. Sobre os compromissos direcionados para as taxas cambiais, “we affirm our commitment

to move more rapidlc to enhance exchange rate flexibilitc to reflect underlcing economic fundamentals, avoid persistent exchange rate misalignments and refrain from competitive devaluation of currencies” (Cannes Summit Declaration, 2011, p. 2). Desde uma visão

retrospectiva, durante o encontro de Pittsburgh, os atores assumiram o compromisso em ver adotadas políticas monetárias consistentes com as estabilidades dos preços e com as taxas cambiais determinadas pelo mercado. Em Toronto, o mesmo compromisso foi assumido, agora enfatizando que a determinação do câmbio pelo mercado é uma das vias para a estabilidade da economia internacional. Em Seul, novamente, o mesmo direcionamento para com a política de estabilidade cambial foi firmado. Em Cannes, os líderes sublinharam que “exchange rate

volatilitc creates a risk to growth and financial stabilitc” (Idem). O documento enfatizou a

necessidade em combater a chamada ‘guerra cambial’, associou a mínima coordenação cambial como uma das estratégias para conter a volatilidade do capital e reduzir a propensão de algumas economias em acumular dólares nas suas reservas internacionais.

A consolidação fiscal e o estímulo para o crescimento sustentável e equilibrado foram evidenciados em Cannes. Po comunicado sobre os planos de ação para a promoção do crescimento e dos empregos, os líderes das economias avançadas se comprometeram em “to

adopt policies to build confidence and support growth and implement clear, credible and specific measures to achieve fiscal consolidation.”192 Po plano de ação para o crescimento e para o emprego, os líderes das economias avançadas prometeram “adopt policies to build

confidence and support growth, and implement clear, credible and specific measures to achieve fiscal consolidation, including as set out in the countrc specific commitments below” (Idem).

Isso em consonância com as especificidades de cada país.

Os líderes no G-20 reconhecerem, desde o encontro dos ministros das finanças e presidentes dos bancos centrais realizado em Washington, no ano de 2010, que o crescimento

192 G-20 (2011). Cannes Action Plan for Growth and Jobs. Disponível em http://www.g20.utoronto.ca/2011/2011-

cannes-action-111104-en.html. Acesso em 01/02/2014. Esse documento é um dos anexos da declaração final de

sustentável e equilibrado estaria ancorado em políticas fiscais responsáveis.193 Durante o

encontro de Buzan, Coréia do Sul, ocorrido em junho de 2010, entre os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais, os atores firmaram o compromisso com as finanças públicas, destacando os perigos dos eventos vindouros (crise na Europa) ao expressar que

“deliver fiscal sustainabilitc, differentiated for and tailored to national circumstances.”194 Pa

declaração, os estadistas afirmaram que a sustentabilidade fiscal é essencial para a recuperação econômica, para a resistência frente aos novos choques econômicos e para assegurar uma condição de vida digna para a população. Ademais, foram enfatizados que “credible, clearlc

communicated, differentiated to national circumstances, and focused on measures to foster economic growth” e que “failure to implement consolidation where necessarc would undermine confidence and hamper growth.”195

Retrospectivamente, durante o encontro de Seul, os líderes formularam ações específicas para a consolidação fiscal no médio prazo e medidas políticas que respeitassem as circunstâncias domésticas de cada economia. O comunicado evidenciou que as nações desenvolvidas deveriam adotar políticas fiscais claras, credíveis, ambiciosas e em linha com a promoção do crescimento sustentável e equilibrado conforme o comunicado de Toronto.

Po mesmo documento sobre os planos para a geração de empregos e para a promoção do crescimento, os atores se comprometeram em assegurar que “emerging market economies

commit to adopting macroeconomic policies to enhance the resilience of their economies.”196

Po encontro de Seul, foi reportado que as economias emergentes também poderiam contribuir com a estabilidade da economia global. O encontro de Washington foi uma reação dos atores diante da instabilidade econômica global provocada pelos mercados financeiros não regulados dos países centrais. Agora, “the shift in focus towards emerging market economies and

developing economies (EMDE) is recognition that these countries have a significant effect on global recoverc.”197

O FMI, o FSB e o Banco Mundial estabeleceram cinco linhas de ação que deveriam ser tomadas pelas economias emergentes no intuito de colaborar com a estabilidade econômica global: adoção de padrões financeiros internacionais; promoção de cooperação concernente a supervisão transfronteiriça do mercado financeiro; expanção do perímetro regulatório e

193 G-20 (2010). Communiqué, Meeting of finance ministers and central bank governors. Washington, EUA. 194 G-20 (2010). Comuniqué. Meeting of Finance Ministers and Central Bank Governors. Buzan, South Korea. 195 G-20 (2010). The Toronto Summit Declaration. Toronto, Canada (p.12).

196 G-20 (2011). Cannes Action Plan for Growth and Jobs. Disponível em http://www.g20.utoronto.ca/2011/2011-

cannes-action-111104-en.html. Acesso em 01/02/2014.

197 THE G8/G20 REASERCH GROUP OF THE UPIVERSITY OF TOROPTO. “2011 G20 Cannes Final

supervisório financeiro; administração dos riscos cambiais estrangeiros; desenvolvimento dos mercados domésticos bancários.198 Ao que tudo indica, e como será demonstrado no próximo capítulo, a China e o Brasil fortaleceram os seus padrões de regulação e de supervisão bancária em consonância com os compromissos assumidos no G-20 financeiro e orientados pelo Comitê da Basiléia e pelo FSB.

Sobre o acordo Basiléia III e a supervisão do mercado financeiro, “we commit to the full

and timelc implementation of the financial sector reform agenda agreed up through Seoul, including: implementing Basel II, II.5 and III along the agreed timelines.”199 A declaração de Cannes estipulou a data para a total implementação dos padrões do acordo Basiléia III: “starting

in 2013 and completing full implementation bc 1 Januarc 2019” (Cannes Summit Declaration,

2011, p. 5).

Outra área da governança que reapareceu em Cannes foi a supervisão das influentes e importantes instituições financeiras. Os atores assumiram a “commit to the full and timelc

implementation of the financial sector reform agenda agreed up through Seoul, including a comprehensive framework to address the risk posed bc scstemicallc important financial institutions” (Idem). Seguindo os compromissos inaugurados em Seul, ficou a cargo do FSB

desenvolver e coordenar os planos sobre a supervisão das atividades das grandes instituições financeiras.

Em Cannes, o FSB apresentou o documento sobre as ações a serem tomadas no campo da regulação dessas instituições intitulado ‘Kec Attributes of Effective Resolution Regimes of

Financial Institutions’. O documento prescreveu o seguinte receituário para regular essas

instituições: padrão internacional de regulação das instituições financeiras importantes e globais; supervisão intensa e efetiva; cooperação internacional nessa seara; e fortalecimento do colchão financeiro das instituições para absorver as perdas decorrentes de algumas atividades financeiras arriscadas.200

Com respeito à governança do mercado de derivativos, os atores “commit to the full and

timelc implementation of the financial sector reform agenda agreed up through Seoul, including: clearing and trading obligations for OTC derivatives.”201 A declaração de Cannes não reuniu maiores informações sobre as reformas no mercado de derivativos. Segundo o FSB,

198 FSB (2011). “Financial Stabilitc Issues in Emerging Market and Developing Economies.” FSB, IMF and

World Bank (Basel) 20 October 2011.

199 G-20 (2011). Cannes Action Plan for Growth and Jobs.

200 FSB (2012). “Policc Measures to Address Scstemicallc Important Financial Institutions.” Financial Stability

Board (Basel), 4 Povember 2012.

até 2012, poucas modificações foram observadas na governança da área financeira do mercado de derivativos: “concern regarding manc jurisdictions’ likelihood of meeting the G20 end-2012

deadline, and believes that in order for this target to be achieved, jurisdictions need to take substantial, concrete steps toward implementation immediatelc.”202 O países, no G-20, por

sinal, observaram que “few FSB members have the legislation or regulations in place to provide

the framework for operationalizing the commitments.”203 Como será demonstrado no capítulo posterior, alguns países do G-20 assumiram compromissos para fortalecer a regulação do mercado de derivativos, no entanto, esse é uma área de dificil regulação e de administração, condição reconhecida pelo próprio FSB.

Como supracitado, um foco foi conferido às propostas de reforma e fortalecimento do FMI. Sobre as reformas nas cotas de representação e de votos dos países na instituição, os atores

“will expeditiouslc implement in full the 2010 quota and governance reform of the IMF”

(Cannes Summit Declararion, 2011, p.3). Também foi apresentada uma proposta para reve a composição da cesta de moedas dos Direitos Especiais de Saques (DES) “composition should

continue to reflect the role of currencies in the global trading and financial scstem and be adjusted over time to reflect currencies’ changing role and characteristics” (Idem). Também

foi criada uma nova linha de financiamento dentro do FMI “we support the IMF in putting

forward the new Precautionarc and Liquiditc Line (PLL)” (Idem). Tratou-se de uma linha de

curto prazo para socorrer economias afetadas por severos choques econômicos. Por fim, foi expressa a intenção em ver criada uma linha de emergência para países que sofressem com os danos provocados por um desastre natural.204

A XIV revisão geral das cotas de representação e de votos dos países no FMI seria concluída em janeiro de 2013. Até a data da redação desta seção da tese, junho de 2015, a reforma não foi aprovada por conta do veto conferido pelos EUA.

Quanto ao comércio, a declaração de Cannes expressou “we reaffirm our standstill

commitments until the end of 2013, as agreed in Toronto, commit to roll back anc new protectionist measure that mac have risen, including new export restrictions and WTO- inconsistent measures to stimulate exports” (Idem, p. 13). De forma retrospectiva, o

compromisso em lutar contra as práticas protecionistas comerciais esteve na pauta do G-20 desde o encontro de Washington. Esse assunto foi extendido até a cúpula de Londres e fins do

202 FSB (2011). “OTC Derivatives Market Reforms: Progress on Implementation.” Financial Stability Board

(Basel), 15 April 2011.

203 FSB (2011). “OTC Derivatives Market Reforms: Progress on Implementation.” Financial Stability Board

(Basel), 15 October 2011.

ano de 2010, foi renovado em Toronto e postergado até o final de 2013. Pa declaração de Washington, os atores associaram a crise aos efeitos das práticas de protecionismo comercial

“the critical importance of rejecting protectionism and not turning inward in times of financial uncertaintc” (Washington Summit Declaratio, 2008, p.5). Pa declaração de Toronto, os atores

assumiram que: “continue to monitor the situation within their respective mandates, reporting

publiclc on these commitments on a quarterlc basis” (Toronto Summit Declaration, 2010, p.

9).

Sobre a governança internacional, os atores reconheceram que o G-20 era o maior fórum para a cooperação no campo econômico internacional. Ressaltaram a necessidade de consolidar a cooperação, a coordenação e a consulta mútua entre os atores e as instituições internacionais seguindo os objetivos estabelecidos em Seul:

“We reaffirm that the G20’s founding spirit of bringing together the major economies on an equal footing to catalcse action is fundamental and therefore agree to put our collective political will behind our economic and financial agenda, and the reform and more effective working of relevant international institutions. “We will urgue consistent and effective engagement with non-members, regional and international organisations, including the Wnited Nations, and other actors, and we welcome their contribution to our work as appropriate. We also encourage engagement with civil societc.” (Cannes Summit

Declaration, p. 19).

***

As análises transmitidas pela mídia e por alguns artigos acadêmicos sobre o momento crítico no qual foi realizada a cúpula de Cannes mantiveram a tônica pessimista sobre a oportunidade de cooperação posta pelo G-20 para reformas as áreas da governança monetária e financeira internacional.205 Algumas avaliações desprestigiaram essa iniciativa relatando que

“cet last week’s summit proved almost comicallc irrelevant to the future of the global economc.”206 A mesma ponderação reportou as falhas do grupo de países em administrar

minimamente os efeitos das crises econômicas internacionais: “in the previous decade, the old

205 Embora prevaleçam nesta seção análises veiculadas pela mídia com relação à ‘performance’ do G-20 enquanto

uma iniciativa de cooperação e de governança limitada, não devem ser negados os sucessos e os esforços do grupo. Muitas análises fazeram referência aos sucessos do G-20. “The group has evolved over nearlc three cears and five summits. Initiallc operating in crisis-response mode, version 1.0 of the G20 displaced impressive unitc, in Washington and London, producing plans for stabilising financial markets, co-ordinating regulatorc reform, and agreeing a global stimulus. Then, 2009’s Pittsburgh summit saw the release of G20 “version 2.0,” with the focus shifting to longer-term macroeconomic governance, later pushed forward in Toronto and Seoul.” G20 version 2.0 oill appease the skeptics. The Financial Times, March 31, 2011.

Group of Seven failed to prevent various financial crises. This decade, the G20 is failing to solve them” (Idem). O cenário da crise europeia contribuiu substancialmente para dispersar o

consenso entre os atores, pois acentuou as suas diferenças e as suas preferências econômicas diante da crise. A posição do presidente da França, Pikolas Sarkosy, em transformar Cannes em um novo momento Bretton Woods pelo seu slogan “New World, New Ideas”207 parece não

ter se materializado.

Um dos avanços foi a ampliação dos recursos do FMI via New Arragment to Borrow (PAB). Segundo reportagem do The Financial Times, “a ten-fold expansion of the

International Monetarc Fund’s New Arrangements to Borrow (NAB) took effect todac together with reforms to make the NAB a more flexible and effective tool of crisis management.”208 E completou que: “the expansion of the NAB was approved bc the IMF on April 12, 2010, and

became effective following completion of the ratification process bc NAB participants” (Idem).

Essa ampliação do PAB foi possível graças à concretização da revisão geral das cotas dos países no FMI iniciada em 2008 e efetivada em 3 de março de 2011_ XIII revisão geral das cotas. Se a XIV revisão geral das cotas tivesse sido aprovada, o total dos recursos destinados ao PAB seriam de “approximatelc SDR 476.8 billion (about WS$747 billion) once the quota

increase under the 14th General Review of Quotas agreed in late 2010 comes into effect”

(Idem).

Como destacado em seções anteriores, os fatores que polarizaram as preferências entre os principais atores _ China e EUA _ foi a política cambial e o chamado desequilíbrio global _ os acúmulos excessivos em dólares nas reservas internacionais chinesas. Po encontro entre os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais do G-20, ocorrido em Paris, França, a política cambial e o problema do desequilíbrio global também contribuíram para relativizar a importância do G-20 enquanto iniciativa de governança. O comunicado de Paris fez a seguinte referência à esses assuntos da área macroeconômica: “the external imbalance composed of the

trade balance and net investment income flows and transfers, taking due consideration of exchange rate, fiscal, monetarc and other policies.”209 Como já indicado, essas áreas foram tratatas com muita cautela diplomática pelos principais atores envolvidos na cúpula. Christine Lagarde, então ministra das finanças da França, destacou, em tom cuidadoso, que “the

207 The Word Needs a Cannes Do-summit. The Financial Times, Povember 2, 2011. 208 A fresh (IMF) sovereign contingent liability. The Financial Times, March 26, 2011.

negotiations have been frank and sometimes tense, but alwacs respectful. It has not been simple.”210 E pontuou que o acordo estava imbuido de um “spirit of compromise” (Idem).

Também em tom de conciliação diplomática, que objetivava não evidenciar a seriedade e a sensibilidade desse tema comum aos EUA e a China, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, avaliou que o acordo obteve “a result which we all can live with” (Idem). Vale destacar que a Alemanha é um país superavitário e vinha sendo criticada pelos demais atores por manter uma política fiscal conservadora diante do cenário de crise demandante de investimentos governamentais. Ousmène Mandeng, ex-economista do FMI e, à época da reportagem, consultor do Banco da Suíssa, relatou que as conversas no G-20 sobre o tema foram

“a big disappointment” (Idem). Eswar Prasad, ex-economista do FMI e especializado em

China, destacou que “the outcome reveals how central China has become to global

macroeconomic management and how much clout it has in international policc discussions”

(Idem). E completou que “with the rest of the G20 arraced against it, China still managed to

hold its own” (Idem). O presidente Hu Jintao não mencionou no seu pronunciamento na cúpula

do G-20 o termo ‘taxa cambial’, limitando-se arelatar que “strong growth [in China] is the

primarc goal in pursuing strong, stable and balanced [global] growth.”211

Essa cúpula de Cannes foi interpretada como um evento que falhou na sua tarefa de promover um “strong, stable and balanced” global economic growth” (Idem). A mesma reportagem trouxe a avaliação do Professor Eswar Prasad acerca da ineficiência do G-20 em, minimamente, rever a governança monetária e financeira internacional: “Rather than provide

new ideas to promote global financial stabilitc, the G20 has offered grandiose but vague promises for the future and a series of short-term fixes that are hostage to political circumstances in individual countries” (Idem). Sobre a temática comercial e a rodada Doha da

OMC, análises indicaram que os atores estatais reconheceram a inviabilidade em se promover acordos nesse campo através do G-20: “for the first time, leaders recognised that the Doha

negotiations will not succeed on the basis of the current negotiations” (Idem). Diante do

cenário de temor com relação à crise da Europa e dos parcos resultados alcançados no G-20, o destacado Professor Eswar Prasad finalizou com uma avaliação pessimista: “we are left with a

tumultuous world economc at the brink of disaster or at least prolonged stagnation and vulnerabilitc” (Idem).

Outro assunto que circunscreveu Cannes foi a possível contribuição financeira dos países emergentes com o FMI. A ideia dessa medida era que um aporte financeiro dos países

210 G-20 Sceptics oait for shift in behavior. The Financial Times, February 20, 2011.

Benzer Belgeler