A USP, segundo já apontado pelo levantamento de Almeida (2001), possui aproximadamente 35 museus e coleções que se configuram em unidades autônomas ou parte de departamentos, abertas à visitação. São acervos que representam as
3 BRANDÃO
, Carlos Roberto. Palestra proferida no “Workshop Portal do Museu de Ciências: planejando ações para organizar e difundir as coleções e acervos da USP”, realizado em 11 de novembro de 2011, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo.
ciências exatas, humanas, biológicas, artes e tecnologia. Estes relatam a história da Universidade e representam parte de seu patrimônio.
A constituição da USP não foi diferente das demais universidades brasileiras que nasceram ao longo do século XX. Ela é fruto da união de institutos, escolas, e incorpora no momento de sua criação o já existente Museu Paulista. O decreto de sua criação determina a reunião dos cursos superiores de Medicina, Engenharia e Direito já estabelecidos no Estado; de algumas instituições de pesquisa, como o Instituto Astronômico e Geofísico e o Museu Paulista; e da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (ALMEIDA, 2001). Para a autora, ao incorporar essas instituições e museus, a USP demonstrava a vontade de ampliar as áreas de pesquisa e ensino. Além disso, as universidades eram vistas como potenciais guardiãs de acervos já existentes, podendo desenvolver estruturas de preservação e divulgação destes.
Apesar do grande número de museus e coleções da USP, somente 4 deles são considerados unidades autônomas: o Museu Paulista, o Museu de Zoologia, o Museu de Arte Contemporânea e o Museu de Arqueologia e Etnologia. Em todos eles são desenvolvidas atividades de pesquisa e docência amplamente reconhecidas.
Os museus e coleções da USP têm a particularidade de estarem dispersos nos seus diferentes campi (inclusive naqueles fora de São Paulo), e, por isso, muitas vezes, o acesso ao próprio público interno da universidade é limitado. Com a intenção de valorizar e difundir o acervo da USP, surgiu, em 2002, o projeto do Museu de Ciências da USP (MC). Hoje ele se constitui como um órgão da PRCEU. O MC se propõe a formar uma rede de divulgação e difusão do acervo existente nas diferentes unidades da USP.
Os objetivos do MC concentram-se na criação de um sistema de ações museológicas que atue como uma rede de articulação dos acervos da universidade. Essa ação seria refletida na criação de um portal eletrônico para o MC, na itinerância dos acervos em exposições temporárias para todos os campi da USP e no desenvolvimento de exposições temáticas que representem diferentes temáticas. Não se espera que seja construído um edifício para abrigar todas essas coleções e nem o deslocamento das coleções. Inicialmente, a ideia da rede (isolada das exposições) se assemelha a um catálogo, isto é, um banco de informações que se refere a todas as coleções físicas da universidade.
Em sua definição, o MC é um modelo diferenciado que promove a integração entre todas as ciências por meio da “comunicação virtual e da promoção de eventos integrados” (USP, 2011a). Acrescenta-se que o MC integra as áreas de ensino, pesquisa e extensão por meio do desenvolvimento de “ações e processos educacionais apoiados em exposições de acervos materiais e imateriais, em cursos, seminários, oficinas, palestras e demais modalidades de difusão do conhecimento” (USP, 2011a) estimulando o pensamento crítico.
Apesar de existir desde 2002, o MC ainda não alcançou todos os seus objetivos. Até o fim de 2011, notou-se que apenas as itinerâncias e a criação de uma exposição foram realizadas. Em contrapartida, vêm sendo realizados workshops e encontros para dialogar com todas as unidades que se interessam e estão envolvidas no projeto para criar metas e planos de trabalho a fim de concretizar a efetiva criação do MC, representada principalmente – pelo que se pôde perceber no workshop realizado em 17 de novembro de 2011 – pelo lançamento do portal eletrônico.
Esse portal é um instrumento de divulgação científica de extrema importância para a USP, pois, sendo possível que qualquer indivíduo acesse-o pela internet, torna- se um mecanismo voltado para a difusão do conhecimento e para ampliar o alcance das pesquisas que são desenvolvidas na Universidade. O portal prevê a disponibilização do maior número possível de imagens e informações de cada acervo das unidades, com organização por área temática, e pretende ser uma ferramenta de pesquisa e entretenimento.
Na mesma ocasião do workshop citado, Marson (2011)4 abordou a importância de uma iniciativa como o portal de amplo alcance, pois muitas pessoas não sabem o que é Ciência por falta de divulgação científica. O MC viria para sanar essa dificuldade de compreensão da Ciência como um todo. O interessante é que o MC não é uma proposta de substituição dos museus e coleções físicas; ele pretende ser uma extensão da experiência museal, da visita. Isto é, os acervos estão fisicamente disponíveis, e o indivíduo pode se instigar durante uma visita, acessar o MC e descobrir assuntos, coleções da mesma universidade (porém, eventualmente, distantes do seu local naquele momento) que dialogam entre si, enriquecendo, assim,
4 MARSON, Guilherme Andrade. Palestra proferi
da no “Workshop Portal do Museu de Ciências: planejando ações para organizar e difundir as coleções e acervos da USP”, realizado em 11 de novembro de 2011, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo.
seu conhecimento. Segundo o grupo de trabalho do workshop, o MC é uma expansão do acesso, mas sem querer que se elimine a visita física.
Ao mesmo tempo, a diretora do MC, Yamamoto (2011),5 assume que o Museu de Ciências não pretende criar uma unidade física justamente porque a sua proposta é uma integração do que já existe em termos de coleções na USP. Portanto, não faria sentido deslocá-las de seus departamentos para um núcleo comum. Outras ideias estão sendo discutidas para ampliar quantitativamente a visitação de cada uma dessas coleções, visando mobilizar principalmente o público interno da USP. No
workshop mencionado, foi divulgada a intenção de se posicionarem totens espalhados
na cidade universitária com conteúdo que crie opções de passeios culturais articulando coleções de interesse de cada visitante, uma iniciativa que com certeza proporcionaria maior consciência sobre o patrimônio cultural presente na universidade e chamaria atenção para a necessidade de conservação e ampliação das políticas internas para os museus.
Em consonância com o entendimento da importância que a divulgação científica tem para a universidade, a USP anunciou, em setembro de 2011, outro projeto. Denominado Casa da Ciência, nos moldes das já existentes nos campi de Ribeirão Preto e São Carlos, a iniciativa será construída na USP Leste e vinculada à Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). A perspectiva é criar parcerias com escolas do ensino médio para programas que facilitem o acesso da população à produção científica da Universidade. Além disso, a Casa da Ciência na EACH tem como objetivo a promoção do desenvolvimento local. Situada na zona leste da capital paulistana, espera-se que os alunos da região possam ter acesso a informações que os auxiliem nas escolhas profissionais, que projetos motivadores possam surgir e que se crie um elo da universidade com seu entorno (MIGUEL, 2011).
Evidencia-se, então, que a USP possui acervos que se destacam tanto no ensino quanto na constituição de museus e espaços de divulgação científica. Daí a importância de se pensar como estes estão sendo trabalhados nas perspectivas voltadas para a mediação e público.
5 YAMAMMOTO, Mariana. Palestra proferida no
“Workshop Portal do Museu de Ciências: planejando ações para organizar e difundir as coleções e acervos da USP”, realizado em 11 de novembro de 2011, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo.