5. TARTIŞMA
5.1. Gereç ve Yöntemin Tartışılması
No momento em que se reconhece a necessidade de uma ampla e complexa Reforma Trabalhista, assim como a exigência da democratização do sistema de relações do trabalho como condição para superar as insuficiências e deficiências do modelo de organização do trabalho e da administração da justiça em nosso País, pretende-se, nesta tese, elucidar o sentido profundo e consistente que se confere ao princípio de democracia imanente ao sistema Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista, bem como avaliar sua capacidade de contribuir para a democratização da organização do trabalho e da administração da justiça.
A precocidade histórica da instituição e do instituto dos Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista (integrados à organização do trabalho brasileira, com a criação da experiência prototípica do Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista, concebido e criado originariamente no município de Patrocínio/MG, em 1994) não permitira antes um esforço coerente com as suas potencialidades transformadoras no sentido da construção de uma teoria consistente e abrangente que pudesse fundamentar, jurídica, política e filosoficamente, o conjunto de suas atividades a partir dos princípios e dos objetivos que fundamentam a República brasileira. Muito menos fora antes possível realizar uma avaliação do impacto social dessa instituição no meio em que ela atua, pelo mesmo motivo.
Com efeito, considera-se que a emergência histórico-social dessa instituição a partir de um movimento vindo de “baixo” denuncia o exaurimento e a insuficiência do atual modelo de organização das relações de trabalho, cuja crise local se agudizou em termos insuportáveis em relação às condições singulares do trabalho rural na região.
A eloqüência dos resultados alcançados pelo Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista de Patrocínio no campo da prevenção e da resolução não judicial dos conflitos trabalhistas locais transformou-o numa referência recorrente em defesa da introdução de meios não judiciais de resolução dos conflitos trabalhistas no País, até mesmo nos discursos de justificação da legislação que introduziu as comissões de conciliação prévia (lei n. 9.958/2000). Essa talvez seja a razão pela qual os demais aspectos mais relevantes de sua atuação, voltados para a negociação coletiva, para a regulamentação autônoma, para a administração e gestão da organização do trabalho, para a prevenção dos conflitos e para a administração da justiça, foram desconsiderados num processo metonímico de desvirtuamento da versão que se popularizou nos meios jurídico e sindical. Contudo, o levantamento dos resultados de sua atuação ao longo dos primeiros doze anos de sua existência concerne também à efetividade dos direitos fundamentais e sociais dos trabalhadores, à gestão da organização do trabalho e da administração da justiça e à influência positiva nas relações socioeconômicas do setor de atividade em que atua.
Tais transformações são uma conseqüência do desempenho, harmônico e integrado, do conjunto das funções institucionais que o caracterizam como instituição social e o definem como instituto autônomo, no campo da dogmática jurídica.
Por essas razões, o instituto dos Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista carece de um desenvolvimento teórico capaz de dar sustentação à sua condição jurídico- científica de instituição social e de instituto jurídico autônomo e, sobretudo, de demonstrar sua aptidão para contribuir para a democratização da organização do trabalho, almejada pela sociedade brasileira. Ela exige a definição dos balizamentos principiológicos, organizacionais e operacionais característicos do instituto, de modo a se proceder, a partir da experiência, à abstração da identidade jurídica do instituto. E essa conversão do concreto em abstrato, do singular em geral e do local/regional em nacional exige um diálogo transparadigmático que não se insere no quadro de um juspositivismo (neopositivismo ou positivismo lógico) atado ao modelo de racionalidade da ciência moderna e da filosofia da consciência.
De resto, a percepção de que a convergência do muito do que foi feito, em âmbito local, em função da atuação do Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista de Patrocínio (cf. amostragem de resultados) com o muito do que se pretende com a Reforma Trabalhista é a justificação máxima que se pode dar para a eleição do tema objeto desta investigação, que busca responder à questão sobre a aptidão do sistema Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista para promover nos respectivos âmbitos de atuação a democratização da organização
das relações de trabalho e da administração da justiça e, com isso, contribuir para a democratização da organização do trabalho e da administração da justiça em nosso País.
O princípio de democracia imanente ao sistema Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista e capaz de respaldar o conjunto das atividades institucionais características dessas instituições exige a construção de uma base teórica coerente com os fundamentos constitucionais do Estado brasileiro e uma ruptura com a tendência a se atribuir à Constituição uma função meramente “fabuladora” ou “simbólica”, para se conferir um sentido forte (normativo) aos princípios da dignidade humana e da cidadania.
Essa densificação do sentido da democratização envolve, enfaticamente, a busca da efetividade dos direitos sociais legitimada pela participação dos destinatários (afetados) da ação pública na gestão da organização do trabalho (Administração) e da administração da justiça (isto é, do sistema de resolução dos conflitos do trabalho integrado pelos meios judiciais e não judiciais disponíveis).
Por isso, a reconstrução aqui empenhada eleva-se ao plano paradigmático do Estado Democrático de Direito para erigir a teoria a partir da qual se formulará a pergunta sobre a aptidão democratizadora de tais instituições que motiva a presente pesquisa. Ela procura detectar o enraizamento de paradigmas culturais e ideológicos não mais compatíveis com o paradigma do Estado Democrático de Direito erigido na Constituição de 1988. Estes seguem neutralizando maiores avanços em direção à democratização da organização do trabalho e da administração da justiça, tais como a ausência ou a precariedade da negociação coletiva, o isolamento e o desencontro da atuação das instituições do trabalho, a ausência do “diálogo social” e da “concertação social”, a ausência de mecanismos eficazes de prevenção de conflitos, a insuficiência dos meios oficiais de resolução de conflitos e a sua inaptidão para garantir a efetividade dos direitos sociais.
Admite-se que as transformações locais decorrentes da atuação da instituição matricial que deu origem ao instituto jurídico que lhe é correspondente procedem de uma mudança dos paradigmas político-filosófico-constitucionais com que se compreendem os fundamentos do Estado Democrático de Direito instituído pela sociedade brasileira na Constituição de 1988.
Se essa mudança se verificou no campo da experiência e produziu conseqüências sociais dignas de uma reflexão científica mais consistente, a racionalidade estruturada com base na filosofia da consciência e no método científico moderno é insuficiente para promover uma efetiva transformação cultural na prática jurídica e no modo de atuação das instituições do trabalho (públicas e de representação coletiva) para promover a sua democratização
substantiva, e não meramente formal da sociedade e do sistema de relações de trabalho. Esse modelo de racionalidade apresenta obstáculos epistemológicos consideráveis à elaboração da idéia de uma democracia integral compatível com os fundamentos da República brasileira. Ele serviu à tradição autoritária e, no campo teoria democrática, não foi além da organização do Estado, das instituições e da democracia formal-representacionista. Trata-se, portanto, de uma questão paradigmática a ser enfrentada.
O paradigma não tem um sentido preciso. Depois de Kuhn, muitos ficaram tentados a desistir de atribuir-lhe um sentido. Edgar Morin, que o resgatou na sua densidade e no seu sentido profundo, demonstrou que ele é demasiadamente importante e decisivo para ser desconsiderado. O paradigma carrega as categorias mestras da inteligibilidade, determina as operações lógicas matriciais e desempenha um papel subterrâneo. É o princípio de seleção/rejeição das idéias a serem integradas no discurso e na teoria ou descartadas, recusadas. Parece depender, mas não depende, da lógica, porque funciona como critério de seleção das operações lógicas, que se tornam, sob seu império, preponderantes, pertinentes, evidentes. Ele também determina a utilização cognitiva da disjunção ou da conjunção. Com isso, além de designar as categorias fundamentais da inteligibilidade, controla o seu emprego. Por ser invisível, é um “tanto” invulnerável, e tudo que está fora dele parece “exótico”, estranho, e assume caráter escandaloso, absurdo, profanador, incoerente. O paradigma, por meio das teorias e ideologias, determina uma mentalidade, uma visão de mundo. Assim, o mundo submetido ao paradigma da oposição capitalismo/socialismo não é o mesmo mundo da oposição democracia/totalitarismo, do que resulta que todas as visões de mundo têm um conteúdo quase alucinatório.
O traço comum em que se baseiam os princípios de organização da ciência, os princípios de organização da economia, os princípios de organização da sociedade, os princípios de organização do Estado e, com efeito, os princípios de organização e de ação das instituições (do trabalho), que se espargiu em todas as áreas, é o modo de tratar a realidade. O tratamento do real se dá por redução/disjunção e pela ocultação do sujeito pelo objeto, e vice- versa, como também pela redução do objeto fragmentado à ordem, à medida, à lógica, ao cálculo (em detrimento das totalidades, das unidades complexas e dos contextos), à especialização, à hierarquização e à racionalização. É esse paradigma da ciência clássica que se encontra na base do conhecimento e da ação humana, fundado na visão atomística (só vê unidades elementares) e na visão mecanicista (só vê uma ordem determinista simples), que se encontram na raiz do pensamento ocidental. Essa concepção vem reproduzida no modo como se organizam as instituições e se faz presente com igual ênfase nas práticas jurídicas.
O paradigma da consciência (razão instrumental solipsista), de que se nutre o racionalismo moderno, ao desprezar a realidade, cinde-a em dois mundos: o da realidade e o das instituições; o do “direito” e o da realidade; e o da lei e o da vida. O mundo “ficcional”, no entanto, afastado da realidade, produz nesta conseqüências sociais opostas à ideologia exteriorizada como meio de legitimação e de dissimulação da função “fabulatória”, que, nesse caso, o direito também passa a cumprir, ao lado da garantia de um mínimo de efetividade aos direitos sociais necessária à permanência do statu quo.
A organização do trabalho não está alheia à questão paradigmática que hoje se apresenta para ser enfrentado em todos os setores da atividade humana. Tal paradigma se instala na raiz do modelo organicista-corporativo que serviu de inspiração às inaugurais lições de “Direito Corporativo” do sociólogo Oliveira Viana. Nesse modelo, o positivismo de Comte estabeleceu estreita conexão com a política, para desembocar-se no Estado Corporativo, o qual fez gerar tal entusiasmo que muitos, como Mainolesco, no início do século XX, consideraram-no como o “século do corporativismo”.
A cristalização desse paradigma da ciência na consciência dos juristas teóricos e dos juristas de ofício, especialmente nas práticas jurídicas e institucionais dos agentes do Poder Público, pôs em xeque a capacidade das instituições jurídicas de responder às exigências da sociedade contemporânea em sua complexidade e em sua dinamicidade permanente, sobretudo num período histórico de profundas transformações como o que vivemos.
A isso se alia o fechamento operacional das instituições que atuam desarticuladamente como subsistemas fechados.
Opera-se, assim, a conjugação de dois autoritarismos: o autoritarismo político e o autoritarismo epistemológico-operacional das instituições.
A crítica neoparadigmática estabelece que a fundação epistêmica da ação do Poder Público na razão instrumental, individual e solipsista, de um único cidadão ou de alguns cidadãos alçados ao posto de autoridade situa a ação cognitiva da autoridade pública entre o solipsismo e o decisionismo. Esse modelo de racionalidade, que contrasta com o princípio de democracia que informa o Estado Democrático de Direito brasileiro (o qual se fundamenta na dignidade da pessoa humana, na cidadania, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo), alimenta práticas jurídicas e institucionais coerentes com o paradigma do Estado autoritário intervencionista e dá azo ao crescente distanciamento entre a legislação trabalhista e a realidade sobre a qual ela incide.
Nele, o ato de autoridade constitui-se sempre em petição de obediência, porque pressupõe um acesso privilegiado a uma realidade objetiva por parte da autoridade pública.
Desacordos cognitivos desencadeiam a negação do destinatário do ato de autoridade e a automática prevalência do ato de conhecimento da autoridade, ainda que fruto de um solipsismo dotado de autoridade.
A primeira implicação dessa posição epistêmico-paradigmática é o abandono do idealismo e o do objetivismo racionalistas – o primeiro, por não achar saída para as diversas concepções teóricas disputantes da hegemonia na explicação do mundo e na direção da ação humana; o segundo, por não dar conta da complexidade da realidade e de sua dinâmica. Trata- se de um modelo de racionalidade que tem no sujeito individual solipsista a fonte de todo conhecimento e que crê ter acesso privilegiado à verdade e ao correto.
Não é por outro motivo que uma das questões fundamentais a ser enfrentada nesta época de profundas transformações sociais é a do exaurimento desse modelo de racionalidade imperante no mundo ocidental nos últimos séculos e que constitui a característica mais relevante da modernidade. Inaugurado por Descartes e consolidado na chamada “Revolução Copernicana”, realizada na filosofia pela obra de Kant, esse paradigma é ainda persistente na sociedade ocidental na política, no direito, na economia e em quase todas as áreas do conhecimento que estruturam as instituições sociais.
Ante a complexidade e a célere metamorfose das relações socioeconômicas contemporâneas, esse distanciamento não pôde nem poderá ser contido somente pela louvável obstinação e persistência das instituições encarregadas da aplicação da lei trabalhista. A complexidade da realidade e das relações hodiernas não pode ser apreendida a partir de um modelo reducionista, simplificador e legalista do método científico transposto para o direito.
Essas considerações permitem a identificação de um contundente paradoxo entre a decisão constituinte do povo brasileiro de eleger como paradigma de organização da nossa sociedade o Estado Democrático de Direito (Constituição de 1988) e a crônica persistência do modelo autoritário nas práticas institucionais.
Assim, do mesmo modo que a Constituição de 1988 ampliou significativamente as garantias dos trabalhadores e os direitos sociais, paradoxalmente, o grau de não efetividade atingiu o paroxismo nos últimos anos. Comprovam isso os índices de trabalho sem proteção legal, atingindo hoje cerca de 50% dos trabalhadores ativos, o que não se pode, definitivamente, considerar como nível reconhecido e tolerável à luz da Sociologia do Direito.
É curiosa a constatação de Leonel Severo Rocha no sentido de que os problemas da efetividade da lei relativos aos índices alarmantes de descumprimento da legislação trabalhista não têm merecido consideração das instituições do trabalho, dos teóricos do direito e dos juristas de ofício na mesma proporção de sua importância para a avaliação do grau de
eficiência das instituições. Tais problemas dizem respeito, por exemplo, à contratação informal de trabalhadores sem registro da carteira profissional e aos altos índices de frustração do processo judicial pela falta de efetividade das decisões passíveis de execução. Esses problemas, no campo político, não chegam mesmo a despertar maior atenção da crítica dominante na “esquerda”.
Isso porque, à luz do paradigma dominante, o manejo de pressupostos e conceitos segundo procedimentos formais é tido como racionalmente suficiente para o cumprimento de suas atribuições institucionais, uma vez que é exercido com base em um saber absoluto, tido, a priori, como capaz de realizar a justiça e sustentado por uma ética de intenções que não dá conta das conseqüências sociais da ação pública.
Por isso, o maior problema dos direitos sociais no Brasil parece não ser o da necessidade de sua ampliação ou o dos perigos de sua redução, mas o da sua efetividade, cujo déficit não se tem alterado (ao contrário, vem se agravando à medida que se polarizam, de um lado, as profundas transformações socioeconômicas e a complexização das relações laborais e, de outro, o obsoletismo do modelo de organização do trabalho) por meio de um “reformismo conservacionista”, conduzido hegemonicamente por interesses minoritários. Tais interesses, por se movimentarem com destreza no interior das formas burocratizadas do poder, constituem-se em obstáculo decisivo a diagnósticos e a abordagens mais amplas dos problemas a serem enfrentados, bem como à veiculação de propostas de soluções mais arrojadas e de conseqüências práticas mais efetivas para o enfrentamento destes problemas. Ao contrário, enfatizam-se abordagens e soluções de efeito secundário diante do interesse majoritário dos destinatários/afetados pela decisão política (no caso, os trabalhadores e os empregadores), a fim de se manterem intactas as estruturas.
A alteração de paradigmas é por demais melindrosa e extraordinariamente complexa, dando margem a toda espécie de contestações, por duas principais razões.
Primeira, ao alterar o ponto de partida, a base de um sistema racional, ela passa a exigir novas explicações para os fenômenos compreendidos à luz do paradigma alterado e para as novas práticas conseqüentes do novo paradigma, a reconstrução de conceitos elaborados conforme os pressupostos do paradigma anterior e a construção de novos conceitos que possam representar os fenômenos emergentes. Significa laborar, desde o começo, reconstruindo sem destruir. Especificamente em relação ao objeto desta investigação, esta empreitada significa edificar toda uma teoria jus-filosófico-constitucional do sistema Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista, sem heresia aos princípios e regras constitucionais, aos fundamentos, aos princípios e às regras de proteção dos direitos sociais e,
ao mesmo tempo, alterar profundamente a maneira de vê-los e compreendê-los, porque essa é um das conseqüências da mudança de paradigmas.
Segunda, diz respeito ao impacto da alteração paradigmática. Ela produz profunda resistência, porque abala os referenciais primeiros do sujeito que reage. Essa reação se dá de acordo com as circunstâncias, podendo ser de modo sofisticado ou grotesco, em níveis elevados de intelectualidade e de abstração, ou com o que se julga “óbvio” ou trivial, ou, mesmo, por “escolhas” cognitivas baseadas em preferências subjetivas/individuais acopladas em argumentos aparentemente perfilhados a correntes de pensamentos, teorias e ideologias, as quais existem para quase todos os “gostos”.
As “perturbações” oriundas dessa transformação paradigmática (o abalo a enormes “evidências”, o incômodo a “enormes interesses”) tornam incomuns as exigências relativas a investigações deste jaez. Por isso, compreende-se como condição de possibilidade do desenvolvimento desta investigação a explicitação, en passant, do paradigma da ciência e da filosofia moderna (paradigma da consciência) e a sua correlação com o paradigma de organização do Estado brasileiro que serviu de base para a organização de todo o sistema de organização do trabalho.
Além disso, a própria concepção da democratização da gestão da organização do trabalho e da administração da justiça carece de ser reconstruída na perspectiva neoparadigmática. A digressão é indispensável, porque a explicitação do paradigma antecede à exposição de suas conseqüências jus-filosóficas e pragmáticas.
Os problemas de que se ocupa a mente humana podem, por vezes, circunscrever- se ao campo da ficção e do imaginário, desprendidos da realidade fenomênica; outras vezes, podem emergir de uma conexão, reciprocamente construtiva, entre a consciência e a realidade; ou, ainda, podem ser compreendidos como provenientes de uma realidade exterior à consciência (razão), que a representa (representacionismo). Contudo, se se considerar que consciência e realidade são indissociáveis, mesmo quando se pretende a categorização de uma ou de outra como entes distintos de razão ou de fato, a produção de todo conhecimento terá que ser compreendida como oriunda do entrelaçamento entre ambas (sujeito e objeto). Isso, sem qualquer possibilidade de priorização de uma ou de outra, a não ser em sacrifício de qualquer uma delas. A hipertrofia da subjetividade obscurece a objetividade e, reflexivamente, a própria subjetividade, por ambas serem interdependentes. A hipertrofia da objetividade obscurece a subjetividade, novamente em sacrifício de ambas. Essa relação indissociável de interdependência entre subjetividade e objetividade, que se constitui
recíproca e perenemente, é, de certo modo, ignorada pelo racionalismo e pelo empirismo modernos, nos quais ora prevalece a subjetividade, ora a objetividade, respectivamente.
Se o paradigma da ciência clássica não permite tomar consciência da própria noção de paradigma, o paradigma da simplificação não pode transcender-se a si mesmo.
Logo, a imposição da escolha entre alternativas possíveis é também um dilema