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2. BİR KENTSEL SÜREÇ OLARAK GENTRİFİKASYON 5

2.2 Gentrifikasyon’un Tarihçesi 10

Para maiores detalhes consultar dissertação de mestrado de Joan Villà, " A Construção com componentes pré fabricados

cerâmicos: Sistema construtivo desenvolvido em São Paulo entre 1984 e 1994", apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, 2002.

93 O sistema de conponentes pré-moldados cerâmicos, desenvolvido por Joan Villà, está baseado em uma peça matriz , que originou todas as demais: o paniel criado no subsolo da Belas Artes de São Paulo e, posteriormente, desenvolvido no Laboratório da Habitação da Unicamp de Campinas.

O Painel original era composto por blocos cerâmicos (tijolos cerâmicos furados), unidos por argamasa e ferro, em forma de madeira gabaritada. Posteriormente, evoluiu para uma família de componetes que abrangem a totalidade da edificação.

O sistema é composto por: • Painel de parede (vertical). • Painel de Laje (horizontal).

• Painel de instalações elétricas e/ou hidráulicas. • Painel cobertura

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Figura 44 - Painéis. Disponível em: www.villachile.com.br. Acesso em: 30 de novembro de 2012.

A pré-fabricação em painéis de blocos cerâmicos moldados em formas gabaritadas e unidos entre si proporcionariam um controle maior sobre a qualidade da obra e sobre o tempo de execução, legitimando, assim, este material "comum" e "ordinário" - o "tijolo baiano"17 - como uma peça de um

sistema de construção mais eficiente.

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Figura 45 - Forma de madeira para painel laje – finalização painel. Disponível em: www.villachile.com.br. Acesso em: 29 de Novembro de 2012.

Conforme BASTOS e ZEIN (2010, p. 316), "A solução tecnológica proposta (...) em seus projetos é mais inventiva do que original: trata-se de um rearranjo de peças de um material bastante tradicional, o tijolo cerâmico".

96 A grande qualidade deste sistema de pré-fabricação está na sua simplicidade de execução, não necessitando de mão-de-obra especializada em nenhuma de suas etapas, bastando uma forma de madeira de obra feita com cortes simples e unidas entre si por encaixes tipo macho e fêmea, facilmente montadas e desmontadas. Colocadas sobre o chão da obra (terra batida ou o contra piso) sobre uma pequena camada de areia, os blocos são aplicados um ao lado do outro, deixando um espaço no centro onde será colocado o ferro de obra em posição gabaritada por um furo na madeira. Posteriormente, todas as peças são aglutinadas em um todo único, através de argamassa de cimento e areia. O espaço central, onde se encontra a barra de ferro previamente colocada, é preenchido, configurando assim uma vigota armada que trabalha como uma coluna vertebral do sistema, garantindo a estabilidade e a unidade do conjunto.

O sistema é autoportante, não necessitando, portanto, de pilares e vigas. O painel pode ser utilizado tanto na vertical - paredes, como na horizontal - lajes.

A Montagem dos painéis não necessita de mão-de-obra de transporte mecanizado, pois são facilmente transportados por quatro pessoas. Os painéis são assentados com argamassa em gabarito desenhado sobre o radier 18.

18 Laje de piso para fundação.

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Figura 46 - Montagem sobre "radier". Disponível em: www.villachile.com.br. Acesso em 30 de novembro de 2012.

O Painel parede é composto de 20 blocos cerâmicos19 unidos entre si por argamassa e ferro,

com dimensão total de 250 cm por 45 cm de largura e peso inferior a 100 kg. A altura do painel pode variar conforme o número de peças utilizadas, ou seja, com 22 blocos cerâmicos a altura será de 270 cm; com 18 blocos, a altura será de 230 cm.

19 Cerâmica de 8 furos 19x19x 9 cm.

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Figura 47 - Painel. Desenho de Abner Mesquita.

O painel Laje tem, basicamente, a mesma composição do painel parede, diferenciando-se apenas na ferragem que pode ser em maior número ou de bitola maior.

O Painel cobertura é composto por telhas de cerâmica tipo capa e canal, com uma vigota de concreto no meio, dispensando a utilização de madeiramento.

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Figura 48 - Painel cobertura. Disponível em: www.villachile.com.br. Acesso em 30 de novembro de 2012

O sistema construtivo se completa com o painel escada e os painéis com instalações embutidas de hidráulica e de elétrica, conforme o caso, pois a colocação dos furos dos blocos cerâmicos na vertical possibilitam a implantação das instalações na feitura do painel.

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Figura 49 - Croquis dos painéis conforme dissertação de mestrado de Joan Villà p. 61.

Um importante item do sistema é a modulação: a largura do painel é de 45 cm, proporcionando dimensões múltiplas, 45, 90, 135, 180, 235, 270, e assim por diante, centímetros, que é um submódulo da série M30 (30, 60, 90,120, 150, 180 – idem - centímetros), medidas fácilmente absorvidas no projeto, como na largura de corredores e portas de 90 cm, largura de banheiro com 135 cm, entre outras.

O maior inconveniente de todo sistema autoportante é a modificação dos espaços funcionais, pois todo o sistema segue a lógica de distribuição das cargas verticais, dificultando a alteração da posição dos painéis, quando do encerramento da obra.

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6. Moradia Estudantil da Unicamp - Análise

102 O LabHab da Unicamp, liderado por Joan Villà, estava realizando várias obras com a utilização do sistema construtivo de cerâmica armada, conforme descrito no capitulo 4, quando surgiu a demanda da Moradia Estudantil da Unicamp. Alguns conceitos projetivos e construtivos já estavam conquistados nas obras anteriores como: pátios internos, construção homogênea, modulação; fundações em radier; participação comunitária; linha de montagem e tipologias. A Moradia Estudantil foi, portanto, a oportunidade de consolidação dos procedimentos arquitetônicos utilizados nas obras anteriores, consagrando em uma obra de maiores proporções todo um trabalho de experimentação arquitetônica e construtiva.

Na moradia está presente toda uma reflexão sobre a cidade e seus espaços públicos, com praças, caminhos, estares e encontros, referências ao urbanismo europeu de sua origem, principalmente de Barcelona, mas também referências à cidade portuguesa, conforme lembrou a aluna mineira, em um dos encontros de deliberação inicial do projeto. Nota-se a consolidação de um caminho de pesquisa arquitetônica e de técnicas construtivas que Joan Villà fez durante toda a sua vida, desde a referências mais lúdicas e remotas da Barcelona de lluís Domènech i Montaner (1950 - 1923), de Antoni Gaudi e Josep Lluís Sert (1902 - 1983), que se notam nos cuidados com os elementos construtivos da construção homogênea concebida por Joan Villà, em conexão com a arquitetura moderna, com referências aos mestres do quilate de Le Corbusier e Alvar Aalto aos contemporâneos Enric Miralles (1955 - 2000) e Renzo Piano.

(...) conecta a obra de Joan Villà com a arquitetura moderna entrelaçada com a tradição construtiva popular, incluindo o realismo da arquitetura catalã: desde as obras de Antoni de Moragas e de Josep Martorell - Oriol Bohigas nos anos cinqüenta até os experimentos de Enric Miralles.

É por isso que a obra de Villà pertence aos dois mundos, América e Europa. São construções leves com forte vontade social, que exploram a fortuna do realismo mediterrâneo em terras americanas. Protótipos magníficos e experimentos úteis que haveriam de ter sido mais difundidos. (MONTANER,e MUXÌ , 2011, p. 28).

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Construção homogênea

Ao mesmo tempo que estabelece esta conexão entre tradição e modernidade, Villà busca não só o aprendizado e o resgate da arquitetura vernacular, mas também as técnicas construtivas, como as de Hassan Fathy e Eladio Dieste, não fugindo das necessidades contemporâneas da arquitetura da realidade brasileira, com referências aos mestres Sérgio Bernardes e Joaquim Guedes: “Esta posição, tão realista, realizada com uma arquitetura que recorre sempre ao tijolo industrial mais simples, e ao mesmo tempo digno, tanto com a sua aparência exterior, como com as perfurações à vista que funcionam como gelosia, que recria formas invariáveis de cada lugar."(MONTANER,e MUXÌ, 2011)

Procurando estabelecer uma construção em um material homogêneo, como fizeram Acácio Gil Borsoi com a taipa armada em Cajueiro Seco e João Filgueiras Lima (Lelé) com a argamassa armada, Villá busca, através da cerâmica em painéis pré-fabricados, estabelecer um diálogo com a periferia existente, porém mantendo os cânones da arquitetura erudita.

(...) há uma questão que precisa ficar clara. Sempre existiu uma arquitetura homogênea do ponto de vista da construção e dos materiais . Homogênea é a construção em pedra, em adobe, homogêneas são as pirâmides, o gótico. existe uma construção heterogênea, que é só deste século, que procura a máxima especialização dos materiais. Para isso recorre a uma série de articulações de modo que uma coisa só - a construção - seja desempenhada por diversos materiais, que cada problema seja respondido por um material específico a partir da constatação de que ele atende melhor a tal necessidade. Mas a arquitetura homogênea continua neste século. Ela não é coisa do passado: apenas há outra vertente.(VILLÀ in PROJETO, n. 162, 1993, p. 54-55).

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Figura 50 - Obra de Louis Kahn, Indian Institute of Management. Disponível em: http://fuckyeahbrutalism.tumblr.com/post/

29777488459/indian-institute-of- management-ahmedabad-india. Acesso

em: 10 de fevereiro de 2013.

Ao utilizar a cerâmica como material homogêneo, como vemos nos desenhos em perspectivas de detalhes construtivos da Moradia Estudantil (figuras 53 e 54), Joan Villá estabelece uma comunicação direta com a grande produção das periferias existentes no Brasil, reinterpretando-as sem perder as qualidades da arquitetura atemporal tão presentes na obra do mestre Louis Khan.

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Figura 51 - Favela de Salvador. Disponível em: http://fineartamerica.com/featured/favelas

-de-salvador-jorge-berlato.html. Acesso em: 03 de fevereiro de 2012.

A construção espontânea homogênea da periferia carece do traçado regulador da geometria presente na arquitetura erudita. Na obra de Joan Villà, verificamos (conforme imagem a seguir) as características homogêneas do material da periferia, ordenadas segundo as premissas do traçado regulador; assim convivem estes dois mundos: o vernáculo e o erudito.

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Figura 52 - Moradia Estudantil da Unicamp. Disponível em: http://www.villachile.arq.br. Acesso em: 10 de Fevereiro de 2013.

Existe uma arquitetura tradicionalíssima de natureza homogênea, onde o elenco de materiais é extraordinariamente reduzido. Só que essa redução não surgiu ao acaso, mas por acumulo de conhecimento da humanidade: procuram-se materiais que, como os antibióticos, tenham um amplo espectro de ação. privilegia-se a cerâmica por um amplo aspecto de razões. Ela tem a virtude de ser pequena, ter uma boa qualidade térmica, não cisalhar, não romper, possuir grande capacidade de carga. Quando se chega a uma arquitetura construída homogeneamente é por depuração: eliminam-se muitas coisas e se atinge aquilo que ao longo do processo de construção de muitos séculos, que se considera o melhor. (VILLÀ in PROJETO, n. 162, 1993, p. 54-55).

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Figura 53 - Desenho de paramentos do esquema construtivo com componentes pré-moldados cerâmicos utilizados na Moradia Estudantil. Desenho de Jackson Dualibi em 29 de Janeiro de 2013.

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Figura 54 - Desenho de paramentos do esquema construtivo com componentes pré-moldados cerâmicos utilizados na Moradia Estudantil. Desenho de Jackson Dualibi em 28 de Janeiro de 2013.

109 Nas perspectivas das figuras anteriores, percebem-se as características da arquitetura homogênea cerâmica pregada por Joan Villà. Nelas, nota-se também a modulação a partir do painel pré-moldado, que se configura nos outros elementos construtivos não homogêneos, como os caixilhos e as vergas de concreto, que mantêm as proporções impostas pelas dimensões dos blocos cerâmicos.

A unidade de cada elemento, deveria corresponder na expressão do conjunto, a uma redução de caráter minimalista.

Procuramos seguir o caminho por vezes presente nas manifestações da cultura popular e que nos surpreende na composição erudita, quando transforma a extraordinária economia de meios na sua maior virtude e riqueza no "Samba de uma nota só".(VILLÀ, 2002, p. 67).

Na Moradia Estudantil, Joan Villá dá o caráter digno a um material "comum", o bloco cerâmico, a exemplo dos mestres Alvar Aalto e Louis Khan que conseguiram em suas obras dar o mesmo caráter digno a este material "comum".

É possível que façam uma associação, diríamos, no sentido pejorativo, de que a sua tecnologia tem um compromisso com a pobreza? Usar materiais simples, recursos limitados? Alguém poderia dizer isso. Há cinco ou seis anos uma crítica da revista Cuadernos, de Barcelona, disse-me: "Esse é um trabalho minimalista". Nunca me tinham dito isso. Vendo o material que lhe levei, ela fez esse comentário; e percebi que ela estava procurando argumentos para essa primeira impressão, vasculhava para ver se era isso mesmo. Tenho pensado nisso um pouco a posteriori: no desenvolvimento dessa tecnologia com componentes cerâmicos me parece existir uma postura muito próxima, muito comum ao desenho. Comum no sentido de conseguir equacionar tecnicamente, com pouquíssimos e escassos meios, uma saída construtiva. Comum não no sentido em que uma revista como a Obra analisaria o sistema, com o epíteto de minimalista. Mas acho que poderia ser entendido assim. É algo que penso hoje, não quando estava fazendo o primeiro painel" (VILLÀ in PROJETO, n. 162, 1993, p. 54-55).

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Precedentes

Villà conta20 que, no final da década de 1980, um grupo de alunos tomou o Instituto de Física da Universidade de Campinas, reivindicando condições de moradia, pois os alugueis da região (Barão Geraldo, Campinas, São Paulo) estavam muito acima do valor que os estudantes podiam arcar. O reitor solicitou à coordenação do Laboratório da Habitação da instituição que estabelecesse um diálogo com os manifestantes e, a partir destes encontros com os estudantes, projetasse um conjunto de moradias, em um terreno próprio da universidade, com aproximadamente 55.000 m2, a dois quilômetros de distância do campus.

O processo de assembléias com os alunos durou cerca de seis meses, durante os quais foram estudadas várias alternativas de projeto, analisando os prós e os contras das moradias existentes em outras Universidades, como a moradia do CRUSP da Universidade de São Paulo; o alojamento para estudantes da Universidade de Brasília; e a moradia para estudantes na Finlândia, projeto do arquiteto Alvar Aalto. No entanto, as referências estudadas pareciam muito distantes da realidade desejada pelos estudantes. Foi uma aluna mineira, segundo Villà21, que deu a pista da

solução adotada, lembrando das "repúblicas” de Ouro Preto, da escala das cidades coloniais, dos espaços coletivos, das praças, dos pátios e, fundamentalmente, do "clima" comunitário e libertário, ali existentes.

Mais de trinta foram os encontros, reuniões e seminários. Muito mais, os documentos, atas e gravações. O salão do Conselho Universitário e a sede do DCE, os palcos mais freqüentes. Mas o “Sancho’ – pequeno bar próximo ao campus – freqüentemente se revelou um cenário mais propício às confissões e, por vezes, às decisões. (VILLÀ, in: AU 22, 1989, p. 35)

20 VILLÀ, 2012 Entrevista com Joan Villà realizada em 11 de setembro de 2012. 21

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Figura 55- Plano Cerdá - Barcelona. Disponível em: www google earth. Acesso em: 30 de setembro de 2012.

Villà nasceu e passou sua infância em Barcelona, cidade com reconhecida qualidade urbanística; por isso, ele não pode apagar de sua mente os desenhos das quadras, das ruas, das praças, e do cuidado com o espaço público e, peculiarmente, a idéia do "claustro", presente nas quadras do plano Cerdá: a quadrícula espanhola, tão característica das cidades Íbero-Americanas: “O desenho dos quarteirões do ‘Plan Cerdá’ de Barcelona, a velha cidade de Argel, o ‘Parque Guell’ de Gaudi, a prefeitura de ‘Saynatsalo de Alvar Aalto’.” (VILLÀ, in: AU 22, 1989, p. 36).

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Figura 56 - Desenho de 1983, elaborado no Lab/Hab da Belas artes de São Paulo, para a Vila Arco Íris no Grajaú, São Paulo. Imagem do arquivo pessoal de Nabil Bonduki.

Além destas imagens de sua cidade natal, Villà referencia-se também nos seus projetos anteriores, como o caso da Vila Arco Íris no Grajaú22, e um conjunto residencial em Socorro23, onde

Villà faz uma releitura do repertório urbano apreendido.

Enquanto resgata a grelha, a quadra, o pátio, inova o sistema de circulação, no tratamento do que é espaço público e do que é privado; a articulação que permitirá o uso do miolo das quadras para função coletiva; a malha cartesiana, gerando o desenho em cruz, dois eixos flexíveis permitindo a ocupação plena. Nessa malha, as residências são conectadas existindo a possibilidade física de se abrirem passagens entre elas. (VILLÀ, in AU n. 22, 1989, p. 36).

22 São Paulo, projeto de 1984. 23 São Paulo, projeto de 1988.

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Figura 57 - Conjunto Habitacional de Socorro, projeto de 1988, Disponível em: POMPÉIA, 2006 pg. 98.

No projeto da Moradia Estudantil da Unicamp, Joan Villà utiliza elementos apreendidos da cultura popular, como o tijolo cerâmico, reinterpretado-os com elementos da tipologia tradicional da arquitetura, como o pátio interno, adotando uma composição de geometria clássica modular em quadrados e triângulos, tanto no desenho urbano como na unidade residencial, ou mesmo no sistema construtivo.

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Implantação

Figura 58 – Maquete da implantação geral - moradia estudantil. Disponível em: http://www.villachile.arq.br. Acesso em: 30 de setembro de 2012.

Em terreno com formato triangular, com declividade constante da base para o vértice, coincidente com a vista para a Universidade, Villà decidiu dividir o terreno ao meio, implantando uma rua de veículos paralela à base. Esta rua central "corta" o terreno longitudinalmente. No sentido transversal, as ruas de pedestres integram e estabelecem, junto com a rua perimetral, os lados da quadrícula virtual de 90 x 90 metros, que configuram "quadras" e ruas de uma cidade inserida no contexto de outra cidade rarefeita e descontínua, característica das periferias das cidades brasileiras.

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Figura 59 – Maquete: detalhe da quadra - moradia estudantil. Disponível em: http://www.villachile.arq.br. Acesso em: 02 de outubro de 2012.

Respeitando sua origem, mas também a lembrança da vida na cidades coloniais brasileiras, Villà estabelece uma quadrícula de 90 x 90 metros, configurando "quadras" formadas, no sentido transversal, por ruas de veículos e, no sentido longitudinal, por ruas de pedestres; no meio destas quadras, reconfigurando o traçado regulador, pátios internos estabelecem os "vazios" internos da quadra-padrão.

116 Aproveitando a pendente natural do terreno, Villà estabelece outra rua de pedestre no sentido longitudinal, passando por sob as edificações e dividindo o "pátio interno" em duas partes, estabelecendo já duas praças: uma superior e outra inferior, de 20 x 40 metros cada uma. Este desnível de um pavimento propicia a construção de um salão de usos múltiplos, semienterrado, junto com um conjunto de acesso vertical às escadas e rampas.

A residência estudantil da Unicamp, Universidade de Campinas (1992), foi construída sobre um terreno com ligeira inclinação e com grandes possibilidades ambientais. Ao mesmo tempo, se levou a termo um processo de participação com os estudantes que, em meados dos anos oitenta, haviam ocupado a universidade para reforçar suas reivindicações. Villà conseguiu unir os desejos que tinham os estudantes para as suas residências com a sua vontade como um arquiteto social de criar uma comunidade ao ar livre. Um sistema modular e escalonado permite criar residências compartilhadas para dois ou quatro estudantes, com três cômodos e um pátio de acesso ajardinado. Esta combinação permite resolver a grande parcela triangular do recinto,com trânsito perimetral de veículos e toda a sorte de espaços livres em diversas escalas no interior: grandes parques, pequenos recintos arborizados para reunir-se a comer ou estudar, ruas para pedestres e pátios comunitários, terraços em cada unidade, além de muitos metros quadrados dedicados a usos comunitários da Residência. Às qualidades dos novos sistemas construtivos modulares somem-se as qualidades ambientais do espaço aberto e as qualidades compositivas que se percebe na composição modular e escalonada, com pátios e parques que vão se abrindo em perspectiva e em diagonal, de maneira que esta arquitetura moderna, abstrata e de tecnologia de tijolo, evoca as composições clássicas e a harmonia do Renascimento. (MONTANER e MUXÍ, 2011, p.28).

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Figura 60 - Relação da moradia com a Unicamp - Disponível em http://maps.google.com.br/maps?hl=pt- PT&tab=wl, acesso em 18 de março de

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Quadra

Figura 61 - Quadra. Desenho de Abner Mesquita.

A quadra é formada por três agrupamentos, cada agrupamento de um lado. O quarto lado é deixado propositalmente vazio, para que a pendente do terreno propicie a vista para o fundo do vale em direção ao campus universitário, conforme figura 53, onde se vê a proximidade e possibilidade do contato visual entre a Moradia com a Unicamp. Os agrupamentos triangulares estão dispostos com a base para fora, onde está a rua de pedestre nas laterais; o vértice é voltado para dentro, lado da praça, criando diagonais de aproximação e fuga. Nas pontas foi projetado um espaço em pilotis, para a entrada e comércio local (que não foi ocupado com este fim, permanecendo vazio como espaço de convívio). No meio da praça, há um desnível de um piso, dividindo a praça em dois ambientes: um acima e outro abaixo.

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Figura 62 - Cortes do desnível do terreno. Disponível em: Revista AU n. 22, ps.36 e 37 de Fev./Março de 1989.

Dentro da perspectiva do projeto há a intenção clara de recuperar o traçado tradicional que tem origem na ilha grega, fazendo com que a "quadra" que dela resulta tenha no seu interior, no pátio, a configuração de um espaço semipúblico e protegido mas ao mesmo tempo simbolicamente urbano. Assim este local