Conforme Dias (1999, p. 153), a terceira geração de indústrias, com enfoque na modernização via aquisição e desenvolvimento de máquinas e equipamentos, dá- se no final dos anos 1970 e meados dos 1980 por uma expressiva aceleração na demanda de novas inovações pela indústria têxtil-vestuário; ou seja, após os anos 1970, apesar de muitas destas inovações terem se desenvolvido nos anos 1950 e 1960, houve uma difusão ampla dentro dos países avançados. Entre as maiores inovações tecnológicas na indústria têxtil, por exemplo, têm-se:
• filatórios open-end - fiação (no período mais recente, tem-se os filatórios jet-
spinner, que apresentam alta produtividade e com utilização em fios finos);
• teares jato de ar - tecelagem; e
• máquinas de costura circulares - malharia.
Todos estes avanços tecnológicos apresentaram potencial produtivo radicalmente superior aos seus predecessores. O resultado é que houve enormes ganhos de produtividade com estes avanços tecnológicos e o processo têxtil tornou- se mais verticalizado e automatizado com os filatórios, teares e ramos da tinturaria mais modernos que incorporam as novas tecnologias de base microeletrônica, eliminando-se etapas antes realizadas nos processos convencionais. Isso, entre outras características nos anos 1980, com a introdução de controles eletrônicos, levou ao melhoramento notável de diagnóstico e capacidades de monitoramento e redução do tempo de parada das máquinas, de mudança de modelos, de padrões ou cores ou de reparo de fios rompidos, resultando em diminuição de custos e
aumento da qualidade dos produtos. O resultado de todas estas mudanças foi que a indústria têxtil ficou ainda mais intensiva em capital, tanto pela eliminação de algumas funções quanto pelo aumento da produtividade do trabalho (DIAS, 1999).
Já na indústria de vestuário, as maiores inovações se deram no design do produto e na organização da produção e marketing, que criaram novas barreiras ao chamado Terceiro Mundo. As empresas que atuam no segmento de vestuário estão cada vez mais se dedicando à moda, tornando-se mais intensivas em design e melhorando a qualidade dos produtos (MYTELKA, 1991). Apesar dos avanços como aplicação do CAD (Computer Aided Design)/CAM (Computer Aided Manufacturing) no segmento de vestuário (corte, desenho, por exemplo), o setor ainda hoje tem muitas operações manuais no processo produtivo e não eliminou a relação um operador(a) por máquina de costura (LIMA, 2002).
Por fim, tem-se as indústrias da quarta geração (1980 – 2005), assumindo posições que se assemelham às de empresário, desenvolvendo um largo envolvimento com a sociedade global, profissionalizando suas empresas, libertando- se da conduta tradicional de dono, do prazer de controlar tudo, dando espaços de poder aos executivos para gerir os negócios.
Neste período, intensifica-se a implantação dos programas de qualidade total,
just in time, controle estatístico de processo e círculos de controle de qualidade,
exigindo grandes alterações nos padrões tecnológicos e nos da gestão da força de trabalho. A tônica do discurso empresarial é a qualidade. Com isso, se quer dizer ser necessário investir maciçamente tanto nos aspectos operacionais quanto nos de caráter comportamental e motivacional.
Nas empresas têxteis, os programas de treinamento assumem, portanto, o ideário que busca captar a subjetividade do trabalhador para que este venha a ter atitude cooperativa em relação às estratégias gerenciais (SILVA, 1998). Enquanto isso, na década de 1980, a ênfase das políticas de gestão era a de distribuição de benefícios, a da década de 1990 focaliza o treinamento (desenvolvimento de gestores, gestão de equipe, planejamento estratégico, treinamento operacional - multifuncionalidade), programas de redução de acidentes e doenças ocupacionais e
as políticas de participação nos resultados, que caminham junto às políticas sociais. Além da implantação da gestão de processo (visão do todo), redução de custos (otimização dos recursos), implantação do sistema de qualidade ISO 9001(processo e produto) e 14001 (meio ambiente), balance score card (BSC), sistemas modernos de tecnologia da informação, visando à implantação de sistemas de informações gerenciais.
4.3 A situação atual da indústria têxtil brasileira e cearense
Com a abertura comercial da economia brasileira no início da década de 1990, o setor têxtil e de confecções começou a enfrentar uma crise, e as empresas se viram com um parque industrial defasado em relação ao do mercado internacional, caracterizado pela baixa capacitação tecnológica. A conseqüente entrada de produtos estrangeiros no País colocou-as em dificuldades, já que não estavam preparadas para enfrentar a concorrência, notadamente quanto a preço e qualidade dos produtos. As alíquotas de importação de vários produtos foram amplamente reduzidas, e as tarifas de importação de tecidos passaram de 70% para 40% e, logo depois, para 18%, no regime de desagravação tarifaria. Desta forma, as importações de tecidos afetaram as tecelagens, tinturarias, estamparias e até fiações. A situação se mostrava grave na área da confecção, onde prevalecia a produção com deficiências competitivas, sendo pouco significativa à participação das empresas líderes no mercado internacional (COUTINHO; FERRAZ, 1994)
Embora passando, nos últimos anos, por profunda transformação e reestruturação para se adequar às novas exigências do mercado, tanto técnica como econômica, os resultados, com exceção das falências no setor, até certo ponto, tem sido de certa forma positivos, com significativo aumento da produtividade, redução de custos e elevação das importações de insumos, como forma de aumentar a competitividade. Em âmbito mundial, o Brasil ocupa a 6ª posição como país produtor de artigos têxteis e o 2º maior produtor de tecidos de malha. Vale ressaltar, entretanto, que a cadeia se encontra ainda muito voltada para o mercado interno, ocupando somente a 35ª posição entre os países exportadores. (IEMI; 2004)