B- Performans Bilgileri
1- Faaliyet ve Proje Bilgileri
1.3 Türkiye Büyük Millet Meclisine Sunulan Raporlar
1.3.1 Genel Uygunluk Bildirimleri ve Bütçe Uygulama Sonuçları Raporları
Como já explicitado, o objeto de estudo da CI é a informação e de nada valeria uma informação se não existisse “um alguém” que estivesse interessado nesta informação. Portanto, a informação só assume o cerne de seu objetivo quando existe um usuário para se apropriar da mesma.
Nesse sentido, o objetivo da CI só é alcançado, de acordo com a bibliografia, quando ocorre a “transferência da informação” para o usuário e, portanto, a apropriação da informação pelo mesmo. Nesta condição, o usuário pode gerar um novo conhecimento ou reformular um conhecimento já existente (SMIT; TÁLAMO; KOBASHI, 2004).
Segundo a autora Figueiredo (1999), houve uma mudança de paradigma, onde o acesso à informação, através do modelo centrado na informação, passou para o modelo focado no usuário. Com essa mudança de paradigma, as pesquisas passaram a detectar as características únicas de cada usuário e buscar identificar quais as cognições comuns à maioria dos usuários de sistemas de informação. A partir dessa abordagem, surge uma nova definição de usuários: “[...], os usuários de informação são imaginados como pessoas com
necessidades cognitivas, afetivas e psicológicas, atuando em um ambiente com influências sociológicas, culturais, políticas e econômicas” (FIGUEIREDO, 1999, p. 14).
Para Moraes (1994, p. 219), “Usuário da informação é o indivíduo, grupo ou comunidade, favorecido com os serviços da biblioteca, sistemas ou centros de informação e documentação”.
Numa visão de opinião bem parecida com a de Moraes, Nuñez Paula (2000, p. 109) afirma que “Usuário da informação pode se referir a uma pessoa, a um grupo ou a uma entidade”. Ele acrescenta que o termo usuário costuma vir acompanhado de um qualificativo, e cita os mais comuns: potencial, real, externo e interno, intermediário, final. Dentre estes, cabe citar a sua definição de usuários reais, como aqueles que já fizeram, em alguma ocasião, uma solicitação de serviço à unidade de informação.
Analisando as definições, constata-se que o usuário é, de fato, um ser que sente uma necessidade de informação, e vai à procura dessa informação onde supõe encontrá-la, com a expectativa de se apropriar dessa informação para suprir a sua necessidade inicial. As necessidades de informação de cada usuário são influenciadas pelo ambiente em que ele convive e pelas atividades que ele desempenha. As unidades de informação devem estar direcionadas ao pronto atendimento das necessidades informacionais dos usuários, pois, afinal, é este o seu objetivo de existir. A satisfação do usuário só acontece, realmente, no momento em que a informação é útil às suas necessidades.
Portanto, pode-se considerar que o trinômio documento-informação-usuário, presente na contextualização dos sistemas de informação, indica como objetivo fim a satisfação do usuário na busca de conhecimento registrado em documentos. Segundo Souza (2007b), a eficiência de todo sistema de informação será medida pela adequação do processo de tratamento da informação, tendo como referenciais a própria natureza da informação e a caracterização das expectativas dos usuários frente ao sistema em questão.
Seguindo esse pensamento, pode-se perceber nas entrelinhas, que nesse momento a ênfase é dada à informação em si que está contida no documento. O usuário, na realidade, precisa da informação e neste sentido, segundo Freire (2006, p. 10), “o usuário começa a se deslocar da periferia para o centro do processo de comunicação da informação, e a
informação começa a se constituir como campo de atividade científica”.
No processo de comunicação da informação, o usuário para se apropriar da informação que lhe está sendo comunicada, precisa ter competências técnicas, linguísticas, e até psicológicas, razão pela qual o processo se torna subjetivo, individual e, muitas vezes,
requerendo do usuário, uma pesquisa em outras áreas do conhecimento, como as ciências cognitivas, a educação, a sociologia, a filosofia, etc.
Abordando o enfoque cognitivo, reporta-se a Capurro (2003), quando aborda o paradigma cognitivo proposto por B. C. Brookes. Brookes subjetiva esse modelo no qual os conteúdos intelectuais formam uma espécie de rede que existe somente em espaços cognitivos ou mentais, e chama tais conteúdos de “informação objetiva”. A perspectiva desse paradigma é cognitiva no sentido de que se trata de ver de que forma os processos informativos transformam ou não o usuário, entendido em primeiro lugar como sujeito cognoscente possuidor de “modelos mentais” do “mundo exterior”, que são transformados durante o processo informacional.
Cabe ressaltar neste espaço, outra contribuição de Brookes (1976), ao propor um novo paradigma para a CI, conhecido como paradigma biológico. Em seu artigo, A New
Paradigm for Information Science?, o autor faz um questionamento sobre como é que a
adoção do paradigma biológico afeta o trabalho dos profissionais da informação, e responde, dizendo que como esses profissionais estão em contato direto com os usuários, deverão tratá- los como pessoas e não como “coisas”. Para ele, o paradigma biológico enfatiza a necessidade de interpretar as informações para os seus usuários. Ele aponta para a análise das informações e sugere que a primazia seja dada ao esclarecimento dos problemas. Acima de tudo, ele exige que você permaneça humano em seu trabalho, usando suas habilidades humanas, seu julgamento humano, bem como suas técnicas, ao invés de se tornar apenas mecânico no processamento das informações.
Fazendo uma reflexão sobre o paradigma biológico (a ênfase no “humano”), e vendo a importância que tem o usuário para a Ciência da Informação, faz-se necessário realizar estudos de usuário para melhor entendê-los, compreender mais precisamente suas necessidades de informação e, por fim, satisfazer a essas necessidades, que é o objetivo central da CI. Nesse sentido, cita-se Freire (2006, p.17) afirmando que:
Quando cientistas e profissionais da informação organizam textos ou documentos para atender à necessidade de um determinado setor da sociedade, deveriam fazê-lo acreditando que essas informações serão úteis para seus usuários potenciais e que delas resultarão benefícios para a sociedade.
Para disponibilizar a informação mais precisa ao usuário, a partir do conhecimento de suas necessidades, que se obtém através do estudo desse usuário, torna-se necessário,
inicialmente, entender o que é um estudo de usuário. Nesse sentido, Figueiredo (1979, p.79), explica com muita propriedade, quando diz:
Estudo de usuários são investigações que se fazem para se saber o quê os indivíduos precisam em matéria de informação, ou então, para se saber se as necessidades de informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada.
Pode-se, ainda, conhecer os objetivos que os estudos de usuários apresentam, conforme Moraes (1994): Determinar os documentos requeridos pelos usuários; Descobrir os hábitos dos usuários para a obtenção da informação, bem como as maneiras de busca; Estudar o uso feito dos documentos; e Estudar a maneira de obtenção do acesso aos documentos.
Após o entendimento do estudo de usuários e do conhecimento de seus objetivos, apresenta-se, nesse momento, uma correlação entre as matrizes da Ciência da Informação e dos estudos de usuários. Sob esse enfoque, Araújo (2010) afirma que a evolução teórica que ocorreu no campo da Ciência da Informação como um todo, tomou um caminho um pouco diferente daquele vivenciado especificamente no campo dos estudos de usuários. O autor utiliza a sistematização de Capurro (2003), ao assegurar que o campo da CI teria vivenciado, desde seu surgimento, três grandes formas de se estudar a informação, ou seja, três “paradigmas”. Apoiando-se nesses paradigmas, ele cruza as matrizes dos Estudos de Usuários e da CI, e apresenta um quadro em que:
a) A abordagem tradicional de estudos de usuários corresponderia ao paradigma físico de Capurro (2003). A informação é considerada como algo objetivo, um objeto da realidade cujo sentido independe do usuário que se relaciona com ela, dotada de propriedades objetivas. Fazer estudos de usuários na perspectiva do paradigma físico consiste em determinar as taxas de uso de cada tipo ou fonte de informação e correlacioná-las com os dados de perfil sociodemográfico dos usuários;
b) A abordagem alternativa de estudos de usuários corresponderia ao paradigma cognitivo de Capurro (2003). A informação seria entendida como um recurso usado por um sujeito diante de uma situação de lacuna ou estado de vazio de conhecimento. As diferentes formas como um sujeito percebe essa lacuna irão determinar os tipos de atitudes desencadeadas por ele para buscar a informação necessária, bem como os diferentes usos previstos para a informação, também vão intervir no processo;
c) O paradigma social descrito por Capurro (2003) não teria ainda uma manifestação muito nítida no campo de estudos de usuários. A maneira como diferentes pesquisadores têm desenvolvido esse paradigma, fornece importantes pistas de como poderia se dar sua aplicação nos estudos de usuários.
Após apresentar esse quadro correlacional entre as abordagens e os paradigmas, Araújo (2010) afirma que não se trata de comparar os paradigmas para determinar qual o melhor. Segundo ele, cada modelo teórico apreende alguns aspectos da realidade e deixa de fora outros. Aquilo que não era respondido pelo paradigma físico da CI tornou-se parte das preocupações do paradigma cognitivo; da mesma forma, que o paradigma social surgiu para iluminar questões não compreendidas pelo cognitivo. O autor ainda assegura que:
No caso dos estudos de usuários da informação, o paradigma social vem para problematizar aspectos de como a definição de critérios de qualidade e valor da informação é construída socialmente, e atravessada por fatores históricos, culturais, políticos, sociais e econômicos. (ARAÚJO, 2010, p. 35-36)
Sintetizando as ideias explicitadas nesse capítulo, conclui-se que os seres humanos, quer tenham sido no passado, no presente, e, muito, provavelmente, no futuro, têm necessidade de informação da mesma forma que necessitam de alimento ou abrigo. Essa necessidade informacional tem, portanto, o caráter de necessidade física fundamental. Ao longo do texto, discorreu-se sobre a importância da Ciência da Informação na disponibilização de seu objeto de estudo, a informação; informação esta, intrinsecamente ligada ao “homem”, pois, só fará sentido uma informação, se houver um receptor que venha a interpretá-la, a usá-la. E é exatamente nesta perspectiva, que o papel da CI em contribuir para que a informação se tornasse um elemento de inclusão social foi avaliado, visto que se analisou como uma ciência social, que está totalmente inserida na responsabilidade social, ao atuar na sociedade de maneira imprescindível.
Os Estudos de Usuários, anteriormente tratados como uma das teorias da Ciência da Informação, constituem o capítulo cinco da dissertação.
5 ESTUDO DE USUÁRIOS: DAS DEFINIÇÕES ÀS ABORDAGENS
Focalizando o tema central da presente dissertação – NECESSIDADES E USO DE INFORMAÇÃO NA PRÁTICA DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS – surge a necessidade de se abordar assuntos de especial pertinência, como o conhecimento dos usuários da informação.
Nesse sentido, os professores são os mais interessados no uso da informação e, para conhecer mais profundamente esses usuários com o objetivo de verificar suas reais necessidades de informação, faz-se necessário, também, um embasamento teórico sobre estudo de usuários, necessidades, buscas e uso da informação.