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A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 1996), a escola passou a ser responsável pela inserção de novas formas de ensinar que qualifiquem ainda mais os estudantes. Em resposta a essa diretriz a introdução de geotecnologias em sala de aula é tarefa contemporânea útil à educação ambiental. As geotecnologias usadas neste projeto consistem, basicamente, em técnicas de sensoriamento remoto, imagens do Google Earth TM e aparelhos de localização GPS, que são utilizadas já há bastante tempo, embora principalmente fora do âmbito da educação. Nesse contexto, a introdução de novas geotecnologias em sala de aula enquadra-se perfeitamente, pois são recursos inovadores que podem contribuir significativamente nos processos de ensino e de aprendizagem.

De acordo com Novo (1989, p. 2):

Sensoriamento Remoto é a utilização conjunta de modernos sensores, equipamentos para processamento de dados, equipamentos de transmissão de dados, aeronaves, espaçonaves etc., com o objetivo de estudar o ambiente terrestre através do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e as substâncias componentes do planeta Terra em suas mais diversas manifestações.

As geotecnologias referentes ao SR e ao geoprocessamento - Sistemas de Informações Geográficas (SIG) - estão cada vez mais sendo utilizadas. De acordo com Lahm (2000) as imagens de satélite conjugadas a um banco de dados permitem identificar e relacionar entre si elementos naturais e socioeconômicos encontrados no espaço geográfico, bem como monitorar resultados de sua dinâmica. Com isso, possibilitam a compreensão das relações humanas, das consequências no uso e ocupação dos espaços, e implicações com o meio ambiente.

A aplicação das geotecnologias tem aumentado gradativamente nos diferentes campos do saber. Segundo Mendes e Refosco (1999, p.41) “o Sensoriamento Remoto é uma

ferramenta auxiliar na identificação das áreas degradadas, permitindo a identificação rápida de áreas, inclusive aquelas de pouco acesso, e a realização de um melhor planejamento de sua recuperação”. Essa possibilidade permite a um professor abordar a questão ambiental de sua cidade, por exemplo, e até mesmo do entorno escolar, quando for o caso, utilizando estratégias interessantes e criativas, próprias para o desenvolvimento da prática investigativa e da criticidade dos estudantes. A observação remota de imagens, juntamente com a possibilidade de analisar grandes extensões de cobertura, são as principais características desse tipo de tecnologia. Elas permitem o acompanhamento sistemático de manchas urbanas, crescimento desordenado de cidades e populações, fontes poluidoras de rios e arroios, desmatamento, reflorestamento, ocupação e uso do solo, etc.

Entretanto, nas salas de aula de Ciências essas técnicas têm ainda pouca difusão. Conforme os poucos trabalhos publicados até o momento, há indicações de que seus potenciais como auxiliares aos estudos relacionados ao meio ambiente não têm sido suficientemente explorados. Isso ocorre, entre outros fatores, devido a falhas na formação inicial docente, associada à ausência de formação continuada desses profissionais, sem a qual é difícil acompanhar os avanços tecnológicos (FLORENZANO, 2002).

As imagens obtidas por meio do SR proporcionam uma visão de conjunto de extensas áreas da superfície terrestre. Esta visão do meio ambiente possibilita a realização de estudos diversos, envolvendo vários campos do conhecimento. As imagens aéreas via satélite mostram os ambientes e a sua transformação, destacam os impactos causados por fenômenos naturais, frequentemente agravados pela intervenção do homem, além de evidenciar focos de desmatamentos, queimadas, expansão urbana, ou outras alterações do uso e da ocupação da terra (FLORENZANO, 2004).

O sensoriamento remoto é considerado como uma técnica de baixo custo, fácil manuseio, e acessível para muitas escolas (SANTOS, 2008), e pode contribuir para a aprendizagem sobre temas relacionados ao meio ambiente, como ecossistemas, biomas, queimadas, desmatamentos, entre outros, além de proporcionar noções de localização por meio da utilização de aparelhos como o GPS, por exemplo. Conforme Brunner (2004): a educação vive um tempo revolucionário, em parte porque a escola agora tem acesso a novas tecnologias, cada vez mais úteis, quando adequadamente aplicadas. Essas novas tecnologias permitem destacar a difusão das técnicas de SR e SIG e sua aplicação na área da educação.

A atualização dos professores é fundamental para a utilização de novas tecnologias em todos os níveis de ensino (ENRICONE, 2006). Ou seja, para que possa ser bem empregada, os professores devem conhecer bem as maneiras de utilizá-las, dominar as técnicas, para

depois, aplicar em sala de aula com seus alunos. Basicamente, uma das funções das geotecnologias é permitir ao usuário visualizar e analisar uma região, ou objeto, sem que o observador esteja fisicamente presente, por meio da captação e do registro da energia refletida ou emitida pela superfície terrestre (FLORENZANO, 2002).

Florenzano e Santos (2001, p. 191) salientam que “as imagens de satélite proporcionam uma visão sinóptica (de conjunto) e multitemporal (de dinâmica) de extensas áreas da superfície terrestre”. Além disso, as autoras avaliam que “através de imagens obtidas por sensoriamento remoto, o ambiente mais distante ou de difícil acesso torna-se mais acessível e menos abstrato”.

A utilização de geotecnologias no ambiente escolar oportuniza aos alunos vivenciarem uma proposta inovadora no ensino de Ciências. Além disso, o uso das geotecnologias possibilita que os estudantes estabeleçam relações entre o homem e a natureza, e, a partir disso, elaborem seus próprios sensos críticos, baseados na utilização de dados em tempo real, como a modificação de rios, como consequência de desrespeito aos limites da mata ciliar, das cheias, do assoreamento, de aterros ou da mineração de areia, e a perda de áreas verdes, seja por desmatamento, por queimadas ou pelo crescimento urbano ao longo do tempo.

Todas essas possibilidades podem ser geradoras de discussões por parte dos professores de diferentes disciplinas, envolvendo seus alunos em atividades interdisciplinares. Como ressalta Baker (1986): o recente e rápido desenvolvimento da tecnologia de sensoriamento remoto contribui para a evolução das próprias ciências ambientais, ao mesmo tempo que facilita a inter-relação desta com as demais ciências. Para o autor, em qualquer ciência, o surgimento de novas técnicas não é importante em si mesmo, mas sim por permitir novas descobertas que estimulam o progresso científico.

Benzer Belgeler