As aplicações das técnicas apresentadas nesse trabalho corroboraram para a verificação entre a similaridade e o desempenho das informações diárias integradas dos campos de chuva geradas pelo TRMM sobre o Estado da Paraíba, de forma que os dados se tornem condizentes as resoluções espaços-temporais comuns àquelas concernentes as necessidades técnicas da modelagem hidrológica distribuída.
O aumento da resolução espacial (downscaling) dos dados originais estimados do algoritmo 3B42-V7 do TRMM (0,25° x 0,25°) e a redução da qualidade das observadas da AESA apresentou, para o enquadramento dos campos de chuva concernente a aplicação em modelos hidrológicos distribuídos, boa similaridade entre as informações espaciais dos campos de chuva estimados e observados. Desse modo, a aplicação de discretizações concernentes à modelagem hidrológica distribuída correspondeu bem as propostas metodológicas do trabalho.
A aplicação das técnicas aliada ao REMQ também permitiu que se verificassem desvios totais e sazonais dos quantitativos dos campos de chuva gerados.
As diferenciações observadas entre os campos de chuva levantaram a hipótese de que a localização dos desvios ocorre devido à ação de diferentes sistemas de precipitação, ocorrentes sobre diferentes períodos e conforme a especificidade geográfica de incidência. Pois as resultantes da confrontação entre os campos de chuva gerados verificaram a alteração cíclica dos desvios entre a chuva do estimador orbital e dos dados de superfície.
Dentro dessa perspectiva, verificou-se que a espacialização dos maiores desvios incidentes sobre Paraíba ocorre sobre as bacias hidrográficas abarcadas em parte da mesorregião agrestina a litorânea, dentre as quais se destacam as bacias dos rios: Curimataú; Camaratuba; Guajú; Mamanguape; Miriri; Gramame; e Abiaí.
Logo, diante desse quadro, credita-se aí parte da origem do impedimento ao desempenho do algoritmo do TRMM quando confrontado em similaridade geral com as informações de chuva oriundas dos pluviômetros da AESA.
No caso das bacias hidrográficas inseridas em direção continental Leste-Oeste, onde se caracteriza as mesorregiões da Borborema e Sertão, essas tendem a apresentar
resultados mais afins entre os sistemas de coleta comparados. Nessas regiões se inserem as grandes bacias hidrográficas dos rios: Paraíba; e Piranhas.
Desse modo, os desvios entre o estimador TRMM e os dados AESA tendem a considerar os campos de chuva estimados com maiores erros aquelas regiões mais úmidas, frente aos eventos e/ou períodos aos quais tipicamente a chuva age com maiores quantidades sobre o Estado.
No geral, pôde-se pré-visualizar o direcionamento dos desvios sob a ótica espaço-temporal, de modo à pré-evidenciar que os desempenhos na estimação dos campos de chuva do algoritmo 3B42-V7 viriam a apresentar relação espacial com tipos de erros variantes segundo os deslocamentos cíclicos-sazonais dos desvios apresentados pelo índice REMQ.
Segundo os índices de desempenhos (sob as duas abordagens A1 e A2), no intuito da verificação quanto à natureza dos erros na detecção do estimador do TRMM foi possível observar a natureza dos erros na detecção frente aos dados da AESA, conforme aos tipos de situação a que o estimador possui quanto às potencialidades e/ou depreciações.
Por meio das técnicas dos índices pôde-se verificar que as correspondentes superestimativas do estimador suplantaram à medida que os falsos alarmes tornaram evidentes nas duas abordagens propostas. A existência de percentuais maiores de falhas do sensor orbital fez com que em grande parte das medidas o sensor reduzisse seus desempenhos gerais quanto estimativas corretas (“a”).
Ao se considerar a detecção do TRMM frente aos acertos gerais (“a” e “d”) aos níveis PD, com o comparativo com os índices PC e ISC observou-se que os eventos “a” tornaram-se mais escassos e/ou raros diante da detecção do sensor orbital.
Ao se observar a questão da aleatoriedade de eventos dados pela proporção correta, dado pelo IHH - importante para a aplicação de previsões quanto a detecção de eventos chuvosos -, verificou-se que o sensor orbital apresentou baixas perspectivas de detecção. Desse modo não sendo adequado para aplicação de previsibilidade.
Houve a participação de grande efetivo de alarmes falsos (TAF) por parte da estimativa do sensor orbital demonstraram, tanto pela análise da simples ocorrência ou não ocorrência dos eventos chuvosos, como do quantitativo dos mesmos que o sensor incorre a erros crescentes à medida que se aumentam as faixas quantitativas de comparação.
Por ser influenciado pelos acertos totais “a” e “d”, ao se comparar com os demais índices, nota-se que a categoria “d” eleva o desempenho do sensor quanto ao índice PC, além de ser o “ponderador” nas resultantes quanto ao desempenho das probabilidades de falsa detecção (PFD).
As frequências da categoria “d” tornam-se mais evidentes conforme se aproximam das épocas estacionais de menores incidências pluviométricas, como nos período primaverais. Isso ocorre porque há maior facilidade de estimar não eventos quando os mesmos realmente não foram observados pelos campos de chuva dos postos da AESA (“d”).
Sob a ótica da perspectiva chuva-não chuva (sem delimitação de faixas) os índices demonstram as tendências espaciais quanto ao desempenho do sensor. À medida que se interioriza a análise ao continente, melhores desempenhos são evidenciados.
Quando tomado as faixas de valores, os desempenhos foram reduzidos de acordo com o aumento das faixas de quantitativos de eventos chuva não chuva.
Diante das condições de pré-verificação estatística - aplicação de técnicas galgadas na verificação da natureza dos erros, além das análises quanto às informações geradas - concluiu-se que o produto 3B42-V7 do TRMM responde melhor a eventos de precipitação raros. Tendendo, assim, a maiores erros de detecção entre ocorrência ou não ocorrência dos eventos chuvosos, tal como faixas de quantitativo dessas ocorrências ou não ocorrências em direção as porções mais próximas ao litoral do Estado Paraibano. A consequência desses resultados e conclusões permite se afirmar que o modelo apresentado pelo algoritmo não permite gerar entradas satisfatórias aos modelos hidrológicos distribuídos às bacias urbanas (litoral e proximidades) do Estado paraibano. No entanto, sua utilização poderia vir a ser utilizada na detecção de eventos ocasionais sobre as bacias hidrográficas do rio Piranhas à grande porção do Rio Paraíba.
Portanto, dentro do quadro contextual, no percurso do trabalho e pela base bibliográfica dos referencias, notam-se ideias e lacunas técnicas que podem vir subsidiar a aplicação de pesquisas futuras. Esse contexto contribui tanto em outras áreas de estudo, como aqueles aplicados a verificação de campos de chuva para entrada de modelos hidrológicos distribuídos.