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G) Genel kurul kararlarının iptali I. İptal sebepleri
Filósofo com um vasto espectro de interesses, Thomas Hobbes (Malmesbury, 1588 – Hardwick Hall, 1679) é sobretudo conhecido pelo seu pensamento político, distinguindo-se como um dos fundadores da filosofia política moderna, ramo da filosofia dedicado aos asuntos de ordem política na sua relação com o indivíduo na vida em coletividade, nomeadamente a legitimação e a organização do Estado e do governo, as relações entre sociedade e Estado, entre economia e política, orientando- se para questões de justiça, direito e liberdade. Hobbes pretendia tornar a política numa ciência e, a partir daí, propor um estado de paz social duradouro. Polémico pelas ideias que defendia, a sua obra de maior relevo – Leviathan (1651), vir-lhe-ia a trazer sérios conflitos com a Igreja e mesmo com o próprio país, conseguindo manter, ainda assim, uma reputação notável fora de Inglaterra.
No âmbito da filosofia propriamente dita, destacou-se pela defesa dos ideais materialistas91, nominalistas e empiristas92, opondo-se às perspetivas cartesianas e aristotélicas.
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139 O questionamento sobre a mente e a linguagem é o ponto de partida de Hobbes para o desenvolvimento da sua teoria da filosofia política, entendendo que a melhor forma de perceber como o indivíduo interage em grupo é compreendendo como este funciona isoladamente. Neste sentido, direcionou a sua reflexão para diversos aspetos relativos ao indivíduo enquanto tal: os sentidos e a imaginação, a linguagem e o raciocínio, o conhecimento e as suas paixões, em especial na obra anteriormente destacada – Leviathan.
É um reconhecido defensor do materialismo, por considerar o ser humano e a sua mente como pura matéria. Homem e mente seriam indissociáveis, ou seja, para Hobbes, o pensamento não existe sem um corpo. Esta posição, controversa para a época em que viveu, é testemunhada pelos seus trabalhos acerca da mente e da linguagem.
A sua veia empirista incide sobre o facto de que todas as ideias têm origem (direta ou indireta) nas sensações obtidas por meio dos sentidos. Para justificar como se formam as ideias, recorre ao conceito de imaginação. Assumindo que as sensações permanecem após o ato de sentir, e que, como tal, as ideias são como sensações desvanecidas, Hobbes afirma que é possível pegar nas ideias oriundas de inúmeras experiências e combiná-las. Associa ainda a imaginação à memória e à compreensão, no sentido em que a capacidade de imaginar é responsável quer pela compreensão, quer pela formação de imagens e pela memória. Ao entender a compreensão enquanto capacidade de imaginação, a linguagem torna-se determinante para Hobbes, na medida em que se encontra ligada ao pensamento. Do seu ponto de vista, a mente é composta por sentidos e imaginação, exercendo assim um papel importante no funcionamento da linguagem. Recusa a existência de qualquer outra capacidade racional no contexto da mente, nomeadamente a «mente imaterial», proposta por René Descartes93, que seria constituída por uma «coisa pensante», em que a «coisa» seria o próprio indivíduo, e uma substância imaterial, distinta do corpo, cuja essência
92 Sistema filosófico segundo o qual todo o conhecimento provém da experiência, captada por meio dos
sentidos.
seria o pensamento. Com esta reflexão em torno dos sentidos, da formação das ideias e da imaginação, Hobbes tenta explicar o modo como o pensamento funciona.
As considerações que desenvolve no âmbito da linguagem revelar-se-ão determinantes para a sua perspetiva acerca da mente, assumindo aí a significação um papel de extrema relevância. De modo a entendermos o ponto de vista de Hobbes sobre esta relação semântica, é necessário observarmos a distinção que estabelece entre significação e denominação. Em Elements of Law, Natural and Politic (1640), considera que os nomes são utilizados pelos indivíduos para os auxiliar a trazer ideias específicas à mente, apresentando como exemplos de nomes: «Homero», «homem», «fé» e «forte». Apesar de os nomes terem como finalidade a recordação de ideias, nem o nome nem a coisa nomeada são necessariamente coincidentes com uma ideia, podendo estes remeter para um objeto exterior como «homem», segundo esclarece Hobbes. A respeito do ato de nomear comparativamente à significação, Hobbes aparenta não fazer distinção entre estes, mas distingue «marcas» de «signos» a propósito da utilização particular que o falante faz da linguagem: «marks by which we may remember our own thoughts, and signs by which we may make our thoughts known to others» (1955: 2.3).
Neste sentido, de acordo com Hobbes, os nomes, utilizados isoladamente, são «marcas» dos pensamentos do indivíduo, passando a afirmar-se como «signos» quando utilizados em discurso94, reflexão essa que integra na sua própria definição de nome:
«A name is a word taken at pleasure to serve for a mark, which may raise in our mind a thought like to some thought we had before, and which being pronounced to others, may be to them a sign of what thought the speaker had, or had not before in his mind» (1655: 2.4).
Nas obras Leviathan e De Corpore (1655), o filósofo discorre sobre a função dos nomes enquanto auxiliares de memória e signos dos pensamentos do falante para o
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141 ouvinte. É, neste último contexto, que «significar» surge como verbo equivalente ao que os signos fazem. Contudo, como vimos, os nomes por si só não são signos, são-no apenas no interior do discurso e enquanto parte integrante deste. Por conseguinte, podemos concluir que quando nos referimos à significação em Hobbes, referimo-nos ao ato de significar, de comunicar discursivamente os pensamentos de cada um aos outros por meio de palavras, que correspondem a um signo desses pensamentos, ou como sustenta Duncan (2013): «while words name things, it's utterances that have signification». Podemos ainda estender esta interpretação ao ponto de vista de alguns estudiosos do pensamento de Hobbes:
i. duas palavras têm a mesma significação quando estabelecem uma relação de equivalência linguística, como no exemplo que Hobbes (1651: 2.2) apresenta: «the Greeks call it fancy; which signifies appearance», perspetiva que viria a ser criticada por Descartes;
ii. as palavras significam ideias, ideias essas que as palavras despertam na mente quando utilizadas em discurso.
Na sua vertente nominalista, Hobbes defende que os únicos universais existentes no mundo são os nomes. Afirma-o claramente em algumas das suas obras, como se observa na seguinte passagem de Leviathan (1651: 4.6-7):
«Of names, some are proper, and singular to one only thing; as Peter, John, this man, this tree. And some are common to many things, as man, horse, tree; every of which, though but one name, is nevertheless the name of divers particular things, in respect of all which together, it is called a universal, there being nothing in the world universal but names, for the things named are every one of them individual and singular. § One universal name is imposed on many things for their similitude in some quality or other accident. And whereas a proper name bringeth to mind one thing only, universals recall any one of those many.»
Hobbes divide os nomes em dois tipos principais: próprios e comuns ou universais, que se distinguem pelo facto de os primeiros remeterem para uma única
coisa e os segundos para várias coisas. Apesar de um nome possuir uma única forma, este pode remeter para uma série de coisas; é o caso dos nomes comuns ou universais, como «homem», em que um único nome é utilizado para designar cada um dos vários membros pertencentes à classe dos homens, partilhando entre si aspetos comuns. Encontramo-nos perante universais, esclarece Hobbes, por existirem semelhanças entre as várias coisas para as quais o nome remete, e não por este se associar a essências ou a uma coisa ou ideia universais. Em vez de ideias gerais ou abstratas, considera estes nomes como ideias que, na mente dos indivíduos, correspondem a imagens de coisas particulares, passíveis de se transformarem a cada instante, de acordo com a experiência de cada um ou o momento em que se encontra, por exemplo. Hoje podemos imaginar um «cavalo» de uma raça, no dia seguinte, podemos pensar num cavalo de uma raça completamente diferente, ou imaginarmos um cavalo de carga ou de transporte num dado momento em vez de um cavalo de competição, observa Hobbes. O animal pode assumir uma multiplicidade de formas no pensamento, não deixando, no entanto, de ser designado pelo mesmo nome. Em última instância, podemos estar a falar de cavalos completamente diversos, por estarmos a pensar em cavalos diferentes, daí resultando ambiguidades discursivas pelo simples motivo de estarmos a recorrer à mesma palavra para o designar.
Sendo os nomes marcas de pensamentos, e não das próprias coisas, estes remetem para conceitos formados na mente. Servem de motor para a atribuição de significação a um conceito, mas não designam necessariamente alguma coisa existente na realidade:
«For as these, a man, a tree, a stone, are the names of the things themselves, so the images of a man, of a tree, and of a stone, which are represented to men sleeping, have their names also, though they be not things, but only fictions and phantasms of things. For we can remember these; and, therefore, it is no less necessary that they have names to mark and signify them, than the things themselves. Also this word future is a name, but no future thing as yet any being, nor do we know whether that which we call future, shall ever have a
143 with those that are present, the name future serves to signify such knitting together» (1655: 2.6).
Tal como a manifestação de uma coisa é diferente da sua representação mental, também o nome que se refere a uma coisa não é a coisa em si. Em vez disso, define a coisa e permite que o intelecto o inclua nas suas operações de cálculo.
Os ideais nominalistas de Hobbes foram tão reconhecidos, quanto contestados, pelos seus contemporâneos. Leibniz, por exemplo, refere-se a Hobbes como um «supernominalista», afirmando que: «for not content like the nominalists, to reduce universals to names, he says that the truth of things itself consists in names and what is more, that it depends on the human will, because truth allegedly depends on the definitions of terms, and definitions depend on the human will» (1670: 128), ponto de vista do qual o filósofo alemão discorda e pelo qual Hobbes foi largamente criticado.
Quanto ao raciocínio, Hobbes não o entende como capacidade que nos permite aceder à essência das coisas, mas sim como computação, no sentido em que possibilita a realização de cálculos mentais. Por conseguinte, raciocinar será o mesmo que adicionar ou subtrair, segundo declara em De Corpore (1655: 1.2). Entendendo-se a adição como operação que consistiria, por exemplo, na junção de ideias para formar ideias mais complexas, Hobbes (1655: 4.6) indica as proposições e os silogismos como casos de adição, de dois ou três nomes respetivamente. Estas operações remetem ainda para os conceitos de composição (adição) e resolução ou divisão (subtração), discutidos por Hobbes, sobre os quais falaremos adiante. A associação das ideias de adição e de subtração ao raciocínio é compatível com a visão de Leibniz e das teorias computacionais da mente. Do ponto de vista de Leibniz, podemos entender «+» e «-» como «é» ou «não é», enquanto as teorias computacionais da mente entendem que o funcionamento da mente é semelhante ao de um computador, dado o raciocínio ser o resultado de vários processos mentais obtidos por meio de operações de soma e de subtração.
O interesse de Hobbes pela explicação científica do mundo conduziu-o ainda à discussão dos diferentes tipos de conhecimento e à divisão das ciências. No âmbito da
filosofia da ciência, defendeu a existência de um método filosófico adequado para alcançar o conhecimento, que evitasse disputas assentes na especulação e na subjetividade. Este método segue a ideia aristotélica de que a melhor forma de aceder ao conhecimento é através das suas causas. Adquirir conhecimento é importante, tal como a sua demonstração também o é. Neste sentido, vamos encontrar a demonstração científica aliada a relações lógicas, considerando Hobbes que a ciência política deveria seguir semelhantes métodos.
Segundo este pensador britânico, a demonstração científica corresponde a uma atividade linguística assente na construção de silogismos a partir de proposições. Sendo as próprias proposições construídas a partir de nomes, o nome constitui a unidade linguística-base da demonstração científica. Para Hobbes, os nomes não só trazem determinados pensamentos à mente, como são sinais utilizados para comunicar o conteúdo dos nossos pensamentos. Quando juntamos um ou mais nomes, através de uma expressão copulativa do tipo «é», temos uma proposição: «o homem é um animal95» (1655: 4.2). O silogismo, formado por uma série de três proposições, em que as primeiras duas sustentam logicamente a terceira, é exemplificado da seguinte forma: «todo o homem é um animal; todo o animal é um corpo; logo todo o homem é um corpo» (1655: 4.4). Assim, o silogismo é construído com recurso a proposições (ou parte delas) mediante um processo de soma de partes. Além de reconhecer que a construção de silogismos deve seguir regras específicas, Hobbes entende que a demonstração científica não passa somente pela formulação de conclusões deduzidas de forma lógica a partir de premissas. De facto, estas conclusões devem ainda ser universais e verdadeiras. Se afirmarmos que «todos os homens são racionais», o termo «racional» aplica-se a todos os homens e descreve-os, correspondendo a uma conclusão universal por atribuir uma característica a toda uma classe de coisas. Se, por outro lado, o termo do predicado da proposição incluir o termo do seu sujeito, então a proposição é igualmente verdadeira. Assim, numa proposição como «os homens são animais», o termo do sujeito «homens» faz parte do
95 Molesworth (1839) traduz esta frase como «every man is a living creature», contudo, no original, em
145 termo do predicado «animais», confirmando a veracidade da afirmação. Em conclusão, a demonstração científica é um silogismo que «deduces universal and true propositions on the basis of premises with the same characteristics», segundo afirma Finn (2008).
O projeto filosófico de Hobbes aparece interligado à construção do conhecimento, no qual a «primeira filosofia» assume um papel de relevo pelo facto de se propor explicar os conceitos e princípios do conhecimento. Na obra De Corpore (1655), discutem-se os conceitos mais gerais e universais no contexto científico, no qual as definições se revelam fundamentais para o estabelecimento de princípios nas diferentes áreas de conhecimento, em especial a filosofia, a lógica, a geometria e a física.
A ciência parte de definições universais e as coisas que podem ser demonstradas cientificamente partem de definições universais que, por si só, constituem a primeira filosofia. Em De Homine (1658: 13.8), Hobbes deixa bastante claro que as definições fazem parte da fundação de uma ciência: «for all sciences begin with definitions, or otherwise they must not be called sciences, but mere verbiage».
Criar e reformular definições, segundo a evolução de um dado domínio científico, é fazer ciência, é atingir o conhecimento. A verdade é alcançada através dos nomes, cuja significação é estabelecida por meio de definições, sugerindo que Hobbes privilegia a definição nominal no contexto científico, sendo os nomes por si entendidos como conceitos. Por exemplo, em Leviathan (1651: 4.12) declara que:
«Seeing then that truth consisteth in the right ordering of names in our affirmations, a man that seeketh precise truth had need to remember what every name he uses stands for and to place it accordingly; or else he will find himself entangled in words, as a bird in lime twigs; the more he struggles, the more belimed. And therefore in geometry (which is the only science that it hath pleased God hitherto to bestow on mankind), men begin at settling the significations of their words, which settling of significations they call definitions, and place them in the beginning of their reckoning.»
De acordo com o filósofo, as definições explicam a significação dos nomes, das palavras, devendo ser apresentadas logo no início de um raciocínio. Em última instância, Hobbes atribui uma primazia divina à geometria, da qual as definições devem inevitavelmente fazer parte antes da exposição dos cálculos. No que se refere à definição nos contextos da língua e da lógica, é no domínio da matemática que a iremos encontrar.
Os requisitos a que as definições científicas devem obedecer, segundo Hobbes, combinam quer com os métodos que recomenda, quer com a natureza hipotética do conhecimento científico. Em De Corpore, dedica um capítulo inteiro à exposição do «método» filosófico, cuja definição assenta nas relações de causa-efeito: «the shortest way of finding out effects by their known causes, or of causes by their known effects» (1655: 6.1).
Neste sentido, os métodos científicos que permitem alcançar o conhecimento da causa das coisas e dos seus efeitos, através do raciocínio, são dois:
i. o método sintético ou compositivo, do qual a demonstração é um exemplo, é uma operação de carácter dedutivo, que parte das causas, de princípios gerais ou de proposições primárias (definições), para tentar chegar aos efeitos ou consequências específicos;
ii. o método analítico ou resolutivo, cuja finalidade é alcançar o conhecimento universal das coisas, permite compreender e construir definições. Através de um processo de indução, a resolução, divisão ou análise, verifica casos particulares com o intuito de obter afirmações de carácter universal que permitam estabelecer princípios que expliquem todos os casos desse mesmo tipo. Este é o método por excelência que, partindo dos efeitos, possibilita chegar à causa das coisas e, consequentemente, às definições.
Hobbes defende a ideia aristotélica de que a melhor forma de atingir o conhecimento científico é através do conhecimento de algo por meio das suas causas: o que a causa é, a natureza da causa e como a causa dá origem ao efeito. A sua
147 definição de filosofia enquanto conhecimento adquirido através do raciocínio correto coaduna-se, de igual modo, com a perspetiva aristotélica: o conhecimento dos efeitos obtém-se através do entendimento das causas e o conhecimento das causas obtém-se através do entendimento dos efeitos visíveis. Hobbes vai mais longe e, à semelhança de Giacomo Zabarella96, sustenta que conhecer um efeito através das causas é conhecer quais as causas e como elas funcionam.
A causa é, por conseguinte, uma questão central no pensamento teórico de Hobbes sobre o método, extensível à definição. Idealmente, poder-se-iam encontrar as respostas para todos os fenómenos da natureza, mediante uma série de definições reveladoras da origem da causa das coisas, tendo como ponto de partida os primeiros princípios inquestionáveis das ciências. É neste preciso ponto que se vê justificado o estatuto prodigioso que a geometria assume em Hobbes, quando comparada com outras ciências, bem como a supremacia do método indutivo sobre o dedutivo:
«For there is not one of them that begins ratiocination from the definitions or explications of the names they are to use, which is a method that hath been used only in geometry, whose conclusions have thereby been made indisputable» (1651: 5.7).
Devido «ao absurdo da condição humana», Hobbes admite que, nas outras ciências, apenas seria possível chegar às causas hipotéticas de um fenómeno por meio do método analítico. No caso de tal análise se revelar bem-sucedida, apresentando as causas para o fenómeno em questão, então, poder-se-iam propor definições e estabelecer demonstrações através de um processo de síntese. Contrariamente às ciências naturais, a geometria apresenta uma precisão científica que as restantes não alcançam, segundo nos explica Sorell (1996: 102):
«Geometry's special status among the sciences thus derives from the fact that it satisfies Hobbes's criteria for proper definitions, and any other body of enquiry that could establish true causal definitions would be capable of demonstrative