E. Danışma Görüşünün Mahiyet
III. UAD’nın Genel Kurul ve Güvenlik Konseyi Kararlarını Temyizen İnceleme Yetkis
A experiência de imersão no cotidiano do seminário teológico ao longo de três anos nos permitiu levantar uma série de informações sobre o estabelecimento. Os dados obtidos através da observação participante foram sistematizados a partir de algumas categorias analíticas que nortearam nossa reflexão: instituição total, instituição disciplinar e produção de subjetividade, que se desdobram em diversos operadores teóricos e práticos.
As entrevistas foram tratadas a partir da metodologia de Análise do Discurso do Sujeito Coletivo (LEFÈVRE et al., 2000). Também utilizamos algumas contribuições de Bock (2002) e de seus colaboradores. Tomamos as entrevistas como informações honestas, acreditando em seu valor de face, em razão de tratar-se de sujeitos adultos, informados e motivados para colaborar livremente com a presente pesquisa. As perguntas apresentadas aos entrevistados funcionaram como elementos disparadores, a partir da lógica interna de nossos pressupostos teórico-técnicos. Verificaremos que há coerência entre os discursos obtidos, o que veio corroborar algumas de nossas hipóteses e negar outras.
A técnica de análise do discurso do sujeito coletivo é utilizada para a organização de dados em pesquisas que lidam com uma metodologia qualitativa. Essa proposta opera com quatro figuras metodológicas que foram elaboradas para a organização de discursos: a ancoragem, a idéia central, as expressões-chaves e o discurso do sujeito coletivo (LEFÈVRE et al., 2000, p. 17). A ancoragem detecta quais os pressupostos, teorias, conceitos e hipóteses sustentam o discurso. A idéia central constitui-se a partir da(s) afirmação(ões) que permite(m) traduzir o essencial do conteúdo do discurso. As expressões-chaves são transcrições literais de trechos do discurso, permitindo o resgate do conteúdo essencial dos segmentos que o compõem. O discurso do sujeito coletivo constrói, com pedaços de discursos individuais,
tantos discursos-sínteses quantos julgue necessários para expressar uma determinada representação social de um fenômeno.
Essa metodologia trata o discurso de todos como se fosse o discurso de um, indicando que o pensamento de uma determinada comunidade pode ser mais adequadamente representado pelo resgate do seu imaginário, pelo conjunto dos discursos nela existentes sobre determinado objeto de representação social. Portanto, tratamos as entrevistas dos seminaristas estudantes de teologia e dos padres formadores como se fossem o discurso “do” seminarista e “do” formador, omitindo a maioria dos detalhes estritamente pessoais. Os autores (LEFÈVRE et al., 2000, p. 33-34) afirmam que as representações sociais “[...] não são secreções simbólicas de grupos de indivíduos, mas discursos que, a despeito de terem indivíduos na sua origem, são relativamente autônomos dos emissores individuais, na medida em que constituem produtos simbólicos de natureza coletiva”. Esclarecemos que não estamos trabalhando estritamente dentro da teoria das representações sociais de Moscovici (1978, 2005) e outros (OLIVEIRA, 2005).
No discurso dos entrevistados se expressa aquilo que podem pensar sobre determinado tema, o que está no horizonte de pensamento da sua cultura institucional. Assim, o pensamento de um dado indivíduo pode incluir aquilo que outros indivíduos socialmente equivalentes verbalizam por ele. As representações sociais formam um imaginário que pode ser considerado como um meio ambiente ideológico que afeta de modo necessário e difuso os membros que se reúnem em determinada formação social. Na análise das entrevistas, utilizamos três figuras metodológicas para a organização do material coletado, buscando discriminar os principais temas que constituem o discurso apresentado pelos seminaristas estudantes de teologia bem como o dos padres formadores, relativos a sua própria percepção quanto à experiência formativa que vivem no seminário: expressões-chaves, idéia central e o Discurso do Sujeito Coletivo (LEFÈVRE et al., 2000). Resgatamos o conteúdo das
representações individuais, construindo com elas o Discurso do Sujeito Coletivo, pois as pessoas são, ao mesmo tempo, estruturadoras das representações sociais e estruturadas por elas. No contexto institucional, elas produzem e são produzidas pelo seu meio ambiente ideológico, no qual interagem dialeticamente, na medida em que há uma interpenetração, uma porosidade constitutiva entre o contexto e os indivíduos.
De modo complementar, nos baseamos em Aguiar (2002, p. 129-140) para fundamentar nossa metodologia de coleta e análise das práticas cotidianas, das entrevistas e dos saberes eclesiásticos. De uma perspectiva institucional, podemos dizer que são sujeitos que se fundam no interior das práticas, ao mesmo tempo constituídos e constituintes do cotidiano institucional. Os sujeitos são considerados sínteses de múltiplas determinações. Quando um sujeito fala, seu discurso pode ser tomado enquanto uma representação do lugar institucional que ocupa e como uma construção histórica também produzida a partir de determinações diversas. Buscamos estabelecer núcleos de significação das práticas, dos discursos e dos saberes dos atores institucionais, detectando os temas, conteúdos, questões centrais, os temas ausentes, os núcleos do não-dito. Os objetivos da pesquisa orientam a organização dos núcleos de significação das práticas, dos discursos e dos saberes. Os núcleos “falam dos sujeitos”, revelam o “sujeito coletivo” presente nas individualidades, embora certamente não esgote sua originalidade pessoal.
A criação de categorias analíticas é um momento de análise e de interpretação do pesquisador. A análise dos núcleos das práticas, dos discursos e dos saberes permite apreender as determinações que constituem as formas de significação: é preciso articular esses núcleos com os sujeitos, articulá-los com o processo histórico, explicitar como os sujeitos transformam o social em psicológico e constituem seus sentidos, estabelecer esses núcleos num conjunto articulado e inter-relacionado para captar seu movimento global e profundo.
Finalmente, faz-se necessário passar da análise à interpretação, considerando a construção social e dialética da realidade e também da subjetividade, de acordo com a perspectiva institucionalista que estamos adotando (GOFFMAN, 1987; FOUCAULT, 1999; COSTA-ROSA, 2000, 2006; BOCK, 2002). Buscamos explicações nos aspectos sociais e históricos nos quais os sujeitos se constituíram. A consideração da realidade social nos permite explicar assim o que seria individual e ao mesmo tempo, social e histórico. Isso exigiu a investigação de alguns aspectos históricos e conjunturais da Igreja católica, pois eles podem nos auxiliar na compreensão do fenômeno que estamos estudando: a produção da subjetividade na formação contemporânea do clero. Nesse sentido estudamos a história para entender o presente. Não se trata de julgar o passado, mas reconhecendo a historicidade dos fatos, é possível viver a responsabilidade pelo presente.
Será somente depois do estudo e análise dos planos do cotidiano do seminário teológico, do discurso dos atores institucionais e dos saberes eclesiásticos (incluindo as diversas configurações dos paradigmas eclesiais e as instituições e modalidades de funcionamento deles derivadas), buscando compreender os efeitos éticos predominantes nestes planos, que poderemos deduzir se a formação institucional do clero na atualidade se orienta mais para a produção de uma subjetividade singularizada ou serializada. É a partir desse conjunto rico e variado de elementos que podemos deduzir os efeitos éticos da instituição seminário quanto à produção de subjetividade.
3 O COTIDIANO INSTITUCIONAL DO SEMINÁRIO TEOLÓGICO: PRÁTICAS E DISCURSOS EM ANÁLISE
“A essência do ato pedagógico são as relações que estabelecemos. Ninguém ensina nada a ninguém, deixamos um pouco de nós nas pessoas com quem nos encontramos” (Paulo Freire). O diálogo como relação, a relação dialogal se constitui no principal “conteúdo”. O “conteúdo” principal do ato educativo é, nesse sentido, a prática, isto é, a “maneira”, o “modo” como fazemos e agimos. (Pedrinho A. Guareschi, 2000, p. 209-210).
Neste capítulo apresentamos dados da pesquisa de campo obtidos por meio da observação participante e de entrevistas semidirigidas com os atores institucionais, bem como algumas análises e discussão. A seleção dos dados e sua interpretação foram determinadas pelo enfoque da análise institucional, das categorias gerais de instituição total e disciplinar e seus diversos elementos constitutivos com os quais estamos operando nesta pesquisa.