İKİNCİ BÖLÜM ÖZEL BORÇ İLİŞKİLERİ
C) BAĞIŞLAMA SÖZLEŞMESİ ÜÇÜNCÜ BÖLÜM
1- GENEL HÜKÜMLER DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
Para iniciarmos a discussão dessa segunda fase, traremos uma citação um pouco longa e que, contudo, traz uma interessante discussão sobre segundo momento da constituição do sintagma Identidade-Metamorfose-Emancipação:
Nesse sentido, desde a publicação de A estória do Severino e a história da Severina em 1987, Ciampa tem desenvolvido e orientado pesquisas de Mestrado e Doutorado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da PUCSP – PSO -, enquanto líder do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa sobre a Identidade Humana. Nesse grupo de pesquisa, que se reúne semanalmente no Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Identidade- Metamorfose – NEPIM -, que faz parte da linha de pesquisa Estudos crítico- epistemológico das categorias analíticas e no aprofundamento da Psicologia Social da PSO, Ciampa tem se esforçado na sistematização e no aprofundamento de teorização sobre os processos de formação e transformação da identidade humana nas sociedades contemporâneas, que se dão em
contextos atravessados pela dialética regulação/emancipação [...]. (LIMA; CIAMPA, 2012, p. 14-15)
Como podemos inferir com a consolidação de seu pensamento, inaugurado no mestrado e consolidado com o doutorado concomitante à postulação da identidade enquanto categoria analítica da Psicologia Social Crítica, os trabalhos de Ciampa voltaram-se para a intensificação das discussões a partir de pesquisas e estudos. Desse período, contabilizamos, a partir dos registros em seu currículo lattes, 34 dissertações e oito teses defendias sob sua orientação de pesquisa. São diversos temas e problemáticas que, por motivos de tempo hábil, não fizeram parte de nossas investigações. Entretanto, algumas publicações dessa época nos permitem situar as preocupações de Ciampa.
Na conferência As Metamorfoses da “Metamorfose Humana”: uma utopia
emancipatória ainda é possível hoje? proferida no XXVI Congresso Interamericano da
Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP) (PUC-SP – 1997), Ciampa discute o significado da emancipação para as metamorfoses contemporâneas. Suas preocupações referem-se aos avanços do capitalismo contemporâneo, o qual desenvolveu novas formas de alienação e captura da vida humana. Seria pela racionalidade instrumental que essa administração da vida opera na intimidade do cotidiano da humanidade após deixar-se seduzir pelos avanços tecnológicos e sociais. Preocupa-o, especialmente, como produção da historicidade humana encontra-se gravemente comprometida, quando hoje o próprio futuro, que ainda será construído, também se encontra colonizado pela publicidade que regula o presente das pessoas.
Esse panorama faz com que Ciampa questionasse qual o significado da emancipação para as metamorfoses que a metamorfose humana possui. Uma preocupação que questiona a maneira como as identidades podem constituir-se dialogicamente por interações com o mundo, embriagadas pela racionalidade instrumental. Dessa forma, Ciampa afirma que a emancipação faz sentido como um projeto alternativo que movimenta a utopia uma vida boa, pautada no esclarecimento e restauração da humanidade.
A “metamorfose humana” de fato se concretiza durante todo o caminhar, quando o caminho inteiro se faz. Por essa razão, nascemos para começar. O início é como uma semente que, num certo sentido, oculta um certo segredo, um segredo de vida. Talvez por isso na tradição do oriente se diz que é próprio dos sábios conhecer os segredos das sementes. Valendo-se dessa imagem, pode-se dizer que o segredo que constitui a semente da “metamorfose humana” é a emancipação; em consequência desenvolver significa concretizar aquela. (CIAMPA, 1997, p. 3)
No ano seguinte, em seu artigo Identidade humana como metamorfose: a
questão da família e do trabalho e a crise de sentido no mundo moderno12 (1998), Ciampa
traz uma importante discussão sobre os processos de complexificação do mundo social, em especial sobre seus atravessamentos na socialização da família e das formas de trabalho, para as metamorfoses humanas. O mais interessante na presente discussão de Ciampa são a crises de sentido na contemporaneidade, e suas consequências para as identidades. Segundo o autor, à medida em que as velhas cosmovisões de mundo não conseguem garantir a manutenção dos regimes de sentidos que perpetuam as tradicionais formas de vida, as identidades encontram-se desamparadas de referências e de instrumentos simbólicos que as liguem solidariamente aos grupos vigentes.
O aumento de frequência de crises de sentido, sejam subjetivas sejam intersubjetivas, parece ligar-se às características das modernas sociedades, que impedem ou dificultam o compartilhar de sentidos entre as comunidades de vida. Frente a isso, alguns optam por uma postura fundamentalista e dogmática ou então por uma postura relativista, ambas perigosas. (CIAMPA, 1998, p. 99)
Para Ciampa (1998), assim como para Berger e Luckmann (2012) , as crises de sentidos são consequências da crise de legitimação, a qual abala também as instituições modernas. Dessa forma, a comunidade de sentido, legitimadora da organicidade social e fortalecedora da solidariedade humana, encontra-se enfraquecida. Nesse panorama, o trabalho da Psicologia Social Crítica, a qual toma a identidade como eixo privilegiado de investigação, revigora suas reflexões ao reconhecer que suas atenções devem ir além das análises e compreensões dos próprios indivíduos.
Com a finalidade de consolidação teórica deste revigoramento, Ciampa apresentará Identidade: um paradigma para a psicologia social?, apresentado no XX Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO (8 a 12 out. 1999). Naquela ocasião, Ciampa apresenta à comunidade científica da Psicologia Social que sua teoria ganha novos sentidos quando reconhece a importância de agregar nas suas discussões outras problemáticas. Essas novas fronteiras são vislumbradas quando o autor reconhece a importância de firmar o compromisso político de sua teoria da metamorfose humana, em viabilizar caminhos críticos para construção de formas de
12Comunicação oral feita, em 23 de agosto de 1998, na mesa redonda “Família, cultura e sociedade”, no
Encontro internacional “Família e Psicanálise — Novas tendências clínicas”, em São Paulo/SP, promovido pela Universidade São Marcos/SP e a Societé de Therapie Familiale D’Ille de France (Paris).
vidas emancipatórias. “Esse sintagma seria a “identidade-metamorfose-emancipação”, o
que inclui discutir cosmologia, ontologia, estética, ética, estética, etc. As posições assumidas frente a esse sintagma é que se constituem como paradigmas possíveis.” (CIAMPA, 1999, p. 5).