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GENEL D EĞ ERLENDİRM E ve SONUÇ

Como já foi citada, a saúde compõe o tripé da Seguridade Social, que foi legitimada na Constituição Federal de 1998.

No artigo 196, a Saúde é apresentada como direito social:

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação.

Com a Constituição Federal de 1988, as ações e os serviços de saúde passaram a ser considerados de relevância pública, cabendo ao poder estatal sua regulamentação, fiscalização e controle. É, portanto, entendida como um direito de todos e dever do Estado.

A Constituição Federal de 1988, além de regulamentar a Seguridade Social, também apresenta um mecanismo de participação direta dos cidadãos nas decisões políticas, que são os Conselhos Gestores de Políticas Públicas. Estes espaços denominados espaços democráticos são de extrema importância, além de ser um mecanismo de controle social, uma vez que a Lei 8.142/1990 dispõe sobre a

participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde, proporcionando um canal de comunicação nas políticas de saúde, além do processo de tomada de decisões.

Com a implantação dos mecanismos de controle social, é efetivada a possibilidade de participação social e a consolidação da democracia. Com isso, a sociedade é chamada a discutir e debater o tema.

A área da saúde foi pioneira em tratar o tema em questão, controle social, que é sinônimo de participação social nas políticas públicas. Como a legislação exige o processo de participação, o Brasil conta com os Conselhos e as Conferências como espaço de discussão e de participação popular.

Além da Constituição Federal, a saúde é regulamentada pela Lei n. 8080 de 19 de setembro de 1990 – Lei Orgânica da Saúde, que dispõe a saúde como política social pública no campo de direitos.

Vale ressaltar que a Lei Orgânica da Saúde, em seu artigo n. 3, apresenta a saúde com avanços, pois deixa o foco da doença especificamente e diz:

Artigo 3º

A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais: os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País.

Assim, pensar a política de saúde é ampliar as perspectivas, ir além da ausência de doenças, como culturalmente é conhecida, bem como visualizar os fatores condicionantes e determinantes que a própria legislação conceitua.

Conforme consta da Lei 8.080/90, fica determinada a hierarquização dos atendimentos, ou seja, é estabelecida por meio do artigo 8º da Lei 8.080/1990, que apresenta as ações e os serviços que serão executados pelo Sistema único de Saúde (SUS).

Artigo 8º

As ações e serviços de saúde, executados pelo Sistema único de Saúde (SUS), seja diretamente ou mediante participação complementar da iniciativa privada, serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada em níveis de complexidade crescente.

Nesse artigo da legislação, fica evidente que o SUS organizará a saúde em níveis específicos de ação e de serviços. Assim, são classificados os níveis primário, secundário e terciário, que são definidos pelo Ministério da Saúde.

Nível Primário- Atenção Básica à Saúde

O Nível Primário constitui-se o primeiro nível de atenção à saúde, de acordo com o modelo adotado pelo SUS. Engloba um conjunto de ações de caráter individual ou coletivo, que envolvem a promoção da Saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação dos pacientes. É, preferencialmente, a “porta de entrada” do sistema de saúde. Por meio dele, a população tem acesso a especialidades básicas, que são: clínica médica, pediatria, obstetrícia e ginecologia. Estudos demonstram que a atenção básica é capaz de resolver cerca de 80% das necessidades e dos problemas de saúde. Cabe, ainda, à atenção básica proceder aos encaminhamentos dos pacientes para os atendimentos de média e de alta complexidade caso haja necessidade.

Nível Secundário – Média Complexidade

O Secundário é um dos três níveis de atenção à saúde que são considerados no âmbito do SUS. Compõe-se por ações e serviços que visam a atender aos principais problemas de saúde e agravos da população, cuja prática clínica demande disponibilidade de profissionais especializados e o uso de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico e terapêutico. A atenção média foi instituída em 2003 pelo Ministério da Saúde e compõe os seguintes serviços: procedimentos especializados realizados por médicos e outros profissionais de nível superior e nível médio, cirurgias ambulatoriais especializadas, procedimentos traumato-ortopédicos, ações especializadas em odontologia, patologia clínica, exames radiodiagnósticos, fisioterapia, entre outros.

Nível Terciário – Alta Complexidade

O conjunto de procedimentos que, no contexto do SUS, envolve a alta complexidade é o nível terciário do sistema de saúde. Tem como objetivo oferecer à população o acesso a serviços qualificados, integrando-os aos demais níveis de atenção à Saúde. As principais áreas que compõem a alta complexidade são: assistência ao paciente portador de doença renal crônica (procedimento de hemodiálise e diálise), assistência a pacientes oncológicos, cirurgias vascular e cardiovascular, assistência neurológica, terapia nutricional, entre outros serviços.

Alguns autores denominam o modelo assistencial oferecido pelo Sistema Único de Saúde apresentado acima como a figura clássica de uma pirâmide para representar as ações e os serviços do SUS.

Assim, na base da pirâmide ficam localizados os atendimentos das unidades de saúde (nível primário); no meio da pirâmide, fica localizado o nível secundário, intermediário, que representa os atendimentos especializados e os serviços ambulatoriais e de diagnóstico. Já o topo da pirâmide, finalmente, estaria ocupado pelos serviços hospitalares de maior complexidade.

Esse sistema de hierarquização oferecido pelo SUS representa a racionalização do atendimento e estabelece um fluxo de pacientes ordenado de baixo para cima, conforme as necessidades de cada paciente.

Embora se reconheça a importância da organização na oferta dos serviços oferecidos pelo SUS, nas últimas décadas, a política de saúde tornou-se alvo de grande ofensiva do ajuste neoliberal, assim como a reforma do Estado, para facilitar parcerias e abertura para o mercado privado.

Diante disso, veremos, a seguir, as principais mudanças na gestão da saúde pública do Brasil.

Benzer Belgeler