Đnşaat Kesimi Đstihdam mı Yaratıyor, Dışalımı mı Uyarıyor? *
Çizim 11. Aragirdi Dışalımı Etkisi
6. Genel Değerlendirme
A violência doméstica, segundo a Lei, significa aquela “compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas” (art. 5º, I, Lei 11.340/2006). Por sua vez, família é compreendida como a “comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa.” (art.5º, III, Lei 11.340/2006). Também inclui em seu ordenamento relações íntimas de afeto, nas quais o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independente de coabitação e orientação sexual. Em relação aos operadores do Direito, é possível dizer que eles compreendem a categoria gênero como a dominação do homem exercida sobre a mulher, a vítima tem que ser necessariamente mulher para poder ser amparada pela Lei Maria da Penha.
A intenção do legislador foi proteger a mulher em situação de violência doméstica e familiar baseada no gênero. É sobre a questão de gênero que os entrevistados identificam uma das grandes polêmicas referentes à lei, pois eles têm dificuldades de compreendê-lo, haja vista também que a doutrina ainda é muito pobre em relação a isso. A violência de gênero é aquela que ocorre pelo fato de a vítima ser mulher, ser do sexo feminino. Deverá haver uma subordinação de um sexo perante outro, uma dominação do homem sobre a mulher.
Os operadores do direito, em muitos momentos, perguntam-se sobre os termos “gênero” e “mulher” que a lei cita nos seus diversos artigos. Um exemplo pode ser visto logo em seu artigo 5º onde ocorre a definição de violência doméstica e familiar contra a
mulher como sendo “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial” (BRASIL, Lei 11.340/06, grifo meu). Nesse trecho o termo gênero é utilizado, mas não é conceituado em nenhuma outra parte da lei, daí surgirem questionamentos sobre como deve ser entendido esse tipo de violência. Essa dificuldade existe, principalmente, porque chegam ao Juizado processos que envolvem casos de idosos(as), crianças (meninas) e adolescentes, mães e filhas, enfim, casos que fogem do padrão de relação conjugal entre homem e mulher. Os operadores percebem gênero, principalmente, por esse viés mais restrito (relativo ao sexo) e preferem que os casos que não entrem nesse padrão sejam transferidos para outros juizados criminais. É possível observar que esse critério foi elaborado visando, principalmente, diminuir o fluxo de processos que chegam à instituição judicial. Eles alegam que assim “os verdadeiros casos poderão ser mais bem atendidos” (sic).
É possível perceber que no início das audiências as perguntas dos operadores do Direito são sobre o relacionamento das partes envolvidas. Isso ocorre para saber se entre aqueles que litigam na esfera judicial existe a relação que possa configurar a violência baseada no gênero. Segundo os interlocutores da pesquisa a definição da violência de gênero precisa ser cada vez mais depurada, pois cada caso exige avaliação. O que importa para os operadores é o pano de fundo do conflito onde em uma relação de homem e mulher ou uma mulher e outra mulher, um se sobrepõe ao outro. Portanto, a violência de gênero tem que configurar uma situação de hipossuficência da mulher dentro da relação. Não é difícil identificar essa diferença porque o Brasil é uma sociedade patriarcal, sendo a lei o instrumento criado exatamente para equiparar a mulher diante dessa situação de desigualdade, para proteger a mulher dessa diferença cultural.
Para os entrevistados pode existir em uma relação de irmãos violência de gênero, sendo preciso identificar se o homem tenta se beneficiar porque é macho, se ele considera que a mulher deve ser obediente, se ela deve cumprir os desejos dele. Ou seja, na relação deve ficar configurada a relação de hipossuficiência ou de
dependência da mulher. Agora nos casos em que os irmãos brigam em “pé de igualdade” porque o pai é idoso e querem interditá-lo e discutem sobre quem deve ficar responsável pelo dinheiro do pai, há o pano de fundo de uma questão patrimonial, não correspondendo a violência de gênero entendida para aplicação da Lei Maria da Penha. Em relação aos casais de lésbicas parte-se do pressuposto de que uma das pessoas envolvidas assuma a cultura machista e patriarcalista. Deverá avaliar-se quem está no papel de homem e de mulher e se há uma subordinação de uma perante a outra. Quanto aos casais gays, os casos de aplicação da Lei Maria da Penha no Brasil foram muito isolados. Mas não é aceito pela maioria dos operadores de direito do país. Mas reconhece que há muita “polêmica” nesses casos. Aplicar-se-ia em casos em que o posicionamento afetivo/social do agressor seria machista. Essa avaliação talvez fosse possível através de um estudo social. A vítima deveria assimilar a condição de mulher e o agressor a condição machista. Seria complicado até avaliar isso. Um dos entrevistados acredita que se a lei se refere ao termo mulher, deverá ser aplicada a mulheres.
Os operadores do Direito afirmam conhecer outras definições de gênero existentes em outras áreas do saber das ciências humanas, mas preferem reconhecer o que é produzido dentro do campo jurídico. Dessa forma, é elaborado o discurso institucional com pouca abertura para outras definições, formando assim o discurso de autoridade por meio da luta pela nomeação oficial.
A nomeação ou o atestado pertencem à categoria dos atos ou discursos oficiais, simbolicamente eficientes porque realizados em situação de autoridade, por pessoas autorizadas, “oficiais”, (...), de uma função ou de um cargo atribuído pelo Estado, (...), tem a capacidade de criar (ou de instituir), pela magia da nomeação oficial, uma declaração pública (...). (BOURDIEU, 1996, p.113).
De acordo com Bourdieu o campo jurídico é o detentor do monopólio da nomeação, a constituição do referido campo aconteceu como uma instância central de nomeação. Com isso, percebe-se a atuação dos operadores de acordo com o habitus próprio do seu campo e, dessa forma, presos a illusio construída nesse campo como
algo inquestionável, e não reconhecido como arbitrário, dando por válido as “regras do jogo” do que é inscrito em seu próprio âmbito de atuação.