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Para o alcance de suas finalidades, ligadas ao tripé ensino, pesquisa e extensão, as universidades possuem estruturas organizacionais diferenciadas. Desse modo, para analisar as práticas de governança aplicadas ao setor público referentes a “Estrutura e Processos Organizacionais”, faz-se necessário identificar a estrutura organizacional adotada.

A gestão das universidades é segregada em Administração Superior e Administração Acadêmica. Como a ênfase desta pesquisa é verificar as de práticas da governança aplicada ao setor público nas universidades, foi objetivo de interesse apenas a Administração Superior, composta por órgãos deliberativos, normativos e consultivos e por órgãos executivos.

Os órgãos deliberativos, normativos e consultivos, de maior frequência nas universidades federais brasileiras são: o Conselho Universitário, o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão e o Conselho de Curadores, conforme Quadro 10.

Quadro 10 – Órgãos deliberativos, normativos e consultivos

Órgãos Quantidade

Conselho Universitário 44

Conselho de Curadores 32

Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE) 31

Conselho de Administração 19

Assembléia Universitária 7

Fonte: Dados da Pesquisa (2014)

Verifica-se, então, que o órgão deliberativo com maior expressão dentre as universidades pesquisadas é o Conselho Universitário, órgão superior de deliberação, normativo e consultivo que tem como principais atribuições traçar as políticas universitárias e decidir em matéria de administração, inclusive gestão econômico-financeira, encontrando-se em quase todas as universidades pesquisadas.

Em algumas universidades, além dessas atribuições citadas para o Conselho Universitário, são incluídas mais algumas, como é o caso da UFCSPA, que acrescenta às funções de matéria jurisdicional, e a UFPA, que define a esse órgão atividades de consulta e última instância recursal. A UFES acrescenta matérias estudantis e de planejamento, enquanto, na UFPR, o Conselho Universitário é resultante da reunião dos membros do Conselho de Planejamento e Administração com os do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão é o órgão superior deliberativo e consultivo da Universidade em matérias acadêmicas, ou seja, de ensino, pesquisa e extensão. Para a UFPA, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão também exerce atividades de consultoria e supervisão.

O Conselho de Curadores é o órgão responsável por assuntos inerentes à execução econômico-financeira e pela fiscalização destes assuntos, exercendo em algumas universidades também as atividades contábeis e patrimoniais. A UFRJ acrescenta às funções desse Conselho as de natureza deliberativa, embora restringindo tal deliberação a assuntos pertinentes ao patrimônio da Universidade.

Na UFC, o Conselho de Curadores não aparece na estrutura de Administração Superior da UFC, mas, no estatuto se localiza entre o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e a Reitoria.

Em universidades constituídas como fundações, as atribuições do Conselho de Curadores podem ser realizadas pelo Conselho Diretor, definido como órgão de assessoria executiva da administração superior da Universidade, competindo-lhe traçar normas

operacionais para matérias aprovadas pelo Conselho Universitário, decidir sobre aquelas que lhe forem delegadas por este órgão e assessorar nas de competência do reitor.

Na UFPEL, o Conselho Diretor é órgão angariador de recursos, supervisor da gestão econômico-financeira e o responsável principal pelas relações entre a Universidade e a Comunidade.

Além dos Conselhos mencionados, as universidades podem contar com conselhos específicos para auxiliar a administração, dentre os quais os mais expressivos são o Conselho de Administração, a Assembléia Universitária, o Conselho de Desenvolvimento, o Conselho Consultivo e os conselhos destinados a assuntos acadêmicos.

O Conselho de Administração é o órgão deliberativo, normativo e consultivo da universidade em matéria administrativa, orçamentária, financeira, patrimonial e de política de recursos humanos, ressalvada a competência do Conselho de Curadores, sendo a última instância de deliberação para recursos nessas áreas.

Na UFRA, o Conselho Superior de Administração é o órgão deliberativo da Universidade em matéria de planejamento e gestão; a UNIR também acrescenta a este colegiado matérias pertinentes a legislação e normas. Na UFRRJ, o Conselho de Administração é um órgão consultivo que tem por objetivo ampliar os debates e indicar soluções a respeito da definição de políticas da gestão administrativa e financeira.

A Assembleia Universitária tem como função avaliar o cumprimento dos objetivos institucionais da Universidade, aprovar moções, recomendações e proposições a serem encaminhadas aos conselhos superiores, além de apreciar assuntos de alta relevância. Em geral, a Assembléia Universitária é presidida pelo reitor e por este convocada.

A localização da Assembléia Universitária na estrutura da universidade pode variar de acordo com a universidade, como por exemplo, a UFPB tem a Assembleia antes dos órgãos de administração superior: já na UFRA, é o primeiro órgão da administração superior, e é composto por discentes, docentes e servidores.

O Conselho de Desenvolvimento é um órgão consultivo da universidade, que tem por objetivo estabelecer uma relação de parceria com a sociedade e promover o desenvolvimento da instituição.

O Conselho Consultivo é o órgão de interação com a comunidade externa, constituindo espaço de interlocução com os setores da sociedade, proporcionando ações que contribuam com as políticas institucionais voltadas à sociedade.

Quanto aos colegiados de natureza acadêmica, os mais recorrentes são: Conselho Superior Acadêmico, Conselho de Pós-Graduação e Pesquisa; Conselho de Extensão; Conselho de Graduação.

Além dos comentados, as universidades têm particularidades em relação aos seus órgãos deliberativos, normativos e consultivos como é o caso da UFAC, que tem como órgãos normativos as assembleias de centros e os colegiados de cursos que deliberam naquilo que for pertinente às suas competências; e os conselhos técnico-científicos e gestores, que fazem parte dos órgãos máximos da gestão e deliberação dos órgãos integradores e das unidades especiais, respectivamente.

Na UFSC integram a administração superior, na qualidade de órgãos deliberativos centrais, além do conselho superior, as câmaras de ensino de graduação; Câmara de Pós- Graduação; Câmara de Pesquisa; e Câmara de Extensão. Cada câmara delibera sobre os assuntos de sua competência.

Na UFRRJ há o Conselho de Campus, órgão colegiado deliberativo que tem por objetivo ampliar os debates e indicar soluções a respeito da definição de políticas da gestão administrativa e financeira do campus, para garantir o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Na UNIFESP, as ações de direção, planejamento, realização e administração das atividades indissociáveis de ensino, pesquisa e extensão são exercidas nos Campus pelo Conselho de Campus e pela Congregação.

A UFBA separa administração superior (na qual estão os conselhos deliberativos: Conselho Universitário, Superior de Ensino Pesquisa e Extensão; Conselhos acadêmicos e assembleia universitária), administração central (eitoria e órgãos estruturantes da reitoria); e órgãos de ensino pesquisa e extensão e órgão superior de controle, fiscalização e supervisão (Conselho de Curadores).

Além dos órgãos deliberativos, consultivos e normativos na administração superior, há também o órgão executivo, representado pela reitoria da universidade e seus órgãos suplementares e de apoio.

A Reitoria pode ser definida como órgão máximo, de execução administrativa e acadêmica da Universidade, incumbida da coordenação, fiscalização e superintendência das atividades da instituição. Este órgão é dirigido pelo reitor e pelo auxiliar e substituto, o vice– reitor.

Na UFSJ, a reitoria é o órgão de administração geral que coordena, executa e supervisiona todas as atividades, cumprindo e fazendo cumprir as leis e as deliberações dos conselhos superiores. A UFRB e a UFPA incluem as funções de planejamento, supervisão, avaliação e controle da universidade, como competência da reitoria.

De um modo geral, integram a reitoria: reitor; vice-reitor; gabinete do reitor, pró- reitorias; assessorias; diretorias; superintendências; órgãos suplementares; procuradoria jurídica; auditoria interna; prefeitura universitária e comissões.

São órgãos suplementares da reitoria: Biblioteca Central; Núcleo de Divulgação e Difusão Cultural Científica; Núcleo de Tecnologia de Informação; unidades acadêmicas; dentre outros.

As pró-reitorias, órgãos que auxiliam a reitoria em sua gestão, dividem-se de acordo com as áreas da gestão existindo mais nas universidades: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação; Pró-Reitoria de Graduação; Pró-Reitoria de Administração; Pró-Reitoria de Extensão Universitária; Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis; Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas; Pró-Reitoria de Planejamento; Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis; Pró-reitoria de Ensino de Graduação; Pró-Reitoria de Pós-Graduação; Pró-Reitoria de Pesquisa; Pró-Reitoria de Extensão e Cultura e Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis.

Compreendendo como a universidade está estruturada, passa-se a verificar como estas se comportam em relação às práticas recomendadas pela IFAC para a Dimensão Estrutura e Processos Organizacionais.

Benzer Belgeler