• Sonuç bulunamadı

4.5. Kombine Halde Uygulanan Naringin, Doksorubisin Ve Sisplatinin Gen

4.5.1. p53 Gen İfadesi

Uma das pretensões do secretario da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, com o advento do congresso era, de acordo com Perecin, constituir uma assembléia consultiva formada por especialistas em agricultura que, ao formularem e debaterem as teses originadas das questões em pauta, propiciasse, por meio das resoluções do evento, influências nas novas orientações para o próprio ensino agronômico paulista.

O evento também apresentava suas experiências bem sucedidas, dentre elas, o instituto de ensino agrícola médio através da Escola Agrícola Prática “Luiz de Queiroz” de Piracicaba, de onde havia saído agrônomos que difundiam a instrução e a prática agrícola em diversos centros do Estado, como particulares ou como funcionários da Secretaria de Agricultura.

Desta forma a Escola de Piracicaba tinha um papel relevante a desempenhar no congresso e dele participaria ativamente com a sua delegação formada pelo seu diretor, na época Clinton Dewit Smith, o autor da “IV TESE” – analisada pela comissão integrada por Luiz Pereira Barreto, Raul de Resende Carvalho, Gustavo D’Utra, Domingos Jaguaribe, Oscar Thompson e Brant de Carvalho – , e por dois de seus lentes, o Antonio de Pádua Dias e Émile Charropin.89

A Escola Agrícola de Piracicaba havia nascido, em 1901, como a realização do sonho do agrônomo e fazendeiro Luiz Vivente de Souza Queiroz.90 Foi a terceira escola mais antiga do Brasil voltada para a agronomia. Antecederam-na a Escola Agrícola da Bahia, fundada em 1877 e o Liceu de Agronomia, Artes e Ofícios de Pelotas no Rio Brande do Sul, que surgira no ano de 1888. Esta última seria convertida em curso superior em 1890.91

89 Perecin, Os Passos do Saber... pp. 361-63.

90 Luiz Vivente de Souza Queiroz (1849-1898), agrônomo formado em Grignon, França e Zurich, Suiça, era herdeiro de famílias tradicionais do interior paulista: os Paula Souza – primo em segundo grau de Antonio Francisco de Paula Souza, criador da Escola Politécnica; e os dos Paes de Barros (lado paterno) – sua avó era irmã de Antônio Paes de Barros, barão de Piracicaba. Após o período de formação retorna da Europa e, aos 24 anos, recebe a propriedade Fazenda Engenho D’Água, por herança. Foi defensor da agronomia, na época uma ciência nascente, pioneiro na educação técnica voltada para a agricultura e na iluminação urbana por eletricidade. cf. Perecin, Os Passos do Saber... pp., 109-110.

A partir de 1931 a instituição passaria a funcionar como curso superior e seria conhecida, a partir de então, como Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Em 1934, anexada à USP, receberia a nova denominação de Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo.92

Concebida para ser uma agência do saber que pudesse responder aos anseios da modernidade agrícola que era vista, segundo a percepção de parte da intelligentsia e dos ruralistas, “como recurso salvacionista do país”93, a Escola Agrícola Prática “Luiz de Queiroz” atravessou a sua primeira década de existência vivenciando diversos projetos e fases distintas, sempre no nível médio como nos mostra o trabalho de Perecin que realizou o estudo a respeito e foi por nós aqui amplamente utilizado.

Após os primeiros anos Luiz de Queiroz, percebendo que a sua iniciativa particular não teria apoio oficial, por decorrência da lei nº 26 de 11.5.1892 “que criava no Estado de São Paulo uma escola superior de agricultura, uma de engenharia e dez estações experimentais” – condenando desta forma o seu projeto de college em Piracicaba –, decidiu doar a Fazenda São João da Montanha bem como o projeto e a construção do prédio, que haviam sido empreendidos até aquele momento principalmente por sua iniciativa, ao governo estadual com a condição de que no prazo de dez anos se instalasse ali uma escola de agronomia, caso contrário a propriedade seria leiloada e seus proventos entregues à Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba.94

Assim, a partir de 1893, um ano após a data da doação, até 1896 os trabalhos para a construção da escola ficaram a cargo do engenheiro agrônomo Leon Alphonse Morimont, formado em Gembloux (Bélgica). A idéia central de Morimont era implementar o ensino prático de agronomia com o perfil de nível médio, conforme os planos originais de Luiz de Queiroz. O curso, de três anos, formaria agrônomos para as administrações de fazendas e para a atuação nos serviços agrícolas do Estado.95

A escola, entretanto, conforme nos relata Perecin, não seria inaugurada naquele período. Uma série de fatores concorria para a morosidade do empreendimento. Um deles era resultante da contenção dos investimentos do governo, provocada pela crise cafeeira na fase entre 1896/97 e o questionamento das contas de Morimont pelo Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e obras Públicas, na ocasião, Álvaro Augusto da Costa Carvalho. A política de contenção de despesas e a indisposição do secretário com o

92www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/P/verbetes/escagprpira.htm. Acesso em: 7.8.2006. pp. 1-11. 93 Perecin, Os Passos do Saber... p. 24.

94 Perecin, Os Passos do Saber... p. 24.pp. 119-120. 95www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/. Op. Cit. p. 3.

engenheiro, levaria à exoneração deste último no mês de novembro de 1896 e a paralisação das obras.

A crise sofrida pelo projeto da escola refletia outra questão de fundo. Por um lado, a impaciência do próprio Morimont que, apesar de justificar todos os seus gastos, insistia na continuidade das obras e das verbas utilizando-se de sua fina ironia no tratamento dos representantes burocráticos, por outro lado, a incompatibilidade das duas frações do Partido Republicano. Naquele momento (1896-1898) Campos Sales estava na presidência do Estado de São Paulo, gestava a política dos governadores e se posicionava rumo a presidência da República. Prudente de Moraes, então o Presidente da República (1894-1898) não compartilhava com o colega de partido a sua práxis política. O resultado do embate os levaria a ruptura em 1901.

A retomada das linhas gerais propostas no projeto Morimont seria implementada em 1901, com a inauguração da Escola. Este era o prazo final para que a instalação da instituição ocorresse sob pena do Estado perder os direitos de doação do terreno e das benfeitorias deixadas por Luiz de Queiroz.

A escola que se inaugurou efetivamente, punha em prática na “Luiz de Queiroz” a intenção da Secretaria da Agricultura de manter com recursos próprios o ensino agrícola profissional de nível médio, independente da estrutura patrocinada pela Diretoria Geral da Instrução Pública. Os técnicos formados pela Escola Agrícola seriam, dessa maneira, preparados como agentes da modernização para o progresso do estado.96

O decreto que empreendera o nascimento da Escola Agrícola, nº 683-A, de 29.12.1900, previa o curso de três anos ao final do qual o aluno saía com o diploma de agrônomo. Desde então, diversas alterações curriculares foram impostas à escola, em 1905, 1908, 1912, 1917, 1919, 1925, 1930 e 1934, quando foi incorporada à Universidade de São Paulo. Em síntese essas transformações resultaram segundo uma perspectiva curricular e programática, numa primeira fase, entre 1901 a 1916, das tentativas de transformar a escola numa instituição-modelo e, em um segundo momento, de 1916 a 1934, da busca pelo reconhecimento da escola como uma instituição de nível superior.97

Durante o Congresso de Ensino Agrícola parte dos anseios que haviam movido a escola até a época foram refletidos na resposta de Clinton D. Smith, o seu diretor, à IV Tese:

96 Perecin, Os Passos do Saber... pp. 150-53, 178 e 185.

97www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/. pp. 5-6; Ver também Elza Nadai, Ideologia do progresso e ensino

A Escola Agrícola Prática “Luiz de Queiroz” de Piracicaba, satisfaz para o ensino médio ou carece de modificações? Quais?

Em seu pronunciamento Smith, afirmava a necessidade de algumas modificações embora, de imediato, respondesse que a instituição tinha todas as possibilidades de atender as demandas do Estado se, para tanto, houvesse o adequado investimento dos recursos financeiros.98

Propunha, como alteração, para o curso regular um conjunto de cinco medidas99: 1. Ampliação do curso preliminar de um para dois anos com o objetivo de

atender às deficiências trazidas pelos alunos, especialmente em aritmética; 2. Acrescer, no curso regular, um ano destinado a especialização;

3. Reconhecer esse curso regular, de nível médio, como superior; 4. Ampliação das instalações;

5. Criar um curso elementar de cinco meses para aqueles que não tivessem condições de se preparar para o curso regular.

Ao final de sua exposição reafirmava que a escola deveria ser reconhecida pelo pelo governo federal e estadual como uma instituição de ensino superior e elementar, recebendo, em conseqüência os recursos necessários.100

A ocorrência das escolas agronômicas e de eventos como o Congresso de Ensino Agrícola promovido pela Secretaria de Agricultura Comércio e Obras Públicas, denotava a afinação de parte do setor agrário com as propostas de educação que pudessem responder adequadamente aos seus anseios, segundo os quais, o progresso do país estaria assentado nas bases do desenvolvimento agrícola. É possível que essa proposição, e o debate dela decorrente, houvesse se estendido para o campo da instrução pública chegando ao alcance dos estudantes e mostrando as possibilidades desses caminhos. Dessa forma, podemos conjecturar que esse ideário influenciou uma parcela desses jovens que, saindo das escolas, passavam a considerá-lo no momento de construção dos seus projetos pessoais. Assim posto, a Escola Complementar de Piracicaba era um desses locais no qual o debate era aproximado ao repertório dos normalistas. Thales de Andrade é um exemplo de como essas questões conseguiram calar fundo em maneira de pensar motivando-o no desenvolvimento de

98 Perecin, Os Passos do Saber... p. 365.

99 Havia na Escola Agrícola desde 1908, instituídos pelo decreto nº 1684, de 21 de dezembro, três cursos: o

preliminar, com um ano de duração, destinado às matérias preparatórias; o regular, com três anos, com ênfase nos trabalhos de campo e de laboratório; o especial, com um ano e facultativo aos alunos que desejassem se aprofundar em alguma matéria específica. Cf. Nadai, Ideologia do progresso...p. 131.

100 “These IV” Primeiro Congresso de Ensino Agrícola, 1911, São Paulo, p. 139, Apud: Perecin, Os Passos do

projetos pessoais que refletiam esses aspectos de sua formação e de outros colegas como Lourenço Filho e Sud Mennucci.

No nosso entendimento essas propostas do setor agrícola, consubstanciadas na IV Tese, promoviam uma valorização da Escola Prática elevando-a ao nível superior, justificando os investimentos do estado perrepista feitos até aquele momento. Mas, o congresso se encerraria “sem se pronunciar quanto a elevação da ‘Luiz de Queiroz’” à escola superior de imediato.101 Isso deveria ser feito gradualmente. Não ocorrendo essa passagem havia a necessidade de promover o instituto de Piracicaba de outra maneira. Enquanto o curso não era transformado em superior outros mecanismos deveriam ser acionados para que o número de alunos, sempre reduzidos, conforme é possível constatar pelos quadros elaborados no trabalho de Perecin102, fosse expandido assegurando o sucesso da instituição.

Reiteramos que uma das nossas hipóteses de trabalho é que a mentalidade de Thales de Andrade deve ter sido influenciada de maneira marcante por esses debates. Alia-se a isso a sua condição de aluno complementarista nesse período de renovação do currículo, conforme vimos acima, e a sua vivência de piracicabano afetado pela situação da escola de agricultura local: entendemos, assim, que o aparecimento de sua produção literária, em especial do Saudade, estava diretamente relacionada a esse contexto. Da mesma maneira, entendemos que isso também pode ter ocorrido mais amplamente na formação da mentalidade daquela geração contribuindo para as escolhas dos caminhos trilhados por alguns deles e que possibilitaram que se tornassem professores e escritores interessados no debate do ensino rural.

A seguir examinaremos com mais vagar Thales como estudante numa trajetória, segundo a qual ele já experimenta os seus primeiros ensaios em uma perspectiva de autor; ao mesmo tempo acompanhamos a interação dessas figuras no contexto piracicabano.

Benzer Belgeler