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Gençlikte Tütün Bağımlılığı ve Tedavisi

Segundo Spinoza, “Se os homens nascessem livres, não formariam, enquanto fossem livres, qualquer conceito de bem e mal enquanto fossem livres.” (E4P68). Após o problema dos afetos na Parte III da Ética, Spinoza, na Parte IV, expõe, além do problema da servidão e da força dos afetos como intitulado, o problema moral do bem e do mal enquanto valores morais absolutos e transcendentes. Já de início, no prefácio, Spinoza nos diz que, muitas vezes, os homens são conscientes de suas ações e de seus apetites (sentem que agem), no entanto, não sabem as causas que os determinam a apetecerem.

Bem e mal, como veremos, são coisas que em si não representam nada. São noções ou modos de pensar que os homens formam para fazer comparações entre as coisas, pois como o próprio Spinoza exemplifica: uma só e mesma coisa pode ser boa, má ou até mesmo indiferente. Por exemplo, a música pode ser boa para o melancólico, má para o aflito e indiferente para o surdo (E4Pref). Nas definições, diz Spinoza, “Por bem entenderei aquilo que sabemos certamente nos ser útil.” (E4Def1), do contrario, “Por mal, porém, aquilo que

sabemos certamente impedir que sejamos possuidores de um bem” (E4Def2). O que podemos

verificar nessas definições é que Spinoza não universaliza o bem, mas o põe no campo da utilidade77 dos indivíduos, de modo que o bem e o mal78 se tornam relativos.

Por conseguinte, o filósofo holandês nos diz que bem e mal na medida em que

estamos conscientes deles é um afeto de alegria ou de tristeza, e que tais afetos podem estimular ou refrear a nossa potência de agir. De maneira que, quando percebemos que uma coisa nos é útil e essa determinada coisa nos afeta de alegria ou de tristeza, assim dizemos que tal coisa é boa ou má. Portanto, podemos dizer que bem e mal é o conhecimento de um afeto de alegria ou de tristeza ligado a uma ideia de alegria ou de tristeza. Neste sentido, a ideia de bem e de mal está unida ao afeto da mesma maneira que a mente esta unida ao corpo. Como vimos (capítulo 1), na filosofia de Spinoza, o corpo e a mente não estão separados se constitui o homem, mas são distintos se entendemos como dois modos finitos diferentes de diferentes atributos (extensão e pensamento). Sendo assim, essa ideia de alegria e de tristeza não se distingue, como o próprio Spinoza ressalta, da ideia da afecção do corpo humano, senão conceitualmente.

77 Como bem colocou Antônio Negri (1993), não se trata de um utilitarismo no sentido moderno: “Confundir

esta determinação ontológica com a moral do utilitarismo é, no mínimo, míope [...]” (NEGRI, 1993, p. 206).

78 As noções de bem e mal, assim como, de perfeição e de imperfeição, não passam de modos de pensar do

homem. Tais noções são um “modelo construído da realidade humana, a fim de normar as condutas dos indivíduos tomados em consideração, não seu ser ou sua essência. [...] O modelo assim colocado de maneira refletida é uma figura idealizada da natureza humana.” (RIZK, 2006, p. 190).

Spinoza nos fala de um conhecimento verdadeiro do bem e do mal, tal como já

vimos, no entanto, mesmo que tenhamos um conhecimento verdadeiro do bem e do mal ou consciência de tal afeto de alegria ou de tristeza que se sucede em nós, não poderemos refreá- lo (E4P14), isto é, não enquanto conhecimento verdadeiro, mas sim como um afeto. Esse conhecimento verdadeiro do bem e do mal enquanto afeto tem a mesma força desse afeto. A mente esforça-se tanto quanto pode nessas ideias independentes de elas serem adequadas (verdadeiras) ou inadequadas (falsas) e essa conservação tem um tempo ilimitado. A mente por meio das afecções do corpo tem a sua consciência. Para Spinoza, a vontade (voluntas), como vimos (3.1.2. O conatus do corpo e da mente), é o esforço quando referido apenas à mente, no entanto, esse esforço referido à mente e ao corpo é o apetite (appetitus), e são esses os dois elementos que constituiem a essência do homem.

Neste sentido, como vimos acima, o Desejo (cupiditas) é o mesmo que o esforço ou a

essência do homem e, sob a perspectiva do problema do bem e do mal, diz Spinoza, “não é

por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos ser boa.” (E3P9S). Nas Ep79, que

Spinoza trocou em vida, podemos fazer referência àquelas analisadas por Deleuze (2002).80 Nesta sequência de cartas, o tema principal é o mal, e assim temos como correspondente o pastor Willem van Blyenbergh (1632-1696) que irá indagar Spinoza a respeito dessa questão. Por conseguinte, a questão do bem e do mal foi tratada conforme a relação de composição e

de decomposição, bem como com as leis dos encontros (occursus). “Todos os fenômenos que

agrupamos sob a categoria do mal, doenças, morte, são deste tipo: mau encontro, indigestão, envenenamento, intoxicação, decomposição de relação.” (DELEUZE, 2002, p. 28). Além disso, Deleuze (2002) deu o exemplo do veneno que decompôs o sangue “[...] isto é [que], determinou as partes do sangue a entrar sob outras relações que caracterizam outros corpos (não é mais sangue).” (DELEUZE, 2002, p. 40).

O encontro (occursus) com um corpo que convém com nossa natureza, pois a compõe, são de paixões que nos afetam como alegria (aumenta a potência), mas o encontro com um corpo que não convém com nossa natureza ,são paixões que nos afetam como tristeza (diminui a potência). Ao invés do Bem e do Mal, temos o bom e o mau como relativos

79 Trata-se de um conjunto de oito cartas (Ep18-24 e 27) de dezembro de 1664 a junho de 1665 entre Spinoza e

Blyenbergh, que ficaram conhecidas como “as cartas do mal”. Cf. SPINOZA, Benedictus de. Obra Completa II: Correspondência Completa e Vida. Tradução de J. Guinsburg, Newton Cunha e Roberto Romano. São Paulo: Perspectiva, 2014.

expressando o útil e o nocivo.81 Daí o porquê o bom ser o forte e do mau ser o fraco, o que está resignado e contentado. Para Spinoza, a questão não é julgar com valores absolutos de bem e de mal, mas perceber a diferença dos modos de existência que é o bom e o mau. Segundo Deleuze (2002, p. 31), “A lei é sempre a instância transcendente que determina a oposição dos valores Bem/ Mal, mas o conhecimento é sempre a potência imanente que

determina a diferença qualitativa dos modos de existência bom/ mau.” (DELEUZE, 2002, p.

31).

No entanto, Blyenbergh lança a seguinte questão: trata-se de vício e de virtude no que se refere às relações de composição e de decomposição. Mas, Spinoza responde dando como exemplo o matricídio de Nero e de Orestes (Ep23). Os dois mataram suas mães, a ação foi à mesma, mas quais dos dois agiram de forma correta? O ato de matar uma pessoa em si não é válida por si mesma se foi algo justo ou injusto, bom ou ruim. No entanto, Spinoza ressalta que Nero ao matar sua mãe ele o fez de modo ingrato, impiedoso, insubmisso. Sendo assim, ele difere de Orestes que fez por vingança por que sua mãe matou seu pai Agamenon. Segundo Spinoza, o ato posto por Orestes, por exemplo, de levantar seu punho e encerrar com toda a sua força pode ser associada às varias imagens de coisas, pois uma ação considerada em si não é nem boa nem má. (E4P59D). O que irá determinar uma ação boa ou má será sua imagem na qual está associada a tal ação, no caso, um afeto alegre ou triste. Esta imagem pode ser tanto confusa como também clara e distinta. Em suma, podemos dizer que a ação que nos possibilita uma composição poderá ser chamada de boa e de má ou ruim, uma ação de decomposição.