Eğitim Konuları
3. Cinsel Yolla Bulaşan Hastalıklar Ve Korunma 4 Meme Kanseri Ve Kendi Kendine Meme Muayenes
5.2. Gençlere Verilen Üreme Sağlığı Eğitiminin Gençlerin Davranışına Etkis
Como demonstrado no primeiro capítulo, os primeiros estudos de base sociológica são escritos pelas mãos de uma elite intelectualizada, formada, mormente, por engenheiros, médicos e advogados, cuja premissa é formar uma nação, pelas vias estatais. São pensadores em sua maioria de cunho conservador, pois não legitimam ou reconhecem no povo qualquer capacidade de construção nacional.
Com a institucionalização das Ciências Sociais e da chamada sociologia
universitária, os trabalhos sociológicos ganham musculatura do ponto de vista
metodológico e empírico, sendo de fundamental importância a chegada de professores estrangeiros, trazendo um verniz científico às pesquisas.
Não é de se estranhar que Florestan Fernandes punha em xeque as obras de cunho “pré-sociológico”, pois ali não existia o rigor científico almejado pelos padrões de pesquisa e excelência gerados na universidade, sem falar no tom de neutralidade buscado, o que possibilitava uma carreira acadêmica livre das amarras políticas.
No entanto, apesar desse suposto distanciamento político, a universidade e, mais ainda, a Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo foi cercada pelas questões políticas da época, seja internamente, nas disputas de cadeiras e espaços políticos, seja pelas questões de caráter nacional, que ora eram favoráveis, ora contrários ao prosseguimento das pesquisas.
De qualquer modo, Florestan é precursor de uma escola, a Escola Paulista de Sociologia, cujo mote era realizar trabalhos, de modo organizado e com temáticas comuns, que dessem conta da mudança social, ou seja, das possibilidades e obstáculos para a passagem de uma sociedade tradicional para um nova ordem competitiva, nos moldes capitalistas.
Com criação do CESIT em 1961 foi possível reunir um grupo de pesquisadores para estudar os agentes sociais da mudança, como os empresários, o Estado, o proletariado, e cabe a Cardoso o primeiro grupo, os empresários brasileiros. Aproveitando um survey realizado desde os anos anteriores, escreve Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico no
ruptura com um padrão sociológico não apenas por incorporar um olhar dialético sobre a realidade, mas por apontar questões esclarecedoras sobre a mentalidade do empresariado industrial brasileiro além de antecipar pontos importantes sobre sua visão particular da teoria da dependência, que é o desenvolvimento dependente e associado.
Francisco Weffort resume a trajetória intelectual de Cardoso dessa forma:
Fernando Henrique tem muito do intelectual que tem que falar com a linguagem que apreendeu de outros, com uma linguagem herdada, a qual contudo considera insatisfatoriamente para aquilo que a sua sensibilidade é capaz de perceber. E isso que significam estas "identidades difíceis", este processo de complexificação das identidades. As classes, de que nos falaram os clássicos do marxismo, continuam existindo mas são diferentes. Se a chamada burguesia nacional não tem projeto nacional, notemos que nesse mesmo período a teoria da classe-sujeito simplesmente some do horizonte. O desenvolvimento capitalista nacional, isto é, autônomo e auto-sustentado, toma-se idéia do passado. A internacionalização do mercado interno, recém-descoberta em meados dos anos 60, caminhou tão rapidamente nos últimos 30 anos, que há de espantar até mesmo ao seu formulador original. (1995, p.19).
O edifício teórico construído pelo menos desde os anos 1930, dando ênfase ao papel da burguesia industrial como um grupo responsável pela modernização brasileira acaba caindo por terra com Empresário Industrial (1964). Ao partir para uma análise detida sobre o comportamento e a mentalidade desse grupo no contexto brasileiro, considerando uma estrutura social particular, Cardoso aponta uma disfunção, ou seja, demonstra que em vez de caminhar para uma modernização que vise uma autonomia nacional, por meio de um projeto de hegemonia política, o empresariado preferia manter- se sobre as asas do Estado e da aventura, apresentando dificuldades em reconhecer-se como classe.
Dessa forma, a ideologia nacional burguesa também encontra sua derrocada, já que a associação entre o capital nacional e estrangeiro mostra-se inexorável. Para usar as palavras de Cardoso, no cenário brasileiro até os 1960 a questão do nacionalismo era emblemática (campanha da Petrobrás, empresas estatais) e o eixo orientador do debate crítico pautava-se pelo nacionalismo desenvolvimentista apregoado pelo ISEB e pelo Partido Comunista (PCB).
Não obstante, a entrada em cena da burguesia nacional jogando com o imperialismo muda o eixo. Sem dúvida o fracasso não está na formulações isebianas, que analisou o burguês industrial à luz do padrão clássico, mas no decorrer do processo histórico. No apogeu do ISEB, essa asssociação entre classes não se apresentava de uma forma tão nítida quando nos anos 1960 e 1970. Portanto em Empresário Industrial (1964), escrito desde 1962, o contexto histórico e político era distinto. A renúncia de Jango gerou uma luta entre classes, e a partir do arsenal teórico recolhido dentro do Seminário do Capital, Cardoso pôde entender uma complexa dinâmica entre as relações de classe, tanto no plano interno quanto externo.
Dependência e Desenvolvimento na América Latina (1970), escrita em
parceria com o sociólogo chileno Enzo Faletto, é sem dúvida, a obra que do ponto de vista teórico dá o tom para a Teoria da Dependência associada, por tratar-se de uma análise ampla sobre os principais pilares que sustem a situação de dependência no contexto latino americano. Contudo em Empresário Industrial é possível enxergar questões que serão reelaboradas no livro supracitado.
Se os trabalhos de Prebisch na CEPAL demonstravam um modo perverso de inserção da América Latina na economia mundial, Cardoso demonstrará as injunções sociais e políticas no plano interno, ou seja, sem desconsiderar a influência que as Nações desenvolvidas exercem sobre a América Latina, seria preciso explicar melhor as características que assume o capitalismo na periferia.
Dessa forma foi possível discutir os principais aspectos de uma incipiente mundialização (ou globalização) a partir das especificidades e possibilidades das periferias.
Por meio de uma análise das relações e papeis das classes sociais no Brasil e na América Latina, Cardoso pôde constatar que não havia uma oposição entre o capital externo e interno, pelo contrário. Estava em marcha uma pactuação, conexões que passaram despercebidas pelas análises anteriores, e aqui é um ponto de suma importância.
E ao contrário das premissas furtadianas, o quadro de submissão ou associação entre o capital nacional e estrangeiro não seria, a priori, motivo
para inviabilizar o desenvolvimento capitalista no Brasil e em outras partes das América Latina.
De todo modo, em Empresário Industrial (1964) há uma base metodológica que orientará os estudos sobre a dependência: a relação entre história (do ponto de vista da dinâmica, do futuro e das possibilidades abertas) e estrutura social; a crítica aos modelos etapistas e funcionalistas; o uso da dialética marxiana não como uma teoria universal, mas com tinturas locais e aplicadas à realidade periféricas e finalmente uma análise das relações, tensões e conflitos entre classes e Instituições, no caso entre as elites empresariais e o operariado, bem como com o Estado.
Ainda que enfocando apenas um autor, Fernando Henrique Cardoso, e uma de suas obras, Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico no
Brasil (1964), espero ter contribuído, ainda que minimamente, para o debate
acerca de um período vultoso na produção sociológica brasileira, e mais ainda, latino-americana, marcada pela tentativa de entender suas especificidades com relação aos países de capitalismo originário e buscando alternativas ou chamando atenção para as possibilidades de inserção da periferia num capitalismo de ordem global.