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3.3. Türkiye’de Sinemanın Gelişimi

3.3.5. Genç Sinemacılar Dönemi (1970-1980)

O ex-prefeito nomeado de Uruguaiana, Ten. Cel. Antônio Augusto Brasil Carus, natural de Alegrete, hoje reformado, fez carreira no Exército, onde sua formação técnica em administração admitiu a atuação como instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Posteriormente foi ajudante de ordens do comandante da divisão blindada no estado do Rio de Janeiro e do Comando do Estado Maior do 3º Exército no estado do Pará, assistente secretário do Ministro-Chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), Carlos Alberto da Fontoura no Palácio do Planalto – anexo aos gabinetes militar e civil, durante o governo Médici e respectivamente administrados por João Batista Figueiredo e João Leitão de Abreu.

Brasil Carus, como secretário do ministro do SNI foi responsável por “preparar os despachos do ministro Fontoura, da documentação que chegava, a correspondência, saia com ordem para fazer expedição e também preparava a pasta que Fontoura levava para despacho com o presidente”. Tal encontro ocorria todos os dias às 9 horas da manhã, onde se reuniam os chefes dos gabinetes militar, gabinete civil e o ministro-chefe do SNI. “Ali eu tomava conhecimento de tudo que ocorria. Aquilo me deu uma noção muito ampla da política nacional, regional e local. Fez até eu pegar gosto por aquilo, sabe?”. Acompanhava o dia a dia dos ministérios, os problemas e as sequências das trocas de ministros. Segue seu depoimento sobre os bastidores da renuncia de León Peres, governador do Paraná:

“[...]E aí, um dia chega lá um empresário da área de construção CR Almeida, Cecílio do Rego Almeida, eu ainda consigo me lembrar de alguns nomes. O Cecílio chegou e queria falar com o ministro-chefe do SNI, para fazer uma grave denúncia. Ele era empreiteiro, um dos maiores empreiteiros do Paraná. Aí falei para o meu chefe e ele disse: “ouça ele aí e tal”. Recebi o camarada e ele começou a me contar. E ele me disse: “estou fazendo, mas tenho que sempre repassar 10% para o governador. Mas como o senhor faz uma acusação...ele disse: “É só fazerem uma operação lá que vão constatar que é verdade, toda verba que eu receber eu tenho que

repassar 10% pra ele”. Como é que faz isso? “Ah, ele tem uma lavanderia que é propriedade do irmão dele, e a gente vai com uma sacola como se fosse com roupa para lavar, e largava lá dentro, ficava o dinheiro lá, estava liquidado. Tá, anotei tudo que ele disse, e o senhor aguarde que nos vamos...Meu chefe já chamou o setor de operações e determinou operação pra averiguar. “ (Carus, 2012) – Uruguaiana

Durante o processo de tomada do poder em 1964, Carus era capitão do Exército em Uruguaiana e foi um dos responsáveis pelo processo de deposição do prefeito Izabelino Abad179. As relações produzidas no campo militar promoveram sua aproximação ao presidente da República, João Figueiredo. A indicação como prefeito nomeado de Uruguaiana, ocorreu após sua passagem pelo gabinete do ministro do SNI e surgiu em função de desavenças no interior da elite política local. Seu nome foi apontado como alternativa:

Na minha época aqui havia uma briga interna no governo da Arena em Uruguaiana. O prefeito que estava aqui nomeado, estava doente em Porto Alegre, havia necessidade de ser substituído. Aí, diante desta disputa muito grande, pessoas de nome em Uruguaiana, pessoas reconhecidamente e importantes na cidade. Eu fui chamado a Porto Alegre pelo governo do estado.

Entrevistador: Oscar Miranda Schmidt.

Antônio Augusto Brasil Carus: Schmidt. Oscar Miranda Schmidt. Bom, daí o Ulrich foi inclusive chamado a Porto Alegre junto com outras lideranças políticas que estavam questionando a indicação do nome. E eu fui chamado, fiquei na sala de espera do governador, vi entrar todo aquele pessoal de Uruguaiana, perguntei para a secretária o que estava acontecendo... “é uma reunião que está havendo aí com o governador”. Eu não participei da reunião. Depois que terminou eu entrei. Aí o governador me apresentou como o escolhido para ser nomeado, e até fez uma introdução em que ele ressaltou que hoje aqui, naquela época, né... “hoje nós temos que seguir certas determinações, orientações do governo federal, porque o poder central é muito fortalecido e está em Brasília. E no caso dos prefeitos nomeados quase sempre passam pelo crivo do presidente do República. E nesse caso, nem eu estou submetendo, veio de lá, que o nome escolhido é esse.

Diante de algumas circunstâncias que não convém aqui analisar, disse ele. Eu fiquei surpreendido, vim para cá, houve aquele episódio que eu contei da minha ascendência pelo Exército que o ministro, Coronel Silvio Frota não estava querendo, houve interferência então da presidência da República. Eu assumi. Era a primeira vez que eu exercia um cargo público civil.

(Entrevistado 34 – Uruguaiana)

Sobre a interferência de Sérgio Frota, no veto a indicação de Carus para o cargo de prefeito, cabe destacar algumas passagens. A primeira foi em outubro de 1965 quando fez o transporte do General José Horácio da Cunha Garcia, em visita a todas as unidades militares “para destituir um movimento golpista” organizado para evitar a posse do governador eleito da Guanabara, Negrão Lima – mesmo abaixo de toda a repressão estatal venceu com ampla

179 Vereador (PTB) 1955, 1959 e Prefeito eleito (PTB) 1963; foi cassado em 4 de abril de 1964; Sua vida política é retomada

quando é candidato a Vereador (PDT) 1982 com 430 votos; Suplente (PDT) 1988, com 374 votos; isso apenas demonstra o impacto do regime na carreira política, e o potencial destes indivíduos, com a abertura, reativar a carreira.

margem de votos, um dos motivos que o levou a decretação do AI-2 e a candidatura a presidência do general Costa e Silva180.

Após algum tempo, Carus arregimenta no quartel de Uruguaiana e no ano de 1973 foi indicado para assumir a prefeitura, o regulamento militar exigia, para o exercício de cargo eletivo, uma liberação do Exército. “O governador do estado encaminhou, o ministro da guerra negou. Era o Silvio Frota. Se lembrava bem de mim. Sabia que eu era da confiança do general José Horácio”, este era responsável por repelir parte do movimento que queria evitar a posse de Negrão Lima.

Para desembaraçar a situação, ele relata: “Liguei para o General Figueiredo que na época era chefe do SNI, do governo Geisel. Houve lá então uma determinação para que eu fosse cedido”. Com isso assumiu o seu primeiro mandato como prefeito nomeado.

Figura 7 – Posse do Cel. Antônio Augusto Brasil Carus como prefeito nomeado de Uruguaiana, ocorrido no gabinete do governador Sinval Guazelli (1976)

Fonte: Acervo pessoal de Brasil Carus

No governo de Amaral de Souza se licenciou para exercer a posição de secretário estadual dos transportes em 1979, onde permaneceu menos de um ano. Ao desistir do cargo reassumiu a chefia do executivo de Uruguaiana. Sobre Carus, o governador Jair Soares comenta que “era um homem que tinha uma ficha muito boa dentro da área que ele atuava, no Exército, era de um grupo que, numa escala menor, hierarquicamente falando, do presidente João Figueiredo”. O retorno como prefeito nomeado, seria decorrência de sua vivência e de uma relação mais íntima desenvolvida com o presidente João Baptista:

[...] Quanto assume o Amaral de Souza para governador do estado, ele me convida para secretário de estado dos transportes e eu assumi em março de 1979. [...] com um ano e pouco eu não estava gostando de trabalhar muito com o Amaral. Nada pessoal. Era com o grupo que cercava ele. Políticos. Pedi exoneração e tinha ficado um interino aqui [Uruguaiana] e de novo me nomearam prefeito. Aí eu fiquei quatro. Foram os meus últimos quatro anos.

Entrevistador: Por recomendação direta do governador?

Antônio Augusto Brasil Carus: Não. Por recomendação de cima. [Risos]. Foi porque, eu me lembro bem. Teve uma visita do presidente Figueiredo à Jaguarão e eu estava lá como secretário dos transportes e o Amaral também. Lá pelas tantas, o Figueiredo foi para o vestiário trocar de roupa, ele ganhou de presente um cavalo crioulo e ia montar, foi colocar umas botas. Daí entrou, e alguém me chamou que ele queira falar comigo. Entrei, só nós dois no vestiário da Associação Rural. Figueiredo: “tu não está se sentindo bem, não é?

Carus: “Não”.

Figueiredo: “está se sentindo desconfortável? “ Carus: “Tô sim”.

Figueiredo: “Então, porque tu não pedes”.

Carus: “É que eu não queria pedir, vai ficar chato”.

Figueiredo: “Não, não. Vai e volta para Uruguaiana, vai lá que está precisando tu voltar, tem umas coisas que eu não estou gostando também”.

Existia um problema aqui [Uruguaiana, local da entrevista] que eu não gosto de comentar. Aí, saí. Peguei o carro fui a Porto Alegre e nem fiquei para o restante da solenidade, fiz os documentos e pedi exoneração. O Amaral lamentou muito aquela história.

(Carus, 2012) - Uruguaiana

Washington Bandeira, nascido em 21 de dezembro de 1917 na cidade paraibana de Guarabira181, era filho de Pedro Bandeira Cavalcanti, que por muitos anos exerceu a função juiz no município de Guarabira, assumiu a posição de desembargador e por duas vezes de vice-presidente do estado da Paraíba. Entre seus irmãos está Ademar, médico militar e ginecologista do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro; Ernani, advogado e funcionário do Banco do Brasil no Rio de Janeiro e; Antônio Bandeira, general reformado no ano de 1944, integrou um grupo que recebeu instrução na Escola de Infantaria de Fort Benning (USA) com a intenção de estruturar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), serviu como Comandante da Zona Militar Norte, atuou no Comando do Planalto em Brasília e em 1972 comandou as tropas do Exército que combateram o movimento de guerrilha desencadeado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na região do Araguaia, sul do Pará, no ano de 1973 foi nomeado diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF) pelo presidente Emílio Médici e transferido, um ano depois, para comandar a 4ª Regimento Mecanizado, sediado em Juiz de Fora (MG) e em 1979 assimiu o comando do III Exército, em Porto Alegre, um ano mais tarde foi reformado por completar 12 anos no generalato182.

181 (Lemieszek, 2003, p. 106)

182 Consultar o verbete: Antônio Bandeira <http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete- biografico/bandeira-antonio>

Washington Bandeira, assim como alguns de seus irmãos, buscou a carreira no Exército, iniciou seus estudos no Colégio Militar do Ceará e posteriormente ingressou na Escola Militar do Realengo, onde foi contemporâneo do futuro presidente Médici e posteriormente, na Escola para Aperfeiçoamento de Oficiais e Comunicações do Exército. Na vida privada foi casado com Julieta Silveira Bandeira, descendente de tradicional família bajeense. Ao seu currículo, somam-se as atividades de pecuarista e de presidente em diversos clubes sociais em Bagé: Comercial, Cantegil, Rotary e do Bagé Tênis Clube.

Durante o golpe de 1964 participou dos eventos em Bagé e posteriormente foi recompensado com o comando da Prefeitura municipal, cargo que exerceu entre 1969 e 1971, quando foi nomeado diretamente por Médici – convite realizado em um evento de eletrificação rural, algum tempo antes do anúncio de sua indicação. Não há mais registros sobre a articulação para a indicação de Washington, segundo Lemieszek o nome mais cotado era de Nilo Romero e Carlos Mario Mércio Silveira, este membro de uma tradicional linhagem de políticos na cidade, ainda sendo considerada a recondução José Wilson Barcelos, fato que náo se concretizou (2003, p. 105).

Conclusões Parciais

A discussão do Capítulo IV identificou que o recrutamento direto e a nomeação de prefeitos promovida pelos governadores e presidentes da República, dependeram de uma combinação de fatores. Ao juntar algumas destas peças, mensuradas pela quantidade de recursos sociais, os itinerários percorridos pelos nomeados e o capital social vinculado aos prefeitos, associada a uma descrição de como os seletores e recrutados se comportavam no campo, foi possível conceber como os mecanismos do recrutamento aturam na formação e na preservação da elite de nomeados.

As nomeações diretas e a recondução ao cargo de prefeito, se articulavam em torno do capital social, o qual apresentou variação no que se refere ao peso, ambiente de produção e forma de acumulação. Alguns casos revelaram que liames privativos foram colocados à disposição de outros indivíduos, um tipo de transação onde o portador acumula, amplia e aprofunda suas relações no campo político, enquanto o indivíduo que recebe o capital terá sua inserção na rede sob um custo variável. A forma de inserção na rede também pode variar, de capital social delegado, neste caso transferido integralmente a um novo portador (Ribeiro, 2012), como observado entre os membros de famílias políticas, ou sob a forma de capital social outorgado, onde as redes de um terceiro são utilizadas para obter recursos (políticos ou

financeiros), que seriam convertidos para o benefício comunitário, através de obras e serviços públicos, o que beneficiariam o portador.

A origem social dos prefeitos nomeados – alguns dotados de recursos simbólicos derivados da origem familiar, tempo de estudo e experiências em cargos de direção, políticos e na administração pública – apresentaram um perfil social elitizado, levando a crer sobre a existência de uma homologia, em que a posse do capital cultural e social seriam uma das fontes de monopólio do acesso aos postos de elite (Bourdieu, 2004a, p. 164). Os portadores deste perfil acessaram mais facilmente a nomeação, detinham um amplo capital social, identificado pelas conexões estabelecidos com integrantes da cúpula de governos (estadual e federal), sendo a peça-chave para a montagem do puzzle, o qual definiria a nomeação e a manutenção de prefeitos, promovido pelos governadores e presidentes da República.

O perfil considerado pelos governadores, valorizava a experiência decorrente da ocupação de posições em sindicatos, clubes recreativos, de futebol e de serviços, a exemplo do Rotary e Lions, os quais permitiram o desenvolvimento de uma reputação, ampliaram as conexões. O que permitiu serem reconhecidos pelos seletores locais e especialmente pelos governadores, como potencialidades para o agir político.

5 AVENIDAS DA TRANSIÇÃO: A ELITE NOMEADA E CARREIRA POLÍTICA NA