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BÖLÜM 3 : ÜMMİ KEMAL KARYESİ’NİN EKONOMİK YAPISI

3.3. Gelirlerin Kaynaklar İtibari İle Dağılımı

O aparecimento da literatura infantil no mundo ocidental está ligado à ascensão da burguesia e à emergência de um novo sujeito histórico dentro do contexto da família nuclear – a criança. A partir do século XVIII, a sociedade burguesa caminhou para a consolidação de um sentimento de infância (ARIÈS, 1981). A preocupação com a criança, não mais vista como um adulto em miniatura, mas um ser com características próprias, fez surgir também a necessidade de se produzirem livros para esse segmento da população.

Embora as primeiras obras publicadas para o público infantil já existissem na Europa desde meados do séc. XVII (Fábulas, de La Fontaine, editadas entre os anos de 1668 e 1694, e os Contos da Mamãe Gansa, de Charles Perrault, de 1697), a literatura infantil brasileira só surge no início do século XX, com o advento da República e de uma preocupação marcante de modernizar o País, em meio a um passado escravocrata e à exclusão de amplos segmentos da sociedade que não tinham acesso à cultura escrita.

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Cecília Meireles (1901-1964) menciona que esse tipo de literatura infantil de “instrução amena” já era conhecido na Europa desde a segunda metade do séc. XIX, quando o escritor Jean Macé publicou o livro

História de um bocadinho de pão (1861). A partir de cartas endereçadas a uma menina, o escritor conseguiu

explicar os órgãos e funções do corpo humano. Usava a literatura para ensinar História Natural, como então se dizia na época. O livro fez muito sucesso e foi traduzido para a língua portuguesa, chegando inclusive ao Brasil (MEIRELES, 1984). Segundo Tambara, o livro teve a seguinte tradução: MACE, João. História de um

bocadinho de pão – cartas a uma menina acerca da vida do homem e dos animais. Obra adotada pela Inspetoria

É bem verdade que já circulavam no Brasil, desde a instalação da Impressão Régia (1808), alguns livros infanto-juvenis traduzidos de autores estrangeiros (ZILBERMAN, 1997). É o caso das obras Contos seletos das mil e uma noites, As aventuras do celebérrimo Barão de Münchhausen, Robinson Crusoé e As viagens de Gulliver (todas elas traduzidas por Carlos Jansen24). Para meninas, a leitura recomendada eram os livros da Condessa de Ségur, entre os quais podemos citar Os desastres de Sofia e As meninas exemplares. Mesmo assim, a circulação desses livros infanto-juvenis, na sua maioria em edições portuguesas, era bastante precária, irregular e restrita a um grupo seleto de crianças dos setores mais abastados da sociedade brasileira.

O bibliófilo Rubens Borba de Moraes, ao estudar as publicações da Impressão Régia, apontou o livro Leitura para meninos (contendo huma collecção de historias moraes relativas aos defeitos ordinários às idades tenras, e hum dialogo sobre a Geografia, Chronologia, Historia de Portugal, e Historia Natural)25 como o primeiro livro infantil publicado em terras brasileiras:

A literatura infantil surge em 1818, com uma obra que fez sucesso, pois foi reimpressa em 1821, 1822 e 1824. É um ‘livro de leitura’, como se dizia antigamente: Leitura para meninos [...] A obra saiu anônima, mas é de José Saturnino da Costa Pereira, irmão de Hipólito da Costa. Entre muitas obras que deixou, encontram-se outras do mesmo gênero publicadas mais tarde. Foi o primeiro autor brasileiro de livros infantis (MORAES, 1993, p. 29).

Esse primeiro período da literatura infantil brasileira também foi “marcado pelo transplante de temas e textos europeus adaptados à linguagem brasileira” (LAJOLO; ZILBERMAN, 1986, p. 17). Exemplo disso foi a obra do escritor Figueiredo Pimentel, que compilou várias histórias infantis da cultura européia e publicou pela Livraria Quaresma os

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Carlos Jansen (1823-1889) nasceu na Alemanha, mas veio muito jovem para o Brasil e dedicou-se às atividades do jornalismo e do magistério. Nessa atividade, percebeu que no Brasil faltavam livros de histórias para os alunos e, então, passou a traduzir alguns clássicos da literatura infantil ocidental. Segundo Zilberman, Carlos Jansen, Figueiredo Pimentel e Olavo Bilac são os precursores da literatura infantil brasileira (ZILBERMAN, 2005).

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Por veicular conteúdos de diferentes disciplinas (Geografia, Cronologia, História Natural e História de Portugal), além de preceitos morais, considero que esse seja o primeiro livro de leitura publicado no Brasil. Essa modalidade de livro – o de leitura – vai ser seguida por autores como Abílio César Borges (1824-1891) – o “Barão de Macaúbas”, Felisberto de Carvalho (1850-1898), entre outros, sendo bastante difundido nas escolas brasileiras até a década de 1960.

seguintes livros: Contos da carochinha, Histórias da avozinha, Contos de fadas e Histórias da baratinha.

Em meio à tradução de clássicos para a leitura da infância brasileira, surgem críticas de educadores e intelectuais preocupados com a importância do hábito de leitura desde a mais tenra idade para a formação do cidadão, “formação que, a curto, médio e longo prazo, era o papel que se esperava do sistema escolar que, então, se pretendia implantar e expandir.” (LAJOLO; ZILBERMAN, 2002, p. 28).

Nesse contexto, a escola era vista como importante instituição na consecução de tal tarefa – a formação não mais do súdito do Império, mas de um novo cidadão comprometido com o ideário republicano. Assim, no Brasil, a literatura infantil dependeu do processo de escolarização da criança, o que a colocou em uma posição complementar em relação à educação. Isso justifica, de certo modo, a existência de livros infantis que circularam tanto fora como dentro do espaço escolar. Segundo Lajolo e Zilberman (1986, p. 19), “a escola é fundamental enquanto destinatária prevista para estes livros, que nela circulam como leitura subsidiária ou como prêmio para os melhores alunos.”

Seguindo a tradição francesa (GLENISSON, 1995), naquela época algumas escolas brasileiras distribuíam livros de literatura infantil como prêmio aos melhores alunos que se destacavam no ano letivo escolar. Os livros-prêmio (livres de prix), como eram conhecidos, geralmente recebiam um tratamento editorial diferenciado quanto à sua materialidade (capa dura, letras douradas, tamanho maior etc.). Essa modalidade de livros teve bastante repercussão no mercado editorial francês (PRÉVOST, 1979).

Benzer Belgeler