GÖSTERGELERİN OLUŞTURULMASI
4.1. Gelir ve Yaşam Koşulları Veri Seti Kullanılarak Çok Boyutlu Yoksulluk Endeksi Hesaplaması
A recente literatura econômica da corrupção, iniciada pelo artigo seminal de Mauro (1995), mostra uma certa prevalência de que a corrupção representa um papel negativo sobre os investimentos e afeta indiretamente o crescimento econômico. Nesse sentido, Ugur e Dasgupta (2011), conduzindo uma meta-análise de achados empíricos de 72 pesquisas empíricas – entre elas Mauro (1995), Treisman (2000), Blackburn et al. (2008), Pellegrini e Gerlach (2004), Tanzi e Davoodi (1997), Dzhumashev (2009) e outras bem referenciadas na literatura sobre o assunto –, encontraram que corrupção tem um efeito negativo sobre o crescimento per capita do produto.
Os efeitos maléficos da corrupção no desenvolvimento econômico já vinham sendo teoricamente expostos pela abordagem rent-seeking (KRUEGER, 1974; TULLOCK, 1967), mas, de certa forma, confrontados com as posições de Leff (1964), Huntington (1968) e Lui, 1985, conhecidas como abordagem revisionista (ver KLITIGAARD, 1994), que identificavam na corrupção uma forma de reduzir os entraves burocráticos e as ineficiências do setor público em conduzir as ações necessárias à garantia de alguma eficiência das transações econômicas, inclusive quanto à realocação de recursos. A formulação de modelos econométricos cross- country, realizada por Mauro (1995), com base em medidas subjetivas de corrupção (pesquisas de percepção), foi peça chave para mostrar, empiricamente, o caráter adverso da corrupção nos investimentos e no desenvolvimento dos países e para refutar a base teórica das abordagens revisionistas.
Especificamente, seguem algumas considerações sobre as principais abordagens teóricas e empíricas que tratam dos efeitos econômicos da corrupção:
a) Teorias que abordam a corrupção como fator positivo ao desenvolvimento
Leff (1964), Huntington (1968) e Lui (1985) e outros argumentam que a corrupção é um passo necessário ao processo de desenvolvimento ou um meio de acelerá-lo, visto que ela pode reduzir as ineficiências burocráticas e as incertezas, permitindo a melhor alocação dos recursos. Especificamente, os efeitos positivos da corrupção sobre o desenvolvimento são:
o baixo grau de incertezas: os investidores subornam servidores públicos para que não haja descontinuidade do projeto, inclusive dos fluxos de pagamentos. Isto é, existe uma garantia de que as cláusulas do contrato serão honradas;
o aumento da eficiência: a corrupção funciona como um lubrificante (taxa de urgência), removendo a rigidez dos sistemas institucionais e os entraves burocráticos;
o segurança para o vencedor: o suborno, nas licitações, assegura à empresa vencedora que ela é a mais eficiente e capaz de executar a obra;
o suplementação de baixos salários: a corrupção complementa salários, por isso pode permitir ao governo manter uma baixa carga tributária, quando a relação entre folha e arrecadação for baixa. Isso permite também a manutenção de baixo déficit público.
Seguindo de certa forma essa linha de raciocínio sobre a corrupção como possível fator positivo de desenvolvimento econômico, Neeman et al (2003), Battier (2010) e Wedeman (1997) argumentam que se a corrupção for do tipo centralizada e a renda proveniente da corrupção for internalizada (ou seja, não houver fuga de capital e provocar algum tipo de realocação de recursos), a corrupção pode dar segurança às transações, reduzir as regulações excessivas, sendo essa sistemática a provável explicação para o fato de países conhecidamente corruptos – China, Coreia do Sul, Indonésia, Filipinas, entre outros – apresentarem elevadas taxas de crescimento econômico a partir da década de noventa.
Conforme já comentado acima, os resultados empíricos de Mauro (1995) e Treisman (2000) e outros refutam essas posições positivas da corrupção sobre o desenvolvimento. Além disso, Klitigaard (1994) apresenta argumentos plausíveis que também contrariam os pontos apresentados por essas abordagens teóricas, tais como:
o a rigidez e a burocracia provocam mais corrupção, além de generalizar o comportamento corrupto, tornando-a sistêmica;
o os pagadores de suborno nas licitações nem sempre são os mais eficientes;
o a atividade rent-seeking impõe altos custos ao crescimento, (KRUEGER, 1974);
o o pagamento da taxa de urgência (speed money) pode emperrar ainda mais a máquina burocrática e generalizar a cobrança das taxas;
o os salários baixos nas áreas de fiscalização e auditoria provocam queda de arrecadação e, nos outros setores, redução da eficiência do gasto público, aumentando ainda mais carga tributária ou direcionando a sua composição para impostos que prejudicam a eficiência da economia.
b) Teoria Rent-Seeking
Rent-seeking é uma teoria com fundamentação microeconômica desenvolvida inicialmente por Tullock (1967) e Krueger (1974). Considerando a existência de um conjunto de regras, originadas das preferências individuais dos consumidores e das decisões de produção dos monopolistas, a teoria preceitua que os agentes procuram obter o máximo de renda possível, dentro ou fora das regras da conduta econômica e social, absorvendo a parcela do excedente econômico envolvido na atividade econômica.
No entanto, nessa competição ocorre apenas uma transferência de renda na sociedade, nada adicionando à demanda agregada. Portanto, as energias gastas nessa busca de renda são improdutivas, do ponto de vista econômico. A melhor ilustração disso são as atividades lobistas (grupos de pressão) para fins de proteger setores e obter garantias institucionais.
Segundo Bhagwati (1982),17
os custos de procura de renda, em geral, não se restringem aos recursos utilizados na tentativa de obter a renda (custos das campanhas de lobby e do envolvimento de burocratas). Um dos maiores custos decorre da necessidade que os governos e os caçadores de renda têm de disfarçar o compartilhamento dessas rendas. Como exemplo, cita-se uma política que substitui subsídios diretos por um programa que concede empréstimos e outros benefícios a um determinado grupo de agentes econômicos. Além dos custos do lobby para manter a falta de transparência e a operacionalização desse programa,
17 O trabalho de Bhagwati (1982), considerado uma vertente da teoria rent-seeking, apresentou a definição de “procura de renda diretamente improdutiva” (directly unproductiveprofit-seeking – DUP), em que se relaciona aos rendimentos extraídos originados de uma política já existente ou a ser criada em decorrência de lobby.
existem aqueles decorrentes da geração de ineficiência produtiva desses agentes econômicos.
Tullock (1967), Menezes (2000), Silva (1999) enfatizam que a corrupção pode reduzir o crescimento econômico devido às atividades rent-seeking, tendo em vista o processo de realocação dos investimentos públicos, comandados pelos caçadores de renda, no qual não importa a eficiência, a eficácia e a efetividade do projeto, e sim a vulnerabilidade à transferência de renda. No geral, origina o chamado investimento improdutivo, visto que o comportamento rent-seeking ocorre quando há uso de recursos para gerar rendimentos sem a criação de qualquer tipo de produção.
Krueger (1974), numa tentativa de medir o rent-seeking, tendo a Índia e a Turquia como campo de estudo, encontrou que os rendimentos decorrentes de suborno de servidores, nas atividades de controle de câmbio e comércio internacional, situavam-se entre 7% e 15% do volume total de transações.
c) Modelos Econométricos
Mauro (1995), Tanzi (1998), Tanzi e Davoodi (1997), Silva et al. (2001), Blackburn et al. (2006), Dzhumashev (2009), entre outros autores, abordam que a corrupção prejudica a sociedade por meio dos seus efeitos sobre a redução dos investimentos, do nível do produto, da produtividade e da eficiência. A lógica econômica do efeito da corrupção sobre o investimento, canal de transmissão, dar- se-ia em virtude da repercussão sobre a taxa de retorno, visto que a corrupção atuaria como uma despesa que encareceria as inversões e, com isso, o custo de oportunidade exigido seria maior, retardando ou evitando a realização do investimento pela iniciativa privada.
Do ponto de vista do investimento público, a corrupção estaria relacionada à realocação de recursos para áreas ou objetos cujos retornos não ensejassem em ganhos produtivos para a economia (MAURO, 1998; TANZI; DAVOODI, 1997), tais como obras faraônicas. Esses efeitos negativos sobre o investimento seriam transmitidos para a dinâmica do crescimento econômico via acumulação de capital ou via produtividade de fatores de produção.
Mauro (1995), utilizando pressupostos teóricos do modelo neoclássico de crescimento e ferramentas econométricas (método dos mínimos quadrados
ordinários e de dois estágios, em vista da utilização de variáveis instrumentais), realizou a primeira análise empírica cross-country, que relacionou indicadores de honestidade burocrática e eficiência para identificar os canais pelos quais a corrupção e outros fatores institucionais afetam o crescimento econômico e para quantificar a magnitude desses efeitos. Mauro (1995) encontrou que o índice de corrupção é significativa e negativamente associado ao investimento e crescimento. Além disso, mesmo com a inclusão de variáveis de controle, tal como fracionamento étnico-linguístico, os efeitos sobre os investimentos são robustos, não o sendo, contudo, com relação ao crescimento. De acordo com os cálculos realizados, uma melhoria de um desvio padrão, que corresponde a 2,51%, está associada, no índice de corrupção, a um aumento de 2,9% na taxa de investimento privado.
Posteriormente, Mauro (1998) encontrou que a corrupção repercute sobre a alocação dos investimentos, sendo o setor educacional prejudicado, visto tratar-se de uma área na qual as práticas corruptas teriam menos sucesso.
Tanzi e Davoodi (1997), com base também em dados cross-country e análise de regressão, mostraram que a alta corrupção está associada a elevados investimentos públicos e baixa qualidade da infraestrutura pública. Treisman (1997), Lambsdoff (2003) e Kaufmann et al. (2003), Silva et al. (2001) acharam resultados semelhantes no que tange aos efeitos da corrupção sobre crescimento e investimento.
Blackburn et al. (2005), Dzhumashev (2009), Pellegrini e Gerlagh (2004), Martinez-Vasquez et al. (2009), Barro e Sala-I-Martin (2004) utilizaram variações dos modelos de equilíbrio geral para analisar as causas e os efeitos da corrupção sobre os agregados macroeconômicos (investimento e produto), principalmente quanto aos canais de transmissão da corrupção: efeitos diretos da corrupção via mudança no fator de produtividade total, ou indiretos, por meio de impacto na atividade econômica e de redução na demanda por investimento.
Blackburn et al. (2005), Dzhumashev (2009) encontraram efeitos diretos significantes da corrupção sobre o crescimento econômico. Barro e Sala-I-Martin (2004), Pellegrini e Gerlagh (2004), Martinez-Vasquez et al. (2009) não vislumbraram efeitos diretos significantes, embora Pellegrini e Gerlagh (2004), Martinez-Vasquez et al. (2009) tenham verificado efeitos indiretos significantes.
Silva et al. (2001) e Carraro et al. (2006), também com base em modelos neoclássicos, mediram para o Brasil os efeitos da corrupção sobre as variáveis
econômicas. Silva et al (2001) introduziram uma variável institucional (um índice de corrupção) na função de produção neoclássica, inicialmente em conjunto com o capital físico, depois sobre o capital efetivo humano e, por fim, sobre os dois fatores conjuntamente. Assim, testaram a influência da variável sobre o produto, obtendo efeitos diretos e significativos da corrupção via produtividade do capital. Além disso, mediram os impactos para o Brasil, os quais apontaram uma perda do País na renda per capita de US$ 2,840.81 em decorrência do seu nível de corrupção.
Carraro et al. (2006) usaram um modelo de equilíbrio geral computável com a inserção da corrupção como uma variável endógena do sistema (a corrupção entrou no modelo afetando a remuneração do capital, o que repercute sobre a produtividade do capital), para fins de examinar, por meio de simulações e calibragem, os efeitos da corrupção sobre a evolução no crescimento econômico de um país. Com base na matriz das contas nacionais e por calibragem, foram determinados os valores para a maioria dos parâmetros do modelo, e as estimativas para os outros parâmetros do modelo foram obtidas diretamente de outros trabalhos. O principal resultado para o Brasil foi que o nível de corrupção é equivalente a 11,30% do Produto Interno Bruto, considerando os dados de 1994. Essa participação da corrupção no PIB mantém-se estável até o ano de 1998, quando passou a ser equivalente a 11,36% do PIB.
Como se verifica, nas pesquisas empíricas há uma prevalência que a corrupção afeta o investimento e do produto, principalmente quando se enfoca a pesquisa de UGUR; DASGUPTA (2011), que, com base numa meta-análise de achados de 72 pesquisas empíricas, encontraram que corrupção tem um efeito negativo sobre o crescimento per capta do produto.