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3-GELİRLERİN YASAL DAYANAĞINI GÖSTERİR ( C ) CETVELİ

Belgede 2015 YILI PERFORMANS PROGRAMI (sayfa 100-105)

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3-GELİRLERİN YASAL DAYANAĞINI GÖSTERİR ( C ) CETVELİ

Para Scott (1989), gênero é um elemento que perpassa toda a vida em sociedade, está presente nas relações entre sujeitos influenciando nas suas percepções e condutas. O padrão vigente de gênero depende de cada contexto sócio histórico cultural, ou seja, da ideologia dominante que influencia nas relações entre os sujeitos e na organização social. Sendo assim, gênero é uma categoria que

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permite refletir sobre a forma de organização da sociedade. Contudo, não é uma categoria a priori, ela se processa no cotidiano a partir de diferentes relações sociais.

De acordo com Scott (1989), o termo gênero foi usado inicialmente pelas feministas para remeter às diferenças sociais entre os sexos, ou seja, à construção social do masculino e do feminino. Essa relação desigual é permeada pela cultura, pelas estruturas de poder e pelos sujeitos envolvidos.

No processo de compreensão e visibilidade da categoria gênero destaca-se a atuação dos movimentos feministas. No contexto brasileiro, o debate sobre gênero inicia-se na década de 1970 a partir de iniciativas dos movimentos feministas. Tinha como objetivo explicitar as relações desiguais entre homens e mulheres salientando a submissão feminina ao masculino. Nesse contexto, foram debatidos os papéis sociais atribuídos a homens e mulheres, enfatizando a luta pelos direitos femininos. Foi um movimento que marcou a luta em prol da igualdade, denunciando a exclusão feminina e a forma de organização da sociedade (Saffioti, 2001).

No final da década de 1980, o masculino passa a fazer parte do debate. Masculino e feminino são compreendidos como relacionados e as implicações do modelo hegemônico de masculinidade sobre o processo de subjetivação do masculino e do feminino passam a ser discutidos. Sair da perspectiva de vitimização da mulher e ampliar a noção de gênero para uma perspectiva relacional estruturante e organizadora da sociedade representou um avanço, no estudo das relações de gênero (Saffioti, 2001).

Scott (1989) acrescenta que o uso do termo gênero como sinônimo de “mulheres” é recorrente nos estudos feministas da década de 1980. Para a autora, a associação de gênero às mulheres reflete a busca de legitimidade por parte do

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feminino. Contudo, essa terminologia não rejeita o universo masculino, mas chama a atenção para o termo, ao passo que o universo das mulheres não existe sem ser articulado ao dos homens.

Os esforços teóricos para se compreender a categoria gênero podem ser resumidos, de acordo com Scott (1989), em três possibilidades de análise teóricas: patriarcado, teoria marxista e a terceira perspectiva que se divide em pós- estruturalista e teoria anglo-americana, ambas inspiradas na psicanálise. A primeira delas busca compreender as origens do patriarcado e propõe o estudo de gênero a partir dessa perspectiva, que concentra sua atenção na subordinação feminina diante da dominação masculina. As diferenças estão na marca do corpo, sobretudo na “obrigatoriedade” feminina de reprodução. Na sociedade patriarcal, o que era restrito ao âmbito privado se estende ao público. A diferença sexual passa a ser expressa via diferença política, culminando em situações de sujeição dos sujeitos femininos.

A segunda posição teórica busca na teoria marxista a compreensão da categoria gênero. Por meio de uma perspectiva histórica, em suas diferentes abordagens, as teóricas feministas marxistas propõem a articulação entre patriarcado e capitalismo para se considerar o termo gênero. A terceira e última posição, dividida em duas correntes teóricas, apresenta as propostas da escola pós-estruturalista e a teoria anglo-americana. As duas escolas, ambas envolvidas em uma proposta psicanalítica se interessam pelo processo de construção da identidade do sujeito e concentram sua atenção nos anos iniciais da criança, os considerando fundamentais para a formação da identidade de gênero. O pós-estruturalismo, por sua vez, enfatiza o papel da linguagem nesse processo, o sistema de signos e símbolos que permeiam a linguagem da criança bem antes de entrar no mundo da fala e consequentemente

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exerce influências na sua forma de interpretar e lidar com o mundo, estando presentes nesse processo as relações de gênero. A outra escola (Anglo-Americana) considera a experiência concreta do sujeito no processo de formação da identidade de gênero (Scott, 1989).

As propostas das teóricas feministas relacionadas ao termo gênero passaram por mudanças, ao longo dos anos, a depender das influências teóricas e das mudanças que a sociedade enfrenta. De diferentes formas, as feministas lutaram pela ruptura do binarismo masculino versus feminino, contra a ideia de uma dicotomia natural e óbvia. A história da teoria feminista é marcada pela recusa desse binarismo, na tentativa de subversão da ordem de funcionamento e na indicação da categoria gênero como uma constante proposta histórica de análise (Scott, 1989).

Sendo assim, Scott (1989) considera gênero a partir de duas propostas reflexivas que se articulam. O núcleo central da definição baseia-se na ideia de gênero como relações sociais ancoradas pelos sexos, perpassadas por relações de poder. Dentro dessa perspectiva, Saffioti (1997) acrescenta que cada sujeito social, enquanto personagem da trama que perpassa a sociedade e a cultura que estamos inserido, ocupa uma posição específica, marcada por negociações de lugares sociais como estratégia fundamental para a manutenção da vida em sociedade, o que fica visível na relação entre homens e mulheres.

Para Scott (1989), ao se refletir sobre gênero é necessário, ainda, considerar alguns pontos: a) A presença de símbolos disponíveis na sociedade que induz a pensar sobre diferentes representações. Como exemplo, podemos citar Maria como sinônimo de pureza e Eva como de pecado. b) Esses símbolos contribuem na construção de conceitos sociais normativos que permeiam os discursos e práticas cotidianas e estão presentes na religião, educação, política. c) Necessidade de

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romper com a ideia de domínio da visão binária de gênero como se fosse uma perspectiva eterna. d) O gênero nos permite acessar a identidade subjetiva do sujeito e compreender formas diversas de interação humana. Para finalizar, a autora considera que gênero tem que ser compreendido a partir da perspectiva de igualdade política e social que inclui também a ideia de raça e classe. As conjunções históricas que perpassam o estudo de gênero apresentam a cada dia novas possibilidades de compreensão do termo, redefinindo antigas questões e apresentado novas propostas de análise.

A partir da perspectiva de gênero enquanto uma categoria histórica e de análise é fundamental compreendermos o ser masculino e feminino como construções coletivas que perdem o sentido fora do contexto que os define. Diante da sociedade na qual estamos inseridos é possível afirmar que vigora uma relação desigual entre masculino e feminino, com o homem ocupando o lugar de poder e controle, o que pode ser visto nos discursos e práticas cotidianas (Amâncio, 1994). Essa configuração social, pautada na ideologia masculina dominante, nos permite compreender os lugares de agressor e vítima atribuídos ao homem e à mulher respectivamente (Saffioti, 1997).

Para Saffioti (2001), mesmo que haja tentativas de trilhar caminhos que rompam com as normas sociais instituídas e a mulher conquiste novos espaços, a categoria social homem continua ocupando lugar de dominação, muitas vezes adquirido a partir da violência. Apesar da existência de casos de violência da mulher contra o homem, eles não são tão frequentes quanto o oposto. Em situações de violência contra a mulher, a maioria das ocorrências são produzidas pelo parceiro, o que se configura como violência conjugal (Schraiber; d’Oliveira; Jr-França; Diniz,; Portella,; & Ludermir, et al, 2007).

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Para Grossi, Casanova e Starosta (2004), as razões que levam um homem a agredir uma mulher devem ser analisadas a partir de fatores sociais e psicológicos. Tanto o homem como a mulher incorporam, em seu processo de socialização, condutas a serem desempenhadas que estão diretamente relacionadas à construção da subjetividade desses sujeitos, ou seja, à maneira de se perceberem e atuarem no mundo. Sendo assim, em uma sociedade patriarcal é ensinado ao homem a não ter medo, a estar no controle, rejeitando o que é identificado como feminino: a passividade, a vulnerabilidade, a afetuosidade. Esses aspectos sociais e psicológicos geram influências significativas na forma de ser e estar no mundo, culminando em expressões de violência.

Nesse sentido, é importante salientar que a violência de gênero é, com frequência, compreendida como violência entre o homem e a mulher, sendo na maioria dos casos o homem agressor e a mulher vítima. Contudo, podem existir situações de violência entre mulheres e entre homens (Saffioti, 1999). Nos moldes do trabalho aqui desenvolvido consideramos violência de gênero como a violência praticada entre homens e mulheres. Mais especificamente em situações conjugais.

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