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GELİR DAĞILIMI

Os edifícios hoje são responsáveis por 10% do PIB mundial, consumo de 40% de materiais, 30% da geração de resíduos sólidos, 20% do consumo de água e 35% de toda energia consumida pela sociedade. 80% destes gastos estão concentrados na fase de uso e operação destes empreendimentos. Por isso, o setor está comprometido com as metas de reduções do consumo de materiais e na melhoria da eficiência dos processos de operação que tenham como metas economia de água e energia durante a fase em que são ocupados pelas pessoas a fase chamada de operação. Sob este aspecto vale destacar a relevância de uma operação de “dupla pilotagem”, pois de nada adianta a implantação de novas tecnologias se os usuários não estiverem preparados e adaptados para operá-las.

Tabela Comparativa de Gastos e Consumo de Recursos nos Edifícios 10% do PIB mundial

40% dos materiais consumidos 30% da geração de lixo sólido 20% do consumo de água

35% de toda a energia consumida pela sociedade 80% destes gastos estão na fase de uso e operação

Fonte: Niclas Svenningsen (UNEP, 2010)

O setor imobiliário é responsável pelo consumo de 21% da água tratada, 41% da energia elétrica gerada, gera 65% do lixo e 25% do CO2

equivalente e é o maior consumidor de recursos naturais, daí a importância da conscientização sobre a necessidade de se difundir os edifícios verdes.

Nesse contexto começaram a surgir os primeiros empreendimentos verdes do país, logo após o boom imobiliário. Com a saída dos fundos de pensão do Brasil, as incorporadoras estrangeiras, em parceria com empresas locais, começaram a cobrar retorno e rentabilidade nos investimentos desses megaprojetos e passaram a incorporar os conceitos de green buildings (prédios verdes) através da Certificação

Ambiental de Empreendimentos nas edificações, aumentando o valor agregado e impulsionando uma nova forma de atuação das empresas locais. No Brasil este movimento já se iniciou com a adoção do modelo americano de certificação LEED/USGBC – US Green Building Council e mostra-se como uma forte tendência para os próximos anos.

3.2.1. Certificação de Empreendimentos – Green Buildings

Na Construção Civil, a partir dos sistemas de certificações ambientais para empreendimentos, a cadeia da construção começou a dar importância para os chamados Green Buildings, ou seja, os chamados prédios verdes. Os prédios verdes são construídos com menos impactos do que um prédio convencional. Dentre os sistemas de certificação praticados no Brasil atualmente podemos destacar o LEED, AQUA, Procel Edifica e Selo Azul da Caixa.

O sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), ou liderança ambiental e energética em projetos, é uma metodologia que faz a avaliação de empreendimentos em relação à sustentabilidade através de materiais e recursos utlizados, energia e atmosfera, espaço sustentável, site, qualidade ambiental interna e o uso racional da água. De 1986 a 2006, apenas 500 empreendimentos eram considerados ecologicamente corretos em todo o mundo. Em 2010, eram mais de 100 mil edifícios comerciais e quase um milhão de residências.

Os ganhos com um empreendimento certificado são diversos. O consumo de energia, em média, é 30% menor, ao passo que o consumo de água sofre redução de 30% a 50%. Outros ganhos incluem redução da emissão de CO2 em 35% e redução de 50 a 90% na geração de resíduos, incluindo materiais recicláveis. Ainda que o custo da obra seja em média 5% maior do que uma obra convencional há valorização de 10% a 20% no preço de revenda.11

A certificação AQUA - Fundação Vanzolini, difere do sistema LEED principalmente porque o sistema AQUA já está mais adaptado à realidade brasileira do ponto de vista de projeto.

O Sistema Procel Edifica faz parte do Programa Nacional de Etiqueta de Eficiência Energética em Edificações instituído pelo Governo Federal desde 2003. A meta é incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação, etc.) nas edificações, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente.

O Selo Azul da Caixa Econômica Federal prevê desde a concepção do projeto até a sua implantação a incorporação de elementos que possam assegurar uma economia nas contas de água e energia dos usuários. Outras iniciativas no setor da Construção Civil podem ser observadas no contexto mercadológico como as premiações existentes, desenvolvimento e elaboração de programas de sustentabilidade através da iniciativa privada, além da articulação setorial e formação de ONGs e entidades, conforme mostraremos a seguir.

Segundo Luiz Henrique Ceotto, a certificação por si só nada resolve, pois, hoje, menos de 0,1% dos prédios executados são certificados e a cidade de São Paulo renova mais ou menos 1% todos os anos, portanto, não é o impacto do prédio em si que é importante, mas que ele sirva como exemplo para os outros que não são.

A certificação é uma organização de alto poder de influência, mas custa dinheiro, demanda de paciência, ao mesmo tempo em que há prédios aqui em São Paulo que não são certificados, mas são altamente sustentáveis. Além disso, um prédio certificado se torna referência no mercado porque é um parque de aplicação de novas tecnologias por parte dos fabricantes da construção civil e com isso também impulsiona a produção de produtos e serviços de alta performance e mais sustentáveis induzindo o setor a uma mudança de cultura. Por exemplo, quando começamos a

utilizar elevadores inteligentes, com antecipadores de chamada etc., isso era muito caro e ninguém usava: hoje qualquer um já pode começar a usar. Nós induzimos e ajudamos no desenvolvimento de tecnologia. Os sustentáveis certificados puxam a ponte do iceberg positivo: traz toda a indústria da construção civil junto. (Entrevista com Luiz Henrique Ceotto, pesquisa de campo).

Contudo, para que uma construção seja classificada como sustentável, será necessário adotar medidas que possam qualificá-la como tal. A Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (ASBEA), o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) e outras instituições apresentam alguns princípios básicos da construção sustentável, dentre os quais se destacam:

Aproveitar as condições naturais locais; Utilizar o mínimo de terreno e integrar-se ao ambiente natural; Implantar e analisar o entorno; Não provocar ou reduzir impactos no entorno – paisagem, temperaturas e concentração de calor, sensação de bem-estar. Qualidade ambiental interna e externa, Gestão sustentável da implantação da obra, adaptar-se às necessidades atuais e futuras dos usuários; Usar matérias-primas que contribuam com o eco-eficiência do processo. Reduzir o consumo de água, reduzir, reutilizar, reciclar e dispor corretamente os resíduos sólidos, Introduzir inovações tecnológicas sempre que possível e viável; Educação Ambiental: conscientização dos envolvidos no processo”. (CÂMARA DA INDÚSTRIA DE CONSTRUÇÃO, 2008: 15)

3.3. Comportamento do mercado frente à sustentabilidade no setor

Benzer Belgeler