• Sonuç bulunamadı

Para Stott (1997, p. 63), o evangelho concilia o passado com o presente. Ele declara que “não somente Jesus salva, mas também que, para fazê-lo, ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou da morte”. A cruz de Cristo é um símbolo de morte por compaixão da humanidade. Stott, trata deste tema de forma trinitária, contextualizando no evangelho, a palavra de Deus, a cruz de Jesus e o poder do Espírito Santo. Antes, porém, de indicar a reflexão teológica de Stott, apresentarei os verbetes “Cristo” e em seguida “cruz”, pelo viés do dicionário teológico, na busca de entender de uma mais ampla forma “a cruz de Cristo”.

Para Stott, o evangelho é a verdade proveniente de Deus confiada a nós. Nossa responsabilidade é a de apresentá-la às pessoas, para que o Espírito as ilumine e venham a crer em Jesus como o Cristo de Deus, enviado ao mundo para promover a salvação. Para ele, as principais objeções que se fazem para se aceitar a mensagem da cruz, estão

ligadas à recusa intelectual – como a da filosofia grega que é um empecilho para a propagação do evangelho, porque coloca a inteligência humana no lugar da palavra de Deus – e a objeção religiosa (não cristã). Esta não aceita o evangelho como sendo portador das boas novas, porque se refere a Jesus Cristo como filho de Deus ou até mesmo por ser uma das unidades da trindade de Deus. Stott (1997, p. 71) afirma que “as pessoas querem é um sincretismo fácil, uma mistura do que há de melhor em todas as religiões. Mas nós, cristãos, não podemos abrir mão, nem da supremacia, nem da unicidade de Jesus Cristo”. Com essa colocação, fica evidente que para o cristão a confissão de que só Cristo salva, nos remete à tentativa de se ter um cristianismo puro do sincretismo religioso. Isto não nos permite, porém, deixar de observar o respeito pela cultura de cada sociedade onde o evangelho está sendo propagado.

Volta Stott a complementar sua teologia cristológica dizendo que “Ele (Jesus) é o mediador – aliás, o único – entre Deus e a raça humana”. Outra objeção é a pessoal, porque as pessoas têm arrogância ao expor suas ideias. Stott (1997, p. 72) afirma que “ainda hoje não existe uma coisa que leve tanta gente a abdicar do reino de Deus quanto o orgulho”. Pelo pesquisado nas obras dele, entendo que “Reino de Deus” aqui, se refere a uma esfera escatológica, um reino nos céus, numa vida além.

Outra objeção que impede as pessoas de aceitarem a Jesus como Filho de Deus, (ou como sendo o próprio Deus) está ligada à moral e aos costumes. Para Stott, muitas atitudes tidas simplesmente como hábitos culturais, podem, à luz do evangelho, se revelar como pecado, principalmente nas coisas que se referem ao sexo. Stott, foi celibatário durante toda sua vida, fazendo uma opção não muito usual (diria até que rara) entre os protestantes, mas que a meu ver, merece uma apreciação e reconhecimento por ter se preocupado em servir a Deus de forma integral. Entendo que sua teologia está centrada na proclamação da palavra. Ela poderia receber elementos sociais, mas pode ser que, por estar num país de “primeiro mundo”, onde as pessoas (principalmente as nativas) já têm suas necessidades básicas satisfeitas, isto faça com que ele se volte para a pregação do evangelho centrado mais nas necessidades espirituais que exatamente nas questões de ações sociais.

Para Stott, a política pode ser outra barreira a ser enfrentada numa nação que não seja laica. A proibição de culto cristão ainda hoje em alguns países muçulmanos é prova

de tal barreira. Quando Jesus Cristo anunciou (Jo. 18.36) que “havia chegado o Reino de Deus”, isto naturalmente provocou os políticos governantes romanos. Como nos mostra o evangelho, alguns dos judeus contrários a Jesus se aproveitaram da situação para levá-lo ao governador na tentativa de incriminá-lo. A cruz de Cristo se ergueu no ar, também sob pressão política.

A questão da cruz de Cristo é colocada assim por Stott (2006, p. 312): “por que Cristo morreu?” e responde: “embora Judas o tivesse entregado aos sacerdotes, e estes a Pilatos, e Pilatos aos soldados, o N.T indica que o Pai o entregou e que Jesus deu-se a si mesmo por nós”.

Considerando que Jesus sofreu na cruz todo tipo de humilhação e sofrimento e que sua crucificação contém elementos políticos e religiosos, temos uma ideia da dimensão da dor terrível que ele passou. No evangelho, a cruz de Cristo lembra sua morte ocorrida com requintes de crueldade extrema praticada por seus executores. Para Stott e muitos outros, Jesus Cristo morreu para “pagar os pecados de toda humanidade”, reconciliando o homem com Deus, por meio do Cristo crucificado e que posteriormente ressuscitou. Pilatos não o considerou criminoso dizendo a seus acusadores, segundo o evangelho de Lucas: “[…] tendo-o interrogado, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte”. Mas o clamor de seus acusadores prevaleceu e Pilatos o entregou à vontade deles, que era a de crucificá-lo. Depois de percorrer o caminho do calvário e ser crucificado, Cristo continua até o fim exercendo o ministério do perdão, ao dizer “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem”. Ao crucificado, ofereceram dor, injustiça, zombaria, escárnio e sofrimento que o levou à morte. Ele, em contrapartida, ainda preso na cruz, ofereceu salvação, perdão e amor a todo ser humano, sem excluir os que o maltrataram até a morte. Após a morte de Cristo crucificado, o centurião disse: “realmente, este homem era justo!”.

Para Stott, o sacrifício de Cristo na cruz deve ser comunicado pelo Espírito Santo às pessoas e assim promover a salvação. Stott (1997, p. 75) afirma: “afinal, somente o Espírito Santo pode convencer as pessoas dos seus pecados e necessidades. Abrir-lhes os olhos para enxergarem a verdade do Cristo crucificado, dobrar sua orgulhosa vontade e submetê-las a ele, libertá-las a fim de crerem nele, e dar-lhes um

novo nascimento”. Para ele, baseado nesta frase de seu livro, a missão de evangelizar deve ser feita pelo missionário, um agente do evangelho. Porém a conversão será efetivada somente se o Espírito Santo convencer as pessoas de que Jesus é o Cristo, que reconcilia o homem com Deus, pelo seu sacrifício na cruz. Por último, Stott (2006, p. 317) na obra “A Cruz de Cristo” diz que “pregar o evangelho é proclamar a cruz” e complementa: “é verdade que devemos acrescentar a ela a ressurreição”. Está marcado o diferencial entre a cruz de Cristo e a dos outros homens que um dia também morreram na cruz: Cristo morreu por nossa causa e foi ressuscitado e os homens morreram por suas próprias causas e continuam mortos.

Finalmente, em se tratando da cruz de Cristo, Stott (2000-b, p. 92) diz que: “uma marca inequívoca do cristianismo evangélico genuíno é o fato de nós só nos gloriarmos na cruz de Cristo”. Esta postura de gloriar-se somente nele afasta a vaidade e a possível vontade do discípulo em querer para si próprio algum tipo de glória. Depois da cruz, veio a ressurreição, um fato decisivo na história para confirmar que Jesus é o verdadeiro Senhor e salvador da humanidade, aquele que deu o comando para que seus servos pela igreja desempenhem a missão mundial. Passo à questão de “Cristo e sua ressurreição”, tendo em vista a da missão.

Benzer Belgeler