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bem como de leitura e escrita, a exemplo do chamado hipertexto, amplamente difundido em dispositivos e equipamentos na contemporaneidade. O uso das TIC, se realizado de maneira planejada, pode colaborar para incentivar a leitura, a compreensão da linguagem e ainda a apreensão das regras e normas da escrita formal. Para mais detalhes, ver Forbeloni (2014).

e da intensidade com que a tecnologia é utilizada num mesmo estabelecimento de ensino. Aparentemente, a visão e a postura individuais do professor, somadas às suas habilidades e confiança para utilizar equipamentos, podem fazer a diferença, superando até as deficiências de infraestrutura.

Desse modo, a decisão de usar a tecnologia na sala de aula ou em outras situações de ensino-aprendizagem decorre, por vezes, de uma iniciativa individual ou de um grupo de docentes, em vez de ser fruto de uma decisão coletiva da equipe escolar, pautada por

Robótica: convivência e aprendizado

Desde que começou a usar as TIC em sala de aula, uma professora de Matemática da Escola D notou que seu relacionamento com os alunos melhorou, fato que ela atri- bui à dinâmica que se estabeleceu entre do- cente e alunos. Segundo ela, o uso desses recursos favorece uma postura mais aberta por parte do docente, em oposição a uma postura de quem domina o conhecimento. Ainda segundo a professora, essa expe- riência se deu por meio de um projeto de robótica, implementado na rede municipal de Curitiba em 2001. A professora aceitou coordenar o projeto em sua escola, após ter sido incentivada por uma colega.

O projeto foi concebido para preparar os alunos para um campeonato de robótica. No entanto, na visão da docente, a inicia- tiva deveria ser ampliada para todos os estudantes da rede pública, não se limitan- do aos participantes do campeonato: “As crianças aprendem muito! Se é tão bom por que não dar acesso e oportunidade a mais crianças?”, questiona ela. “É um ponto ne- gativo pensar só no campeonato, como um fato isolado”.

No primeiro semestre de 2013, 22 alunos participavam do projeto. O grupo se encon- trava duas vezes por semana, em horário extra classe para desenvolver um robô que pudesse executar ações pré-determinadas.

Para construir o robô, foi utilizado um sof- tware de programação por blocos.

No ponto de vista da professora, o projeto ajuda os estudantes a se desenvolverem em áreas em que apresentavam dificuldade, tais como o raciocínio espacial e a lógica, uma vez que no projeto o aprendizado se dá de forma contextualizada. “Facilita o aprendiza- do e ajuda no desenvolvimento”, analisa.

Além disso, a participação no projeto fa- vorece a concentração, o hábito da leitura e o trabalho em equipe. “O aluno tem que ler muito, tem que ter concentração e foco, caso contrário temos que fazer muito es- forço para que surjam os resultados para a equipe como um todo”.

Na opinião da professora, o projeto contri- bui muito para a escola – e, para os alunos, é uma excelente oportunidade de convivência, além do aprendizado em si. “É muito interes- sante, deveria ser um componente curricular ou extracurricular”, propõe a professora.

“É muito gratificante ver a alegria das crianças. Elas gostam muito toda vez que fazemos alguma atividade. Fomos mostrar o projeto ao secretário de Meio Ambiente e, quando vejo a alegria das crianças falando com o secretário, e a oportunidade de elas fa- zerem a diferença, é tudo de bom! Você volta de lá pensando nas dificuldades enfrentadas e percebe que valeu a pena!”, conclui.

um projeto da instituição, ou ainda do incentivo da rede de ensino. Foi comum encontrar em uma escola um grupo de professores que se valia da tecnologia, e este grupo tendia a persistir o mesmo, sem que outros docentes integrassem a tecnologia às suas aulas e atividades. É o caso da Escola B, onde os docentes que incorporaram as tecnologias 1:1 em suas aulas eram os mesmos que anteriormente tinham o hábito de usar o laboratório de informática.

Nesse sentido, em meio a limitações e problemas relacionados à apropriação das tecnologias de informação e comunicação como ferramenta para o fomento e a renovação das formas de aprendiza- gem, foi possível identificar professores que realizavam, de maneira pontual ou sistemática, práticas pedagógicas envolvendo as TIC.

Chamou a atenção que, em algumas escolas, essas iniciativas es- tivessem nas mãos de professores mais jovens ou daqueles conside- rados “precursores do uso da tecnologia”, na percepção dos colegas. Na Escola A, os professores mais jovens (Artes, Ciências, Português e Inglês) levavam os seus próprios notebooks para utilizar na escola e faziam um uso mais intenso das TIC em suas ativida- des. A professora de Artes, buscando diversificar os recursos para a aprendizagem, desenvolvia um projeto de animação com os alu- nos do 80 ano do Ensino Fundamental na técnica stop motion, para

trabalhar tridimensionalidade, fotografando bonecos de massa de modelagem e utilizado um software para sincronizar os fotogramas e dar-lhes movimento.

Duas professoras de Língua Portuguesa da Escola H envolveram os alunos do 5º ano do Ensino Fundamental e os do 1º e 2º anos do Ensino Médio na produção de comerciais, com filmadora e editor de vídeo, entre 2012 e 2013.

Uma professora de Inglês desenvolveu uma atividade semelhan- te, na qual os alunos fizeram vídeos legendados e editados relatando, em inglês, situações de viagem. Mas, em virtude do número insu- ficiente de computadores na escola para fazer a atividade, nessas ocasiões, era preciso alocar alguns alunos em outros locais da esco- la que dispunham desses equipamentos, como a secretaria, a sala da coordenação e ainda a sala da direção. Com isso, a docente não conseguia acompanhar as atividades da turma toda de uma só vez, relataram os pesquisadores.

Na Escola I, os alunos com deficiência auditiva e visual até o 6º ano do Ensino Fundamental dispunham de um programa para reprodução de livros em áudio.

Em várias escolas, ainda que de maneira pontual, professores incorporaram as redes sociais e os blogs às dinâmicas de ensino- aprendizagem – mesmo considerando as limitações da infraestrutu- ra disponível e a falta de habilidade tecnológica de alguns docentes. Na Escola K, um professor de Biologia criou um blog sobre meio am- biente que chegou a ter 7 mil acessos no primeiro semestre de 2012.

O professor de História da Escola F desenvolveu uma ativida- de na qual os alunos criaram, com base em pesquisas, perfis de personagens históricos no Facebook. A iniciativa foi avaliada como muito positiva, porque estimulou a parti- cipação dos alunos e levou a instituição a começar a questionar o bloqueio às redes sociais nos computadores do laboratório de informática.

Espaços e condições

Benzer Belgeler