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Geliştirilen Kuş Sürüsü Algoritması İçin Eniyi Parametre

4 GELİŞTİRİLEN ALGORİTMALAR İÇİN UYGUN PARAMETRE

4.3 Geliştirilen Kuş Sürüsü Algoritması İçin Eniyi Parametre

Segura na mão de Deus (...) Pois ela, ela te sustentará! Não temas, segue adiante e não olhes para trás! Mas segura na mão de Deus e vai (...) (Trecho de uma música comumente cantada pelos presos durante os cultos pentecostais).

Etimologicamente, explica Rodrigues (2006), o termo “evangélico” deriva da palavra “evangelho”, a qual significa "boas novas". Durante toda a história, o termo "evangélico", segundo o autor supracitado, foi usado para referir-se a tudo o que concerne ao evangelho de Jesus e ser evangélico, portanto, no sentido real da palavra, é crer no evangelho de Jesus e segui-lo. O vocábulo “pentecostalismo”, por sua vez, está relacionado ao evento da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, descrita no capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos42. O pentecostalismo, ensina Mariano (1999), distingue-se do protestantismo

histórico, do qual é herdeiro, por pregar a crença na contemporaneidade dos dons do Espírito Santo, entre os quais se destacam os dons de línguas (glossolalia), cura e discernimento de

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Capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos: 1 Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar. 2 De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu toda a casa onde eles se encontravam. 3 Então todos viram coisas parecidas com chamas, que se espalharam como línguas de fogo; e cada um foi tocado por uma dessas línguas. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada um. 5 Estavam morando ali em Jerusalém judeus religiosos vindos de todas as nações do mundo. 6 Quando ouviram aquele barulho, uma multidão se ajuntou, e todos ficaram muito admirados, porque cada um poderia entender na sua própria língua o que os seguidores de Jesus estavam dizendo. 7 A multidão estava admirada e espantada e comentava: - Estes homens que estão falando assim são galileus! 8 Como é que nós os ouvimos falar nas nossas próprias línguas? 9 Viemos da Pártia, da Média, do Elão, da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Ponto, da Ásia, 10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia que ficam perto de Cirene. Alguns de nós vieram de Roma. 11 Uns são judeus, e outros, convertidos ao Judaísmo. Alguns vieram de Creta, e outros da Arábia. E como é que todos estamos ouvindo essa gente falar nas nossas próprias línguas a respeito das grandes coisas que Deus tem feito? 12 Todos estavam admirados, sem saber o que pensarem, e perguntavam uns aos outros: - Que quer dizer tudo isso? 13 Porém outros zombavam e diziam: - Estes homens estão bêbados.

espíritos, e por defender a retomada de crenças e práticas do cristianismo primitivo, como a cura de enfermos, a expulsão de demônios, a concessão divina de bênçãos e a realização de milagres.

O Pentecostalismo tem sua origem no início do século XX nos Estados Unidos, e vem crescendo em vários países em desenvolvimento do Sul do Pacífico, da África, do Leste e do Sudeste da Ásia, sobretudo da América Latina, onde o Brasil se destaca, afirma Mariano (2004). Da Cunha (2008) aponta que existem mais de meio bilhão de evangélicos pentecostais no mundo, sendo de 25 mil o número de pessoas convertidas por dia. Quanto ao panorama sobre o crescimento das Igrejas Evangélicas pentecostais, Da Cunha (2008), afirma que este é um fenômeno mundial, tendo como marco a década de 1960, período no qual as Igrejas Protestantes, referidas também na literatura especializada como Evangélicas de Missão ou, ainda, Históricas, sofreram uma diminuição do número de seus membros no Brasil e no mundo.

A supracitada autora destaca o debate travado, nos últimos anos, por pesquisadores da religião sobre o crescimento pentecostal, sobretudo nos países do chamado Terceiro Mundo, apontando que este aumento se dá provavelmente por uma possível relação entre este fenômeno e a desigualdade e a vulnerabilidade sociais, tendo em vista que o pentecostalismo seria uma corrente religiosa que se fortalece onde os contextos de precariedade político-social são abundantes.

Sobre o avanço demográfico de evangélicos no Brasil, temos os seguintes dados:

Segundo o Censo, em 1980 os evangélicos eram 6,6% população; em 1990, atingiam 9%, e, em 2000, chegaram a 15,6%. Em três décadas, os evangélicos duplicaram em números absolutos, de 13.157.094 para 26.452.174. Importante notar que boa parte deste crescimento acontece entre os evangélicos pentecostais, que formam a maioria do segmento, com 77,86%, contra 22,4% de evangélicos de missão (MAFRA, p. 32, 2009).

Após apresentar esses dados quantitativos, a autora chama atenção para a importância de entender o fenômeno, sem nos dispersarmos em uma multiplicidade de explicações. Diante desta premissa, aponta como proposta interpretativa para a indagação proposta, o fato de haver um contexto socioeconômico caracterizado por grande vulnerabilidade social, pobreza, desigualdade, violência e criminalidade, o qual permite e requer um avanço da religiosidade pluralista e de mercado.

Mafra (2009) acrescenta que, conforme especialistas no estudo da religião, a partir da década de 1980 o crescimento evangélico se revelou vertiginoso, acentuando uma tendência que era um tanto tímida e minoritária nas décadas anteriores.

Em termos sociológicos, algo aconteceu de relevante nas três últimas décadas do século XX, intensificando um processo que anteriormente se arrastava. [...]

A década de 1980 foi marcada pelo arrefecimento da migração rural-urbana e interregional. [...]

Há uma presença mais acentuada de católicos, nos bairros centrais ou naqueles em que se verificam melhores níveis de renda e de escolaridade dos seus habitantes. Em contraposição, os maiores índices de pentecostais, sem exceção, estão nas periferias metropolitanas. (MAFRA, p. 33, 2009)

Na América Latina, o termo evangélico abrange as igrejas protestantes históricas (Luterana, Presbiteriana, Congregacional, Anglicana, Metodista, Batista, Adventista), as pentecostais (Congregação Cristã no Brasil, Assembleia de Deus, Evangelho Quadrangular, Brasil Para Cristo, Deus é Amor, Casa da Bênção etc.) e as neopentecostais (Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra etc), de acordo com Mariano (2004).

Já no Brasil, segundo Mariano (2004), o primeiro missionário pentecostal, chegou em 1920. Desde então, foram criadas centenas de igrejas, tornando este movimento religioso complexo e diversificado. No Brasil, o movimento pentecostal foi dividido em três em ondas, vejamos:

O pentecostalismo brasileiro pode ser compreendido como a história de três ondas de implantação de igrejas. A primeira onda é a década de 1910, com a chegada da Congregação Cristã (1910) e da Assembleia de Deus (1911) (...) A segunda onda pentecostal é dos anos 50 e início de 60, na qual o campo pentecostal se fragmenta, a relação com a sociedade se dinamiza e três grandes grupos (em meio a dezenas de menores) surgem: a Quadrangular (1951), Brasil para Cristo (1955) e Deus é amor (1962). O contexto dessa pulverização é paulista. A terceira onda começa no final dos anos 70 e ganha força nos anos 80. Suas principais representantes são a Igreja Universal do Reino de Deus (1977) e a Igreja Internacional do Reino de Deus (1980) (...) O contexto é fundamentalmente carioca (FRESTON, 1993 apud MARIANO, p. 28-29, 1999).

O pentecostalismo clássico, segundo Mariano (p. 123, 2004) abrange as igrejas pioneiras: Congregação Cristã no Brasil e Assembleia de Deus. Acrescenta que a Congregação Cristã foi fundada por um italiano em 1910, na capital paulista, e a Assembleia de Deus, por dois suecos, em Belém do Pará, em 1911. Embora europeus, os três missionários converteram-se ao pentecostalismo nos Estados Unidos, de onde vieram para evangelizar o Brasil. De início, na condição de grupos religiosos minoritários em terreno “hostil”, ambas as igrejas caracterizaram-se pelo anticatolicismo, por radical sectarismo e ascetismo de rejeição do mundo.

O segundo grupo, que não obteve nomenclatura consensual na literatura acadêmica, começou na década de 1950, quando dois missionários norte-americanos da Intnrnational Church of Thn Foursquarn Gospnl criaram, em São Paulo, a Cruzada Nacional de Evangelização, afirma Mariano (p. 123, 2004). O referido autor destaca que esta vertente pentecostal iniciou o evangelismo com a seguinte estratégica proselitista: focados na pregação da cura divina, usando intensamente o rádio e pela pregação itinerante com o emprego de tendas de lona. Em 1953, fundaram a Igreja do Evangelho Quadrangular no Estado de São Paulo. No rastro de suas atividades de evangelização, surgiram Brasil Para Cristo (1955, SP), Deus é Amor (1962, SP) e Casa da Bênção (1964, MG). Seguindo o bem-sucedido movimento de cura propagado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.

O terceiro grupo, representado pelo neopentecostalismo, teve início na segunda metade dos anos de 1970, ensina Mariano (p. 123-124, 2004). Cresceu, ganhou visibilidade e se fortaleceu no decorrer das décadas seguintes. A Universal do Reino de Deus (1977, RJ), a Internacional da Graça de Deus 1980, RJ), a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (1976, GO) e a Renascer em Cristo (1986, SP), fundadas por pastores brasileiros, constituem as principais igrejas neopentecostais do país.

A expansão pentecostal em âmbito nacional não é recente nem episódica. Ocorre de modo constante já há meio século, o que permitiu que o pentecostalismo se tornasse o segundo maior grupo religioso do país, destaca o supracitado autor. Avanço 43este,

expressivo não apenas nos planos religioso e demográfico, como também nos campos midiático, político partidário, assistencial, editorial e de produtos religiosos. Quanto aos seus adeptos, não se restringem mais somente aos estratos pobres da população, encontrando-se também nas classes médias, incluindo empresários, profissionais liberais, atletas e artistas.

Conforme os Censos Demográficos do IBGE, os evangélicos perfaziam apenas 2,6% da população brasileira na década de 1940. Avançaram para 3,4% em 1950, 4% em 1960, 5,2% em 1970, 6,6% em 1980, 9% em 1991 e 15,4% em 2000, ano em que somava 26.184.941 de pessoas. Quanto a dados mais recentes, missionários da SEPAL44 (Missão

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1“A glossolalia (“Falar em línguas”) remete em particular aos versículos da 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios 14,2,13. “Pois aquele que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus”. “Ninguém o compreende, pois ele, em espírito, diz coisas incompreensíveis”. (Corten, 1996, p. 124). A glossolalia, segundo Corten (1996) é a confirmação do profecia de Joel, e ao mesmo tempo presságio do anúncio de um acontecimento, a parusia (termo usualmente empregado para indicar a segunda vinda de Jesus Cristo, no fim dos tempos, para presidir o Juízo Final – Apocalipse 20:12-15).

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A SEPAL realizou o estudo em 2010, baseado nos dados do Censo do IBGE de 2000 e da pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em março de 2007. A confiabilidade dos dados é de 95%, afirmou Luis André Bruneto (um dos pesquisadores da SEPAL).

Internacional Servindo aos Pastores e Líderes) fizeram uma projeção da população evangélica de 57,4 milhões para este ano de 2011 e de 109,3 milhões para 2020.

O Nordeste, conta com apenas 10,4% de evangélicos, sendo ainda o principal reduto católico do país e, por isso, a região de mais difícil penetração protestante, enquanto o Norte e o Centro-Oeste, com 18,3% e 19,1%, respectivamente, constituem as regiões em que esses religiosos mais se expandem. O Sul, onde se concentra o luteranismo, tem apresentado os mais baixos índices de crescimento evangélico. Por fim, o Sudeste, abriga 17,7% deles, correspondendo a um dos mais importantes pólos da expansão evangélica.

Os principais responsáveis por tal sucesso proselitista, observa Mariano (2004), foram os pentecostais, que cresceram 8,9% anualmente, enquanto os protestantes históricos atingiram a cifra de 5,2%. Os pentecostais, que perfazem dois terços dos evangélicos, saltaram de 8.768.929 para 17.617.307 adeptos (ou seja, de 5,6% para 10,4% da população) de 1991 a 2000, ao passo que os protestantes históricos passaram de 4.388.310 para 6.939.765 (de 3% para 4,1%). Para Mariano (2004), esse aumento foi possível graças à agudização das crises social e econômica, ao aumento do desemprego, ao recrudescimento da violência e da criminalidade, ao enfraquecimento da Igreja Católica, à liberdade e ao pluralismo religioso, à abertura política e à redemocratização do Brasil, e à rápida difusão dos meios de comunicação de massa. Outro aspecto que Mariano (2004) ressalta é que, apesar do elevado número de denominações pentecostais no país, a Assembleia de Deus, a Congregação Cristã no Brasil e a Universal do Reino de Deus, juntas, concentravam, em 2000, 74% dos pentecostais.

Quanto ao perfil socioeconômico e demográfico dos pentecostais e dos protestantes, eles são bastante distintos. Dados do Censo de 2000 revelavam que a maioria dos pentecostais apresentava renda e escolaridade inferiores à média da população brasileira. Em contraste, os protestantes históricos apresentam renda e escolaridade elevadas, ambas bem superiores à média brasileira, estando distribuídos mais nos níveis escolares de segundo grau, graduação e pós-graduação e nas faixas de renda entre seis e vinte salários mínimos.

Pentecostais e protestantes são majoritariamente urbanos e apresentam maior proporção de mulheres que de homens. Quanto à cor dos fiéis, os primeiros sobressaem pela presença de pretos e pardos superior à média da população, enquanto os últimos pela maior proporção de brancos.

No plano teológico, os neopentecostais caracterizam-se, conforme Mariano (p. 124, 2004), por enfatizar guerra espiritual contra o Diabo e seus representantes na terra, por

pregar a Prosperidade, e por rejeitar usos costumes de santidade pentecostais, tradicionais símbolos de conversão e pertencimento o pentecostalismo.

Encabeçado pela Igreja Universal45, o neopentecostalismo é a vertente pentecostal

que mais cresce atualmente, garante o supracitado autor, o qual a descreve como sendo, do ponto de vista comportamental, a mais liberal, que suprime características sectárias tradicionais do pentecostalismo e rompe com boa parte do ascetismo contra cultural tipificado no estereótipo pelo qual os crentes eram reconhecidos. Seus fiéis foram liberados para vestir roupas da moda, usar cosméticos e demais produtos de embelezamento, frequentar praias, piscinas, cinemas, teatros, torcer para times de futebol, praticar esportes variados, assistir a televisão e vídeos, tocar e ouvir diferentes ritmos musicais, exemplifica Mariano (p. 124, 2004); com exceção da Deus é Amor, que manteve incólume a velha rigidez ascética.

Por fim, com relação a todos os três grupos, ainda permanecem alguns pontos em comum, lembra Mariano (2004): a interdição ao consumo de álcool, tabaco e drogas e ao sexo extraconjugal e homossexual.

Diante de todos esses dados, pergunta-se: Qual o papel desempenhado pelas igrejas evangélicas nos estabelecimentos prisionais? Seriam elas responsáveis por prover aos apenados apenas apoio moral, um conforto espiritual, ou também fornecem outros atrativos, como, por exemplo, suportes materiais?

Kronbauer (2010) afirma que a maior presença desses religiosos nas prisões se verifica principalmente a partir da década de 90, momento que coincide com a aceleração da expansão evangélica no país. É importante que se destaque que o mais importante não é a quantidade de evangélicos nas prisões, mas, sobretudo, o comportamento distintivo deles em relação ao restante da população carcerária.

Lobo (2005) acredita que o sucesso desse empreendimento se dá em grande parte pelas condições que o sistema penitenciário oferece ao indivíduo condenado pela justiça para o cumprimento da sua pena: superlotação de prisões, condições precárias de sobrevivência,

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A Igreja Universal, segundo Mariano (2004), foi fundada pelo fluminense Edir Bezerra Macedo (antes católico e freqüentador de Umbanda), em 1977, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, onde antes funcionava uma pequena funerária. Entre 1980 e 1989, o número de templos cresceu 2.600%. Nos primeiros anos, encontrava-se presente nas regiões metropolitanas do Rio de janeiro, São Paulo e Salvador; e na década de 1990, já se localizava em todos os estados brasileiros. Conquista adeptos majoritariamente entre os estratos mais pobres e menos escolarizados da população. A extraordinária expansão numérica e institucional da Igreja Universal, segundo o supracitado autor, resulta do desempenho de sua liderança eclesiástica e administrativa à frente do governo denominacional, do trabalho religioso em período integral e da eficiência de seu clero, do ativismo militante dos obreiros, do poder de atração de sua mensagem, do investimento em redes de comunicação e da acentuada eficácia das técnicas e estratégias de proselitismo eletrônico, da oferta sistemática de serviços mágicos adaptados aos interesses materiais e ideais de estratos pobres da população, do sincretismo de crenças e práticas mágico-religiosas em continuidade com a religiosidade popular.

lentidão da justiça no andamento dos processos; o que demonstra a violação de direitos da parte das autoridades, que deveriam garanti-los aos presos.

Em sua Dissertação de Mestrado, por exemplo, o autor garante que os presos evangélicos formam um grupo com comportamento muito peculiar e com presença significativa em prisões gaúchas, principalmente os oriundos das denominações pentecostais, como Assembleia de Deus, Deus é Amor, Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus (Show da Fé) e Pentecostal Cristã.

Bourdieu (1989) acredita que a religião vai além de uma demarcação propriamente religiosa, cumprindo também funções sociais. Os leigos, segundo ele, esperam da religião não apenas justificações de existir capazes de livrá-los da angústia existencial da contingência e da solidão, da miséria biológica, da doença, do sofrimento ou da morte; como também contam como ela para que lhes forneça justificações de existir em uma posição social determinada, em suma, de existir como de fato existem, ou seja, com todas as propriedades que lhes são socialmente inerentes.

Melo (2007) chama a atenção para o fato das igrejas evangélicas assumirem, muitas vezes, dentro dos presídios, atribuições que ultrapassam as limitações religiosas tradicionais, alcançando outros campos, como a assistência social, o apoio financeiro e a interferência jurídica. “O ato de culto é um ato social de reunião, em que o grupo restabelece sua relação com os objetos sagrados e, através destes, com o além, e ao fazê-lo reforça sua solidariedade e reafirma seus valores.” (MELO, p. 3, 2007).

Parece que o detento adere ao pentecostalismo assim como as massas mais pobres e desfavorecidas das cidades também aderem. O fiel que está preso parece não ser diferente do fiel que está solto, suas necessidades podem diferenciar-se em alguns aspectos, mas os quesitos opressão econômica e carência educacional, os tornam parecidos. Tanto na penitenciária como na rua, existem pessoas que sofrem do abandono social e econômico, que buscam uma intervenção para a situação em que vivem. Esta ajuda aparece na pregação da igreja pentecostal, cujo discurso do pastor lhes promete a solução desses problemas, não apenas pelas práticas religiosas, mas também pelas práticas assistencialistas, pela amizade, pela disposição em ouvi-los, etc. (…) (MELO, p. 4, 2007).

Outro aspecto citado por Melo (2007), diz respeito à incerteza no preso em relação ao futuro, aliada a um mínimo de proteção e conforto oferecidos pela prisão. Esses fatores, para ela, fazem com que a religião se mostre como um paliativo para diminuir essas sensações desagradáveis. Melo (2007), fazendo uma análise sociológica da relação entre a igreja evangélica e o preso, conclui, nesse contexto, que há uma troca de interesses.

Melo (2007) afirma que de um lado está o detento que precisa da igreja para ajudá-lo materialmente (porque não tem dinheiro, não trabalha, o presídio não lhe oferece tal ajuda e a família que em vários casos não o visita para ajudá-lo), que precisa da cura da doença por meio sobrenatural, porque a assistência médica do presídio é caótica, que precisa de entretenimento porque lá na igreja ele envolve o seu tempo com atividades do culto, goza de maior prestígio social em suas relações com outros detentos, incrementa seu status social porque fala ao microfone, canta, dá testemunhos, dá conselhos aos outros, redefinindo-se à frente dos outros como um ser transformado e não mais moralmente marginalizado. Isso garante um sentimento familiar de uns com outros, substituindo os laços familiares perdidos, em que se chamam uns aos outros de irmãos e abraçam-se, oram juntos, etc., o que oferece segurança e confiança de que Deus cuidará da sua estada no presídio, dando conforto e coragem para transformar as situações difíceis.

De outro lado está a igreja que precisa do detento para preencher seus bancos bem como de seus familiares que ali vão visitá-lo, que por sua vez, podem se converter e passar a praticar a mesma religião nos seus templos lá fora, garantindo o crescimento de fiéis não só dentro da igreja local, mas também das tantas outras igrejas próximas às residências dos visitantes, favorecendo o trabalho de outros pastores da sua denominação.

Benzer Belgeler