Como definiu o poeta Geir Campos, “é o mestre Simeão ainda conhecido como o homem de sete instrumentos, sete fôlegos e setenta vezes sete jeitos de imaginar e realizar coisas” (CORREIOS DAS ARTES, João Pessoa, PB, 1956). Em sua coleção, o escritor muito bem representou os fazeres de José Simeão Leal e, aqui, ouso evocar, mais uma vez, as questões que, compreensivelmente, Bourdieu (2005) denomina de trajetória, campos e superfície social, cuja simultaneidade de ação não se desvincula do cotidiano. Dessa forma, o homem existe atuando em várias frentes, (AUGÉ, 1994).
Voltarei a falar sobre a saída de Simeão e Eloah Leal da cidade de João Pessoa, com destino à cidade do Rio de Janeiro, em fins de 1946. Para Simeão, contudo, parece interessante observar que a preocupação os acompanhara: deixar para trás Alfredo e Maroquinhas, seus pais, e sua única irmã, Nevy, já casada com Pedro Cordeiro, com sua primogênita Iêda. A menina pareceu entender os tios, passando a corresponder-se com eles, enviando-lhes notícias sobre os avós, a exemplo da carta objetiva e breve, datada de 01 de julho de 1947:
Queridos Titios
Fiquei muito contente quando recibi a cartinha de voceis.
Tive muita vontade de ir também, pois querida titia desejava tanto lhe ver gosto tanto dos queridos titios.
Tenho muita saudades de vocês, de papai e mamãe. Tenho tido muito cuidado com vovô.
Muitos beijos e abraços meus e de Lucinha. Saudades de
Apesar da carta trazer como local do emissário o Rio de Janeiro, Iêda Linhares, em entrevista concedida em fevereiro de 2008, ratificou que a carta foi emitida em João Pessoa para os tios residentes no Rio de Janeiro. Ouso dizer que esse pode ser um típico engano de uma criança que gostaria de ver o Rio como local desejado. As notícias não chegavam apenas pela sobrinha, mas por meio de um conjunto de missivas enviadas por sua mãe, pai e amigos, parte deles fazendo referências à situação familiar de seus parentes e, sobretudo, da situação de saúde do pai, Alfredo Simeão do Santos Leal, que veio a falecer em 1963, e sua mãe, em 1974. O estado de saúde de seus pais era preocupante. O filho, impossibilitado de estar em João Pessoa, solicitava aos primos Ney e Aderbal de Almeida
Fac-símile 12: Carta da sobrinha Iêda, filha de Nevy Fonte: AJSL
que verificassem e acompanhar a situação dos pais. Por outro lado, o criterioso cuidado de sua irmã fazia com que ela lhe enviasse os exames de saúde de seus pais, para que ele, na qualidade de médico, pudesse avaliar ou mesmo interrogar, por telefone, os responsáveis.
Não obstante, os conflitos e desafios familiares não interferiam em seus afazeres. Por isso, em pouco tempo, logrou êxito no Cargo de Diretor do Serviço de Documentação e prestígio no Ministério, sendo encarregado por Portarias ministeriais de exercer outras atividades paralelas, a exemplo da Portaria nº 305 e 307, de 09 de julho de 1949, que o designa para presidir a Comissão Organizadora da Exposição de Educação de Base no Seminário Inter-americano de Alfabetização e Educação de adultos. É fato que suas atividades e conhecimento voltavam-se para a área cultural, porém, nesse caso, tratava-se de uma exposição, o que era de domínio do seu campo de atuação.
O exercício de suas atividades, desenvolvidas com afinco, foi condecorado com a medalha de Rui Barbosa, conferida pelo Ministro da Educação e Saúde, Dr. Clemente Mariani Bittencourt, em 05 de novembro de 1949.
Outras designações lhes foram confiadas, entre elas, a de membro da Comissão Organizadora do I Congresso Brasileiro de Prática e História Literária, na qualidade de representante do ministro. O fato é que representar o Ministério em atividades culturais tornou-se rotina no cotidiano do paraibano, razão por que essas atividades já foram sendo incorporadas no seu dia-a-dia como se fossem atribuições da função, embora já se saiba que eram designações. Mas, Simeão não hesitou em aceitá-las, o que põe em destaque a vivacidade desse homem em priorizar o trabalho.
Seu autodidatismo, associado ao conhecimento que adquirira e desenvolvera sobre editoração, fê-lo abraçar o desafio de tornar-se, de 1953 a 1955, professor substituto das Disciplinas: Técnicas de Jornal; Publicidade e Rádio-Jornalismo, no Curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, passando, em 1961, a desempenhar a docência, atividade publicada no Diário Oficial em 13 de dezembro de 1961. Com efeito, passa o editor a acumular também, e em paralelo, as atividades de professor, atividade que já desempenhara em João Pessoa, no ensino médio, e formação colegial, no Instituto de Educação e no Liceu Paraibano. De modo que encarar uma sala de aula para o editor-professor autodidata, era estender as conversas já há muito realizadas em seu Gabinete no Serviço de Documentação.
O habitual recurso utilizado por ele foi imprimir uma orientação moderna e dinâmica, ensinando os alunos a redigirem, comporem e paginarem um bom jornal ou
periódico, seguindo, para tanto, os cânones mais rigorosos da arquitetura da editoração e impressão. Inovando, Simeão chamou ao debate a temática do jornalismo esportivo, convidando como palestrante o jornalista Mário Filho, então diretor do Jornal Sports, órgão de maior expressividade no jornalismo especializado. A explanação do convidado teve uma participação em massa, sendo cravado de perguntas. Em referência ao desempenho de Simeão Leal, o jornalista registrava: “Se todos os professores agissem como o professor Simeão Leal, não teríamos muito do que nos queixar. Ele fez, em um mês, o que não tivemos durante um ano”. Iniciou uma série de conferências com elementos conhecidos da nossa imprensa e abordou diversos aspectos do jornalismo. Já tivemos, aqui, Luís Jardim, o pintor Santa Rosa e o jornalista Antônio Calado, com a promessa da participação de outros nomes ligados ao jornalismo nacional e internacional.
Sua atuação como professor foi reconhecida pelo corpo discente que o homenageou, tomando-o como padrinho da turma. A homenagem ficou registrada na expressiva frase que acompanha o registro fotográfico: “ao professor Simeão Leal com a admiração da turma de jornalismo de 1952”.
Fotografia 19: Turma concluinte de Jornalismo/UFRJ, 1952. Fonte: AJSL
Para Simeão ser tomado como padrinho, era um reconhecimento, principalmente, porque conhecia o sentido de padrinho no campo religioso, tanto no catolicismo quanto nas religiões de origem afro, em que o padrinho é a representação do sagrado, do pai, da mestria. Essa era uma homenagem corriqueira, no cotidiano acadêmico de Simeão. Um dos expressivos momentos ocorreu em 1975, quando deixou o Cargo de Diretor da Escola de Comunicação. Na ocasião de sua homenagem, proferiu seu discurso, dizendo:
Meus caros afilhados,
Sempre me espantam e me confundem as homenagens, pois na realidade não encontro mérito no resultado daquilo que se faz com alegria e amor. Esta, porém, me é particularmente grata e tem significação de um reconhecimento, ainda que generoso para quem acaba de cumprir a sua tarefa, na direção desta escola, e que, se aproximando da aposentadoria [efetivada compulsoriamente em 1979], recebe a mais alta deferência que como alunos podem manifestar. Vocês, meus queridos bacharelandos, por coincidência que tem para mim um sentido muito especial, foram participantes dos mais úteis nas transformações que se realizaram nestes quatro anos.
Não sabem, mas eu mão me esqueço, e quão profundamente reconhecido estou, que foi neste tumultuado e estimulante convívio, no princípio, amorável e produtivo nos últimos tempos, que mais recebi, do que podia e devia dar, se mais e melhor estivesse preparado, para esta maravilhosa tarefa, que é de compreender e ajudar a juventude na procura e encontro de sua destinação neste difícil e conturbado momento porque estamos passando.
Esta escola cuja origem foi o curso de jornalismo na antiga e fecunda faculdade de Filosofia, tornou-se necessária com o tempo, uma readaptação, frente ao grande desenvolvimento da moderna tecnologia. Instalada no velho e inadaptado casarão da Praça da República, onde o silêncio das salas de aula era perturbado pelos gritos dos presos de uma delegacia vizinha, e onde algumas vezes, para divertimento dos estudantes, éramos surpreendido com a passagem precipitada pelos corredores de algum fugitivo em busca de lugares mais amenos. Não se podia dizer que aquilo fosse um laboratório, nem um edificante exemplo para a juventude.
Ao conseguirmos a vinda da Escola para este magnífico Palácio encontraram os estudantes não somente um ambiente mais compatível com suas obrigações discentes, como a oportunidade de manterem um relacionamento com colegas de outras escolas com excelentes resultados. Creio, porém, que parte do entusiasmo que empreguei nesta mudança, não deve ter deixado de influir uma certa ternura ao reencontrar uma casa. Que em tempo remoto, fiz uma parte de meu curso médico.
Mais aspectos marcaram a nossa preocupação durante a passagem na direção desta escola: 1) a formação de um corpo docente composto de jovem professor de alto nível cultural e dedicação ao ensino, que juntamente com os estudantes mantém clima de compreensão e trabalho; 2) Reciclagem dos cursos, não com uma vaga e indefinida cultura humanística, mas integração entre as ciências humanas e tecnológicas, para uma melhor adequação aos princípios fundamentais da Escola;
3) A criação de curso de Pós-graduação, preocupação maior hoje da política educacional e de onde certamente sairão os Mestres e Doutores para a consolidação da reforma universitária como matéria urgente e de interesse nacional.
Não precisa e não desejo falar nas excelências da comunicação, assunto já agora de preocupação universal, particularmente vocês que durante quatro anos ocasião de adquirir seus conhecimentos e refletirem sobre suas imensas possibilidades.
uma multiplicidade tão grande das profissões. Algumas carreiras podem variar, mas sempre no âmbito de suas especializações, a comunicação ao contrário possibilita uma diversificação de atividades condicionadas pelo mesmo espírito de sua formação, nas mais diversas formas, seja no setor privado ou público. Essa preparação formará uma consciência doutrinária e técnica que orientará no melhor do seu comportamento social e profissional.
Fala-se muito do número de comunicadores que surgem todo ano, bem-vindos sejam eles e que tragam uma mensagem de carinho e compreensão para todas as pessoas que passam pela vida indiferentes, amargas e solitárias.
É pois da universidade, e para isto ela tem um compromisso com a sociedade, que devem sair os quadros profissionalizados ou não, porque só ela dá uma completa formação, incluindo, não somente uma preparação cultural e espiritual, como desenvolvendo a sua capacidade de decisão e de crítica. De parabéns esta a nossa Escola com o seu novo e ilustre Diretor meu querido professor Marcial _____________.
Isto também foi trabalho de vocês.
Por último quero dizer do meu profundo reconhecimento e o desejo de que tenhas o maior sucesso, e que façam da vida um ato de fé e amor, porque só assim será possível, dar e receber um pouco de alegria e felicidade neste imprevisível e adoidado mundo que os nossos antepassados nos legaram e que é ainda o único que temos.
Com as desculpas do mau orador. Mas isto foi imprudência de vocês.
Em seu discurso, Simeão reflete sobre a reforma universitária, a preocupação voltada para o mercado de trabalho e a formação humanística pautada em sua concepção interdisciplinar e sensibilidade profissional. Ao mesmo tempo em que executava suas funções como Diretor do Serviço de Documentação, professor substituto da Universidade do Brasil, Simeão também auxiliava o ensino superior na Paraíba, conforme esta notícia veiculada no Jornal A União, de 30 de maio de 1953: “O Ensino Superior na Paraíba: O conselho superior do Ensino reconhece a Faculdade de Direito e autoriza o funcionamento da Politécnica de Campina Grande”, esforços envidados pelo interesse do escritor José Simeão Leal.
Atitudes dessa natureza o fazem reconhecido por seus pares, como discorre Salvador Bruno, em carta datada de Porto Alegre (RS), 20 de janeiro de 1956:
Prof Simeão Leal Prezado amigo. Saúde!
A minha volta ao Rio Grande foi surpreza e precipitada. Em verdade eu não voltei: fui devolvido. O trauma emocional ocasionado pelos espantosos acontecimentos que me empurraram para a querência impediu-me inclusive de agradecer ás pessoas que se distinguiram aí no Rio, levando- lhes pelo menos, um abraço de despedida e de gratidão pelo acolhimento recebido.
Aqui tive que enfrentar os percalços da readaptação. Tudo mais difícil do que esperava. Os dias passando e mais de um ano assim transcorreu.
Fazendo um balanço desse tempo, verifico que na nossa cadeira de técnica de Periódico nada progredi. Luto com as dificuldades de sempre: falta de livros, de roteiro, de programas, enfim de
experiência alheia para criar ou seguir um currículo adequado.
No ano letivo de 55, dei prática de jornal nas oficinas e redação, isto a pedido dos alunos do 3º ano que se ressentiam de um aprendizado profissional.
As aulas despertaram interesse e nelas absorvi todo o ano que passou. Cumpri o meu dever, é certo. Mas, a nossa Cátedra não foi enriquecida por nenhum subsidio novo e nem sequer enquadrada num programa próprio e independente.
Assim, considero malbaratado o meu esforço e perdido o ano letivo, isto do meu interesse pessoal que é o de me aparelhar para um curso verdadeiro de técnica de periódico.
[...]
Isto quer dizer que somente o prezado amigo poderá me valer na presente conjuntura. Faço aqui o meu apelo no sentido de “ceder” um pouquinho do seu tirocínio, fornecendo-me programa, livros (títulos, autor e editor), apostilhas e tudo o mais que considerar útil.
Caro Simeão, se você me falhar, penso, com pesar, pois a nomeação para a Cátedra foi a melhor e o mais digno que aconteceu na minha vida de velho jornalista, pedir exoneração, pois, não quero ludibriar os alunos que só têm se aproveitado do que aprendi no Jornal, nos quinze longos anos de profissão.
Tenho pouco tempo para estudar até a reabertura das aulas. Assim, peço seu interêsse urgente no atendimento deste meu apelo.
Com o meu afetuoso abraço ao talentoso professor amigo, meus respeitos à Exmª esposo, oferecendo a minha tapera gaúcha se, por sorte, algum dia você quizer honrar esta terra com a sua visita. Do Salvador Bruno
A atividade docente de Simeão também foi beneficiada por outras que exerceu,entre elas, o convite, de pronto aceito, feito pelo Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, para exercer as funções de Coordenador das Atividades Culturais da Secretaria de Educação e Cultura do Estado, Portaria nº 100, de 28 de fevereiro de 1962, que incluía os seguintes órgãos: Departamento de História e Documentação; Biblioteca Estadual e Bibliotecas Populares; Serviço de Teatro de Diversões; Serviço de Divulgação compreendido pela Rádio Roquette Pinto, Discoteca Pública, Cinema Educativo e Documentário. Sua ousadia lhe atraia mais atribuições, passando no mês de agosto seguinte, a incorporar, à sua responsabilidade, o Instituto de Belas Artes, a Escola Dramática Martins Pena, a Escola de Artes Líricas, a Escola de Dança e o Museu de Teatros.
Voltando a 1962, o então editor-jornalista-professor-produtor cultural foi à Universidade de Brasília, na qualidade de consultor, para assessorar a implantação e a estruturação da Editora Universitária.
A vida de Simeão era pautada em trajetórias. Ele atuava em várias frentes ao mesmo tempo, sendo difícil nomeá-lo em uma habilitação específica. Contudo, no campo da educação, foi inovador, ousado e participou da criação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no momento em que o mercado se abria para o campo industrial.
múltiplo por sua terra, seu estado? Inicio por afirmar, fundamentada em um conjunto de cartas e recortes de jornais, que ele visitava anualmente a Paraíba, ficando por mais ou menos 30 dias de férias ou mesmo em rápidas passagens, como registra Eloah que, estando no Rio Grande do Sul, escreve a Simeão, em carta datada de 04 de março de 1948: “Logo que chegar à Paraíba me escreva dizendo quando tenciona voltar”. Outros registros testemunham sua passagem por seu estado, inclusive, por sua terra Areia, onde participava de Festivais, ora a convite ora como simples participante. Sem esquecer suas raízes, das quais guardava, como relíquia, a fotografia do velho símbolo areiense, a velha gameleira, hoje inexistente.
Coutinho (2006) salienta, em depoimento, que Simeão atuou também como um forte iniciador da arquitetura moderna na Paraíba, incluindo, aí, a sua iniciativa em contatar Burle Max para projetar o jardim da Praça da Independência, em João Pessoa, depois de um período que atravessou os anos 30, da Art nouveau na Paraíba, como registra
[...] o melhor monumento de Art noveau no Brasil, foi o monumento funerário de Antenor Navarro, no Cemitério Senhor da Boa Sentença, depois de ter passado por essa fase de Art déco, entramos na arquitetura moderna e a primeira iniciativa ocorrida aqui na Paraíba, foi por intermédio de Simeão Leal que propôs o projeto da Maternidade Cândida Vargas. Foi a primeira grande iniciativa em termos de arquitetura moderna103.
Ora, as ações que Simeão desenvolveu vão evidenciando o entrelaçamento com grandes figuras do seu tempo, no centro das quais aparece, articulando uma série de iniciativas da maior importância não somente para a Paraíba, mas, também, para o Brasil. Ele atraiu Burle Max para o projeto do jardim da Praça da Independência104 e Bruno
Fotografia 20: Recordação de Areia/PB Fonte: AJSL
103 Em matéria de arquitetura, algumas iniciativas já haviam sido iniciadas no estado, no governo do interventor
Gratuliano da Costa Brito, com a construção da Secretaria da Fazenda no aspecto de Art déco.
104 Projeto original nunca realizado, lamentavelmente. Nos anos 30, Burle Marx executou o projeto para a Praça
Giorgi105, que rendeu à Paraíba o busto de José Lins do Rêgo, ocupando a Praça da cidade
de Pilar, cuja réplica se encontra no Museu José Lins do Rêgo, como mostra a reportagem do Jornal Correio da Paraíba, de 25 de agosto de 1963, ao entrevistar o escritor Juarez da Gama Batista106:
[...] Durante as visitas que fiz ao meu querido amigo Simeão Leal, que é sem dúvida, o dono dos assuntos culturais dêste país. Conversamos sobre vários temas da nossa terra, e com a sua visão e conhecimento dos problemas culturais paraibanos, logo tomou ele várias providências para ajudar o trabalho pioneiro que vem sendo desenvolvido pela Universidade [da Paraíba] e por cada um de nós pessoalmente. Entre outras, a vinda do pintor Di Cavalcanti á Paraíba para pronunciar duas ou três conferências, além de debates com os interessados em artes plásticas na Paraíba. [...]. Outro convite foi feito pelo Simeão Leal ao Bruno Giorgi, um dos maiores escultores do continente, que aceitou, também, em princípio, vir executar uma obra aqui, trabalhando em atelier livre na presença dos alunos do Curso de Artes Plásticas da Universidade, e deixando para a Paraíba esta obra que por todos os títulos valerá como um marco de alto nível e seriedade da nossa vida cultural. Ainda através do Simeão leal, podemos contar, ainda este ano, com a presença de Euryalo Cannabrava na Paraíba.
Aconselhou a criação do Núcleo de Arte Contemporânea, na Universidade Federal da Paraíba, além de se manter sempre como um consultor para a cidade de Campina, quando se coloca à disposição da Direção do Museu de Arte Assis Chateaubriand. Apoiou seu primo Elpídio de Almeida, quando prefeito de Campina Grande, na orientação de projetos voltados para a área de saúde e de cultura. Essa discussão, por sua vez, daria outro estudo, com o objetivo de focar os fazeres e viveres de José Simeão em terras paraibanas ou sobre os amantes da terra, o que não será possível no momento, devido às limitações que impõem todo e qualquer percurso acadêmico na exploração de uma temática.
105 Nasceu em 1905, em Mococó, São Paulo, e faleceu em 1993, na cidade do Rio de Janeiro. Os primeiros estudos
voltados para a arte de esculpir deram-se em Roma, por volta de 1920. Em 1935, em Paris, recebeu orientação