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Belgede raporu faaliyet (sayfa 38-41)

A Constituição Federal estabeleceu, no parágrafo 1º do artigo 182 somente

uma hipótese de obrigatoriedade de edição de plano diretor: cidades com mais de

20 mil habitantes.

Algumas normas infraconstitucionais, porém, ampliaram esse rol. É o caso

da Lei 10.257/2001, Estatuto da Cidade, no plano federal e algumas Constituições

de Estados-membros, no plano estadual, como a de São Paulo e a do Amapá.

Seria essa ampliação inconstitucional, à luz do princípio da autonomia dos

municípios, configurando indevida invasão de competência, por parte da União ou

dos Estados, ao impor a tais entes federados uma exigência que desborda o quanto

determinado de forma expressa na Constituição Federal?

O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a ampliação da

exigência de elaboração de plano diretor pela Constituição Estadual do Amapá,

conforme se verifica pelo julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade

promovida em face de Constituição Estadual, cuja ementa é transcrita a seguir:

DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MUNICÍPIOS

102

COM MAIS DE CINCO MIL HABITANTES: PLANO DIRETOR. ART. 195, "CAPUT", DO ESTADO DO AMAPÁ. ARTIGOS 25, 29, 30, I E VIII, 182, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E 11 DO A.D.C.T. 1. O "caput" do art. 195 da Constituição do Estado do Amapá estabelece que "o plano diretor, instrumento básico da política de desenvolvimento econômico e social e de expansão urbana, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para os Municípios com mais de cinco mil habitantes". 2. Essa norma constitucional estadual estendeu, aos municípios com número de habitantes superior a cinco mil, a imposição que a Constituição Federal só fez àqueles com mais de vinte mil (art. 182, § 1º). 3. Desse modo, violou o princípio da autonomia dos municípios com mais de cinco mil e até vinte mil habitantes, em face do que dispõem os artigos 25, 29, 30, I e VIII, da C.F. e 11 do A.D.C.T. 4. Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada procedente, nos termos do voto do Relator. 5. Plenário: decisão unânime.103

A vedação de ampliação do rol também se aplicaria, pelas mesmas razões

que fundamentam este acórdão, ao disposto no parágrafo 1º do artigo 181 da

Constituição do Estado de São Paulo, que impõe a todos os municípios paulistas o

dever de elaborar planos diretores

104

.

E,

mutatis mutandi, os argumentos do acórdão em prol da

inconstitucionalidade de lei infraconstitucional que alarga o rol constitucional também

poderiam ser aplicados, em tese, às disposições contidas nos incisos II a V do artigo

41 do Estatuto da Cidade, que igualmente ampliam o rol constitucional de municípios

obrigados à elaboração de plano diretor

105

.

103

STF, ADIn n. 826/9, AP, Rel. Min. Sydney Sanches, j. em 17.09.1998, DJ de 12.03.1999. 104

“Artigo 181 - Lei municipal estabelecerá, em conformidade com as diretrizes do plano diretor, normas sobre zoneamento, loteamento, parcelamento, uso e ocupação do solo, índices urbanísticos, proteção ambiental e demais limitações administrativas pertinentes.

§ 1º - Os planos diretores, obrigatórios a todos os Municípios, deverão considerar a totalidade de seu território municipal.

§ 2º - Os Municípios observarão, quando for o caso, os parâmetros urbanísticos de interesse regional, fixados em lei estadual, prevalecendo, quando houver conflito, a norma de caráter mais restritivo, respeitadas as

respectivas autonomias.

§ 3º - Os Municípios estabelecerão, observadas as diretrizes fixadas para as regiões metropolitanas, microrregiões e aglomerações urbanas, critérios para regularização e urbanização, assentamentos e loteamentos irregulares.

§ 4º - É vedado aos Municípios, nas suas legislações edilícias, a exigência de apresentação da planta interna para edificações unifamiliares. No caso de reformas, é vedado a exigência de qualquer tipo de autorização

administrativa e apresentação da planta interna para todas as edificações residenciais, desde que assistidas por profissionais habilitados. (parágrafo 4º acrescentado pela Emenda Constitucional nº 16, de 25 de novembro

de 2002)”.

105

Com efeito, em que pese o inciso I estar em conformidade com a disposição

constitucional e o inciso III configurar-se claramente uma faculdade, os incisos II, IV

e V criam uma obrigação de elaboração de plano diretor que extravasa o preceito

constitucional. Por esses preceitos, ficam obrigados à elaboração de plano diretor os

municípios que integrarem regiões metropolitanas, aglomerações urbanas, áreas de

especial interesse turístico e os que estiverem inseridos na área de influência de

empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito

regional ou nacional.

No entanto, é possível ponderar que, à luz do sistema constitucional pátrio,

que determina que é competência da União estabelecer diretrizes e normas gerais

em matéria urbanística (artigo 21, inciso XX e artigo 24, inciso I, e parágrafo 1º, da

Constituição Federal), pode a lei federal remodelar o rol de municípios sujeitos à

obrigatoriedade de edição do plano diretor.

Nesse cenário, a previsão constitucional serviria de parâmetro mínimo a ser

seguido.

Nessa ordem de idéias, a rigor não se aplica às disposições do artigo 41 do

Estatuto da Cidade a postura adotada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal no

sentido da inconstitucionalidade da ampliação do rol de municípios sujeitos à

obrigatoriedade de edição de plano diretor.

Ocorre que, em relação às normas estaduais, caso das Constituições do

Amapá e de São Paulo, igualmente não se sustenta a idéia de inconstitucionalidade

da ampliação do rol de municípios sujeitos à obrigação de elaboração de plano

diretor. Isso porque o artigo 24 da Constituição Federal é aplicável não somente à

I – com mais de vinte mil habitantes;

II – integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas;

III – onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4º do art. 182 da Constituição Federal;

IV – integrantes de áreas de especial interesse turístico;

V – inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional”.

União, mas igualmente aos Estados e ao Distrito Federal, verbis:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

I – direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; (...)

§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.

§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados.

§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.

§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.

A Constituição do Estado do Amapá, cujo dispositivo a respeito da

obrigatoriedade de plano diretor

106

foi contrastado pela Ação Direta de

Inconstitucionalidade cuja ementa foi acima reproduzida, foi promulgada em 20 de

dezembro de 1991. A Constituição do Estado de São Paulo, por sua vez, foi

promulgada em 05 de outubro de 1989.

Trata-se de legislações estaduais que estabeleceram normas gerais sobre

direito urbanístico quando os Estados eram dotados de competência legislativa

plena sobre a matéria, nos exatos termos do disposto no artigo 24, inciso I, e

parágrafo 3º, da Constituição Federal.

gerais sobre direito urbanístico (Lei 10.257/2001) que, nos termos do parágrafo 4º do

artigo 24 da Constituição Federal, suspendeu a eficácia das normas estaduais,

naquilo que lhe eram contrárias.

Vale dizer, assim, que as disposições das Constituições estaduais que

previam um rol de municípios mais alargado que o previsto no Estatuto da Cidade

tiveram sua eficácia suspensa, o que não é a mesma coisa que

inconstitucionalidade.

Com efeito, a norma que tem sua eficácia suspensa não é retirada no

ordenamento jurídico, havendo a possibilidade de sua revigoração na hipótese de a

legislação estadual sofrer alteração que deixe de ser incompatível com a disposição

estadual. No caso da declaração de inconstitucionalidade, pela via direta, a norma

tida por inconstitucional não pode ser revigorada, uma vez que o ordenamento

jurídico não admite a repristinação

107

.

Na mesma ordem de idéias, a Constituição do Estado de São Paulo não

traria, na primeira parte do parágrafo 1º do artigo 181, uma disposição

inconstitucional, mas tão somente uma regra de eficácia suspensa. No entanto, para

isso, far-se-ia necessária a provocação de declaração judicial.

É bom, porém, analisar mais detidamente o acórdão ora em estudo, uma vez

que ousamos respeitosamente discordar das conclusões ali contidas.

O acórdão em tela, proferido em Ação Direta de Inconstitucionalidade

promovida em face da Constituição do Estado do Amapá invoca o disposto no artigo

25 da Constituição Federal, no entanto, esse preceito não deve incidir na hipótese.

Diz o texto do artigo 25 da Constituição Federal:

106

“Art. 195 - O plano diretor, instrumento básico da política de desenvolvimento econômico e social e de expansão urbana, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para os Municípios com mais de cinco mil habitantes”. – Constituição do estado do Amapá.

107

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição.

§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhe sejam vedadas por esta Constituição.

Não há, por força do disposto no artigo 24, inciso I e seus parágrafos, da

Constituição Federal, conforme acima explanado, vedação qualquer ao exercício da

competência concorrente para a edição de normas gerais relativas a direito

urbanístico. Assim, não se vislumbra a apontada violação do dispositivo

constitucional em comento.

Outrossim, o artigo 29 da Constituição Federal estabelece o regime jurídico

dos municípios brasileiros, enquanto que o artigo 30 estabelece a competência

municipal. Ambos são também apontados como violados no v. acórdão.

Os incisos I e VIII do artigo 30 da Constituição Federal, referidos de forma

específica, assim dispõem:

Art. 30. Compete aos Municípios:

I – legislar sobre assuntos de interesse local;

(...)

VIII – promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

(...)

Ora, mais uma vez, a teor do quanto determinado no artigo 24, inciso I e

seus parágrafos, da Constituição Federal, não há qualquer interferência na

autonomia municipal estabelecida nos artigos 29 e 30 quando os Estados exercem

sua competência residual (exercício das competências não vedadas pela

Constituição, conforme o parágrafo 1º do artigo 25) e concorrente (legislar sobre

direito urbanístico e estabelecer normas gerais, exercendo competência substitutiva

plena ou suplementar, conforme o artigo 24, inciso I, e seus parágrafos).

Resta analisar o teor do artigo 11 do Ato das Disposições Constitucionais

Transitórias, a fim de apurar se é ali que reside eventual inconstitucionalidade, em

tese, em relação aos dispositivos das Constituições Estaduais que estabeleceram

normas mais amplas, no que concerne à obrigatoriedade dos municípios sob sua

área de influência promoverem a edição de planos diretores.

O teor do referido dispositivo do Ato das Disposições Constitucionais

Transitórias é:

Art. 11. Cada Assembléia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta.

Três hipóteses de inconstitucionalidade podem aflorar à luz do dispositivo:

a) o Estado não elabora sua Constituição: Não é o caso dos Estados do

Amapá e de São Paulo;

b) o Estado elabora sua Constituição fora do prazo estabelecido no caput do

artigo 11 do ADCT: De fato, o Estado do Amapá só promulgou sua Constituição

depois de ultrapassado o prazo de um ano. No entanto não parece ter sido essa a

razão de decidir do acórdão proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade. Se

fosse, toda a Constituição do Estado do Amapá seria reputada inconstitucional

perante a Constituição Federal, o que não é o caso. Em relação a São Paulo o prazo

estabelecido no artigo 11 do ADCT foi cumprido;

c) o dispositivo da Constituição Federal atacado na Ação Direta de

Inconstitucionalidade não obedece aos princípios da Constituição Federal: O

princípio em jogo na questão posta na ADIN é o princípio da autonomia municipal,

que, como já visto, não restou atingido, ante o que dispõe expressamente a

Constituição Federal em seu artigo 24, inciso I, e seus parágrafos.

Diante de tal cenário, verifica-se, mesmo, que na realidade não há

inconstitucionalidade no disposto no artigo 195 da Constituição do Estado do

Amapá. Pelas mesmas razões, não há que se falar em inconstitucionalidade em tese

do artigo 181 e seu parágrafo 1º, da Constituição do Estado de São Paulo, em face

da Constituição Federal.

Não há, porém, dúvida de que a eficácia de ambos os dispositivos das

Constituições Estaduais, ora analisados, pode ser declarada suspensa, ante o que

dispõe o parágrafo 4º do artigo 24 da Constituição Federal, mas não se pode

inquiná-los de inconstitucionais.

E, como já dito, tampouco se vislumbra inconstitucionalidade no disposto

nos incisos II, IV e V do artigo 41 do Estatuto da Cidade.

3.4. CONSEQÜÊNCIAS DA MORA LEGISLATIVA NA ELABORAÇÃO DO PLANO

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Benzer Belgeler