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Gelişimsel Kalça Displazisinde Yumuşak Doku Girişimleri

Considerando as abordagens de Claval (2011) e em virtude da importância do diálogo com outras áreas do saber, enunciamos, neste momento, a nossa busca por uma abordagem interdisciplinar na Geografia, tendo em vista a compreensão revelada por Santos (2010, p. 74), quando afirma que o conhecimento disciplinar “tende a ser um conhecimento disciplinado, isto é, segrega uma organização do saber orientada para policiar as fronteiras entre as disciplinas e reprimir os que as quiserem transpor”. Ao dialogar com outros campos do saber, vemos a possibilidade de compreender a diversidade dos fenômenos sociais inerentes ao nosso objeto de estudo. Compreensão semelhante se revela na fala de diferentes autores que discutem o tema e nos quais nos apoiamos para fundamentar nossa pesquisa.

Evidenciamos também o caráter revelador das reflexões postas por Silva (2009) acerca da presença da interdisciplinaridade na formação geográfica. Destaca o autor essa influência no “modo de pensar e de fazer Geografia no Brasil”, no momento de implantação do Curso de Geografia no país, com a contribuição de Pierre Monbeig. Sobre essa questão, Silva (2009, p. 20) infere que

a necessidade da troca de experiência entre os pioneiros que implantaram o curso de Geografia no país elegeu a interdisciplinaridade como uma das possibilidades para investigar fenômenos que pressionam a mescla das divisões tradicionais do conhecimento, especialmente entre Geografia, História, Sociologia e Antropologia.

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Concordamos também com as afirmativas de Gomes (2009, p. 73) que, ao delimitar as dimensões dos fenômenos econômicos, políticos e culturais, evidencia que essas dimensões são inter-relacionadas, e abrir mão delas significaria deturpar a compreensão dos fenômenos, porquanto “os fenômenos não são nunca exclusivamente econômicos, políticos ou culturais, mesmo porque teríamos dificuldades em defender os limites dessas esferas”.

Assim, apropriamo-nos dessas questões, porque a Geografia, durante muito tempo, segundo Claval (2011), não estabeleceu um diálogo que proporcionasse o entendimento das relações do homem com o ambiente. Há um momento em que a ciência geográfica sente a necessidade de buscar em outros campos novas maneiras de olhar a paisagem. Essa prática só foi possível, ainda segundo Claval (2011, p. 220-221), com a intervenção vinda “do exterior, a irrupção da fenomenologia nas ciências sociais”, ou seja:

A corrente nova parece virar as costas à atualidade: volta-se para as lembranças de infância e a maneira como modelam a sensibilidade das pessoas; fala-se daquilo que dá charme às paisagens; descobre-se a festa, o espetáculo [...] em vez de se empenhar em crescimento e em troca desigual, os geógrafos se questionam sobre identidades coletivas e sobre a maneira como se enraízam no território; voltam-se aos mitos e ao sentido que dão à vida dos homens.

Esses argumentos postos por Santos, Silva, Gomes Claval e Souza nos estimularam a interpretar o território quilombola Grilo, a partir de elementos da ordem social, econômica e política que resultaram em ordenamentos na configuração territorial atual da Comunidade Grilo. Para compreender esse processo de construção em sua diversidade e totalidade, consideramos necessário fazer o cruzamento do saber geográfico com outros campos do saber. No sentido posto, dialogamos com a História, a Sociologia e a Antropologia.

Para discutir sobre a importância da dimensão econômica, recorremos a uma discussão feita por Engels, em carta para J. Bloch, no ano de 1890, na obra de Marx (2010, p. 103-104), quando, ao discorrer sobre o rumo das concepções vulgares que tomou o materialismo histórico, no Século XIX, revela que nem ele nem Marx jamais afirmaram que o fator econômico seria o único determinante da história, porque “o fator que, em última instância, determina a história é a produção e a reprodução da vida real”. Ainda de acordo com o mesmo autor,

[...] a situação econômica é a base, mas os diversos fatores da superestrutura que se erguem sobre ela – teorias jurídicas, políticas, filosóficas, as ideias religiosas e o seu desenvolvimento ulterior até a sua conversão num sistema

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de dogmas – exercem também sua influencia sobre o curso das lutas históricas e determinam, em muitos os casos predeterminam, a sua forma.

Não é nossa intenção negar a importância do debate sobre o modo de produção capitalista e as contradições sociais e políticas que esse modelo, desigual e contraditório, traz para nossa sociedade55. Apenas nos chamam a atenção outras dimensões da realidade que se somam e que se manifestam ambiguamente, em consonância com a dimensão econômica e, que, muitas vezes, até se desdobra dela, como a dimensão cultural, que, não raras vezes, entrelaçada com a dimensão econômica da sociedade, constrói, reconstrói e dinamiza a paisagem que representa e que a alimenta. No presente caso, nossas reflexões estão voltadas para a dimensão espacial da cultura, na transformação do território e na construção da territorialidade e, como a identidade, insere-se no plano das estratégias políticas e culturais em nosso estudo de caso. A interpretação demanda informação e revela, em seu rito, sutilezas que nos fazem lembrar três autores: Clifford Geertz (1989), Bosi (1998) e Chauí (1988).

Bosi (1998, p. 11) recorre à origem das palavras para reafirmar o vínculo indissociável entre os fenômenos e a linguagem. Assim, argumenta: “começar pelas palavras talvez não seja coisa vã. As relações entre os fenômenos deixam marcas no corpo da linguagem”. Geertz (1989) nos faz desconfiar da aparência e nos convida a refletir sobre questões aparentemente banais, como uma mera piscadela que, por si só, nada significa, mas, em um grupo social, pode ter diversos sentidos e significados. Chauí (1989) traz o termo ambiguidade, que nos fornece subsídios para pensar a dinamicidade que envolve o grupo social pesquisado.

Do exposto, enunciamos algumas indagações necessárias para pensar no caminhar teórico desta pesquisa. Afinal, o que entendemos sobre cultura? A ciranda, como prática reminiscente, é um elemento cultural gerador de identidade e de estratégias no território do Grilo? Como esse elemento cultural colabora no sentido de dar forma material e simbólica ao território? Essas questões, como pano de fundo, permitem-nos concordar com a colocação de Rodrigues (2011, p. 119), ao afirmar que “a consciência da cultura como patrimônio nos leva a tomar as dimensões simbólicas da construção territorial como referência à Geografia”. Assim, antes de trazer para debate as reminiscências relativas às práticas culturais, sobretudo, a ciranda, que evocam crenças e valores e constroem o sentimento de pertencimento na construção, produção e reprodução da territorialidade, achamos necessário historiar o conceito

55 Sobre esse tema, há um acúmulo de informações e de debates desde o Século XIX. Na geografia agrária

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de cultura, tentando mostrar como esse elemento, comumente esquecido pela Geografia, foi preocupação das investigações dessa ciência.