O CPC, para devido desempenho de suas funções e desenvolvimento das atividades do qual se propõe, terá, segundo Martins et al (2007, p.25), como produto de seus esforços três diferentes tipos de documentos:
1) Pronunciamentos Técnicos – são as "normas" propriamente ditas, que não têm esse nome pelo fato de que as normas serão emitidas pelos órgãos reguladores próprios aprovando esses Pronunciamentos Técnicos;
2) Interpretações – documentos complementares a serem emitidos quando, espera-se raramente, surgirem dúvidas quanto ao efetivo entendimento do que estiver proposto num Pronunciamento Técnico; e
3) Orientações – documento sobre assuntos que não devam, por sua abrangência ou algum outro motivo, sair na forma de Pronunciamento Técnico, ou que exijam maior agilidade na sua emissão.
Os Pronunciamentos Técnicos serão obrigatoriamente submetidos a audiências públicas, sendo que as Orientações e Interpretações poderão também sofrer esse processo, se necessário.
O CPC possui um Regimento Administrativo, principalmente para a Coordenadoria Técnica, que possui um roteiro de como deverá se procedida a aprovação de documentos, sendo que para Pronunciamentos Técnicos o procedimento é mais rigoroso. A aprovação final depende da aprovação de 2/3 dos membros do CPC, conforme exposto, obedecendo as seguintes orientações, dentre outras:
(a) Audiência pública: por correspondência, imprensa, internet, sempre; outras formas,
conforme a matéria;
(b) Procedimentos para a emissão dos atos: especialista(s) elabora(m) primeira minuta;
Grupo de Trabalho discute, altera, aprova; CPC discute, altera, aprova; redator revisa; e CPC aprova versão final.
Os Planos de Trabalho serão desenvolvidos pelas Coordenadorias.
A CVM, através de sua deliberação 520/2007 de 15/05/2007 estabeleceu que: “a CVM poderá colocar em audiência pública conjunta com o CPC as minutas de pronunciamentos técnicos por ele emitidas, disponibilizado-as, na sua página na rede mundial de computadores”. Desta maneira a CVM determinou que poderá fazer suas audiências públicas em conjunto com o CPC, quando o assunto a ser tratado for a normatização contábil.
Finalmente, como resultado de toda organização em que está inserido, o CPC deverá emitir Pronunciamentos, Orientações e Interpretações onde os Órgãos reguladores emitem seus atos próprios adotando os do CPC em Convergências com as normas do International Accounting
O plano das instituições ligadas ao CPC, e também do governo, é que o Brasil tenha sua contabilidade totalmente harmonizada com as normas internacionais, e o trabalho desse comitê está sendo desenvolvido no sentido de que isso seja já aplicado diretamente nos balanços individuais, primários, de tal forma que não exista um balanço de acordo com as regras brasileiras e outro de acordo com as internacionais, como está ocorrendo hoje nos países da União Européia, onde cada empresa faz o seu balanço de acordo com suas regras nacionais e, depois, o consolidado de acordo com o IASB. Queremos evitar isso, queremos que o individual e o consolidado brasileiros sejam feitos com base em um único conjunto de regras. (MARTINS et al, 2007, p.28- 29)
O CPC não tem um tempo totalmente definido para efetivamente alcançar seu objetivo de forma completa, pois deverá ser implantado gradativamente, atingindo todas as empresas brasileiras que elaboram balanços.
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, através da Audiência Pública nº. 3/2007 propôs o trabalho intitulado Pronunciamento Conceitual Básico - Estrutura Conceitual para a
Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis que tem Correlação direta com as Normas Internacionais – Framework for the Preparation and Presentation of Financial
Statements, IASB – International Accounting Standards Board. Este trabalho teve sua
aprovação publicada pela Coordenadoria Técnica do Comitê, através da ata da 19º Reunião Ordinária do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, realizada no dia 11 de janeiro de 2008 ainda, através do termo de aprovação, recomenda que as entidades reguladoras brasileiras referendem a nova estrutura adotada.
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgaram, no dia 14 de março, o “Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis” e a Deliberação CVM nº. 539/08, que aprova o referido Pronunciamento para adoção pelas Companhias Abertas. Este Pronunciamento tem como objetivo servir como fonte dos conceitos básicos e fundamentais a serem utilizados na elaboração e na interpretação dos Pronunciamentos Técnicos e na preparação e utilização das Demonstrações Contábeis dos mais variado tipos de entidades contábeis.
O CPC considerou seu Pronunciamento Conceitual Básico como ponto de partida para uma série de outros, sobre aspectos puramente Conceituais, relativos à preparação e à apresentação das Demonstrações Contábeis. No entanto, outros Pronunciamentos Complementares também deverão ser emitidos posteriormente.
Atualmente, no Brasil, consideram-se duas Estruturas Conceituais de Contabilidade emitidas: uma, pelo IBRACON – Instituto Brasileiro de Auditores Independentes, transformada em ato próprio da CVM pela sua Deliberação CVM no. 29/86, intitulada “Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade”; e a outra, emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) pela sua Resolução CFC nº. 750/93, sob título de “Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC)”. A esta última se seguiram a Resolução CFC no. 774/94, sob o título “Apêndice à Resolução Sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade”, detalhando um pouco mais a anterior, e a Resolução CFC no. 785/95, “Das Características da Informação Contábil”. As duas abordagens, em termos de conteúdo, divergem muito pouco, sendo a diferença entre elas de natureza formal e em parte são consideradas até complementares. (FIPECAFI, 2003, p.48)
Conforme exposto, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis propôs, através da Audiência Pública nº. 3/2007, o trabalho intitulado Pronunciamento Conceitual Básico - Estrutura
Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis que tem Correlação direta às Normas Internacionais – Framework for the Preparation and
Presentation of Financial Statements, IASB – International Accounting Standards Board,
seguindo assim, o processo de convergência rumo às Normas Internacionais que está adotando.
No presente capítulo foram apresentados fatos que marcaram a evolução histórica da Contabilidade no Brasil, iniciando-se com a vinda da família Real Portuguesa, no séc. XIX, as primeiras escriturações, os primeiros passos do ensino da Contabilidade no país, a influência da Escola Norte-Americana de Contabilidade na década de 60, sendo este último, fator que impulsionou decisivamente a evolução da Contabilidade no país.
Também foram abordados aspectos sobre a evolução da regulamentação da contabilidade no Brasil, até os dias atuais, ressaltando a preocupação do Brasil em ter suas normas contábeis em concordância com a normas internacionais. Através dessa preocupação, em 2005 foi criado o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), com missão de emitir Pronunciamentos Contábeis em concordância com as normas internacionais do IASB. Em Janeiro de 2008 foi aprovada a Estrutura Conceitual de Contabilidade proposta pelo CPC,
totalmente convergente com as normas do IASB, fazendo com que o Brasil desse um importante passo rumo às normas internacionais.
Nos três capítulos seguintes serão apresentadas as estruturas conceituais de Contabilidade, as duas utilizadas anteriormente (CFC e CVM) e a atual (CPC) para que após a apresentação de cada uma delas possa ser realizado o estudo crítico a respeito da estrutura conceitual do CPC, com o devido embasamento teórico.
CAPÍTULO 3 - ESTRUTURA CONCEITUAL SEGUNDO O CONSELHO FEDERAL