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Crystal (2009, p. 237) destaca a existência de aproximadamente 20 vogais (no nível fonético) na maioria das variedades do inglês. Quanto às vogais breves e longas, Roach (2005, p. 15) afirma que no Inglês há um grande número de sons vocálicos. Primeiramente, iremos descrever as vogais breves, que são representadas pelo autor da seguinte forma: , , , , , . Usaremos os diagramas de Roach (2005), que destacam a posição de articulação da vogal, para descrever as vogais breves do inglês, exemplificando:

(3.40)

[]

Exemplos: "bit", "pin”, “fish”. – Roach (2005, p.15)

(3.41)

[]

(3.42)

[]

por exemplo: “bat”, “man”, gas” – Roach (2005, p.15)

(3.43)

[]

Por exemplo: “but”, “some”, “rush”. – Roach (2005, p.15)

(3.44)

[]

(3.45)

[]

Por exemplo : “put”, “pull”, “push” – Roach (2005, p.15)

As vogais listadas acima, segundo o autor, são as que ocorrem em posição tônica. Há outra vogal breve para a qual o símbolo é . Essa vogal central - que é chamada de “schwa” - é um som muito familiar em Inglês, em posição átona: é ouvido na primeira sílaba da palavra “about”, “oppose”, “perhaps”, por exemplo.

Há ainda, segundo Roach (2005), outros tipos de sons vocálicos no Inglês: cinco vogais longas. É necessário utilizar a expressão "em contextos similares" para sinalizar a oposição de duração, porque, como veremos mais tarde, a duração dos sons vocálicos em Inglês varia também de acordo com seu contexto (como o tipo de som que o acompanha) e a presença do acento. As vogais longas do IA são: , , , , .

É interessante destacar que as vogais longas são diferentes das vogais breves não somente em duração, mas também em qualidade. Se compararmos alguns pares semelhantes de vogais longas e breves, por exemplo,  com , ou  com ,  com , será possível perceber diferenças em termos de qualidade (que resultam de diferenças na forma e posição da língua e posição dos lábios), bem como de duração.

Assis (2007, p. 74) assume que as diferenças entre vogais breves e longas são distintivas (= fonêmicas) no IA e representa as vogais dessa língua

em um quadro reproduzido abaixo no Quadro 08, como síntese do panorama das vogais fonológicas do Inglês.39

Quadro 8 – Vogais fonológicas do Inglês

Fonte: Assis (2007, 74) – quadro elaborado com as vogais do inglês (cf. MACMILLAN, 2004, versão em CD-ROM). (Macmillan English Dictionary for advanced learners, 2004,

versão em CD-ROM).

Para as vogais breves e longas, divididas em monotongos, ditongos e tritongos, Roach (2005, p.34) apresenta o quadro a seguir:

Quadro 9 - Vogais breves e longas – fonte: Roach (2005, p.34)

Roach (2005, p.31) argumenta que algumas vogais ocupam uma posição no Inglês relativamente estável durante a articulação. Estas vogais são descritas como monotongos. Outras vogais ocupam mais de uma posição. Essas vogais são referidas como ditongos e tritongos pelo autor. Desta

39

Vale ressaltar que a autora adverte que as vogais do inglês que possuem o som de // são geralmente realizadas como [], e // é pronunciado [].

forma, podemos também pensar essa diferença como a quantidade de vogais que são encontradas dentro de uma sílaba. Segundo Roach (2005, p.31):

In monophthongs there is one – .., /, , , , / –, in diphthongs there are two – .., /, , / – while in triphthongs there are three – e.g., /, /. Note though that triphthongs are not found in all dialects of English: those dialects that pronounce all underlying /r/'s – the so-called rhotic dialects.

Por outro lado, Roach (2005, p.32) acrescenta que, dependendo da duração, as vogais podem ser breves ou longas, assim:

vowels may be short – .., / e / – or long – .., / , , , , / – depending on their duration: long vowels are approximately twice as long as short ones. Note that diphthongs and triphthongs are just as long as long monophthongs. Whenever we refer to long vowels, we always mean long monophthongs, diphthongs and triphthongs together. Note that length in English varies depending on the environment – i.e., length is not a stable property.

McArthur (1992, p. 1099) destaca que, para abordar a qualidade da vogal em inglês, é necessário que se dê enfase ao fato de que esta propriedade (a duração) diferencia um som de outro, atribuindo um caráter distintivo. Observe o exemplo (3.46) abaixo, produzido a partir dos dados citados pelo autor:

(3.46)

/i:/ sheep (ovelha) – [i:p]

/ i / ship (navio).- [ip]

Observamos que a duração de /i/ tem papel distintivo nessas palavras: a presença do [i:] alongado neste contexto significará “ovelha”, o não alongamento do [i] significará “navio”. A localização de pares mínimos que se diferenciam apenas quanto à duração da vogal, neste caso, dada a alteração de sentido, a partir de uma metodologia fonêmica estruturalista (cf. Pike, 1947; Cagliari, 2002), indica a oposição entre vogais breves e longas no IA.

Assis (2007, p. 75) faz algumas considerações interessantes para esta pesquisa, com relação a algumas vogais específicas do inglês e das dificuldades de falantes de PB na reprodução do timbre de origem:

Com relação a algumas vogais específicas do inglês, falantes do PB têm dificuldade de reproduzir fielmente o timbre de origem, por causa da ausência desse fone como opositivo a outro no componente fonológico do PB, em que eles apenas podem ser atestados como variantes do som que ocorre na palavra originariamente do inglês. Desta forma, os falantes de PB têm dificuldades em reproduzir, no nível fonético, a distinção entre o // e //, por exemplo, já que estes são percebidos como variantes de um e mesmo fonema /i/ por falantes de PB, neutralizando o contraste entre palavras como cheap [tip] e chip [tp], heat [ht] e hit [ht], beat [bt] e bit [bt]. Da mesma forma, a vogal // é geralmente percebida por brasileiros como //, neutralizando o contraste entre palavras como bad [bd] e bed [bd],

pan [pn] e pen [pn], bag [bg] e beg [bg].

Assis (2007, p. 75) afirma que, pelos mesmos motivos citados anteriormente, os falantes de PB também não percebem diferenças entre // e // em palavras como pool [pl] e pull [pl], fool [fl] e full [fl]. Da mesma forma, ocorre a dificuldade que o falante do PB enfrenta diante de //, por ser um fonema inexistente em sua língua materna, que tende a ser percebido como //. Um exemplo utilizado pela autora é a palavra hot [ht], em inglês, que costuma ser percebida e pronunciada por falantes do PB como [ht].

Outro fator interessante citado pela autora é o de que:

Ao pronunciarem palavras inglesas, falantes brasileiros aprendizes de inglês costumam também desencadear um processo de substituição do schwa (//) por /e/, pelo fato de /e/ ser a vogal pré- tônica do PB com a configuração de traços mais próxima do schwa inglês. Além disso, enquanto o schwa é a vogal “neutra” – isto é, subespecificada - do inglês, para o PB a vogal “neutra” é o /e/, justamente a vogal que ocorre na epêntese (cf. LEE, 1993). Exemplo: internet: em inglês [] (Nos dicionários de inglês consultados, // é transcrito como /e/ e // é transcrito como /r/.) e em PB []. Ocorre também comumente a substituição do

schwa do inglês, //, por outras vogais no PB devido à influência da

grafia da palavra de origem inglesa (exemplo: crystal – em inglês [] e em PB []).(ASSIS, 2007, p. 75-76)

Benzer Belgeler