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3. BULGULAR 48-

3.4. Gebeliğe Bağlı Değişiklikler

No âmbito estadual, durante longo período, não havia normas específicas para mulheres grávidas, ficando a mercê de uma espécie de direito costumeiro, mui- to comum e influente nos presídios. Numa pesquisa realizada no compêndio legislativo da SEAP, constatou-se que antes de 2006 não havia nenhuma regra que fosse exclusiva para mulheres.

A Resolução da SEAP n. 338 de 29/01/2010 dispõe sobre o ingresso, rein- gresso e transferência no âmbito das Unidades Prisionais da Secretaria de Es- tado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro. De acordo com o artigo

6o, a presa que esteja em final de gestação ou tenha um recém-nascido deve

ser enviada para uma Unidade Materno Infantil, com a autorização do Diretor da Divisão de Registro e Movimentação do Efetivo Carcerário — CEDR. O fato dessa norma expressar diretamente que deve haver autorização do Diretor de- nota um caráter de subjetividade, o que pode ser prejudicial à detenta que necessita estar numa unidade especializada. Outro aspecto importante é que a norma fala de presas no final da gestação, ou seja, exclui as mulheres que este- jam nos primeiros meses de gestação, período que também deveriam receber uma atenção especial por conta de sua condição de gestante.

73 Regras de Bangkok, Regra n. 42. Disponível em http://carceraria.org.br/wp-content/ uploads/2012/09/Tradu%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-oficial-das-Regras-de-Bangkok- -em-11-04-2012.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

74 Regras de Bangkok, Regra n. 64. Disponível em http://carceraria.org.br/wp-content/ uploads/2012/09/Tradu%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-oficial-das-Regras-de-Bangkok- -em-11-04-2012.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

75 Regras de Bangkok, Regra n. 52. Disponível em http://carceraria.org.br/wp-content/ uploads/2012/09/Tradu%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-oficial-das-Regras-de-Bangkok- -em-11-04-2012.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

O parágrafo único desse mesmo artigo estipula que a presa deve retornar a seu local de origem quando terminar o período de seis meses de amamen- tação, quando o recém-nascido retornar para o seio familiar antes de findo o prazo destinado à amamentação, ou nas hipóteses de perda do poder familiar

nos casos previstos pelo Código Civil76. Diferentemente das regras de Bangkok

— que pregam que a separação da mãe com o filho deve ser determinada caso a caso e ser feita de forma gradual e tranquila —, a normativa da SEAP parece ser taxativa no sentido de que, findo o prazo para aleitamento, a mãe deverá retornar à sua unidade de origem. Essa norma contraria o disposto pela Re-

solução n. 4 de 15 de julho de 2009 do CNPCP, que no seu artigo 2o estipula

que as crianças devem permanecer no mínimo um ano e seis meses junto de

suas mães77.

Embora o artigo 14, §3°, da LEP expresse claramente que será assegurado o acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-natal e no pós- -parto, não há uma norma no âmbito estadual da SEAP que regulamente como será esse acompanhamento. Assim, o acompanhamento médico à mulher no período de gestação e logo após o nascimento fica ao critério da administração penitenciária e dependente de disponibilidade de recursos, o que enseja gran- de possibilidade de descumprimento.

Já a resolução 395 de 21 de março de 2011 regulamenta a visitação ao pre- so, incluindo a visita de preso à Unidade Materno Infantil. Essa resolução reco- nhece a importância da manutenção dos laços familiares, entretanto, impõem- -se inúmeras condições para efetivação desse direito. Diz a resolução:

76 Resolução 338/2010 da SEAP, art. 6, p. Único. “Art. 6º — Em reverência, sobretudo, ao art. 9º da Lei nº 8.069/90 — Estatuto da Criança e do Adolescente, o acautelamento de presa provisória, ou de condenada em qualquer regime, que tenha filho recém-nascido, ou esteja em final de gestação com indicação médica para ingresso na Unidade Materno Infantil, dar- -se-á nessa unidade, com autorização do Diretor da Divisão de Registro e Movimentação do Efetivo Carcerário — CEDR -, para a amamentação e o estreitamento da convivência com o seu rebento pelo período de 6 (seis) meses.

Parágrafo Único — A presa retornará a seu local de origem nos seguintes casos: I — ao findar o período de 6 (seis) meses destinado ao alactamento;

II — quando da ida ou retorno do recém-nascido para o seio familiar antes de findo o prazo destinado à aleitação;

III — quando da suspensão, extinção ou perda do poder familiar por parte da presa, na forma dos arts. 1.635, incisos I, IV e V, 1.637, caput, e 1.638, incisos I, II, III e IV do Código Ci- vil, à exceção do caso previsto no parágrafo único do art. 1.637 da mesma Lei Substantiva, por decisão judicial, se o crime a que se refere esse fragmento normativo não houver sido cometido contra filho próprio, consoante os termos do inciso II do art. 92 do Código Penal.” Disponível em: http://www.sindsistema.com.br/?pagina=noticiaviw&id=682. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

77 Resolução n.4/2011 do CNPCP. Art. 2. Disponível em: file:///Users/celinamendesdealmeida/ Downloads/2009resolu04.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

Nos casos em que houver filhos em comum, abrigados na Unidade Materno Infantil da SEAP, a visitação comum ou íntima poderá ser concedida mediante requerimento apresentado ao Diretor da Unidade onde a presa, mãe da criança, se encontrar custodiada, ouvindo-se a seguir o preso, pai da criança, e sua res- pectiva Direção e, ainda as Comissões Técnicas de Classificação

das duas Unidades, cujos Diretores deferirão ou não o pedido.78

Portanto, há previsão do direito à visitação comum ou íntima, mas não es- tão previstas as hipóteses que poderiam impedir o gozo de tal direito, ou seja, na ausência de critérios objetivos que justificasse uma negativa da autoridade penitenciária para tais visitas. Abre-se assim um espaço para o subjetivismo e possível arbitrariedade.

Outra norma de impacto sobre o público carcerário feminino é a Resolu- ção 416 de 5 de agosto de 2011, que trata do material e insumos necessários à população carcerária. Ou seja, a roupa de cama, vestuário e higiene pessoal, entre outros. Porém, nota-se que a lista não cita materiais de higiene pessoal específico para mulheres, para gestantes e para crianças recém-nascidas, con-

forme demonstra o quadro abaixo79:

Quantidade Insumos/Produtos Durabilidade

02 Calça de brim 12 meses

02 Bermuda 12 meses

03 Camisas brancas 12 meses

02 Toalhas de banho 12 meses

02 Lençóis 12 meses

01 Par de tênis 24 meses

01 Par de sandália 24 meses

02 Pares de meia 12 meses

01 Cobertor 12 meses

02 Fronhas 12 meses

01 Travesseiro 12 meses

78 Resolução 395/2011. Disponível em: http://download.rj.gov.br/documentos/10112/390370/ DLFE-39361.pdf/ResolucaoSEAPn395.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014. 79 Resolução 416/2011. Art. 5. Disponível em: http://download.rj.gov.br/documen-

tos/10112/390370/DLFE-39377.pdf/ResolucaoSEAPn416.pdf. Último acesso em 15 de de- zembro de 2014.

Quantidade Insumos/Produtos Durabilidade

01 Colchão 12 meses

02 Sabonetes 1 mês

02 Rolos de papel higiênico 1 mês

01 Escova de dente 6 meses

01 Tubo de creme dental 1 mês

Conforme exposto, não resta dúvida de que houve uma evolução legisla- tiva no que diz respeito à mulher presidiária. Em parte, essa evolução também atendeu à presa grávida, foco principal desse estudo. Entretanto, ainda existe um significativo vácuo legal. Essa constatação tem como referência as Con- venções Internacionais que tratam do tema, nas quais o Brasil é signatário, em especial, as chamadas “Regras de Bangkok” que apresentam uma série de proteções às gestantes e lactantes.

O confronto entre as Regras de Bangkok e a legislação brasileira demons- tra que esta ainda precisa avançar em alguns aspectos. Além de deixar muitos pontos vazios, a legislação nacional, em alguns casos, atribui aos Estados — majoritariamente responsáveis pelo sistema penitenciário — a responsabilidade de completar as normas gerais. O resultado é uma discricionariedade ao poder executivo estadual que, em grande medida, é causa para o não cumprimento das normas internacionais.

Após essa análise no plano normativo teórico, passamos à análise dos da- dos obtidos no procedimento do NUDEDH.

6. Análise dos dados do procedimento e informações coletadas

Benzer Belgeler