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GEBELERĠN MEVCUT GEBELĠKLERĠNE ĠLĠġKĠN BULGULARININ

5. BULGULAR

6.2. GEBELERĠN MEVCUT GEBELĠKLERĠNE ĠLĠġKĠN BULGULARININ

Por ser caracterizado como um espaço específico para o trabalho com a leitura, realizou-se entrevista semiestruturada com as professoras responsáveis pela

SL (Anexos E, F, G e H) para, por meio de seu discurso, verificar o modo de organização da escola para o trabalho com leitura. A princípio, pretendeu-se analisar também o projeto de cada professor da SL; no entanto, nas quatro escolas, foi alegado que não estavam disponíveis para consulta.

3.2.1 As professoras da SL

A seguir são apresentadas as informações que permitiram definir o perfil das professoras responsáveis pela salas de leitura:

Escola A Escola B Escola C Escola D IEX+ PB↑ IEX+ PB↓ IEX- PB↑ IEX- PB↓ Tempo na

escola 2 anos 10 anos 28 anos 2 anos

Tempo na SL 5 meses 1 ano 5 anos 7 meses

Formação Artes

Plásticas Pedagogia Pedagogia Pedagogia

Série que

atua Ciclo I Ciclo I Ciclo I e II Ciclo I e II Função na

SL Cuidar do acervo, fazer empréstimos de livros e planejar as aulas

Quadro I: Perfil das professoras da Sala de Leitura

A função do professor da SL é a mesma nas quatro escolas: cuidar do acervo, realizar empréstimos de livros e lecionar. Predominam os professores formados em Pedagogia. Nas escolas localizadas em bairros com IEX negativo, os professores acumulam mais turmas, atuando no Ciclo I e II. Quanto ao tempo na SL podemos observar que o trabalho desses professores é relativamente recente. As professoras das Escolas A e D começaram recentemente a trabalhar na SL. A professora da escola A tem sua formação em Artes e afirmou que “não queria continuar professora de Artes” na escola por não ter “nenhuma sala específica” e ter que “ficar carregando os materiais para lá e para cá”. Além disso, disse ter sido influenciada pelos colegas da escola por acreditarem que Artes “tem tudo a ver”. A professora da Escola B também começou recentemente a trabalha na SL, porém tem 10 anos de trabalho em sala de aula como professora de 1ª a 4ª série. Sua formação é em

Pedagogia. A professora da Escola C é a que tem mais experiência, com 5 anos em SL e 28 em sala de aula. Sua formação também é em Pedagogia.

Nas quatro escolas o discurso se assemelha quanto ao objetivo e quanto ao projeto específico que deve ser trabalhado:

(A) “... o objetivo maior da sala de leitura é formar leitores... espaço de incentivo pra eles lerem, gostarem de ler e terem uma leitura significativa...”

(B) “... nós damos aula de vários gêneros de texto... também trabalhamos contos populares... eu tenho que trabalhar com as expectativas da prefeitura.”; “... mostrar para os alunos todos os gêneros... criar o hábito de leitura.”

(C) “... mostrar para eles (os alunos) o interesse da leitura e que eles se apropriem do que a gente tem aqui.”

(D) “... tenho trabalhado os gêneros da leitura”; “... incentivar a leitura, prazer em ler... peguem gosto pela leitura, sintam prazer em ler...”

Em síntese, o objetivo do trabalho na SL é incentivar a leitura, apresentar o acervo à comunidade escolar e formar leitores. Para tal, os projetos pretendem que sejam apresentados os diferentes “gêneros de textos”, por meio de diferentes tipos de leitura, seja ela silenciosa, coletiva ou feita pela professora, como relata a da Escola A: “é expectativa da SL vários tipos de leitura; leitura compartilhada, leitura em voz alta, leitura sozinho”.

3.2.2 O trabalho na SL

A professora da Escola A encontra dificuldade em dar uma sequência ao trabalho “muito bom de duas professoras que se aposentaram”, pois não recebeu “nenhuma instrução” de como trabalhar na Sala de Leitura. A sala de leitura é junto à biblioteca, cabendo à professora realizar empréstimos e cuidar do acervo. Uma dificuldade recorrente nas Escolas A, B e D é administrar o tempo de 45 minutos para trabalhar a leitura e controlar os empréstimos e devoluções dos livros.

O trabalho nas Escolas A e D é por “projetos”, o que envolve a leitura de textos divulgados pela mídia como A fantástica fábrica de chocolate. Alice no país das maravilhas, Ali Babá e O pequeno polegar, a partir dos quais a professora realiza a leitura em voz alta. Na Escola A os alunos ainda fazem a reprodução do

texto lido por meio de desenhos. A professora dessa escola disse buscar fazer uma “roda da biblioteca” na qual os alunos deveriam “contar o que eles leram”, mas não obteve sucesso, pois eles não conseguem verbalizar o que leem. Outra dificuldade mencionada pela professora dessa escola foi a de “prender a atenção deles”, uma vez que os alunos chegam à sala e “querem ficar mexendo” nos livros. Além disso, o trabalho realizado na SL da Escola A é específico de leitura, o “que é feito aqui é terminado aqui e não continua nada do que fez na sala de aula”.

Ao contrário da SL da Escola A, as professores das Escolas B e D trabalham visando a fazer da SL uma extensão da sala de aula: “às vezes não conseguem ler um capítulo todo, aí leem [na SL]” (Professora da Escola B) com a professora ou “elas trabalham na sala e complementam aqui” (Professora da Escola D). Enquanto na Escola A a professora ressaltou que possuía relativa autonomia para realizar o seu planejamento, na Escola B a professora atende ao planejamento anual das professoras de 1ª a 4ª série. O espaço da SL também é o da biblioteca nas quatro escolas. O trabalho da professora C parece ter a rotina mais estruturada, estipulando-se o empréstimo de livros a cada 15 dias.

De acordo com a legislação específica da SL, deve-se trabalhar com uma “metodologia de leitura voltada para a formação do leitor consciente e crítico” (São Paulo, 1983, Decreto nº 18.576). A proposta original não busca a escolarização da leitura, mas, diante da influência das provas padronizadas, o trabalho parece ter seu propósito modificado, pois a criança não pode ler só pelo prazer de ler, ela tem de ler, interpretar, reproduzir e responder perguntas. O trabalho com os alunos nas SL parece ser de reprodução de textos. Interessante notar que quando a professora da Escola A tenta fazer com que os alunos verbalizem o que leram, eles não conseguem, mostrando a dificuldade de interpretar o texto lido e de expressar sua opinião, situação que parece ser raramente estimulada pelos professores de SL.

A burocratização também tem afetado o trabalho na SL. Todas as professoras manifestaram maior preocupação na realização de empréstimo de livros e na organização da turma do que no trabalho específico de leitura. As professoras das escolas com menor desempenho, tanto no bloco do IEX positivo quanto do IEX negativo, manifestaram que, muitas vezes, o trabalho iniciado na sala de aula estende-se à sala de leitura. As professoras das escolas com melhor desempenho parecem ter mais autonomia na escolha do trabalho, porém os dados sugerem o improviso por parte da professora.