Os dados foram lançados no programa Praat, versão 4.4.27, disponível no site www.praat.org. O programa foi criado por Paul Boersma e David Weenink na Universidade de Amsterdam. No programa Praat foram instaladas as extensões necessárias para aplicação do MOMEL e do INTSINT. Estas são descritas como ActivePerl 5.8.8.819 e Momel-Intsint v10.3 e se encontram disponíveis no site http://aune.lpl.univ-aix.fr/~auran/english/ressources.html. Todos os programas e extensões necessários para essa pesquisa são disponíveis livremente na internet.
No entanto, a instalação dos programas foi um processo árduo e longo. Por seis meses foram realizados testes com os programas e sempre culminavam em algum tipo de erro. Muitas vezes era dada apenas a estilização incompleta do MOMEL. Somente com a chegada da doutoranda Celine De Looze, da Universidade de Provence, orientanda do idealizador dos programas, Daniel Hirst, foi possível completar as instalações. Mesmo De Looze teve certa
dificuldade inicial e somente um trabalho em conjunto possibilitou as instalações necessárias para o uso adequado dos programas MOMEL/INTSINT.
Para que o programa possa rodar adequadamente é necessário que os passos abaixo sejam seguidos rigorosamente.
1° passo: através do site www.praat.org, faça o download do programa Praat. O programa é simples e executável.
2° passo: acesse a página:
http://aune.lpl.univ-aix.fr/~auran/english/ressources.html. Nela há um link que permite o download do programa Perl, comprado ou livre.
3° passo: da forma livre, a página que se abrirá fornece várias versões para instalação: Windows, Linux, Mac, dentre outros. Caso a opção seja Windows, optar pela versão MSI.
4° passo: instalar o programa Perl com ajuda do ícone “installer”. 5° passo: acesse novamente a página
http://aune.lpl.univ-aix.fr/~auran/english/ressources.html. Há três links que permitem o download do MOMEL/INTSINT: versão 10.3 para Windows e Mac, e versão 10.2 para Linux. Todos são zipados e incluem o arquivo “readme”. Ao extrair os arquivos, o arquivo “readme” direciona o restante de instalação.
Os programas já foram instalados e testados no Laboratório de Fonética da UFMG e estão funcionando satisfatoriamente.
Antes de realizar a aplicação dos programas MOMEL/INTSINT verificamos, para cada informante, a freqüência máxima e mínima. Tal procedimento é necessário para o melhor funcionamento do MOMEL.
O programa MOMEL apresenta uma limitação no que tange a duração de pausas5. Pausas maiores que 250 milisegundos (ms) interferem no processo de
estilização da curva de F0.
Por esse motivo, segmentamos as passagens em trechos a fim de excluir esta interferência. Assim, cada passagem foi segmentada em até dez trechos. Cada trecho foi armazenado individualmente em arquivo .wav. Foram analisados através do programa MOMEL, no total, 559 trechos.
Em cada novo arquivo aplica-se o MOMEL, que nesse projeto é a representação da melodia no nível fonético. Para tanto, deve-se sempre dispor para o programa a freqüência máxima e mínima do falante que será analisado. A figura abaixo mostra a janela que se abre ao pedir a aplicação do MOMEL.
Figura 25: Janela inicial do MOMEL-INTSINT
Na figura podemos visualizar no quadro “F0 range” os valores 100 e 250 (medidas em hertz) correspondentes aos valores mínimo e máximo da tessitura de uma
5 A limitação do MOMEL quanto a duração das pausas foi considerada por Hirst e o programa está em constante de aperfeiçoamento.
informante do sexo feminino, respectivamente. Os valores padronizados são 60 Hz para o mínimo e 500 Hz para o máximo. Esse procedimento deverá ser realizado com todas as unidades tonais e os campos preenchidos de acordo com a variação de cada informante.
O resultado da aplicação do MOMEL são os pontos-alvo que poderão ser alterados caso haja necessidade. No exemplo da informante acima, não foi necessário realizar qualquer alteração nos pontos-alvo fornecidos pelo MOMEL. O resultado está exemplificado na figura abaixo.
Figura 26: Resultado da aplicação do MOMEL – os pontos-alvo
Automaticamente, após a confirmação dos pontos-alvo propostos pelo MOMEL, o programa fornece a codificação do INTSINT para cada ponto-alvo, como mostram as figura 27 e 28.
Figura 27: Oscilograma, espectograma com as curvas de intensidade e freqüência fundamental. No textgrid, os valores de F0, e codificação do INTSINT e os valores
Figura 28: No textgrid, os valores de F0, e codificação do INTSINT e os valores reajustados pelo INTSINT.
Na figura 27 vemos, no primeiro quadro, o oscilograma, no segundo, o espectrograma com as curvas de intensidade e freqüência fundamental. No terceiro quadro, que por sua vez é subdivido em três, vê-se a codificação do INTSINT. Este último quadro é melhor visualizado na figura 28. Nela, a primeira tira representa os valores em Hertz da freqüência fundamental de cada ponto-alvo do MOMEL. Sob eles, foi aplicada a fórmula
Pi = Pi-1 + c.(A – Pi)
Em que, Pi-1 é o tom precedente; c é uma constante com valores de 0,5 para os pontos H e L e 0,25 para os pontos U e D; A é ou o valor de T (para os pontos H e U)
ou de B (para os pontos L e D). Os resultados desse cálculo estão apresentados na última tira. A tira do meio apresenta os códigos do INTSINT, que é a análise fonológica de superfície. Os símbolos do INTSINT são representações ortográficas abstratas. O quadro abaixo mostra o símbolo, seu nome e tradução.
Símbolo Nome em inglês Nome em Português
T Top Topo
B Bottom Base
M Mid Médio
H Higher Mais alto
L Lower Mais baixo
U Upstepped Subindo nivelado
D Downstepped Descendo nivelado
S Same Igual
Quadro 6: Símbolos do INTSINT
Para realizarmos a análise com base no INTSINT, as passagens foram também segmentadas em unidades entonativas. Para esta divisão consideramos as pausas, as grandes variações melódicas e o alongamento do vogal tônica.
Após realizada a transcrição entonativa por meio do INTSINT, realizamos dois tipos de análises divididas em dois grupos.
No primeiro grupo separamos uma frase na qual esperávamos encontrar duas unidades entonativas, uma com característica de final ascendente e outra com final descendente. Inicialmente fizemos uma análise qualitativa de todos os informantes e em seguida contrapusemos as duas unidades.
No segundo grupo, selecionamos duas modalidades: afirmativa e interrogativa. Assim como procedido no grupo anterior, realizamos a
análise individual e em seguida as duas modalidades foram comparadas.
Essa divisão foi realizada a fim de verificar se o INTSINT nos daria algum padrão ou tendência para análise entonativa.
Em suma, teremos três níveis de análise:
Nível físico – representado pela curva de freqüência fundamental; Nível fonético – pontos-alvo do MOMEL;
Nível fonológico de superfície – codificação do INTSINT.