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2.4. ANKARA İSTİKLAL MAHKEMESİ

2.4.2. Gazetecilerin Yargılanması

As análises iniciais consistiram em levantamentos prévios sobre o comportamento das variáveis: que diretamente estiveram relacionadas com a precipitação e a leptospirose em Minas Gerais. As variáveis consideradas relevantes na produção da doença durante o trimestre chuvoso e que favoreceram diretamente as situações de inundações/alagamentos são discutidas e apresentadas a seguir.

55 Inicialmente foram levantadas informações e dados para identificar as áreas vulneráveis à ocorrência de inundações no estado de Minas Gerais. Em seguida foram feitas análises a partir da compilação dessas informações.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente Desenvolvimento Sustentável - SEMAD de Minas Gerais elaborou um Atlas de Vulnerabilidade as Inundações no Estado de Minas Gerais (2013) desenvolvido para ser uma ferramenta de planejamento quanto à prevenção de inundações, a fim de facilitar ações no sentido de minimizar os efeitos negativos decorrentes das inundações sobre áreas rurais e urbanas.

Segundo a SEMAD e conforme descrito no Atlas de Vulnerabilidade as Inundações do Estado de Minas Gerais (2013), o estado mineiro possui área de 586.522,122 km², que corresponde a 7% da área total do país e, devido a sua localização geográfica, apresenta como característica a continentalidade que tem importância sobre o tipo de relevo, variabilidade de biomas e fitofisionomias e ainda, sobre os padrões atmosféricos atuantes que resultam em diferentes regimes de chuvas no estado. A conjunção dessas variáveis e a característica das chuvas incidentes na região são responsáveis pela formação de importantes bacias hidrográficas federais que apresentam suas nascentes em Minas Gerais, tais como: o Rio São Francisco, Rio Paraná (Rio Grande), Atlântico Leste (Rio Jequitinhonha) e Atlântico Sudeste (Rio Doce).

Em decorrência do clima, do relevo e a forma de ocupação de várias regiões mineiras, verifica-se frequentes ocorrências de inundações nos períodos chuvosos com impactos sociais e ambientais relevantes. Algumas destas situações ocorreram nos municípios de: Camanducaia, Belo Horizonte, Guidoval e Além Paraíba apresentadas na Figura 12 - (a), (b), (c) e (d), respectivamente.

56 (a) (b)

(c) (d)

Figura 12 - (a) Alagamento em Camanducaia (Março/2012) e (b) Ribeirão Arrudas – Belo Horizonte (Janeiro/2009), (c) Enchente em Guidoval (Janeiro/2012) e (d) Além Paraíba – 2012. (Extraído do Atlas de Vulnerabilidade as Inundações no Estado de Minas Gerais, 2013).

De acordo com o Plano de Emergência Pluviométrica 2012/2013 da Defesa Civil do estado, no período chuvoso 2011/2012 houve um aumento de 27% no número de municípios mineiros atingidos pelos desastres provocados pelas chuvas em relação à média histórica dos últimos 10 anos (Tabela 1), que foi de 215 municípios no período (Atlas de Vulnerabilidade as Inundações no estado de Minas Gerais, 2013), dos quais 186 municípios foram em janeiro/2012 atingidos por desastres ocasionados pelas chuvas a exemplo de Guidoval e Além Paraíba (Figura 12).

Tabela 1 - Número de municípios atingidos pelos desastres provocados pelas chuvas no estado mineiro entre 2001 a 2012. (Fonte: CEDEC, Extraído do Atlas de Vulnerabilidade às Inundações no Estado de Minas Gerais, 2013).

57 Os municípios atingidos pelas chuvas no período 2007/2012, apresentaram inúmeros danos humanos, materiais, ambientais, prejuízos econômicos e sociais, que foram responsáveis por um prejuízo total de R$1.632.192.728,85 (um bilhão, seiscentos e trinta e dois milhões, cento e noventa e dois mil, setecentos e vinte e oito reais e oitenta e cinco centavos), como pode ser visto na Tabela 2.

Tabela 2 - Números de danos e custos dos prejuízos causados pelas chuvas no Estado de mineiro entre 2001 a 2012. (Fonte: CEDEC, Extraído do Atlas de Vulnerabilidade às Inundações no Estado de Minas Gerais, 2013).

O estado de Minas Gerais conta com uma das maiores malhas hidrográficas do país, possuindo mais de 166 corpos de água inundáveis em 36 Unidades de Planejamento de Gestão de Recursos Hídricos (UPGRHs). A SEMAD identificou os trechos dos corpos de água, quanto ao grau de vulnerabilidade à inundação, a partir da interseção dos dados históricos de frequência de ocorrência e o impacto ocasionado pelo evento, de acordo com a classificação estabelecida pela Agência Nacional de Águas – ANA. Os corpos d’água são subdivididos em trechos pela ottocodificação e o aspecto da vulnerabilidade foi definido por trecho. Informações relativas à frequência, impacto e vulnerabilidade a inundação das UPGRH’s, foram subdivididas em seguimentos, entre uma foz e sua confluência ou, segmento entre uma confluência e sua nascente, conforme é evidenciado na Figura 13.

58 Figura 13 - Unidades de Planejamento e Gestão dos Recursos Hídricos de Minas Gerais – UPGRH’s - FONTE: IGAM (Extraído do Atlas de Vulnerabilidade a Inundações no Estado de Minas Gerais, 2013).

Para realização do mapeamento foram levantados junto à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil – CEDEC, dados sobre os municípios que comunicaram eventos adversos relacionados com as chuvas, através de Notificação Preliminar de Desastre - NOPRED do período chuvoso 2007/2008 a 2010/2011. A partir destes dados foi elaborado um mapa destacando os municípios que sofreram inundação, enchentes ou ambos. Foi estabelecido um grau qualitativo para a frequência de ocorrência das inundações de acordo com os impactos gerados e consequentemente, foi estimado o grau de vulnerabilidade dos trechos inundáveis. Para cada trecho de corpo de água identificado como inundável foi definida a vulnerabilidade em função da frequência e dos impactos das inundações. A estimativa dos impactos foi definida em função da ocorrência de danos à vida, às propriedades e da interrupção dos serviços públicos e privados. Através do mapeamento, na Figura 14, foram identificados os impactos relacionados a cada trecho. A codificação foi dada em cores, conforme:

59 1) A frequência de ocorrência das inundações:

VERMELHO - A – ALTA VUNERABILIDADE: áreas que inundaram nos últimos 5 anos;

LARANJA - M – MÉDIA VUNERABILIDADE: áreas que inundaram entre 5 e 10

anos;

VERDE - B – BAIXA VUNERABILIDADE: áreas que inundaram há 10 ou mais anos.

2) A vulnerabilidade é dada em função da frequência e dos impactos causados pelas inundações, conforme a classificação abaixo:

ALTA VUNERABILIDADE - implica em risco de dano à vida humana e danos significativos a serviços essenciais, instalações e obras de infraestrutura públicas e privadas;

MÉDIA VUNERABILIDADE - causa danos razoáveis a serviços essenciais, instalações e obras de infraestrutura públicas e residências;

BAIXA VUNERABILIDADE - causa danos localizados.

Figura 14 - Mapa de identificação dos trechos de corpos d’água inundáveis em Minas Gerais, sudeste do estado delimitado pela elipse (Fonte: SEMAD, disponível em; http://geosisemanet.meioambiente.mg.gov.br/#)

60 Figura 15 – Modelo de elevação digital para Minas Gerais, sudeste do estado

delimitado pela elipse (Fonte: Viola, 2010).

Analisando o mapa dos trechos inundáveis mais críticos em Minas Gerais (Figura 14), quanto à frequência de inundação e a vulnerabilidade que dada região enfrenta mediante os impactos decorrentes causados pelas inundações, é possível perceber que a grande concentração dos trechos e/ou dos municípios mais críticos acontece no centro-leste e centro-sul (sudeste) de Minas Gerais (área interna ao elipse, Figuras 14 e 15).

A esta discussão deve ser acrescentada outra análise de igual ou grande relevância, a influencia da altimetria que nos adiciona a informação de que nas áreas de menores altitudes, conforme se observa no mapa do modelo digital de elevação (Figura 15), as áreas mais escuras concentram espacialmente as menores cotas altimétricas, onde ocorrem às situações de inundações mais críticas, ou seja, espacialmente existe uma maior proximidade e concentração entre as cores VERMELHA e LARANJA (Figura 14), as quais evidenciam as áreas mais vulneráveis as inundações, notoriamente, localizadas em parte do Centro de Minas, Leste e Sudeste do estado (área marcada - Figura 16). Esta situação provavelmente acontece devido à forma de relevo que aí se observa, como regiões de fundos de vales, próximas às bacias hidrográficas de médio e grande porte. E ainda, o fato de que, nessa área, existe uma expressiva concentração da população urbana, como pode ser visto na Figura 16.

61 0-25 hab/km² 25-50 hab/km² 50-100 hab/km² 100-150 hab/km² 150-200 hab/km² 200-300 hab/km² 300-400 hab/km² 400-500 hab/km² > 500 hab/km²

Figura 16 - Densidade populacional dos municípios de Minas Gerais, sudeste do estado delimitado pela elipse (Fonte: Wikipedia, 2012).

No tocante a abordagem do estudo e mais precisamente sobre a importância que algumas variáveis físicas (tipo de relevo, rede hidrográfica do estado) exercem em relação à distribuição espacial da leptospirose em Minas Gerais, se observa que as áreas de maior concentração de leptospirose, coincidem com as áreas dos trechos mais críticos e vulneráveis às inundações no estado que, se concentram com maior frequência espaçotemporal entre os setores: centro-leste e centro-sul de MG, no qual estão inseridas as mesorregiões de: parte da RMBH, Campos das Vertentes, parte do Oeste de Minas, parte do Sul/Sudoeste de Minas. Entretanto, é relevante comentar que tanto na escala regional como para a RMBH, a forma e o modo de ocupação da população irão repercutir no nível de criticidade dos impactos acarretados pelas inundações nestes locais e, consequentemente, isto se reflete também sobre a forma de contaminação e transmissão da leptospirose em ambas as escalas.

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Capítulo 5