A questão que se levanta é como a integração comercial da economia mexicana diante do NAFTA pode afetar a agricultura do Estado de Colima com a liberalização do intercâmbio de produtos agrícolas. Esta liberalização pode levar a um aumento da produção dos produtos agrícolas exportáveis no Estado de Colima e na realocação de recursos no mercado de fatores. Se isto acontecer, é possível que o impacto conduza a um aumento da produtividade nos processos produtivos dos exportáveis, utilizando eficientemente os fatores de produção e aumentando a sua competitividade.
Por sua vez, a modernização dos processos produtivos dos produtos exportáveis poderá conduzir a desequilíbrios nos mercados de fatores e de
produtos menos competitivos, resultando em mudanças na composição da produção tradicional, e conduzindo à incorporação de tecnologia em seus processos de produção ou da substituição deles.
Nesse sentido, a área de estudo será o Estado de Colima e, mais particularmente, o setor agrícola estadual que será analisado com base no período de 1980-1992. A importância econômica do setor agrícola na economia de Colima e de suas possíveis implicações em face do NAFTA reside no fato de que uma variedade de produtos agrícolas tem potencial de exportação e, portanto, podem afetar a estrutura da economia agrícola estadual.
O Estado de Colima destaca-se na região centro-ocidental do país, com uma extensão territorial de 5.455 km2 (0,3% do território nacional), com uma população de 428.510 habitantes. A participação setorial no PIB estadual, em 1988, distribuiu-se da seguinte forma: agricultura, 17,0%; indústria, 27,5%; e serviços com 55,5% (SECRETARÍA DE COMERCIO Y FOMENTO INDUSTRIAL – SECOFI, 1993).
A importância do setor agrícola no Estado decorre de sua forte vinculação à agroindústria e com o setor de serviços, movimentando o comércio, os meios de transportes, bem como outras atividades do setor serviços. De fato, o subsetor lavouras é o mais importante e mais dinâmico em virtude de sua participação no valor da produção e na geração de empregos. Assim, a atenção será dirigida basicamente para a sua análise.
A respeito da utilização da área cultivada nos 10 municípios que formam o Estado de Colima, 24% da superfície total é utilizado para as lavouras, 42% em pastagens para pecuária, 34% em florestas e outros usos, como assentamentos. Com respeito ao capital, as lavouras são mais dinâmicas, já que absorvem a maior porcentagem dos créditos de custeio e de investimentos. No que se refere ao fator trabalho, as lavouras são também as principais fontes de emprego na agricultura. Por suas características, requerem grande quantidade de mão-de-obra para as diferentes atividades nos processos de produção, e que, em alguns casos, ocorre intensivamente durante todo o ano. Assim, apesar de a superfície dedicada
às lavouras ser de apenas 24% do total, esse setor contribuiu com 70% do valor da produção do setor agropecuário e silvícola em 1991.
Em relação à intensidade de uso dos fatores de produção (terra, capital e trabalho), pode-se afirmar que 68% da superfície cultivada destina-se a cultivos perenes, que contêm uma infra-estrutura maior, com a maioria dos cultivos irrigados, que são explorados mais intensivamente em termos de sua utilização anual. Porém, os 32% restantes da superfície cultivada destinam-se aos cultivos de ciclo curto, cuja utilização do solo permite só uma utilização parcial durante o ano. É precisamente nesses cultivos que se encontra a menor superfície irrigada. A intensidade na utilização do solo também determina a utilização do capital e do trabalho como fatores complementares na exploração do solo.
No Estado de Colima, encontram-se claramente dois tipos de agricultura: uma "agricultura tradicional", caracterizada por cultivos básicos, com baixo nível tecnológico, pouca utilização de capital, com muita mão-de-obra familiar, são, em sua maioria, as culturas temporais de ciclo curto. O milho, o feijão, a cana- de-açúcar, o sorgo e o café são os principais produtos cultivados, ocupando uma superfície de 42.386 hectares, representando 36% da superfície total cultivada. O milho é a cultura de maior área, distribuindo-se em todos os municípios do estado.
Por sua vez, existe paralelamente uma "agricultura moderna", orientada basicamente para o mercado, composta de culturas comerciais que se caracterizam pela utilização de tecnologia moderna, grande utilização de capital (fixo e variável), e grande quantidade de mão-de-obra assalariada durante todo o ano. Essas culturas caracterizam-se por explorações permanentes durante o ano (perenes) em condições irrigadas. Aqui se encontram os cultivos de limão, manga, banana, palmeira de côco e hortaliças, como melão, pepino, tomate, que ocupam uma superfície de 59% da área cultivada e participam com 74% do valor da produção agrícola estadual. Essas explorações acham-se concentradas na região irrigada dos municípios de Tecomán, Armeria e Manzanillo.
Nesse sentido, a atenção principal deve ser dirigida para este tipo de exploração, que apresenta um potencial exportador no Estado de Colima. Torna-
se importante porque estas culturas requerem uma forte infra-estrutura econômica no processo de transformação (agroindústria) e na participação indireta no setor de serviços. Em conseqüência, as "culturas comerciais" representam um grande potencial de ganho de produtividade, rendimentos e competitividade na atual situação do comércio internacional do México, já que, pela sua infra-estrutura e pelo seu potencial, permitem uma grande capacidade de resposta a estímulos externos, através da abertura de mercados internacionais.
Além disso, Colima conta com uma moderna infra-estrutura em telecomunicações e transportes, e uma usina geradora de energia elétrica, cuja capacidade permite um excedente de 92%, que é distribuído para outros estados do país. Em Colima, encontra-se também o porto mais importante do Pacífico mexicano, o que constitui mais um fator favorável para definir algumas vantagens comparativas no comércio exterior de produtos agrícolas, no que se refere aos custos de transporte.
A indústria manufatureira (a mais importante) tem uma forte vinculação com a agricultura através das agroindústrias processadoras de produtos agrícolas, cuja expressão mais importante é a agroindústria do limão, com capacidade de abastecer 85% da demanda total de óleo de limão para os Estados Unidos, principais compradores, que é utilizado na fabricação de refrigerantes à base de cola. Nesse sentido, é importante orientar a pesquisa para avaliar as possíveis implicações da integração ao NAFTA para a sociedade colimense.